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O primeiro teaser trailer do segundo filme da série Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald foi lançado na terça-feira, 13 de março, e mostrou para nós, que estamos aguardando ansiosamente esse filme, muito mais da trama, da interpretação que Jude Law dará para Alvo Dumbledore e da conexão que Newt Scamander, o magizoologista interpretado por Eddie Redmayne, terá com as futuras sequências.

Com o trabalho espinhoso de precisar conquistar novamente os fãs da série Harry Potter que se inquietaram bastante com as polêmicas afirmações envolvendo a escalação do ator Johnny Depp, da falta de representatividade e de queerbaiting envolvendo a produção, o trailer inicia-se logo mostrando o castelo da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts e o personagem destaque desse filme, o futuro diretor da escola de bruxaria e então professor de Transfiguração, Alvo Percival Wulfric Brian Dumbledore.


Aparentemente, antes do Escolhido ser Harry Potter, o mago Alvo Dumbledore já havia sido uma espécie de tutor para outro bruxo que enfrentaria um grande mal: Newt Scamander.

Durante o início do trailer, nós temos alguns funcionários aparatando em Hogwarts. É claro que todos que algum dia já leram "Hogwarts, uma História" lembrariam de que é impossível aparatar nos terrenos da escola, contudo, é possível que os feitiços tenham sido momentaneamente baixados por ordem do próprio Ministro e as razões para isso ainda são um mistério. Um deles, no entanto, é Torquil Travers, interpretado por Derek Riddell, e que tem o sobrenome de um dos futuros Comensais da Morte. Além disso, temos Newt vindo de Paris com um postal misteriosamente rasgado. Será que o magizoologista tinha na verdade uma missão secreta quando viajou para Nova York? Qual será o papel de Newt e porque Dumbledore tem interesse nele?

Le Magique de Paris



Ainda no trailer somos apresentados à uma locação que, com toda certeza, é o Ministério da Magia da França. Ele é uma cúpula de vidro com várias constelações e desenhos de animais mágicos. Nela pode-se ver Le Niffleur (O Pelúcio), Centauro e Le Hippocampe (O Hipocampo).

Queenie Goldstein (Alisson Sudol) está nesse local, por qual razão a legilimens estaria ali ainda é um mistério, mas durante o trailer inteiro ela não teve nenhuma cena com Jacob (Dan Fogler). Será que os dois vão ficar separados durante o filme? Além disso, na versão estendida do trailer que foi lançada em HD, há uma cena onde Queenie parece perturbada e perdida em uma rua de Paris.

O passado de Credence


No trailer também temos pistas e possíveis enormes spoilers para a trama, especialmente para o personagem Credence. Numa das cenas temos um personagem que lembra bastante Dumbledore, de costas, analisando uma parede que parece ser uma espécie de árvore genealógica, árvore esta que não pertence a qualquer família, e sim aos Lestrange. E o mais chocante, o nome de Credence Barebone está ali.

Parece haver algum sentido no fato de que as raízes dos Lestrange estejam na França, uma vez que o nome parece derivar da expressão francesa l'etrange que significa "o estranho" e Paris possui não apenas uma longa história de famílias antigas, como, em seu subsolo, existem várias catacumbas. Será que os Lestrange possuem uma espécie de árvore genealógica mágica que revela o nascimento e morte de todos os membros da família? 

Outra curiosidade é que duas atrizes foram reveladas no filme: a primeira é Linda Santiago, que interpretará a tia de Credence; a segunda é Sabine Crossen, que interpretará a Sra. Lestrange. Não se sabe se as personagens irão interagir, se são aparentadas ou mesmo os nomes delas. Será que a Sra. Lestrange é a mãe de Leta?

Os crimes de Grindelwald



Como ficamos sabendo no filme passado, Gellert Grindelwald (Johnny Depp) foi preso pelos oficiais do MACUSA depois de ter sido desarmado por Newt. No entanto, sabemos que alguma hora o bruxo das trevas conseguirá escapar, tanto que está na sinopse oficial do filme, onde teremos uma cena de escapada "dramática" feita por Grindelwald.

No trailer há uma cena em que uma carruagem carregada por Testrálios, os cavalos voadores e esqueletais apresentados em Ordem da Fênix, saindo do Woolworth Building, onde fica localizado o Congresso Mágico dos Estados Unidos, e Grindelwald está dentro dessa carruagem, supostamente sendo levado para a sua execução ou talvez sendo movido para outra prisão.



