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Coringa, o novo filme da DC Comics, dirigido por Todd Phillips e protagonizado por Joaquin Phoenix esteve sempre cercado de polêmicas desde o seu anúncio. Se no começo havia o questionamento se esse filme seria um retrato bem feito do Palhaço do Crime depois do fiasco da versão de Leto em Esquadrão Suicida ou se realmente havia a necessidade da existência de um filme desse calibre, logo essa discussão passou a ser sobre retrato da violência, o papel da responsabilidade artística e terrorismo. Mas o que estaria despertando tanto sentimento, controvérsia e discussão seria apenas um mero filme ou haveria mais aos olhos dentro de uma adaptação crua e realista das origens de um super-vilão de HQs?



Coringa se passa numa Gotham City da década de 80 que encarna aspectos de uma Nova York daquela época pessimista: uma metrópole suja, depressiva, violenta e hostil, e sobretudo, em tensão. E num dos bairros pobres dessa Gotham vive Arthur Fleck, um sujeito que trabalha como palhaço para sobreviver, mora com a mãe Penny (Frances Conroy), mentalmente vulnerável, que depende de sete medicamentos diferentes para seus transtornos mentais e que não consegue ter controle sobre sua miserável vida, nem sua risada. Contudo, as circunstâncias desoladoras para Arthur apenas irão piorar, se no seu dia a dia sofrido ele sente as dores do mundo hostil este futuro Coringa logo descobrirá que seu ponto de ruptura não é apenas de um dia ruim, mas de vários dias ruins...



E aqui precisamos todos concordar que a performance de Joaquin Phoenix é simplesmente espetacular, desde o controle Charles Chapliniano que ele tem do seu corpo até o retrato dolorido da condição de risadas incontroláveis que Arthur possui, a construção de seu personagem e a gradação até a transformação final em Coringa é impressionante. 

Um roteiro complexo, uma Gotham perturbadora...

Coringa se trata com certeza de um filme fascinante de se observar em sua construção, mesmo que ele possa ser erroneamente resumido de um lado como "um filme para incels e apologético a violência" ou um atestado para a violência e anarquia. O roteiro também é forte e bem construído, além de melancólico. Arthur Fleck é um personagem que é constantemente esmurrado, muitas vezes literalmente, pelas pessoas ao seu redor. Dentro desta Gotham suja e assombrada pela recessão econômica, a falta do dinheiro e do corte de verbas para o acompanhamento psiquiátrico lentamente corroem uma pessoa que não tem mais a quem recorrer. Essa com certeza não apenas é uma das representações mais realistas e cruas de Gotham City, como essa nova perspectiva apenas torna tudo mais chocante. Não há tanques de produtos químicos, não há gangues de vilões com máscaras e fantasias ou gases do riso, apenas pessoas quebradas o suficiente que acabam conseguindo uma arma. E realmente, depois de ver o destrato que pessoas com desabilidades mentais ou problemas psiquiátricos podem sofrer você passa a entender o porquê do Batman não ousar matar os seus inimigos.



Se a violência do filme pode causar dúvidas e polêmica sua mensagem sobre a importância do trato de pessoas com problemas mentais não pode ser deixado de lado. Mesmo pessoas violentamente insanas ainda são pessoas, e elas se tornam violentamente insanas se deixadas em um meio que lhes dê uma arma, uma doença mental é essencialmente uma doença, e elas se tornam devastadoras para as pessoas sem condições para obter um tratamento adequado e deixadas a mercê de si mesmas.

O roteiro de Coringa não apenas traz essas questões, como também dobra em si mesmo para resolver seus pontos, incongruências que antes parecem gritantes acabam se resolvendo, momentos sutis, porém que revelam muito e tudo isso sendo regido pela ambiguidade da visão de Arthur, o que é real e o que não é se misturam nesse filme, trazendo uma sensação de algo intricado e questionador. Mas é claro, isso pode dar margem para mal entendidos, e é por isso que também precisamos falar sobre...

A violência, mídia e a ética dos artistas

Em julho de 2012, um homem armado atirou contra os espectadores numa sessão de Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge em um cinema na cidade no Colorado, Estados Unidos,  o atirador teria entrado na sessão com o cabelo tingido de vermelho-alaranjado e uma máscara de gás e dizendo para a polícia "ser o Coringa", o atirador feriu 70 pessoas e conseguiu matar 12. A Warner Bros. à época cancelou a premiere em Paris e reforços policiais foram espalhados nas sessões de cinema para evitar copiadores.

Um dos pontos dentro do filme Coringa é a influência da mídia, bebendo bastante da influência de Frank Miller nas HQs do Batman. E recentemente criou-se uma enorme discussão sobre o filme do Coringa: seria ele violento demais? Seria ele um filme irresponsável? Seria ele um filme que endossa o comportamento de incels



Infelizmente o termo "incel" - que infelizmente explicarei brevemente aqui para não voltar mais a tocar no assunto, trata-se uma abreviação de "celibatário involuntário", ou seja homens que acreditam que não conseguem sexo porque são sistematicamente rejeitados, que as mulheres devem sexo a eles e se organizam em fóruns de internet para discutir meios de conseguir sexo rápido, seja com formas como assédio, estupro ou coisas piores e culpam também movimentos liberais como o feminismo, movimentos de direitos das mulheres ou pessoas de cor pelas sua frustrações - acabou sendo tomado pela mídia, como jornais e revistas de uma maneira irresponsável e arriscada, da mesma maneira que muitas vezes acontece quando se tomam termos de internet e eles acabam uma notoriedade. Estaria a mídia certa ao causar tanta atenção pra este filme? Estaria ela servindo de alerta ou de contribuidora para um possível futuro desastre ao pintar uma interpretação da narrativa de forma tão forte?

