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Em 2016, 3% chegou na Netflix causando certo alvoroço. Enquanto gringos aplaudiram a série e ansiavam por mais, aqui no Brasil muitas pessoas se quer passaram do primeiro episódio. Quando perguntadas sobre o porquê de não gostarem, tinham uma imensa lista de defeitos para apontar – como se fosse diferente com produções estrangeiras.

Resolvi assistir ao primeiro seriado brasileiro do serviço de streaming de coração aberto, relevando qualquer problema menor que eu possa perceber enquanto acompanho a história. O resultado foi um programa nacional tão competente quanto os seriados americanos.

Futuro distópico

O tema não é nada novo. Afinal, futuros que não deram certo e cabem aos jovens arrumarem todas as tretas não é uma novidade. Porém, 3% consegue se diferenciar trazendo um tema muito debatido no mundo, especialmente em um país como o nosso. A trama se passa em um mundo devastado pela superpopulação e consumo exacerbado de recursos naturais. Para fugir dessa situação degradante, ao completar 20 anos, todos têm a oportunidade de participar de um processo seletivo, no qual somente 3% conseguem passar. O prêmio é uma vida longe da miséria em um refúgio chamado de Maralto.


A primeira temporada possuía recursos bem limitados. E até encontraram soluções inteligentes para os mesmos. Focaram mais em contar uma boa história, que passa a maior parte dentro do prédio onde ocorre o processo. As atuações tinham seus destaques, mas uma parte ainda não conseguia entregar de forma convincente as emoções que as cenas pediam. Felizmente, praticamente todos os problemas foram corrigidos para o segundo ano.

Em 27 de abril, pudemos conferir todas as melhorias que os produtores inseriram na trama que está ainda maior, com 10 episódios ao invés de 8. Os efeitos visuais ainda deixam a desejar, mas isso é algo aceitável devido ao cuidado com o roteiro que se esforça para surpreender. Pedro Aguilera é um escritor que fez a lição de casa muito bem, entregando uma segunda temporada competente, expandindo ainda mais o universo apresentado em 2016.

Conseguimos ver o Maralto, mas confesso que ficou bem diferente do que eu havia imaginado. Na primeira temporada, temos somente uma imagem do local com prédios modernos em formatos futurísticos. Na realidade, o lugar parece mais um spa em uma ilha paradisíaca, sem muitas construções chamativas. Com certeza, a grande sacada da segunda temporada foram os mistérios resolvidos que foram apresentados no primeiro ano. 

O desenvolvimento dos personagens é outro ponto forte da trama, já que os protagonistas apresentam motivações distintas para desafiar o sistema. Bianca Comparato parece estar mais à vontade no papel de Michele. Enquanto a maravilhosa Vaneza Oliveira, brilha mais uma vez interpretando a impetulante Joana. Prepare-se também para muitas reviravoltas, pois os episódios estão lotados de flashbacks que contam o que ocorreu com os personagens durante esse ano de intervalo entre o processo 105 e o anterior.

Deixe seus preconceitos de lado


Antes da estreia de La Casa de Papel, a produção brasileira era a série de língua estrangeira mais assistida na Netflix e não é por acaso. Com uma história intrigante e que prende o espectador, 3% dá uma aula de diversidade. Vemos atores de várias etnias e LGBTs, interpretando papéis de diferentes níveis hierárquicos. Isso é algo para realmente aplaudir de pé, pois ainda são poucos os autores que possuem esse cuidado em abordar um tema tão importante nos dias atuais.

Se você desistiu de assistir no primeiro episódio ou nem começou a ver por ser um produto nacional, fica a minha dica: dê uma chance para esse e outros conteúdos nacionais e esqueça o padrão estabelecido na nossa TV aberta. Você irá se surpreender e incentivar novos conteúdos dos mais variados temas, que nós nem imaginaríamos que seriam possíveis.

Créditos

Texto: Angelo Prata
Revisão: Bruno Bolner

O artigo apresenta as opiniões do autor do texto, não do site Co-op Geeks.

O maior lançamento cinematográfico baseado nos quadrinhos está para estrear dia 26 de abril e Vingadores: Guerra Infinita promete ser o divisor de águas do universo Marvel. Todo material lançado para promove-lo tem deixado muito mais perguntas do que respostas, aumentando o hype e as expectativas sobre o que os heróis farão para salvar o universo e o que poderá causar nos futuros filmes.