Ainda temos um pequeno momento do trailer onde Grindelwald, com a sua parceira Vinda Rosier (Poppy Corby-Tuech), está em frente à uma multidão. Ele, em pé, como se estivesse prestes à discursar e ela segurando um objeto arredondado e branco, como uma bola de cristal. No primeiro filme, Grindelwald disse que ele havia tido uma visão de uma criança poderosa que poderia se aliar à ele, o que significa que o bruxo pode ser um Vidente. Seria essa uma nova profecia? Se for, sobre quem é e quem a fez? E qual será o plano de Grindelwald?

Le Cirque Arcanus


Uma das novidades do próximo filme e que já havia sido anunciada no casting é a existência do Circo Arcanus, um espetáculo itinerante de bruxos que provavelmente se apresentam para trouxas que não sabem que os truques de mágica ali são magia verdadeira.

E é ali que Credence Barebone (Ezra Miller) está escondido, provavelmente acolhido pelos artistas do circo, e ali ele, aparentemente, fez amizade com a personagem da atriz Claudia Kim, uma Maledicta, uma pessoa com uma maldição de sangue e que deve se identificar com a "maldição" de Credence e seu Obscurus

Especula-se também, que no Circo deva haver alguma criatura mágica muito rara ou sendo maltratada. Seria ali que Newt se encaixaria nesse núcleo, tentando salvar Credence e a criatura mágica? Será que a tal criatura mágica é Maledicta?

Os Animais Fantásticos



Outros destaques do trailer foram as breves aparições de animais fantásticos, que embora não serão o foco dessa nova série de filmes, obviamente continuarão tendo sua parte nos filmes, considerando que Scamander trabalha diretamente com eles e possui uma maleta cheia de animais mágicos.

Primeiro, temos o retorno de Pickett, o tronquilho, que prefere ficar no bolso de Newt e tem a habilidade de abrir cadeados com os seus dedos longos de madeira. Além dele, temos também o que provavelmente é um Kelpie, ou Cavalo-do-Lago na tradução, que se assemelha à um cavalo com uma longa crina toda feita de juncos e plantas aquáticas. O Kelpie, como várias criaturas do mundo bruxo, é inspirado em lendas e folclore britânico, e normalmente é descrito como vivendo em lagos e rios da região da Escócia, que é exatamente onde Hogwarts fica. Será essa cena um flashback de Newt jovem explorando o Lago de Hogwarts?


Outros dois animais aparecem no trailer: um pássaro acinzentado diante de uma janela chuvosa que provavelmente deve ser um Agoureiro, normalmente tido pelos bruxos como um animal ruim por seu canto, supostamente, indicar a morte, quando, na verdade, ele prevê a chuva; e um animal que se assemelha à um alce ou um bode que ainda não sabemos o que é.

Os Scamander


E por fim, temos uma cena intrigante de Newt e Teseu Scamander num cemitério à noite apontando as suas varinhas para algo misterioso e, sincronizados, apontando suas varinhas para o chão até criar uma fenda e uma forte luz vermelha. Parece que os irmãos Scamander terão um forte inimigo neste filme e os laços de família, confiança e amizades serão realmente testadas nesse começo de guerra que virá. 

Será que Newt Scamander realmente pode derrotar Grindelwald? E qual será seu papel nisso? As respostas nós só teremos na estreia do filme.


Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald estreia nos cinemas em 16 de novembro deste ano.

Créditos

Texto: Felipe Cavalcante
Revisão: Bruno Bolner

O texto apresenta as opiniões do autor do artigo e não do site Co-op Geeks.


As novelas são os principais produtos audiovisuais exportados pelo Brasil. Mesmo que depois de crescidos seja difícil acompanhar as tramas mirabolantes, todo mundo tem uma favorita que assistiu na infância. As novelas da Globo são as mais bem produzidas há muito tempo, mas o público atual está mudando e é necessário arriscar novas ideias.

Tentando atrair o público geek, a emissora realizou um trabalho massivo de divulgação da nova novela das 19h intitulada “Deus Salve o Rei”. O tema medieval foi o suficiente para começar as comparações com Game of Thrones, embora os seriados americanos tenham formatos completamente diferentes das telenovelas brasileiras. Até um painel foi exibido durante a Comic-Com Experience 2017, com cenas dos capítulos iniciais e entrevistas com o elenco.

Os teasers também mostravam uma história interessante, entre dois reinos que viviam um acordo de paz para que um pudesse usufruir das riquezas do outro. Enquanto Montemor possui ferro em abundância, mas vive uma seca sem precedentes durante décadas, Artena não possui minérios, mas sobram fontes de água doce. Mesmo que um romance super clichê tenha sido inserido na trama (não esqueçamos que se trata de uma NOVELA), o investimento em efeitos visuais e um tema, até então, pouco explorado pela mídia brasileira chamou minha atenção.