Parafraseando o que o ator Joaquin Phoenix disse em uma recente entrevista sobre o assunto: "se uma pessoa está mentalmente instável ao ponto de tomar uma arma e atirar em alguém, qualquer coisa se torna um gatilho", ironicamente, as declarações recentes do diretor Todd Phillips sobre o chamado "politicamente incorreto", parecem indicar que na visão do diretor, a arte deve passar por cima de certas sensibilidades e não possa ser uma incitadora de violência. Infelizmente algumas preocupações não são infundadas. Um filme, um artista ou um diretor não tem a obrigação de ensinar o certo e o errado para o seu público ou tornar mais explícita uma mensagem dentro dele para que as pessoas a apreendam, porém seria também inviável negar que o filme pode ser interpretado errado. O filme pode ser visto como um apelo para o desarmamento, mas também uma pessoa poderia argumentar que Arthur Fleck apenas consegue se defender da crueza do mundo com uma arma e que isso é algo "positivo". Não apenas isso, como é muito fácil que uma pessoa acabe se simpatizando com o personagem, concordando com seus pontos de vista e até seus métodos. A violência fictícia é catártica, mas o que acontece quando estamos em um momento sócio-político onde parece que algumas pessoas se veem sensíveis a ponto de não distingui-las? Infelizmente parece irônico que muitas pessoas hoje possam não entender que a mensagem do filme de homens brancos e supostamente heterossexuais que se sentem no direito de exercer sua violência e domínio possa suplantar temas mais relevantes que a dureza das metrópoles, pobreza, de como pessoas de classes baixas são excluídas, da falta de civilidade entre as pessoas hoje em dia e do abandono de incapazes pelo estado, especialmente de quem sofre de problemas mentais.
Talvez um dos únicos momentos que quase em unanime foi considerado como um pouco romantizador do filme seria a sua cena final, ainda que ela tenha um apelo estético. E infelizmente numa era trumpista-bolsonarista não é difícil que uma plateia aplauda a tragédia que é uma pessoa com transtornos mentais ser destratada por todos ao seu redor ao ponto de quebrar e passar de vítima para perpetrador da violência. 


Coringa vai longe demais? Sim. Isso é errado? Não. Ele é um filme irresponsável por ser lançado nesse momento? Sim e não. As afirmações de Todd Phillips sobre a "woke culture" hollywoodiana foram infelizes? Completamente. O Coringa deixa de ser um filme incrível por conta de tudo isso? Com toda certeza, não. 


Créditos:

Texto: Felipe Cavalcante
Revisão: Felipe Cavalcante e Bruno Bolner

O texto apresenta opiniões do autor do artigo e não do site Co-op Geeks.

It - A Coisa é um dos filmes de terror que mais fez sucesso nos últimos tempos e a segunda parte da adaptação do enorme e aclamado livro do autor Stephen King está chegando agora nos cinemas, contudo, essa não foi a primeira vez que se tentou adaptar a obra de King nas telas do cinema numa versão mais modernizada. Desde que a obra ganhou mais popularidade por causa da minissérie estrelada por Tim Curry várias vezes se ouviram rumores sobre uma adaptação do filme pro cinema, e a mais controversa e que acabou gerando o filme dirigido por Andy Muschietti como nós o vimos foi a adaptação roteirizada e que seria dirigida por Cary Fukunaga, o diretor de Jane Eyrie, que produziu e dirigiu a primeira temporada da aclamada série da HBO True Detective e serviria de diretor para o Beasts of No Nation da Netflix, mas afinal porque um diretor tão renomado não continuou no projeto e dirigiu o remake de uma das obras mais famosas de Stephen King?
Vamos dar uma olhada na versão de It - A Coisa de Cary Fukunaga:


Você vai flutuar aqui...

A obra de King, o livro It foi adaptada pela primeira vez numa minissérie em 1990, exibida pelo canal ABC, estrelada por Tim Curry e dividida em duas partes. Inicialmente ela havia sido planejada como uma adaptação de oito horas dividida em quatro partes, porém eventualmente vários pequenos enredos menores do livro ou partes muito gráficas foram omitidos e a adaptação ficou da maneira que conhecemos até hoje. Contudo, como em muitas adaptações de Stephen King, os fãs ficaram bastante desejosos de uma adaptação mais fiel à história do livro e que utilizasse dos novos efeitos especiais para trazer o palhaço Pennywise de volta à vida...




Desde 2009 a Warner Bros. que então detinha os direitos de adaptação do livro queria fazer um remake do livro, tendo entre as suas opções fazer um enorme filme de três horas, uma série de filmes ou apenas dividir em duas partes. Em torno de 2012, se iniciaram as conversas entre o estúdio e o diretor Fukunaga para que essa adaptação acontecesse, foi em torno de junho de 2014 com a aclamação da primeira temporada de True Detective que os rumores foram confirmados e anunciados por diversos sites de notícias que a adaptação do livro de Stephen King estaria prestes a acontecer.
Nos planos originais, Fukunaga decidiu que faria adaptação em duas partes: a primeira focando nas crianças do Clube dos Perdedores (Beverly Marsh, Stan Uris, Eddie Kapsbrak, Richie Tozier, Ben Hanscom, Mike Hanlon e Bill Denbrough) lutando contra a figura de Pennywise e a segunda parte traria de volta os personagens já adultos, tendo de confrontar novamente os seus medos. 


A primeira escolha para interpretar o palhaço Pennywise seria o ator Ben Mendelsohn (das séries Bloodline, Animal Kingdom), contudo, devido a problemas na agenda do ator ele não ficou com o papel. Acabou que o papel de Pennywise ficou nas mãos do jovem ator Will Poulter, que interpretaria o Palhaço Demoníaco, e o papel de Bill Denbrough ficaria o Ty Simpkins, o garoto Harley de Homem de Ferro 3. Assim que a procura pelo elenco começou Fukunaga e Chase Palmer estavam trabalhando furiosamente num roteiro para o filme, e a primeira versão do roteiro ficou pronta em meados de 2014...

A versão do roteiro de 2014...


O primeiro roteiro foi escrito por Cary Fukunaga e Chase Palmer em 2014, contudo, logo no esboço havia um potencial de desagradar os executivos da Warner devido a muitas cenas gráficas e sexuais envolvendo os personagens do Clube dos Perdedores, na verdade há diversos relatos de pais de atores que se sentiram desconfortáveis ao lerem o primeiro script.
O roteiro inicia em Derry, Maine, em 1988, mais ou menos como no filme de 2017, mas dentre alguns detalhes perturbadores no script inicial haveriam cenas de tom sexual com a personagem Beverly Marsh, de onze anos, que nos livros tem um relacionamento abusivo com o seu pai Alvin Marsh, porém na primeira versão isso seria levado para um extremo. Segundo os relatos haveriam cenas em que "o personagem do pai iria mais longe, ele beijaria o estômago dela, e enfiaria as mãos debaixo da saia, e haveria uma cena onde ela diz que foi estuprada por várias pessoas por outro personagem".
Além disso haveriam outras cenas grotescas, uma delas incluindo o valentão Henry Bowers usando sexualmente uma ovelha e dentre elas outra relacionada ao arco de um dos personagens, o menino judeu Stan Uris, no seu primeiro encontro com Pennywise, que ao contrário do livro original, não tomaria a forma de monstros de filmes antigos ou de medos mais concretos como um bicho-papão, mas sim, se transformaria nos medos mais abstratos do Clube dos Perdedores, no caso de Stan, o medo de sua sexualidade.
Na cena, Stan desceria para um banheiro nos fundos da sinagoga do seu pai, se preparando para o seu Bar Mitzvah, quando ele encontraria uma mulher nua numa banheira, que se ofereceria para ele, mas depois começaria a apodrecer e persegui-lo. 
Outra coisa interessante, porém desnecessária foi a mudança feita em diversos personagens: Henry Bowers se torna Travis Bowers nessa versão e Bill Denbrough também tem o nome mudado para Will Denbrough, além de Richie Tozier, que vira Richie Goldfarb, e é altamente implicado ser bissexual nessa versão.
E finalmente, uma das grandes mudanças e uma aparente inspiração em H. P. Lovecraft, ao contrário do livro original, a forma verdadeira de Pennywise não é de uma criatura aracnídea, mas na verdade o confronto final acontece de outra maneira: o Clube dos Perdedores é perseguido por Travis e os outros valentões dentro da mansão na Rua Neilbolt, todos acabam se perdendo dentro da mansão e o grupo de Travis acaba tropeçando numa espécie de saco amniótico cheio de aranhas que se rompe e que os atacam, enquanto isso o Clube dos Perdedores acaba achando um lago onde uma cachoeira deságua de cabeça para baixo. 