Atenção: este texto pode conter informações consideradas spoilers por alguns leitores. Continue por sua conta e risco.

Cadê a Joia da Alma?


O principal objetivo de Thanos é obter todas as Joias do Infinito para destruir metade do universo, enquanto o objetivo dos Vingadores é impedir que o vilão destrua metade dos seres vivos num estalar de dedos.

Que a Joia da Mente, que está sob posse do Visão, será conquistada por Thanos, já sabemos, assim como sua suposta morte já foi revelada falsa, uma vez que Visão apareceu em um trailer sem a joia e mais vivo do que nunca.

Joia do Espaço está nas mãos de Loki e provavelmente será entregue para o Thanos. A Joia do Poder está sob custódia da Nova Corp, mas como aparece na mão de Thanos num trailer, sabemos que ele deu um jeito de consegui-la. A Joia da Realidade provavelmente está com o Colecionador, após os Asgardianos enviarem para ele. E a Joia do Tempo está com o Doutor Estranho no Sanctum Sanctorum. Mas onde está a última Joia do Infinito?

Há especulações de que Tony Stark tenha relação ou seja a própria Joia da Alma, uma vez que ele saiu estampado em uma imagem que trazia os heróis, que tiveram o primeiro contato com cada uma das joias, estampado dentro delas. Será que podemos acreditar que a Joia da Alma está sob posse do primeiro herói a ganhar um filme pela Marvel Studios? Ou será que Tony Stark obterá a joia ao entrar em contato com o anão artesão Hreidmar?

Outra teoria é de que a joia está em Wakanda, mas nada foi revelado em Pantera Negra. Também não sabemos se Thanos irá atrair o Visão para Wakanda para extrair a joia de sua cabeça ou se estarão tentando esconder Visão lá. Será que Wakanda não estaria escondendo a Joia da Alma também?

Troca-troca


Para Guerra Infinita, especulava-se que Chirs Evans iria deixar de ser Capitão América e interpretar o Nômade. Esta informação acabou sendo confirmada pelos Irmãos Russo através de uma imagem divulgada no Twitter. Será que teremos um novo Capitão América?

Nada foi divulgado sobre um novo super soldado, mas, caso venha a acontecer, há dois palpites para substituí-lo: Falcão Soldado invernal. Falcão e Capitão América são praticamente inseparáveis e seria o primeiro palpite a vir a ser o novo Capitão América, mas Soldado Invernal seria uma boa aposta também, porém, ele poderá vir a se tornar o Lobo Branco. Fica a dúvida se estes personagens irão mudar de identidade...

Capitã Marvel pode dar as caras no filme, mas, caso isso aconteça, é possível que seja em uma das várias cenas pós-créditos ou sendo citada em algum momento. Seria uma boa jogada para a divulgação do filme solo da heroína, porém, é provável que ela apareça somente no próximo filme dos Vingadores.

Entre todos estes mistérios, o mais forte envolve o Gavião Arqueiro que, até agora, nada se sabe do personagem e nenhuma imagem foi divulgada ou mesmo uma pequena aparição em um dos trailers. Porque a Marvel está guardando tanto segredo sobre ele? Seria porque Gavião Arqueiro se revelará como Ronin?

Muitas mudanças podem estar sendo trançadas para o futuro da Marvel.

O fim está próximo!


Com o avassalador Thanos e sua busca pelas joias para governar todo o universo, sabemos que os Vigadores terão muitos problemas pela frente. Isto nos leva a pensar que, talvez, alguns personagens possam dizer adeus.

Doutor Estranho é um dos cotados a nos deixar, visto que ele aparece sendo torturado pelo Fauce de Ébano, membro da Ordem Negra. Porém, o personagem acabou de aparecer neste universo com seu filme solo e é provável que a Marvel não abra mão dele agora.

Outro que tem chances de bater as botas é Thor, que apareceu em uma cena onde Thanos o segura pela cabeça. Contudo, os novos bonecos do personagem, criados pela Hot Toys, nos confirmou que ele terá seu novo martelo, Stormbreaker, por isto, podemos acreditar que ele continue vivinho da silva e com seu olho recuperado.