Ainda não chegamos lá


Exibida desde o dia nove de janeiro, Deus Salve o Rei é escrita por Daniel Adjafre, que já colaborou em outras novelas e assina seu primeiro trabalho autoral. Desde a estreia, venho acompanhando a evolução da história para ver se realmente o produto final é algo que atraia o público geek, mas infelizmente ainda falta para as novelas brasileiras se distanciarem da famosa receitinha de bolo caseiro, que agrada as senhorinhas que chegaram em casa depois de um dia longo de trabalho.

O que eu quero dizer especificamente, é que a novela em si não é ruim. Porém, é perceptível que certos acontecimentos e personagens estão ali somente para preencher a cota de estereótipos da TV. Outros pontos são muito mal explicados, com soluções do tipo “novela” e que poderiam ser mais surpreendentes com um pouco mais de criatividade.

Por outro lado, a parte visual realmente impressiona. Não vemos nada no nível de Game of Thrones, obviamente, mas o resultado da equipe de produção é realmente bonito e convincente, na maioria das cenas. Já é perceptível também as mudanças no roteiro original, devido a audiência mediana que o texto de Daniel conseguiu no primeiro mês de exibição, deixando vários personagens mais interessantes. Até alguns plot twists, entre o acordo dos reinos geraram as melhores cenas de batalha até então.

No ar há dois meses, é difícil dizer se “Deus Salve o Rei” será mesmo a quebra de rotina que a Globo esperava, mas é certo afirmar que não há quase nada “geek” para atrair o olhar dos fãs de histórias medievais, quadrinhos e afins.

Créditos:

Texto: Angelo Prata
Revisão: Bruno Bolner

O texto apresenta as opiniões do autor do artigo e não do site Co-op Geeks.

A grande sacada de realizar uma boa adaptação é saber dosar o que pode ou não ser excluído da história, para caber tudo em poucas horas de filme. Não é um trabalho fácil, visto que muitos já falharam miseravelmente com tal desafio (um beijo para o Death Note, da Netflix). Outro ponto muito questionado é a fidelidade com a obra original, tão pedida pelos fãs, mas que ao mesmo tempo me faz questionar: há necessidade de vermos exatamente a mesma história com atores reais? Com o longa Fullmetal Alchemist, baseado no mangá e anime de Hiromu Arakawa, descobri que a resposta é não!

O mangá já virou animação duas vezes, a primeira em 2003 (quando a história ainda estava longe de terminar nos quadrinhos) e em 2009, recebendo o subtítulo de Brotherhood e sendo mais fiel a obra original. Tanto os animes quanto o filme possuem exatamente a mesma trama: em um continente fictício onde a alquimia é uma ciência estudada por muitos, concedendo habilidades extraordinárias a seus praticantes, dois irmãos tentam ressuscitar a mãe usando tais habilidades, porém, segundo as leis da alquimia, para se conseguir o que se deseja é necessário sacrificar algo de valor equivalente. Por isso, trazer os mortos de volta à vida é considerado um tabu.

A tentativa acaba sendo um pouco desastrosa e, como resultado, Alphonse, o irmão mais novo, acaba perdendo seu corpo fazendo com que Edward tenha que sacrificar seu braço direito e sua perna esquerda para fixar a alma de Alphonse em uma armadura. Desde então, eles buscam a pedra filosofal, o item mais poderoso da alquimia, capaz de realizar feitos inimagináveis, para recuperar seus corpos.

Fiel até demais


O maior problema do live-action foi tentar seguir o original a risca em todos os aspectos: figurino, cenário, falas, tudo. Só que isso resultou em vários momentos de vergonha alheia como a peruca loira do ator Ryosuke  (intérprete de Edward). Os figurinos são dignos de uma final de campeonato de cosplay e a aparição do personagem Gula é o ápice da falta de bom senso dos produtores, que não se questionaram em nenhum momento se certos aspectos de uma animação ficariam bons visualmente na vida real.

Os efeitos especiais têm seus momentos de glória, principalmente nos minutos iniciais, mas tudo acaba ficando ainda mais tosco quando aparece um exército de inimigos que eram até assustadores no anime, e que no filme é só para dar risada. A trama ainda termina sem dar nenhuma pista do que está acontecendo ou quem são aqueles personagens coadjuvantes, deixando os espectadores que não leram o mangá ou assistiram a animação sem entender nada do enrendo.