Eles mergulham nesse lago para confrontar Pennywise e veem a verdadeira forma da Coisa: uma estrela-do-mar, uma enorme criatura com tentáculos e olhos brilhantes que no final é derrotada com um spray e um isqueiro. Depois que os Perdedores derrotam Pennywise eles seguem mais ou menos os mesmos destinos do filme de 2017, porém Fukunaga e Palmer escreveram um segundo roteiro logo depois...

A versão do roteiro de 2015...


Depois do roteiro problemático e estranho de Fukunaga e Palmer, outro roteiro foi escrito. Nessa versão, contudo, muitas coisas foram reescritas e desenvolvidas de maneira diferente, dessa vez somos introduzidos novamente ao personagem Will (Bill) Denbrough, porém, ao contrário do início do livro, Georgie simplesmente desaparece sem nenhum rastro, algo que adiciona bastante ao personagem de Bill, dando-lhe uma razão para acreditar que seu irmão possa ainda estar vivo em algum lugar. O Clube dos Perdedores acaba sendo reduzido de sete para seis, pois Stan se torna um peixe dourado, que é o mascote das crianças, porém Richie acaba absorvendo os traços da sua personalidade, judeu e bissexual, ainda com o sobrenome Goldfarbb.
Nessa versão, Beverly sofre com bullying das garotas da escola que a acusam de ser promíscua, a parte sexual de sua relação com o seu pai é reduzida ou simplificada para ser bastante implícita, mas permanecem alguns diálogos assustadores, e em uma cena adicional Pennywise deixa Alvin Marsh viver para que ele cresça e se torne o futuro medo de Beverly.
Mike Hanlon, porém, sofre bastante nessa versão, toda o backstory dele viver em uma fazenda com o avô Leeroy Hanlon e o preconceito que ele sofre com Bowers é alterado para ele ser o neto de um dono de uma hamburgueria em Derry e não levar desaforo para casa. Contudo, esse roteiro apresenta uma das cenas que se tornou mais famosas dentre as da versão final de 2017, a cena em que Pennywise devora um bebê. 
O confronto final com Pennywise continua muito mais parecido com o do filme de 2017, exceto pela última cena, em que a câmera se aproxima de um bueiro na rua da frente da casa de Bill, entra dentro dos esgotos onde um balão vermelho solitário flutua, e estoura, deixando claro o retorno breve da Coisa...



He thrusts his fist against the posts...

Em 2015, Gary Dauberman que havia trabalhado no roteiro de Anabelle se juntou ao projeto da adaptação de It onde ele deveria fazer ajustes para que ele se torna-se mais próximo do livro de King, contudo, as mudanças de Dauberman criaram mais dificuldades nas relações entre o estúdio e Fukunaga. 
Entre as mudanças de Dauberman seriam incluídas muito mais referências à minissérie original de 1990 e até mesmo uma recriação da famosa cena da menina no triciclo que é atacada por Pennywise, onde a versão de Tim Curry apareceria brevemente, porém também as partes mais medonhas e violentas criadas por Fukunaga anteriormente tiveram seu tom assustador diminuído. E então, depois que quase quatro anos trabalhando no projeto, o diretor Cary Fukunaga saiu do projeto.



Em uma entrevista mais tarde Fukunaga disse: "Eu estava tentando fazer um longa de terror não convencional. Ele não se encaixava na fórmula em que o estúdio sabe o quanto pode gastar para ter um retorno nas bilheterias sem ofender a audiência padrão. [...] Foi pela liberdade criativa que nós trabalhamos. Eram dois filmes e eles não ligavam para isso. No primeiro, queria criar uma história de terror de alto nível com personagens reais. Eles não queriam personagens, e sim, arquétipos e vários sustos."

Por fim, a direção de A Coisa acabou indo para Andy Muschietti, que havia dirigido anteriormente o terror Mama. E o debate se a versão de Fukunaga seria ou não muito melhor do que o filme que nós acabamos conseguindo nunca será verdadeiramente resolvido, são versões bem diferentes de visões bem diferentes do livro de Stephen King. 



Felizmente para os fãs do autor o próximo filme It - Capítulo 2 parece estar bem comprometido a seguir mais a trama do livro do que ser uma adaptação mais livre da história. O filme estreia aqui no Brasil no dia 05 de setembro.


Créditos

Texto: Felipe Cavalcante
Revisão: Felipe Cavalcante e Bruno Bolner


O texto apresenta opiniões do autor do artigo e não do site Co-op Geeks.

As Aves de Rapina são um grupo de super-heroínas que combatem o crime na cidade de Gotham City quando o próprio Batman não consegue dar conta do recado e elas vão ser as novas protagonistas do aguardado próximo filme do Universo Cinematográfico da DC Comics em Aves de Rapina e a Fantabulosa Emancipação de Arlequina!
Dessa vez o grupo de super-heroínas composto por Canário Negro (Jurnee Smollett), a Caçadora (Mary Elizabeth Winstead) e a policial Renée Montoya (Rosie Perez) terá de unir forças com a vilã Arlequina (Margot Robbie), agora que cortou laços com o Coringa para resgatar a jovem Cassandra Cain (Ella Jay Basco) das garras inescrupulosas do vilão Máscara Negra, que será interpretado por Ewan McGregor


Quem são as Aves de Rapina?