Talvez a aposta mais certeira seja Loki, que provavelmente irá se sacrificar para salvar Thor. O melhor vilão da Marvel no cinema já se mostrou mudado e que está do lado do bem. Seria um fim memorável para ele, principalmente se ele se sacrificar e entregar a Joia do Espaço em troca da vida do Deus do Trovão.

Outra possibilidade é o próprio Capitão América. Num dos trailers, vemos ele enfrentando Thanos cara a cara e isto acabou levantando muitas perguntas, já que o próprio Chris Evans, que dá vida ao personagem, anunciou publicamente que não voltará a interpretar Steve Rogers. Será que o personagem cairá sob as mãos do Titã Louco? Será que Evans quis dizer que ele interpretará somente o Nômade nos futuros filmes da companhia?

Tony Stark é outro que pode nos dizer tchau, já que Robert Downey Jr. declarou que quer dar um fim ao seu Homem de Ferro "antes que se torne vergonhoso" (sic). A Marvel não tem planos de elencar outro ator para o papel e a teoria de que ele seria a Joia da Alma poderia revelar seu futuro, sendo assassinado por Thanos e dando um fim glorioso ao personagem.

O Futuro dos Vingadores


Como citado acima, Homem de Ferro, Capitão América, talvez Thor, estão com seus dias contados. Com a saída destes Vingadores, quem seriam seus sucessores?

Podemos apostar que Peter Parker, nosso querido Homem Aranha, está garantido no futuro da franquia, com seu segundo filme saindo do forno em 2019. Homem Formiga, que está ganhando uma sequência, e Pantera Negra também estão cotados. Doutor Estranho, sobrevivendo a este filme, é um grande candidato para fazer parte da equipe. O Visão é outra aposta, mas nada garantido, assim como o futuro de Hulk. Há rumores de que a Marvel estaria planejando um filme solo da Viúva Negra, o que aumentaria as chances dela permanecer na equipe.

Outra expectativa envolve o título do próximo filme dos Vingadores, que deve ser divulgado no final de Guerra Infinita. Os Irmãos Russo não revelaram o título por ser um spoiler gigantesco de Guerra Infinita. Talvez tenha a ver com Thanos, que poderá obter todas, ou quase todas, as Joias do Infinito, deixando em dúvida se a Ordem Negra irá traí-lo para tomar o poder, como ocorreu nos quadrinhos.

Nos resta aguardar a estreia do blockbuster para, finalmente, descobrir o que a Marvel planeja para o futuro de seu universo cinematográfico.

Créditos


Texto e revisão: Bruno Bolner
Revisão de conteúdo: Jonathan Araujo

O artigo apresenta as opiniões do autor do texto e não do site Co-op Geeks.


O primeiro teaser trailer do segundo filme da série Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald foi lançado na terça-feira, 13 de março, e mostrou para nós, que estamos aguardando ansiosamente esse filme, muito mais da trama, da interpretação que Jude Law dará para Alvo Dumbledore e da conexão que Newt Scamander, o magizoologista interpretado por Eddie Redmayne, terá com as futuras sequências.

Com o trabalho espinhoso de precisar conquistar novamente os fãs da série Harry Potter que se inquietaram bastante com as polêmicas afirmações envolvendo a escalação do ator Johnny Depp, da falta de representatividade e de queerbaiting envolvendo a produção, o trailer inicia-se logo mostrando o castelo da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts e o personagem destaque desse filme, o futuro diretor da escola de bruxaria e então professor de Transfiguração, Alvo Percival Wulfric Brian Dumbledore.


Aparentemente, antes do Escolhido ser Harry Potter, o mago Alvo Dumbledore já havia sido uma espécie de tutor para outro bruxo que enfrentaria um grande mal: Newt Scamander.

Durante o início do trailer, nós temos alguns funcionários aparatando em Hogwarts. É claro que todos que algum dia já leram "Hogwarts, uma História" lembrariam de que é impossível aparatar nos terrenos da escola, contudo, é possível que os feitiços tenham sido momentaneamente baixados por ordem do próprio Ministro e as razões para isso ainda são um mistério. Um deles, no entanto, é Torquil Travers, interpretado por Derek Riddell, e que tem o sobrenome de um dos futuros Comensais da Morte. Além disso, temos Newt vindo de Paris com um postal misteriosamente rasgado. Será que o magizoologista tinha na verdade uma missão secreta quando viajou para Nova York? Qual será o papel de Newt e porque Dumbledore tem interesse nele?