Era melhor ter assistido o anime


O filme de Fullmetal Alchemist não faz jus à animação original e a incrível história contada por Arakawa, sendo uma versão mais fraca de uma das obras mais aclamadas por otakus do mundo inteiro. Se você leitor nunca ouviu falar de Fullmetal e tem interesse em conhecer, a melhor maneira é pelo mangá ou o anime Brotherhood, que conta com maestria a saga dos irmãos Elric em busca da pedra filosofal. Quanto a este filme, gostaria de saber um círculo de transmutação para desvê-lo.

Créditos

Texto: Angelo Prata
Revisão: Bruno Bolner

O artigo apresenta as opiniões do autor do texto e não do site Co-op Geeks.

Uma das novas apostas da Netflix, é Dark, lançada no final do ano passado e a primeira série alemã da produtora. Desde seu lançamento, vem arrecadando boas críticas devido seu roteiro e boas mãos na direção dos episódios. Quem assina o roteiro é Jantje Friese, enquanto a direção fica por conta de Baran bo Dar. Ambos já trabalharam juntos em Who Am I, que ganhou alguns prêmios no cinema local.

Vamos começar desmistificando a informação de que Dark e Stranger Things são parecidas, informação esta que, aliás, saiu de dentro da própria Netflix. Suas similaridades não passam do desaparecimento de crianças em uma pequena cidade do interior, que é o lar de uma grande empresa suspeita. E é só isso. Em mais nada uma série remete à outra.

Stranger Things é toda homenagem ao suspense e ficção oitentista, com um ótimo roteiro e atuações. Dark, por sua vez, é um pouco mais profunda, densa e utiliza da ficção científica como pano de fundo para tratar de outros assuntos, como as clássicas questões filosóficas: De onde viemos? Para onde vamos?

Enquanto uma trata de uma terceira dimensão (o mundo invertido), a outra trata de viagem no tempo e entrelaçamento temporal.


A história de Dark se passa na pequena Winden, o lar, doce lar, de uma usina nuclear que está prestes a ser desativada. Nesta pacata cidade, o desaparecimento de crianças resulta em revelações acerca de algumas famílias que lá vivem, trazendo à tona relações corrompidas e vidas-duplas, enquanto viajamos pela história destas personagens.

Em seu primeiro episódio, Dark nos cativa com questões ousadas sem respostas, enquanto nos apresenta a misteriosa Winden e, a partir daí, a série dá um cansaço no espectador trazendo muito mais perguntas do que respostas.

Quando as respostas começam a surgir, é impossível parar de acompanhá-la. Os laços entre os personagens, tanto no passado, quanto no presente, enriquecem a trama a cada detalhe revelado, criando um enredo interessante de se acompanhar, ao mesmo tempo que consegue criar sua atmosfera com sucesso.

A série é um exemplo de bom roteiro e direção, a qual se mostra bem mais sombria do que aparenta de início. Com seu desenvolvimento ao longo dos episódios, passamos a vivenciar momentos em que passado, presente e futuro se misturam em uma linha do tempo nem sempre linear.

Esta linha do tempo é a principal responsável por tornar Dark interessante, pois os mistérios permeiam a história de cada personagem, tornando cada um essencial para o desenvolvimento dos demais. E as revelações ocorrem nos três tempos de cada personagem, trazendo uma trama bem desenvolvida e com pontas bem amarradas.

Pelo roteiro ser um pouco complexo, é muito importante estar atento aos detalhes revelados, principalmente, nos primeiros episódios, onde a série transborda informação a respeito de suas personagens.

A fotografia e a trilha sonora também são pontos altos. Vale destacar que é muito mais interessante escolher o áudio original e não uma das dublagens.

Um ponto fraco da série é encontrada em uma cena do último episódio, que acabou ficando um pouco bizarra pelos efeitos especiais utilizados e pela forma como foi introduzida. Cena esta que resolve um grande mistério da série.


Créditos

Texto e Revisão: Bruno Bolner

O artigo apresenta as opiniões do autor do texto e não do site Co-op Geeks.

A Forma da Água é o novo filme do aclamado diretor Guillermo Del Toro, que também dirigiu O Labirinto do Fauno, A Espinha do Diabo, Hellboy e Pacific Rim, e apenas posso começar essa crítica dizendo que esta obra é um filme sobre um monstro, um filme de amor e, também, um filme de amor aos monstros.