Aves de Rapina foi anunciado em junho de 2018, confirmando o retorno da atriz Margot Robbie como a Arlequina, além de produzir o filme, o roteiro de Catherine Hudson (de Bumblebee) e também uma diretora, Cathy Yan (diretora da comédia Dead Pigs), foi anunciada. 
Além disso tivemos logo depois as confirmações da formação das Aves de Rapina: primeiro a personagem Canário Negro, que é mais conhecida do público, normalmente ela luta junto do seu par romântico, o Arqueiro Verde e no filme vai ser interpretada pela atriz Jurnee Smollett, que já teve participações anteriores em séries como Grey's AnathomyTrue Blood, a cantora e meta-humana Dinah Drake, combate o crime nas noites de Gotham usando as suas habilidades de luta e o seu "grito de canário", um poder supersônico para derrotar os seus inimigos.


A Caçadora será interpretada pela atriz Mary Elizabeth Winstead, a Ramona Flowers em Scott Pilgrim Vs. o Mundo e a protagonista de Rua Cloverfield 10, ela é Helena Bertinelli, a filha de uma das famílias mais poderosas da máfia de Gotham City, ela testemunha o assassinato dos seus pais e a partir daí busca vingança sobre os culpados desse crime, se tornando uma vigilante noturna e combatendo o crime a despeito do Batman. Outra coisa interessante sobre a personagem é que ela tem duas diferentes versões, sendo uma delas a mais conhecida, onde ela na verdade é Helena Wayne, a filha secreta de Bruce Wayne com Selina Kyle, a Mulher Gato. Não se sabe se nessa versão do filme a Caçadora terá alguma conexão com o Homem-Morcego, mas é bem possível que essa revelação seja usada de alguma maneira.


Ainda temos Cassandra Cain, a filha de David Cain, um membro da Liga dos Assassinos que treinou o jovem Bruce Wayne antes de se tornar um vigilante e Lady Shiva, uma supervilã e assassina de aluguel, que aparentemente estará sendo perseguida pelo vilão do filme. Rumores dizem que o plot principal do filme começaria quando Cassandra Cain rouba um precioso diamante do antagonista do filme e foge com ele; seja como for, nas HQs, a menina eventualmente toma o manto de Bárbara Gordon como a Batgirl e faz amizade com o Robin da vez, Tim Drake e a outra Robin, Stephanie Brown.
No filme ela será interpretada pela atriz Ella Jay Basco (que é sobrinha de Dante Basco, o dublador original de Zuko de Avatar: a Lenda de Aang), e será a primeira vez que a personagem vai ser retratada fora dos quadrinhos, além disso a atriz disse que ela tem como uma das suas inspirações a personagem de Jodie Foster em Taxi Driver, que também é uma garota muito nova em um ambiente hostil e perigoso, só podemos esperar para ver o que teremos dessa personagem.


Além delas teremos a policial Renée Montoya, interpretada pela atriz Rosie Perez, que além de atuar e lutar boxing atuou com o diretor Spike Lee; a personagem surgiu primeiro na série animada do Batman, onde ela faz parte do Departamento de Polícia de Gotham City, sendo lésbica e ex-alcoólica, nos quadrinhos dos Novos 52 ela se aventura como vigilante ao lado do Questão fazendo investigações mais ousadas depois de abandonar o emprego no departamento de polícia desapontada pela corrupção ali.

A Fantabulosa Emancipação de Harley Quinn


Outro aspecto do filme que podemos esperar é da Arlequina deixando o Coringa e se tornando uma personagem feminina mais independente do seu relacionamento abusivo com o Mr. J. Algumas fotos de set foram vazadas em que podemos que o Coringa irá aparecer no filme em uma cena que talvez sirva de flashback no filme onde ele joga as coisas dela pela janela do segundo andar de uma casa. 
Além disso temos outras fotos vazadas de cenas da Arlequina servindo drinques em bares, provavelmente procurando um emprego depois do seu término com o Coringa, o que ainda não se sabe é como veremos a ex-parceira do Palhaço do Crime se juntar com as Aves de Rapina e como isso vai se encaixar com a aparição de Cassandra Cain, além disso temos o vilão...

O Máscara Negra - e possíveis spoilers...


Um dos grandes destaques do filme além da reaparição da Arlequina deve ser o vilão  Roman Sionis, o Máscara Negra, que será vivido por Ewan McGregor, um dos chefões do crime mais temidos de Gotham City, além de sádico e brutal que tem um prazer medonho em torturar as suas vítimas e inimigos e normalmente tem os seus planos frustrados pelo Batman. Ele possivelmente vai trabalhar junto do sadístico assassino Victor Zsasz, interpretado por Chris Messina, que estará caçando Cassandra Cain.
Outro detalhe que acabou vazando sobre o personagem seria que *spoilers* nesta versão ele seria gay, e inclusive teria diversas cenas onde ele flerta abertamente com o seu capanga Zsasz *spoilers* embora ainda não se saibam quaisquer outros detalhes mais aprofundados, e os primeiros testes de audiência tenham sido bastante elogiosos com a performance de McGregor.

Até agora também tivemos apenas dois teasers trailers, o primeiro sendo liberado oficialmente e o segundo sendo exibido nos cinemas antes de It - Capítulo 2, onde já podemos sentir o gostinho da atmosfera louca, absurda e violenta do filme, que aparentemente terá censura +18 e uma trilha sonora bem diferente contando com as músicas dos teasers: New Error de Moderat e Heads Will Roll do Yeah Yeah Yeahs! 


Por enquanto isso é tudo o que nós sabemos de Aves de Rapina: Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa, tendo a sua estreia prevista para fevereiro de 2020. 


Créditos:

Texto: Felipe Cavalcante
Revisão: Felipe Cavalcante e Bruno Bolner


O texto apresenta as opiniões do autor do artigo e não do site Co-op Geeks


São Paulo vai tremer!

Fãs do Horror viverão uma experiência intensa na I Horror Expo em São Paulo. Além de participar de shows e atrações, vão poder se lambuzar com comprinhas aterrorizantes. Os organizadores prometem reunir experiências inéditas com com muitas atrações de Cinema, TV, Séries, Games, Música, Literatura e Cultura Pop em três dias de evento que acontecem em 18, 19 e 20 de outubro de 2019.



Entre os convidados confirmados está o capista dos álbuns do Iron Maiden, Derek Riggs e a atriz Naomi Grossman de American Horror Story. O diretor da série cult Amazing Stories, Mick Garris, também está confirmado.

Shows musicais nacionais e internacionais, como a banda sueca Therion, com letras sanguinolentas e sombrias já estão escaladas. A feira ainda conta com atrações de Escape Room, Trem Fantasma com Realidade Virtual, Oficina de Maquiagem Gore e outros espaços temáticos de interação com o público.