Le Magique de Paris



Ainda no trailer somos apresentados à uma locação que, com toda certeza, é o Ministério da Magia da França. Ele é uma cúpula de vidro com várias constelações e desenhos de animais mágicos. Nela pode-se ver Le Niffleur (O Pelúcio), Centauro e Le Hippocampe (O Hipocampo).

Queenie Goldstein (Alisson Sudol) está nesse local, por qual razão a legilimens estaria ali ainda é um mistério, mas durante o trailer inteiro ela não teve nenhuma cena com Jacob (Dan Fogler). Será que os dois vão ficar separados durante o filme? Além disso, na versão estendida do trailer que foi lançada em HD, há uma cena onde Queenie parece perturbada e perdida em uma rua de Paris.

O passado de Credence


No trailer também temos pistas e possíveis enormes spoilers para a trama, especialmente para o personagem Credence. Numa das cenas temos um personagem que lembra bastante Dumbledore, de costas, analisando uma parede que parece ser uma espécie de árvore genealógica, árvore esta que não pertence a qualquer família, e sim aos Lestrange. E o mais chocante, o nome de Credence Barebone está ali.

Parece haver algum sentido no fato de que as raízes dos Lestrange estejam na França, uma vez que o nome parece derivar da expressão francesa l'etrange que significa "o estranho" e Paris possui não apenas uma longa história de famílias antigas, como, em seu subsolo, existem várias catacumbas. Será que os Lestrange possuem uma espécie de árvore genealógica mágica que revela o nascimento e morte de todos os membros da família? 

Outra curiosidade é que duas atrizes foram reveladas no filme: a primeira é Linda Santiago, que interpretará a tia de Credence; a segunda é Sabine Crossen, que interpretará a Sra. Lestrange. Não se sabe se as personagens irão interagir, se são aparentadas ou mesmo os nomes delas. Será que a Sra. Lestrange é a mãe de Leta?

Os crimes de Grindelwald



Como ficamos sabendo no filme passado, Gellert Grindelwald (Johnny Depp) foi preso pelos oficiais do MACUSA depois de ter sido desarmado por Newt. No entanto, sabemos que alguma hora o bruxo das trevas conseguirá escapar, tanto que está na sinopse oficial do filme, onde teremos uma cena de escapada "dramática" feita por Grindelwald.

No trailer há uma cena em que uma carruagem carregada por Testrálios, os cavalos voadores e esqueletais apresentados em Ordem da Fênix, saindo do Woolworth Building, onde fica localizado o Congresso Mágico dos Estados Unidos, e Grindelwald está dentro dessa carruagem, supostamente sendo levado para a sua execução ou talvez sendo movido para outra prisão.



Ainda temos um pequeno momento do trailer onde Grindelwald, com a sua parceira Vinda Rosier (Poppy Corby-Tuech), está em frente à uma multidão. Ele, em pé, como se estivesse prestes à discursar e ela segurando um objeto arredondado e branco, como uma bola de cristal. No primeiro filme, Grindelwald disse que ele havia tido uma visão de uma criança poderosa que poderia se aliar à ele, o que significa que o bruxo pode ser um Vidente. Seria essa uma nova profecia? Se for, sobre quem é e quem a fez? E qual será o plano de Grindelwald?

Le Cirque Arcanus


Uma das novidades do próximo filme e que já havia sido anunciada no casting é a existência do Circo Arcanus, um espetáculo itinerante de bruxos que provavelmente se apresentam para trouxas que não sabem que os truques de mágica ali são magia verdadeira.

E é ali que Credence Barebone (Ezra Miller) está escondido, provavelmente acolhido pelos artistas do circo, e ali ele, aparentemente, fez amizade com a personagem da atriz Claudia Kim, uma Maledicta, uma pessoa com uma maldição de sangue e que deve se identificar com a "maldição" de Credence e seu Obscurus

Especula-se também, que no Circo deva haver alguma criatura mágica muito rara ou sendo maltratada. Seria ali que Newt se encaixaria nesse núcleo, tentando salvar Credence e a criatura mágica? Será que a tal criatura mágica é Maledicta?