Com toda certeza esse é um daqueles filmes que mistura vários elementos já batidos e formulaicos de Hollywood, mas que acaba criando uma história nova, um conto de fadas moderno. A trama é bem simples: na década de 60, Elisa Esposito (Sally Hawkins), é uma moça muda que trabalha como faxineira num laboratório governamental e mora sozinha em seu apartamento em cima de um decadente e velho cinema. Mas ela não é apenas isso, ela é uma princesa sem voz ou, pelo menos nessa história, a princesa é uma mulher que nunca é vista pelos outros ao seu redor, exceto, talvez, pelos seus dois amigos: Giles (Richard Jenkins), um homem gay não-assumido velho e solitário; e Zelda (Octavia Spencer), uma também faxineira, negra, amigável e faladora.


A história, porém, começa realmente quando Elisa descobre uma criatura que está, agora, sendo mantida no laboratório para testes. Elisa mantém uma amizade com o Homem Anfíbio (Doug Jones), até que descobre que ele será dissecado para servir de teste para um projeto ultrassecreto do governo e decide resgatá-lo. Contudo, essa amizade parecer ser um sentimento muito mais forte entre os dois, pois ela parece estar se apaixonando pelo monstro.



O filme é uma revisão do conto A Bela e a Fera e de O Monstro da Lagoa Negra com a torção própria para acrescentar, ele todo parece possuir dentro de si as influências de Del Toro como cineasta, o amor por monstros e criaturas, filmes antigos, filmes épicos bíblicos, contos de fadas sombrios e uma mistura do fantástico com o real em momentos de tensão histórica. Se n'O Labirinto do Fauno tínhamos a Guerra Civil Espanhola, aqui temos a Guerra Fria, e a disputa de poder entre os americanos e os soviéticos é uma das tramas paralelas do filme que se colocam como uma barreira entre o amor de Elisa com a criatura.

O relacionamento dos dois é construído de maneira rápida, porém eficaz. A ligação que ambos possuem se faz nas semelhanças entre duas pessoas que são incapazes de se expressar na sua totalidade e são vistos como menos que gente pela sociedade. E o próprio monstro é incrível! A criatura, vivida por Doug Jones, possui uma fisicalidade e beleza única. A delicadeza de Del Toro e seu conhecimento em histórias e lendas se mostra dentro da construção do Homem Anfíbio, que possui um lado selvagem, animalesco e instintivo, mas, também, uma curiosidade, doçura e bondade, dependendo de quem esteja ao seu lado. A maquiagem e as cores do personagem são incríveis. 

Sally Hawkins faz um excelente trabalho ao capturar uma espécie de inocência e compaixão, misturados com determinação, insolência e não-submissão, durante todo o filme, sem pronunciar uma palavra sequer, servindo de contraste para o grande vilão do filme: Strickland, cujo toxicidade masculina do personagem é assustadora e o trabalho do ator, Michael Shannon, de tornar real uma amálgama caricata de uma sociedade normativa é muito eficaz.



Outros personagens do filme recebem seus momentos de destaque, Giles, interpretado por Jenkins, mostra uma paternidade calorosa e afeição por Elisa ao mesmo tempo que uma tristeza e melancolia profunda por sua solidão. O Dr. Hoffstetler apresenta um grande dilema entre o seu dever e sua própria segurança e o seu amor pela ciência e compaixão. E apesar do pouco tempo de tela, Octavia Spencer mostra-se não apenas uma companheira engraçada, mas também leal e sincera.


A fotografia do filme com certeza é um dos maiores acertos e algo em que Del Toro nunca decepciona. Os jogos de câmera e ângulos usados servem tanto para criar a atmosfera perfeita para que se aceite o fantástico no filme, como também criar uma pintura de história. O filme usa muitos tons de verde que remetem à água e ao mundo submarino, igualmente no figurino de Elisa que, ao decorrer do filme, vai tornando-se vermelho, refletindo ao amor e paixão que vai se desenvolvendo ao longo do enredo.


Por fim, talvez os defeitos mais visíveis do filme sejam a sua previsibilidade, que, de certo modo, criam um final ligeiramente ambíguo, e a falta de tempo para desenvolver mais seus personagens que, apesar de muito humanos, ainda são uma representação um pouco elementar de um dilema social complexo. Mas, ainda assim, A Forma na Água é uma obra sobre monstros, sejam criaturas ou monstros humanos, uma carta aos filmes antigos e histórias esquecidas e sem voz, e, como o próprio diretor disse, um filme sobre amor: "A água é como o amor, não tem uma forma. Ela toma a forma de tudo o que ela habita. Ela é o elemento mais poderoso de todo o universo. É gentil, e flexível, mas quebra todas a barreiras".