É a primeira vez que o Brasil recebe um evento desse porte dedicado ao gênero e será bem no ano em que o cinema nacional volta a ter produções de destaque com as narrativas de horror.

O Horror e o Terror estão firmando novas pontes de diálogos com outros gêneros narrativos e incorporando em seus enredos temas que antes eram dedicados à crítica especializada, como a violência contra LGBT+, fanatismo religioso e discussão de gênero.

O bom e velho clichê também encontra espaço e serve para divertir o fã que não abre mão de uma sexta-feira 13 de muitos sustos e gritos. 

Os ingressos para a I Horror Expo SP já estão à venda pelo site.

A Gamescom 2019, feira alemã dedica aos games, acontece entre 20 e 24 de agosto de 2019. Um dia antes, assim como a pré-E3, é comum acontecer as conferências das desenvolvedoras, onde realizam os anúncios de novos produtos e novos materiais do que está em desenvolvimento e que já foram revelados.

Ori e Hotline Miami no Switch

A Nintendo realizou sua apresentação através de um novo Direct, o Nintendo Indie World, onde exibiu suas novidades para o Switch. Ao todo, foram cerca de 30 games que deram as caras na apresentação da japonesa, que teve destaque para Ori and the Blind Forest: Definitive Edition anunciada para 27/09 e o lançamento de Hotline Miami Collection logo após a apresentação de seu trailer.


Outros destaques para o Switch foram Risk of Rain 2 com seu trailer cinemático, os novos trailers de Eastward, Freedom Finger, Torchlight II, Dungeon Defenders Awakened, e ainda os anúncios de Röki, Skater XL, The Tourist, Skellboy e Earth Night.

A bruxa tá solta!

Bom, pelo menos estará em breve... A Xbox trouxe diversos trailers e novidades para o Xbox One e, com a data de lançamento se aproximando, foi revelado um novo trailer de Blair Witch, onde o jogador contará com um parceiro canino para investigar o desaparecimento de uma criança enquanto tenta sobreviver à estranha e assombrada floresta de Black Hills.



Blair Witch chega para PC e Xbox One dia 30/08 (com direito ao Game Pass no dia de lançamento!).

Ghost War

Outro destaque da empresa foi um novo trailer de Ghost Recon: Breakpoint que mostrou o novo modo de jogo multiplayer Ghost War, focado em estratégia e trabalho em equipe nos combates 4x4. O modo terá 4 classes e 6 mapas em seu lançamento.

Crossplay entre Xbox One e PS4!

Mais uma das boas novidades reveladas foi o crossplay de PUBG entre o Xbox One e o PS4! Os testes serão realizados no fim de setembro e será disponibilizado a partir de outubro para os jogadores de PlayerUnknown's Battlegrounds. Esta novidade é mais uma iniciativa interessante e mostra que as desenvolvedoras estão cientes de que o crossplay fará parte do futuro dos games, principalmente por parte da Sony, que parece estar revisando suas políticas sobre o assunto e se mostrando mais adepta à função. Por enquanto, o crossplay será apenas entre os usuários dos consoles da Microsoft e Sony.

Gears 5 saindo do forno!


Além de um novo trailer de Wasteland 3, anúncio da participação de Idris Elba e Rosario Downson no modo carreira de NBA 2K20, gameplay de Empire of Sin, prévia de The Surge 2 e a revelação do lançamento de Gears Pop! para 22/08, assim como a chegada de Devil May Cry 5 (Xbox One) e Age of Empires: Definitive Edition (PC) no Game Pass, a Xbox revelou o Modo Horda de Gears 5, com direito a gameplay e tudo. O jogo chegará ao Xbox One e PC em 10/09.

A chegada do Google Stadia

O serviço da Google para o entretenimento gamer será lançado no fim desse ano e a Gamescom 2019 foi perfeito para dar fôlego à sua chegada, pois foram revelados alguns games de peso para o serviço de games em nuvem, como Mortal Kombat 11, The Elder Scrolls Online e Destiny 2Além de Windjammers 2, Superhot e Darksiders Genesis, os destaques ficaram por conta dos anúncios de Orcs Must Die! 3 e Kine, ainda sem data de lançamento.



Outros games para o Stadia que também tiveram destaque foram Borderlands 3 (13/09), Cyberpunk 2077 (16/04/20), Doom Eternal (22/11), GRID (10/10) e Watch Dogs: Legion (06/03/20).

Little Nightmares 2

Para os fãs que estavam ansiosos por um novo Little Nightmares, a boa notícia: o segundo game foi anunciado durante a apresentação principal da Gamescom. O jogo será uma continuação do game de 2017 e sairá para PS4, Xbox One, Nintendo Switch e PC em algum momento de 2020.

Kojima no auge (e no palco!)

Hideo Kojima, o cara por trás do novo e confuso Death Stranding, subiu ao palco para falar do game. Além de um novo gameplay, o diretor revelou que muitas pessoas de rosto conhecido poderão ser encontradas durante o game. Para exemplificar, o gameplay exibiu o protagonista (Norman Reedus) encarregado de realizar uma entrega para Geoff Keighley, o apresentador da transmissão ao vivo do evento.



Segundo Kojima, a ideia de Death Stranding é conectar o mundo, do leste a oeste. Neste percurso, o bebê ficará estressado e o jogador deverá tranquilizá-lo. O game será lançado em 8/11 exclusivamente no PS4.

Por último, mas não menos importantes...

Outro destaque da feira foi o anúncio de Humankind, novo game de estratégia da Sega para o PC que recontará a história da humanidade desde seus primórdios. Erica também foi revelado e lançado para PS4, sendo um game baseado em escolhas que conta com atuações de pessoas reais, numa espécie de filme interativo, onde a protagonista tenta encontrar a verdade por trás da morte de seu pai.

Outros games anunciados foram Kerbal Space Program 2, Everspace 2, Need For Speed Heat e um novo game da franquia Comanche. The Witcher 3 ganhou data de lançamento no Switch (15/10) e Predator: Hunting Grounds ganhou um novíssimo trailer de gameplay, que indica que poderemos controlar o próprio Predador! credo que delícia!



Muitas novidades para digerir e pouca grana para todos estes games que estão por vir. Mas não podemos reclamar das novidades... só da Capcom que não revelou um novo Resident Evil!

Créditos:

Texto: Bruno Bolner
Revisão: Bruno Bolner

O texto apresenta as opiniões do autor do artigo e não do site Co-op Geeks.