Os Animais Fantásticos



Outros destaques do trailer foram as breves aparições de animais fantásticos, que embora não serão o foco dessa nova série de filmes, obviamente continuarão tendo sua parte nos filmes, considerando que Scamander trabalha diretamente com eles e possui uma maleta cheia de animais mágicos.

Primeiro, temos o retorno de Pickett, o tronquilho, que prefere ficar no bolso de Newt e tem a habilidade de abrir cadeados com os seus dedos longos de madeira. Além dele, temos também o que provavelmente é um Kelpie, ou Cavalo-do-Lago na tradução, que se assemelha à um cavalo com uma longa crina toda feita de juncos e plantas aquáticas. O Kelpie, como várias criaturas do mundo bruxo, é inspirado em lendas e folclore britânico, e normalmente é descrito como vivendo em lagos e rios da região da Escócia, que é exatamente onde Hogwarts fica. Será essa cena um flashback de Newt jovem explorando o Lago de Hogwarts?


Outros dois animais aparecem no trailer: um pássaro acinzentado diante de uma janela chuvosa que provavelmente deve ser um Agoureiro, normalmente tido pelos bruxos como um animal ruim por seu canto, supostamente, indicar a morte, quando, na verdade, ele prevê a chuva; e um animal que se assemelha à um alce ou um bode que ainda não sabemos o que é.

Os Scamander


E por fim, temos uma cena intrigante de Newt e Teseu Scamander num cemitério à noite apontando as suas varinhas para algo misterioso e, sincronizados, apontando suas varinhas para o chão até criar uma fenda e uma forte luz vermelha. Parece que os irmãos Scamander terão um forte inimigo neste filme e os laços de família, confiança e amizades serão realmente testadas nesse começo de guerra que virá. 

Será que Newt Scamander realmente pode derrotar Grindelwald? E qual será seu papel nisso? As respostas nós só teremos na estreia do filme.


Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald estreia nos cinemas em 16 de novembro deste ano.

Créditos

Texto: Felipe Cavalcante
Revisão: Bruno Bolner

O texto apresenta as opiniões do autor do artigo e não do site Co-op Geeks.


As novelas são os principais produtos audiovisuais exportados pelo Brasil. Mesmo que depois de crescidos seja difícil acompanhar as tramas mirabolantes, todo mundo tem uma favorita que assistiu na infância. As novelas da Globo são as mais bem produzidas há muito tempo, mas o público atual está mudando e é necessário arriscar novas ideias.

Tentando atrair o público geek, a emissora realizou um trabalho massivo de divulgação da nova novela das 19h intitulada “Deus Salve o Rei”. O tema medieval foi o suficiente para começar as comparações com Game of Thrones, embora os seriados americanos tenham formatos completamente diferentes das telenovelas brasileiras. Até um painel foi exibido durante a Comic-Com Experience 2017, com cenas dos capítulos iniciais e entrevistas com o elenco.

Os teasers também mostravam uma história interessante, entre dois reinos que viviam um acordo de paz para que um pudesse usufruir das riquezas do outro. Enquanto Montemor possui ferro em abundância, mas vive uma seca sem precedentes durante décadas, Artena não possui minérios, mas sobram fontes de água doce. Mesmo que um romance super clichê tenha sido inserido na trama (não esqueçamos que se trata de uma NOVELA), o investimento em efeitos visuais e um tema, até então, pouco explorado pela mídia brasileira chamou minha atenção.

Ainda não chegamos lá


Exibida desde o dia nove de janeiro, Deus Salve o Rei é escrita por Daniel Adjafre, que já colaborou em outras novelas e assina seu primeiro trabalho autoral. Desde a estreia, venho acompanhando a evolução da história para ver se realmente o produto final é algo que atraia o público geek, mas infelizmente ainda falta para as novelas brasileiras se distanciarem da famosa receitinha de bolo caseiro, que agrada as senhorinhas que chegaram em casa depois de um dia longo de trabalho.

O que eu quero dizer especificamente, é que a novela em si não é ruim. Porém, é perceptível que certos acontecimentos e personagens estão ali somente para preencher a cota de estereótipos da TV. Outros pontos são muito mal explicados, com soluções do tipo “novela” e que poderiam ser mais surpreendentes com um pouco mais de criatividade.