Créditos

Texto: Felipe Lima
Revisão: Felipe Lima e Bruno Bolner

O artigo apresenta as opiniões do autor do texto e não do site Co-op Geeks.

Vivemos um tempo em que muitos preconceitos e tabus da sociedade estão sendo quebrados. A comunidade LGBT tem conquistado direitos em todo o mundo, as mulheres lutam contra o assédio escancarado que afeta gigantes como Hollywood e a ginástica olímpica. Mais do que nunca, o machismo é combatido com afinco em todas as camadas da sociedade e The Handmaid’s Tale é um excelente exemplo do porquê essa luta é tão necessária.

O seriado que teve sua primeira temporada exibida em 2017, pelo serviço americano de streaming Hulu, é baseado no romance homônimo de Margaret Atwood. Na distopia proposta pela autora, a população mundial vive uma grave crise de infertilidade, na qual os conservadores religiosos culpam a vivência pecadora em que a sociedade se encontra. Aos poucos, eles tomam o poder e instalam um regime totalitário. Com isso, as poucas mulheres férteis que sobraram são obrigadas a se submeter a estupros ritualizados, para gerar os filhos da elite extremista.

As mulheres também perdem todos os direitos básicos como trabalhar, possuir bens materiais e cargos de liderança. Tudo isso com justificativas bíblicas para que o país possa se recuperar. A protagonista é June Osborne (Elisabeth Moss), que é presa junto com sua filha tentando escapar e logo é subjugada como uma serva (handmaid).

Por mais que a série seja uma obra de ficção, é inegável as semelhanças com a realidade. Não que vivamos literalmente uma distopia, mas sim, um tempo em que o conservadorismo ganhou força e ainda são poucos os que militam pela liberdade e os direitos da mulher. Para eles, o feminismo não passa de “mimimi” de mulheres que não querem se depilar, enquanto homens assediam garotas no transporte público e são soltos praticamente no dia seguinte.

Em tempos de Bolsonaro, é preciso se conscientizar

Não é preciso ser um estudioso de história para saber o quanto o feminino sempre foi tratado como algo inferior. Há menos de um século, as mulheres nem podiam votar ou aprender a escrever, e isso se reflete em nossa sociedade atual, pois esse tipo de pensamento é algo moroso de se erradicar. Em The Handmaid’s Tale somos levados ao extremo de forma tão imersiva, que faz o espectador masculino pensar nas mulheres da própria família: mães, filhas, sobrinhas, irmãs.


A fotografia é outro ponto espetacular, transmitindo a sensação de um local apático, onde praticamente todos os cenários fechados estão com a luz do sol entrando pela janela, como se Deus estivesse o tempo todo observando o estado em que a humanidade se encontra. Elisabeth Moss é outro show a parte, tanto que lhe rendeu o Globo de Ouro de melhor atriz em 2018.

Por fim, a série acaba sendo uma aposta mais que bem-vinda, cutucando a ferida da misoginia que atrasa o âmbito social há séculos. A segunda temporada está prevista para abril deste ano, mas infelizmente, o serviço ainda não está disponível no Brasil.




Créditos

Texto: Angelo Prata
Revisão: Bruno Bolner

O artigo apresenta as opiniões do autor do texto e não do site Co-op Geeks.

A sequência do filme Animais Fantásticos e Onde Habitam teve seu título finalmente revelado, Os Crimes de Grindelwald será o nome do novo filme com roteiro escrito pela escritora J. K. Rowling e direção de David Yates que trará novamente o magizoologista Newt Scamander, além de Tina Goldstein e Queenie Goldstein, e o no-maj Jacob Kowalski numa nova aventura dentro do universo mágico que já nos foi apresentado anteriormente em Harry Potter, porém dessa vez atravessando as tensões crescentes do final da década de 20, além de se passar também em Paris.

No elenco também temos novidades Jude Law interpretará Alvo Dumbledore e a longa polêmica do filme, a presença do ator Johnny Depp, recentemente acusado de violência doméstica pela sua ex-esposa Amber Heard, que interpretará Grindelwald. Agora com a finalização das filmagens e a iminência de novidades, começamos a temporada de especulações sobre esse filme, que pode ser decisivo dentro dessa nova fase do Universo Bruxo nos cinemas.

ATENÇÃO! Este post conterá possíveis SPOILERS do primeiro filme de "Animais Fantásticos" e da série "Harry Potter", esteja avisado!