Santa Catarina teve sua primeira vez! Nunca antes da história desta província tínhamos tido um festival de cinema dedicado ao gênero de horror, acredita? O coletivo Sangra Catarina tratou de corrigir a blasfêmia colocando a capital no mapa para a exibição de filmes independentes de horror. O 1º Floripa Que Horror! ocupou as telas do CIC (Centro Integrado de Cultura) entre os dias 16 e 18 de agosto de 2019 com longas, curtas e trailers nacionais e estrangeiros sob a curadoria de Andrey Lehnemann e produção de Pedro MC, membro também do Cinemática.

Na programação, dois longas estrangeiros e um nacional que ganhou destaque também no circuito comercial - A Mata Negra, do diretor Rodrigo Aragão. Foram exibidos também 8 curtas metragem na noite de sexta. 

A Casa de Suor e Lágrimas, filmão que abriu o festival


O filme de estreia, o longa espanhol Casa de Sudor y Lagrimas, da diretora Sonia Escolano, usou e abusou da sinestesia ao acompanhar o desfecho da convivência de um grupo pequeno de pessoas em uma espécie de cativeiro religioso. Embora a temática gire em torno do fanatismo religioso (e talvez isso conte como elemento sobrenatural), o filme enquadra muito bem o terror psicológico embaixo de uma trama complexa de abusos, farsas e medos com uma fotografia claustrofóbica e atuações envolventes. A atriz Alzira Gómez que interpreta a personagem Ella, a líder religiosa da seita, tem a trajetória mais interessante. Logo na primeira cena, Ella aparece "transmitindo" uma mensagem supostamente de Maria entre gemidos e urros de êxtase religioso. No arco final da narrativa, a personagem tem o brilhante diálogo no telefone com quem parece ser seu superior e revela não ser mais capaz de ser contactada pela entidade (uma referência a Anorgasmia).

A trama usa de cenas que despertam dor, prazer, angústia, horror, terror, medo, confusão, raiva, riso, criando uma espécie de duplo com as emoções do público. Daí a opinião de que a experiência de assistir o filme em uma sala de cinema sem dúvida eleva seu efeito de sentido. Quando começamos a nos sentir confortáveis com um tipo de emoção, o filme parece absorver aquele tédio e oferece uma mudança de ritmo no seu enredo. Sim, ritmo e posição, a linguagem do filme é bastante sensual alternando emoções (que poderiam ser interpretadas como posições sexuais), criando uma conexão bastante erótica com o público. Mais ou menos na metade do filme, somos surpreendidos com uma cena de sexo propositalmente colocada (olha o ritmo da narrativa aí) provocando estranheza no público ao perceber que a pessoa sentada ao lado estava tão excitada quanto você. Geralmente, esse tipo de experiência temos em espaços privados, com pessoas íntimas e não em público com desconhecidos. A discussão entre privado/público, fechado/aberto e hipocrisia/verdade permeia todo o filme, por isso entendo que esta cena teve um propósito maior na narrativa.

Na leitura que fiz, o filme é uma alegoria de terror psicológico com cenas de gore para levar o público a questionar se a religião, na verdade, quer criar um espaço autorizado para que seja possível sentir prazer sem pecado, mas que acaba falhando violentamente como possibilidade. Também entendi que o prazer (e a ausência dele) atua como força que move as relações humanas. Quem está procurando uma obra para analisar no TCC, vai na fé, com o perdão do trocadilho. O filme dialoga muito bem com questões contemporâneas, principalmente para debater o que está por trás de ideias extremistas.

Sexta-feira, a noite dos curtas


Na segunda noite do festival foram exibidos 8 curtas metragem de diferentes regiões do país. A seleção se importou em pinçar representantes com diferentes leituras do gênero, priorizando a diversidade no caleidoscópio do horror nacional. 

Os filmes foram apresentados nesta sequência (sinopses dos organizadores):

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ALMOFADA DE PENAS
Dir.: Joseph Specker Nys, 12 min, SC/Brasil
Após a lua-de-mel, Alicia começa a sofrer de uma doença inexplicável. Enquanto mergulha numa realidade repleta de alucinações monstruosas, seu marido observa com indiferença.

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UTERUS
Dir.: Pedro Antoniutti, 15 min., RS/Brasil
Eventos perturbadores - todos circunscritos no mesmo local - transformam as vidas de quatro pessoas.

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O BOSQUE DOS SONÂMBULOS
Dir.: Matheus Marchetti, 21 min., SP/Brasil
Hóspedes de um antigo hotel caem sob um feitiço noturno. Vozes os convidam para dançar bosque adentro, num baile de sombras onde poderão vivenciar os seus desejos mais secretos.

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DEAD TEENAGER SÉANCE (VENCEDOR DO FESTIVAL)
Dir.: Dante Vescio, Rodrigo Gasparini, 21 min., Brasil
No limbo, um grupo de adolescentes mortos decide se vingar de seu assassino invocando-o para o seu mundo.

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POP RITUAL
Dir.: Mozart Freire, 20 min., CE/Brasil
Padre João prende um vampiro e o visita para um regime de experimentos científicos e estranhezas - que se tornam uma alucinada relação entre erotismo e o sobrenatural.


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NECRÓPOLIS
Dir. Ítalo Oliveira, 15 min. BA/Brasil.
A história se passa na cidade fictícia de Mucunã e gira em torno de Milena (Ruthe Maciel), sobrevivente solitária que vive no semiárido nordestino em um mundo pós-apocalíptico. O enredo da história se constrói a partir de um fungo que contaminou a população mundial, transformando as pessoas em zumbis. A partir da imagem de Milena, a trama busca enfatizar a força da mulher sertaneja e da mulher negra para enfrentar as dificuldades e sobreviver.

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ONI
Dir.: Diogo Hayashi, 18 min., SP/Brasil
A fazenda não é mais fértil. Tentando compreender o problema, o botânico Ichiro acabará chamando a atenção de seres há muito esquecidos.

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COVA HUMANA
Dir. Joel Caetano. 10 min, SP/Brasil.
Ganhador do último Curta-Con, um homem enterrou sua dor profundamente, mas ela insiste em voltar.

Poderia escrever uma crítica para cada curta (deixem nos comentários se vocês querem saber mais). Foi uma noite bem interessante! Meu preferido foi o Almofada de Penas, a animação em stop motion baseada no conto homônimo de Carlos Quiroga. 

A vertente do Queer Horror contou com dois representantes: o intrigante Pop Ritual e o musical O Bosque dos Sonâmbulos. Em Pop Ritual, a dinâmica entre os personagens principais é interessante, estamos acostumados a histórias em que o sagrado se "apaixona" pelo profano, a reviravolta é estar diante de uma reciprocidade repleta de simbolismos. O visual punk anos 1980 do vampiro também é muito bem feito. O filme não tem diálogos verbais, mas as entrelinhas dizem bastante. A linguagem onírica aparece dentro e fora do curta em uma espécie de pesadelo insistente. A ideia de que os extremos se alimentam um do outro tem uma leitura política bastante atual.