Por outro lado, a parte visual realmente impressiona. Não vemos nada no nível de Game of Thrones, obviamente, mas o resultado da equipe de produção é realmente bonito e convincente, na maioria das cenas. Já é perceptível também as mudanças no roteiro original, devido a audiência mediana que o texto de Daniel conseguiu no primeiro mês de exibição, deixando vários personagens mais interessantes. Até alguns plot twists, entre o acordo dos reinos geraram as melhores cenas de batalha até então.

No ar há dois meses, é difícil dizer se “Deus Salve o Rei” será mesmo a quebra de rotina que a Globo esperava, mas é certo afirmar que não há quase nada “geek” para atrair o olhar dos fãs de histórias medievais, quadrinhos e afins.

Créditos:

Texto: Angelo Prata
Revisão: Bruno Bolner

O texto apresenta as opiniões do autor do artigo e não do site Co-op Geeks.

A grande sacada de realizar uma boa adaptação é saber dosar o que pode ou não ser excluído da história, para caber tudo em poucas horas de filme. Não é um trabalho fácil, visto que muitos já falharam miseravelmente com tal desafio (um beijo para o Death Note, da Netflix). Outro ponto muito questionado é a fidelidade com a obra original, tão pedida pelos fãs, mas que ao mesmo tempo me faz questionar: há necessidade de vermos exatamente a mesma história com atores reais? Com o longa Fullmetal Alchemist, baseado no mangá e anime de Hiromu Arakawa, descobri que a resposta é não!

O mangá já virou animação duas vezes, a primeira em 2003 (quando a história ainda estava longe de terminar nos quadrinhos) e em 2009, recebendo o subtítulo de Brotherhood e sendo mais fiel a obra original. Tanto os animes quanto o filme possuem exatamente a mesma trama: em um continente fictício onde a alquimia é uma ciência estudada por muitos, concedendo habilidades extraordinárias a seus praticantes, dois irmãos tentam ressuscitar a mãe usando tais habilidades, porém, segundo as leis da alquimia, para se conseguir o que se deseja é necessário sacrificar algo de valor equivalente. Por isso, trazer os mortos de volta à vida é considerado um tabu.

A tentativa acaba sendo um pouco desastrosa e, como resultado, Alphonse, o irmão mais novo, acaba perdendo seu corpo fazendo com que Edward tenha que sacrificar seu braço direito e sua perna esquerda para fixar a alma de Alphonse em uma armadura. Desde então, eles buscam a pedra filosofal, o item mais poderoso da alquimia, capaz de realizar feitos inimagináveis, para recuperar seus corpos.

Fiel até demais


O maior problema do live-action foi tentar seguir o original a risca em todos os aspectos: figurino, cenário, falas, tudo. Só que isso resultou em vários momentos de vergonha alheia como a peruca loira do ator Ryosuke  (intérprete de Edward). Os figurinos são dignos de uma final de campeonato de cosplay e a aparição do personagem Gula é o ápice da falta de bom senso dos produtores, que não se questionaram em nenhum momento se certos aspectos de uma animação ficariam bons visualmente na vida real.

Os efeitos especiais têm seus momentos de glória, principalmente nos minutos iniciais, mas tudo acaba ficando ainda mais tosco quando aparece um exército de inimigos que eram até assustadores no anime, e que no filme é só para dar risada. A trama ainda termina sem dar nenhuma pista do que está acontecendo ou quem são aqueles personagens coadjuvantes, deixando os espectadores que não leram o mangá ou assistiram a animação sem entender nada do enrendo.

Era melhor ter assistido o anime


O filme de Fullmetal Alchemist não faz jus à animação original e a incrível história contada por Arakawa, sendo uma versão mais fraca de uma das obras mais aclamadas por otakus do mundo inteiro. Se você leitor nunca ouviu falar de Fullmetal e tem interesse em conhecer, a melhor maneira é pelo mangá ou o anime Brotherhood, que conta com maestria a saga dos irmãos Elric em busca da pedra filosofal. Quanto a este filme, gostaria de saber um círculo de transmutação para desvê-lo.

Créditos

Texto: Angelo Prata
Revisão: Bruno Bolner

O artigo apresenta as opiniões do autor do texto e não do site Co-op Geeks.