Os Animais Fantásticos



Muita especulação havia sido feita sobre o nome do novo filme, considerando que o primeiro Animais Fantásticos e Onde Habitam vinha do título de um dos livros didáticos usados por Harry no seu primeiro ano de Hogwarts e é o manuscrito que o personagem do Newt (Eddie Redmayne) está escrevendo, sendo esse o trabalho da sua vida. 

Alguns fãs haviam especulado que o nome seria algo relacionado ao outro livro, Quadribol Através Dos Séculos estaria na sequência, ou que o nome seria completamente diferente. Contudo, J. K. Rowling se manteve fiel à um tweet na qual ela dizia que Animais Fantásticos permaneceria no título, pois esse título não iria se referir apenas aos animais mágicos estudados por Scamander, mas também às feras interiores que todos temos dentro de nós, que perigosas ou não, conseguem ser fantásticas.

Nesse sentido, provavelmente a presença dos animais mágicos de Newt deve diminuir ao longo dos filmes, mesmo que não acabe completamente, afinal, a sua paixão pelos bichos e o trabalho de magizoologista continua para ele o resto de sua vida. Além do quê, o Pelúcio (niffler) e o Pássaro Trovão foram dois grandes destaques do filme e favoritos dos fãs, gerando o desejo de todos e meu também de bichos de pelúcia, e o Rapinomônio, foi essencial para o desfecho do primeiro filme, o papel dos animais poderá ser de aliados importantes para Newt nas futuras batalhas que lhe aguarda, pois tempos sombrios vem aí...



O Circo Bruxo e Credence


Um dos mistérios que ronda essa nova série de filmes é o real papel de Credence Barebone, o personagem de Ezra Miller ~ vamos admitir o crush de todo mundo ~ e o seu destino nos próximos filmes. Contudo, sabe-se muito bem que Credence acabou fugindo de New York para um circo. Logo após a estreia do primeiro filme, o diretor David Yates afirmou que tinha a intenção de incluir uma cena no final em que veríamos Credence embarcando em um navio, mas não se sabe se ele continua sendo um Obscurial (um jovem bruxo que reprimiu sua magia de modo a desenvolver um parasita mágico e das trevas) ou se ele agora é apenas um bruxo. 

Além disso, uma arte produzida pelos designers de arte dos sete filmes, a dupla MinaLima, pode revelar o seu paradeiro, a imagem que havia sido criada para o primeiro Animais Fantásticos foi divulgada online trata-se de um pôster anunciando a apresentação de um circo, o Circo Arcanus.


O Circo Arcanus foi confirmado no filme, e o dono do circo Skender, será vivido por Ólafur Darri Ólafsson, além disso a atriz Claudia Kim, interpretará uma Maledictus, que foi descrita no Pottermore, o site oficial de conteúdo da série atualmente, como uma bruxa que possui uma maldição de sangue que a transforma numa fera. Tendo como base o pôster divulgado, especula-se que ela se transformará numa serpente, e será uma das atrações bizarras do Circo: a Snake-Girl (Garota Serpente). 

Talvez, o motivo pelo qual Newt e seus amigos irão se envolver com o circo, será justamente a presença de uma Maledictus ou de outras criaturas mágicas, mas encontrando Credence ali qual será a reação deles? E de Credence, será que ele ainda permanecerá ao lado de Grindelwald, ou vai tentar se manter neutro de tudo?

Lestrange, Travers e Rosier

Ainda com a primeira imagem do filme tivemos a revelação que Leta Lestrange (Zoë Kravitz) está noiva do irmão de Newt, Teseus Scamander, que será interpretado por Callum Turner. Os dois personagens que tinham recebido menção no primeiro filme, aparentemente estarão em Paris durante os eventos da sequência, e não se sabe como Newt vai reagir à essa novidade. Foi revelado que Newt e Leta eram muito amigos em Hogwarts, porém era uma amizade venenosa, enquanto ele obviamente era apaixonado por ela, Lestrange conseguiu metê-los numa experiência com um animal mágico que quase matou alguém e resultou na expulsão de Newt, uma vez que ele assumiu toda a culpa. 

Não se sabe qual será o lado que Leta irá tomar dentro do filme, algumas teorias existem de que ela estaria dando Amortentia para Teseus, já que ele seria um herói de guerra, e portanto um marido muito melhor que Newt. Outros dizem que ela é uma espiã que trabalha para Grindelwald. Deve-se lembrar, porém que na época do filme, não existiam ainda Comensais da Morte, apenas as famílias puro-sangue de longa linhagem.