Para quem ainda não conhece, o Queer Horror é um subgênero do Horror que coloca as questões LGBT+ no eixo da narrativa. É conhecido também como uma vertente de resistência e de cunho político.

A Mata Negra, o longa nacional de sábado




O festival exibiu o longa A Mata Negra do diretor Rodrigo Aragão. Confira a sinopse:

Em uma floresta do interior do Brasil, a jovem Clara vê sua vida mudar para sempre quando encontra o Livro Perdido de Cipriano, cuja magia, além de conceder poder e riqueza a quem o possui, é capaz de libertar uma terrível maldição sobre a terra.

O filme trabalha bem a junção do local e do externo, conectando concepções distintas de magia e mostrando que temos um potencial mitológico imenso a ser explorado pelo cinema nacional.

Noite de encerramento: Mas que horror, Floripa!


Como nem tudo são flores no cemitério, a última noite do festival terminou agridoce. Pude rever o hilário DEAD TEENAGER SÉANCE, que acabou levando o prêmio de melhor filme desta edição, e o nem tão bom assim Lifechanger (2018).

O longa canadense, que já levou alguns prêmios em festivais pelo mundo, fez uma excelente junção entre efeitos visuais digitais e práticos. A cena final é realmente apreensiva e usa o gore de uma maneira bastante poética, lembrando uma obra celebrada pela crítica, do pintor Salvador Dalí.

A narrativa, no entanto, decepciona pelo teor moralizante e pelos diálogos mal construídos. Uma fábula de horror, é como resumiria o filme. Diferente de A Casa de Suor e Lágrimas, o filme é bastante raso ao explorar em seus diálogos temas como superação de traumas e amadurecimento. A premissa do personagem folclórico troca-peles é bem interessante, mas o roteiro não entrega. Pontos positivos? A participação do modelo e ator Jack Foley e a maquiagem.

Resumo do festival

Com 3 longas e 8 curtas, Santa Catarina enfim pôde gozar pela primeira vez de um festival todinho dedicado ao horror. Os filmes, inéditos no estado, instigaram a curiosidade do público para o cinema fora do mainstream americano. A organização do festival teve seus pontos críticos, acredito que poderia ter inserções mais interessantes e criar um engajamento maior com o público, mas o pioneirismo, a ousadia e a entrada franca contornaram os contratempos desta primeira edição. Floripa é uma capital de difícil entrada para inovação nas expressões artísticas de modo geral, toda intervenção que subverta a mesmice provinciana tem seu destaque garantido no coração. 


Such a tasty heart <3

Créditos

Texto: Valentina Gaztañaga
Revisão: Bruno Bolner

O texto apresenta as opiniões do autor do artigo e não do site Co-op Geeks.

Não há maneira de começar este texto sobre La Casa de Papel se não por uma piada, ruim, claro. Sabe por que os espanhóis não conseguem terminar uma denúncia? Te lo digo yo: porque se rien antes.

La Casa de Papel mostra ao público estrangeiro uma refrescante maneira de contar uma história de assalto. A maioria de nós está adaptada às produções americanas com diálogos de fácil compreensão, humor superficial e "panos quentes". Afinal, são produtos que precisam se “conectar” com pessoas de diversas culturas e idiomas.

Se no humor americano encontramos estruturas como "isto é uma piada, podem rir agora", principalmente no cinema e nas séries de TV, nas produções de outros países como Inglaterra e Espanha somos surpreendidos pelo emprego do "humor inteligente" ou "sarcasmo", como é possível notar se você assistir aos episódios da série The Office primeiro na versão britânica e depois na versão americana.

Por isso, arrisco a dizer que muita gente anda por aí rindo com a série La Casa de Papel sem perceber que ela estava o tempo todo rindo também, só que da gente mesmo.

Venga, venga, não vamos discutir uma piada, ou vamos? Let’s go for a walk, partners!

Do que se trata a série?


O enredo de LCDP é bastante simples: um grupo de pessoas sem perspectiva na vida, desajustadas socialmente e que aspiram servir para um propósito anti-alienação da sociedade são convidadas por um homem misterioso autodenominado Professor para assaltar a Casa de Moeda e Timbre da Espanha executando um audacioso plano. Menos de três anos depois, o grupo atende ao novo chamado do Professor para voltar a atacar o Estado, agora invadindo o Banco Nacional da Espanha, tendo como principal objetivo recuperar um dos membros da "família" capturado e torturado sob ordens da polícia. A terceira parte da série termina com um desfecho interessante sobre a guerra contra o Estado e a queda do mito da Pátria Mãe. A próxima temporada deverá mostrar como será a nova fuga e qual será o fim dos personagens.

O jogo político dentro do humor

A série costura bem diversas referências às produções americanas, principalmente ao filme V de Vingança lançado em 2006, inspirado na HQ de Alan Moore e David Lloyd publicada nos EUA em 1988. Talvez você não lembre, mas esta mesma história inspirou diversas pessoas no mundo real, do grupo hacker Anonymous a outros crimes.
Outra referência visual da série é o visual de Tokio semelhante ao de Mathilda, personagem interpretada por Natalie Portman no filme O Profissional, de 1994.
A trama de inspirar a sociedade à agir radicalmente para se livrar da opressão é conduzida com muito sarcasmo pelos criadores da série. A ideia central do primeiro assalto é roubar o tempo para produzir dinheiro, e é exatamente o que a série faz. Afinal, enquanto estamos ali mortinhos de curiosidade sobre o que vai acontecer a seguir, tem gente ganhando dinheiro com isso, time is money. Fomos roubados! Roubaram nosso tempo, e se pararmos para pensar mais um pouco, não é a primeira vez, certo?

O jogo político amplia o espectro do humor da série, podemos achar engraçadíssima a gargalhada de Denver, mas também achamos graça de que o personagem mais "malvado" se chame Berlim, e que ele também seja machista e soberbo, como a aristocracia europeia é. O personagem também faz uma referência a Leon, o assassino de aluguel do filme O Profissional.

Mas Berlim ao contrário de Leon tinha regras flexíveis, levando uma refém para seu sacrifício final, faz sua escolha pela glória no lugar de uma cama de hospital. Mas você ainda pode escolher acreditar que Berlim foi altruísta, mesmo que os fatos contradigam isso. Este é o poder e a grande mensagem do personagem.