Uma das novas apostas da Netflix, é Dark, lançada no final do ano passado e a primeira série alemã da produtora. Desde seu lançamento, vem arrecadando boas críticas devido seu roteiro e boas mãos na direção dos episódios. Quem assina o roteiro é Jantje Friese, enquanto a direção fica por conta de Baran bo Dar. Ambos já trabalharam juntos em Who Am I, que ganhou alguns prêmios no cinema local.

Vamos começar desmistificando a informação de que Dark e Stranger Things são parecidas, informação esta que, aliás, saiu de dentro da própria Netflix. Suas similaridades não passam do desaparecimento de crianças em uma pequena cidade do interior, que é o lar de uma grande empresa suspeita. E é só isso. Em mais nada uma série remete à outra.

Stranger Things é toda homenagem ao suspense e ficção oitentista, com um ótimo roteiro e atuações. Dark, por sua vez, é um pouco mais profunda, densa e utiliza da ficção científica como pano de fundo para tratar de outros assuntos, como as clássicas questões filosóficas: De onde viemos? Para onde vamos?

Enquanto uma trata de uma terceira dimensão (o mundo invertido), a outra trata de viagem no tempo e entrelaçamento temporal.


A história de Dark se passa na pequena Winden, o lar, doce lar, de uma usina nuclear que está prestes a ser desativada. Nesta pacata cidade, o desaparecimento de crianças resulta em revelações acerca de algumas famílias que lá vivem, trazendo à tona relações corrompidas e vidas-duplas, enquanto viajamos pela história destas personagens.

Em seu primeiro episódio, Dark nos cativa com questões ousadas sem respostas, enquanto nos apresenta a misteriosa Winden e, a partir daí, a série dá um cansaço no espectador trazendo muito mais perguntas do que respostas.

Quando as respostas começam a surgir, é impossível parar de acompanhá-la. Os laços entre os personagens, tanto no passado, quanto no presente, enriquecem a trama a cada detalhe revelado, criando um enredo interessante de se acompanhar, ao mesmo tempo que consegue criar sua atmosfera com sucesso.

A série é um exemplo de bom roteiro e direção, a qual se mostra bem mais sombria do que aparenta de início. Com seu desenvolvimento ao longo dos episódios, passamos a vivenciar momentos em que passado, presente e futuro se misturam em uma linha do tempo nem sempre linear.

Esta linha do tempo é a principal responsável por tornar Dark interessante, pois os mistérios permeiam a história de cada personagem, tornando cada um essencial para o desenvolvimento dos demais. E as revelações ocorrem nos três tempos de cada personagem, trazendo uma trama bem desenvolvida e com pontas bem amarradas.

Pelo roteiro ser um pouco complexo, é muito importante estar atento aos detalhes revelados, principalmente, nos primeiros episódios, onde a série transborda informação a respeito de suas personagens.

A fotografia e a trilha sonora também são pontos altos. Vale destacar que é muito mais interessante escolher o áudio original e não uma das dublagens.

Um ponto fraco da série é encontrada em uma cena do último episódio, que acabou ficando um pouco bizarra pelos efeitos especiais utilizados e pela forma como foi introduzida. Cena esta que resolve um grande mistério da série.


Créditos

Texto e Revisão: Bruno Bolner

O artigo apresenta as opiniões do autor do texto e não do site Co-op Geeks.

A Forma da Água é o novo filme do aclamado diretor Guillermo Del Toro, que também dirigiu O Labirinto do Fauno, A Espinha do Diabo, Hellboy e Pacific Rim, e apenas posso começar essa crítica dizendo que esta obra é um filme sobre um monstro, um filme de amor e, também, um filme de amor aos monstros.


Com toda certeza esse é um daqueles filmes que mistura vários elementos já batidos e formulaicos de Hollywood, mas que acaba criando uma história nova, um conto de fadas moderno. A trama é bem simples: na década de 60, Elisa Esposito (Sally Hawkins), é uma moça muda que trabalha como faxineira num laboratório governamental e mora sozinha em seu apartamento em cima de um decadente e velho cinema. Mas ela não é apenas isso, ela é uma princesa sem voz ou, pelo menos nessa história, a princesa é uma mulher que nunca é vista pelos outros ao seu redor, exceto, talvez, pelos seus dois amigos: Giles (Richard Jenkins), um homem gay não-assumido velho e solitário; e Zelda (Octavia Spencer), uma também faxineira, negra, amigável e faladora.