Mas o ator Derek Riddell interpretará o personagem Torquil Travers e a atriz Poppy Corby-Tuech será Rosier, personagens com sobrenomes conhecidos, pois são nomes de famílias que apoiaram a ascensão de Voldemort ou tiveram conhecidos membros que tornaram-se Comensais da Morte.

Newt, o protagonista?


Uma das grandes discussões geradas pelo primeiro filme foi: seria Newt Scamander um bom protagonista? 

Muitos críticos afirmaram que a performance de Redmayne e o personagem Newt não eram bons o suficiente para levar a liderança de três filmes, nesse caso, agora cinco. Porém, uma das coisas em que se tem levado em consideração com Newt é o fato dele ser um herói incomum, sendo tímido, vulnerável e tendo problemas para se relacionar com pessoas, ele ainda tem qualidade muito incomuns para heróis de franquias de filmes: ele tem essa incrível habilidade de não apenas gostar de cuidar de animais, ele os entender e essa inabilidade de se conectar com pessoas. 

Newt Scamander é um personagem que sai da esfera do que é esperado de um personagem principal masculino, ele não é um guerreiro ou o Escolhido, ele é sensível e não fala alto, nem olha as pessoas nos olhos (o que mais de uma pessoa considerou que poderia significar que ele poderia estar dentro do espectro do autismo), mas principalmente foge do esteriótipo de masculinidade que muitas vezes atravessa os protagonistas de filmes blockbusters, algo que com toda certeza deveria acontecer mais vezes.


A questão do Johnny Depp


O ator Johnny Depp, como já foi noticiado tantas vezes na mídia, foi acusado pela agora ex-esposa, Amber Heard de agressão e violência doméstica. Tanto a acusação, quanto fotos e um vídeo do caso acabaram vazando online, gerando uma série de discussões e críticas sobre a escalação do ator no papel de Gellert Grindelwald, o bruxo das trevas que será a grande ameaça nos próximos filmes.
A polêmica que havia se iniciado com poucos protestos dos fãs, fosse pela atuação de Depp, fosse pelo fato de outros atores melhores poderem ser escalados respeitando as descrições do personagem Grindelwald, que é descrito como loiro, europeu-germânico se tornou mais espinhosa com a revelação do título do segundo filme e a recente série de demissões, acusações e protestos contra atores que já tiveram parte em violência e assédio sexual no meio da indústria de filmes (como no caso de Kevin Spacey e Harvey Weinstein).
O diretor do filme, David Yates, teve uma declaração extremamente infeliz sobre o caso, o dando como encerrado e dizendo que mais de um relacionamento de Depp, anteriormente, já haviam feito acusações semelhantes sobre o ator. Já a escritora J. K. Rowling, que já afirmou ter sido vítima da violência de seu primeiro marido e é conhecidamente ativa ao falar sobre violência contra a mulher, estendeu seu silêncio o máximo que pôde e até mesmo bloqueou uma fã no twitter ao ser questionada sobre o caso. 
Depois de muito tempo, a escritora quebrou o silêncio e postou um texto onde explicou a sua posição: 


"Quando Johnny Depp foi escolhido para interpretar Grindelwald, pensei que ele seria maravilhoso para o papel. No entanto, enquanto ele filmava sua participação para o primeiro filme, algumas histórias surgiram na imprensa que me preocuparam profundamente, e também a nós todos envolvidos mais profundamente com a franquia. (...)"
"Para mim foi pessoalmente, dolorosa, difícil e frustrante a impossibilidade de falar abertamente com os fãs sobre esse problema. No entanto, os acordos que foram feitos para manter a privacidade de duas pessoas que expressaram o desejo de manter as suas vidas precisa ser respeitado. Baseado no nosso entendimento das circunstâncias, os produtores e eu não estamos apenas confortáveis em continuar com nossa escolha original, mas genuinamente felizes por ter Johnny interpretando um personagem tão importante nos filmes."


As declarações da escritora e do diretor do filme causaram espanto e longas discussões dos fãs, alguns mesmo afirmaram que não pretendem assistir aos próximos filmes dessa franquia e pretendem boicotar a sequência. Não se sabe exatamente quando o contrato de Johnny Depp foi assinado e que restrições contratuais amarram a Warner Bros. com o ator, mas com toda certeza a demissão dele deve custar tanto quanto o apoio dos fãs potterheads. O ator Johnny Depp até o presente momento não declarou nada.


Então é isso meus caros bruxos e bruxas, o próximo filme da série Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald tem a data de estréia marcada para 18 de novembro de 2018. 

Will we die just a little?


Créditos


Texto: Felipe Lima
Revisão: Bruno Bolner e Felipe Lima

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