O jeito como a investigadora Raquel amarra os cabelos para se concentrar é uma referência à Violet Baudelaire, de Desventuras em Série, mas o jeito como a polícia está dividida entre poupar vidas civis e encerrar o assalto da maneira mais sangrenta possível faz referência à vida como ela é de fato. O enredo de LCDP se baseia neste jogo de tensões, incorporando conexões com fantasia e realidade, misturando escândalos reais com ficção, manipulando o espectador. Experimentamos a mesma sensação quando consumimos Fake News - e com que frequência vemos Fake News por aí? All the time, partners

E se você ainda não viu o filme Um Corpo que Cai, de Alfred Hitchcock, talvez você não saiba do que se trata LCDP.

Rir de coisas difíceis é inteligente


Mas, afinal, o que é sarcasmo? Sarcasmo é uma palavra que vem do Grego, e se vem de lá, então está entre nós há muito tempo. O sarcasmo estava presente nas peças de teatro antigas e faz parte até hoje das expressões artísticas, principalmente as que incluem política e economia na discussão. É uma forma de humor tida como intelectualmente estimulante que, além do insulto, propõe a necessidade de se olhar para algum fenômeno específico mostrando a fragilidade de nossas crenças e valores. No caso de LCDP, se trata do papel do Estado e seus interesses dissociados dos interesses da sociedade civil.

Na primeira e segunda parte da série temos a crítica aos lucros exorbitantes dos Bancos e sua influência na economia em países como a Espanha. Já na terceira parte, a série estabelece outras conexões com a realidade, como a influência de organizações políticas internacionais em conflitos internos, o abuso de autoridade do Estado pela tortura e outros atos ilícitos e a comoção popular que parece ser manipulada por "ideologias", pela mídia e pelas tratativas do Estado.

Uma leitura possível que exemplifica bem o sarcasmo de LCDP é atribuir à personagem da investigadora Sierra a representação do Estado como Pátria Mãe, naquele jogo autoritário conhecido de que a mão que dá é a mesma que tira. Só que isso feito de uma forma para causar deslocamento de sentido: a personagem é caracterizada por seus pirulitos e balas, com um barrigão de grávida, fumando cigarros, entre outras contravenções do "politicamente correto". É ela que decide desmantelar a família pelo coração, usando a fraqueza do inimigo como contragolpe, exatamente o que propôs o Professor ao explicar para o grupo como seria o segundo assalto: o plano tinha como base a filosofia do Ai Ki Do, usar a força do inimigo contra ele próprio. 

Outra crítica mordaz de La Casa De Papel ao Estado é sobre seu poderio, nenhuma outra instituição ou organização tem tanto poder, dinheiro e influência quanto o Governo, de modo que todo ato de violência social contém uma denúncia de permissividade, ou seja, de algum modo a violência beneficia a manutenção desses privilégios. Nas bases do pensamento liberal encontramos três justificativas para a existência do Estado: garantir o direito à propriedade, à justiça e à segurança do cidadão. Todo país capitalista vive este conflito entre o que a teoria diz e as exigências da população pela manutenção do bem-estar social.

Em uma cena no mosteiro, já na terceira parte, o Professor mostra vídeos de pessoas em atos de reivindicação violenta inspiradas pelos Dalís, usando suas máscaras e macacões. À primeira vista, sem entender o sarcasmo, somos levados a acreditar que o bando possui um propósito político forte capaz de chacoalhar as estruturas da Espanha (e do mundo!).
Além de V de Vingança, a série faz referência a diversos elementos visuais de Breaking Bad.
Mas a mesma série mostrou que mesmo com milhões de euros, anos de planejamento e pessoas especializadas, é tremendamente difícil fazer com que a máscara do Estado caia. Será mesmo que pedras atiradas por pessoas completamente movidas pela adrenalina terão algum efeito? Será que a população está realmente desperta e livre da alienação ao agir por impulso a partir de uma conexão emocional com uma causa planejada?

Não ter consciência de que a própria ação subversiva vai ser cooptada pelos interesses mais sombrios do sistema é mesmo uma grande ingenuidade. E parece ser essa a conclusão que a série chega ao tratar de escândalos políticos reais dentro do enredo, como o dinheiro pago às autoridades marroquinas para impedir a chegada de imigrantes pela fronteira sul da Espanha junto com o financiamento de outros países europeus. É no momento em que a inspetora tem a brilhante ideia de confundir a mídia e os cidadãos misturando fatos forjados com verdadeiros que a série faz a mesma coisa, colocando denúncias reais na cena.

Para saber mais sobre este assunto indico os episódios s01e12 e s02e09 da série Salvados, do jornalista espanhol Jordi Évole, também disponível na Netflix.

Do escracho à mudez social


Se LCDP traz tantas críticas sociais interessantes e um enredo sarcástico que põe luz em vários problemas políticos da Espanha, por que mesmo assim parece que os problemas continuam existindo lá (e em qualquer outro país do mundo)? E mais, por que somos impelidos a gostar tanto da série pela ginástica intelectual que nos provoca e minutos depois olhamos para nossa realidade com extrema preguiça de mudar qualquer coisa?

No pano de fundo da série, também está a grande crítica ao comodismo da sociedade: sua parte no pacto social é fechar os olhos enquanto privilégios mínimos sejam garantidos. Parece algo que Joana, personagem da série brasileira 3%, também questionaria. Em uma cena da terceira parte, a inspetora Sierra afirma: "por essa quantia de dinheiro qualquer espanhol venderia sua própria mãe!". A série traz esta máxima anti-capitalista, a de que o dinheiro corrompe, para dentro de um produto. E é esta a dinâmica adotada pelo Capital, qualquer ideia é uma ponte de conexão emocional com os indivíduos, uma vez "enganchadas" as pessoas entregam seu tempo de bom grado.

Enquanto LCDP insiste em mostrar o riso, o deboche e o insulto, ao terminarmos a terceira parte e voltarmos a incorporar nossos corpos reais, impera-se o silêncio, a falta de atitude, qualquer desculpa para manter as coisas como estão, porque alterá-las levaria uma vida ou gerações. E é este o ponto: mudar a sociedade leva gerações, não é algo imediato como rolar o feed do Instagram ou indolor como alterar o rosto usando filtros fofinhos.

O sarcasmo vende porque no fundo temos necessidade de justificar nossos fracassos. Ao rir de tudo isso obtemos uma sensação de prazer a partir da dor de nos reconhecermos imperfeitos. A grande mudança talvez surja da consciência de que fracasso/sucesso, perfeição/imperfeição são pares opostos que nos mantêm exatamente onde estamos. Quando nos propusermos uma saída que se desfaça dos extremos é bem possível que sejamos criadores de algo inédito.

Créditos

Texto: Valentina Gaztañaga
Revisão: Bruno Bolner

O texto apresenta as opiniões do autor do artigo e não do site Co-op Geeks.

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