A história, porém, começa realmente quando Elisa descobre uma criatura que está, agora, sendo mantida no laboratório para testes. Elisa mantém uma amizade com o Homem Anfíbio (Doug Jones), até que descobre que ele será dissecado para servir de teste para um projeto ultrassecreto do governo e decide resgatá-lo. Contudo, essa amizade parecer ser um sentimento muito mais forte entre os dois, pois ela parece estar se apaixonando pelo monstro.



O filme é uma revisão do conto A Bela e a Fera e de O Monstro da Lagoa Negra com a torção própria para acrescentar, ele todo parece possuir dentro de si as influências de Del Toro como cineasta, o amor por monstros e criaturas, filmes antigos, filmes épicos bíblicos, contos de fadas sombrios e uma mistura do fantástico com o real em momentos de tensão histórica. Se n'O Labirinto do Fauno tínhamos a Guerra Civil Espanhola, aqui temos a Guerra Fria, e a disputa de poder entre os americanos e os soviéticos é uma das tramas paralelas do filme que se colocam como uma barreira entre o amor de Elisa com a criatura.

O relacionamento dos dois é construído de maneira rápida, porém eficaz. A ligação que ambos possuem se faz nas semelhanças entre duas pessoas que são incapazes de se expressar na sua totalidade e são vistos como menos que gente pela sociedade. E o próprio monstro é incrível! A criatura, vivida por Doug Jones, possui uma fisicalidade e beleza única. A delicadeza de Del Toro e seu conhecimento em histórias e lendas se mostra dentro da construção do Homem Anfíbio, que possui um lado selvagem, animalesco e instintivo, mas, também, uma curiosidade, doçura e bondade, dependendo de quem esteja ao seu lado. A maquiagem e as cores do personagem são incríveis. 

Sally Hawkins faz um excelente trabalho ao capturar uma espécie de inocência e compaixão, misturados com determinação, insolência e não-submissão, durante todo o filme, sem pronunciar uma palavra sequer, servindo de contraste para o grande vilão do filme: Strickland, cujo toxicidade masculina do personagem é assustadora e o trabalho do ator, Michael Shannon, de tornar real uma amálgama caricata de uma sociedade normativa é muito eficaz.



Outros personagens do filme recebem seus momentos de destaque, Giles, interpretado por Jenkins, mostra uma paternidade calorosa e afeição por Elisa ao mesmo tempo que uma tristeza e melancolia profunda por sua solidão. O Dr. Hoffstetler apresenta um grande dilema entre o seu dever e sua própria segurança e o seu amor pela ciência e compaixão. E apesar do pouco tempo de tela, Octavia Spencer mostra-se não apenas uma companheira engraçada, mas também leal e sincera.


A fotografia do filme com certeza é um dos maiores acertos e algo em que Del Toro nunca decepciona. Os jogos de câmera e ângulos usados servem tanto para criar a atmosfera perfeita para que se aceite o fantástico no filme, como também criar uma pintura de história. O filme usa muitos tons de verde que remetem à água e ao mundo submarino, igualmente no figurino de Elisa que, ao decorrer do filme, vai tornando-se vermelho, refletindo ao amor e paixão que vai se desenvolvendo ao longo do enredo.


Por fim, talvez os defeitos mais visíveis do filme sejam a sua previsibilidade, que, de certo modo, criam um final ligeiramente ambíguo, e a falta de tempo para desenvolver mais seus personagens que, apesar de muito humanos, ainda são uma representação um pouco elementar de um dilema social complexo. Mas, ainda assim, A Forma na Água é uma obra sobre monstros, sejam criaturas ou monstros humanos, uma carta aos filmes antigos e histórias esquecidas e sem voz, e, como o próprio diretor disse, um filme sobre amor: "A água é como o amor, não tem uma forma. Ela toma a forma de tudo o que ela habita. Ela é o elemento mais poderoso de todo o universo. É gentil, e flexível, mas quebra todas a barreiras".




Créditos

Texto: Felipe Lima
Revisão: Felipe Lima e Bruno Bolner

O artigo apresenta as opiniões do autor do texto e não do site Co-op Geeks.

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