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São Paulo vai tremer!

Fãs do Horror viverão uma experiência intensa na I Horror Expo em São Paulo. Além de participar de shows e atrações, vão poder se lambuzar com comprinhas aterrorizantes. Os organizadores prometem reunir experiências inéditas com com muitas atrações de Cinema, TV, Séries, Games, Música, Literatura e Cultura Pop em três dias de evento que acontecem em 18, 19 e 20 de outubro de 2019.



Entre os convidados confirmados está o capista dos álbuns do Iron Maiden, Derek Riggs e a atriz Naomi Grossman de American Horror Story. O diretor da série cult Amazing Stories, Mick Garris, também está confirmado.

Shows musicais nacionais e internacionais, como a banda sueca Therion, com letras sanguinolentas e sombrias já estão escaladas. A feira ainda conta com atrações de Escape Room, Trem Fantasma com Realidade Virtual, Oficina de Maquiagem Gore e outros espaços temáticos de interação com o público.


É a primeira vez que o Brasil recebe um evento desse porte dedicado ao gênero e será bem no ano em que o cinema nacional volta a ter produções de destaque com as narrativas de horror.

O Horror e o Terror estão firmando novas pontes de diálogos com outros gêneros narrativos e incorporando em seus enredos temas que antes eram dedicados à crítica especializada, como a violência contra LGBT+, fanatismo religioso e discussão de gênero.

O bom e velho clichê também encontra espaço e serve para divertir o fã que não abre mão de uma sexta-feira 13 de muitos sustos e gritos. 

Os ingressos para a I Horror Expo SP já estão à venda pelo site.

A Gamescom 2019, feira alemã dedica aos games, acontece entre 20 e 24 de agosto de 2019. Um dia antes, assim como a pré-E3, é comum acontecer as conferências das desenvolvedoras, onde realizam os anúncios de novos produtos e novos materiais do que está em desenvolvimento e que já foram revelados.

Ori e Hotline Miami no Switch

A Nintendo realizou sua apresentação através de um novo Direct, o Nintendo Indie World, onde exibiu suas novidades para o Switch. Ao todo, foram cerca de 30 games que deram as caras na apresentação da japonesa, que teve destaque para Ori and the Blind Forest: Definitive Edition anunciada para 27/09 e o lançamento de Hotline Miami Collection logo após a apresentação de seu trailer.


Outros destaques para o Switch foram Risk of Rain 2 com seu trailer cinemático, os novos trailers de Eastward, Freedom Finger, Torchlight II, Dungeon Defenders Awakened, e ainda os anúncios de Röki, Skater XL, The Tourist, Skellboy e Earth Night.

A bruxa tá solta!

Bom, pelo menos estará em breve... A Xbox trouxe diversos trailers e novidades para o Xbox One e, com a data de lançamento se aproximando, foi revelado um novo trailer de Blair Witch, onde o jogador contará com um parceiro canino para investigar o desaparecimento de uma criança enquanto tenta sobreviver à estranha e assombrada floresta de Black Hills.



Blair Witch chega para PC e Xbox One dia 30/08 (com direito ao Game Pass no dia de lançamento!).

Ghost War

Outro destaque da empresa foi um novo trailer de Ghost Recon: Breakpoint que mostrou o novo modo de jogo multiplayer Ghost War, focado em estratégia e trabalho em equipe nos combates 4x4. O modo terá 4 classes e 6 mapas em seu lançamento.

Crossplay entre Xbox One e PS4!

Mais uma das boas novidades reveladas foi o crossplay de PUBG entre o Xbox One e o PS4! Os testes serão realizados no fim de setembro e será disponibilizado a partir de outubro para os jogadores de PlayerUnknown's Battlegrounds. Esta novidade é mais uma iniciativa interessante e mostra que as desenvolvedoras estão cientes de que o crossplay fará parte do futuro dos games, principalmente por parte da Sony, que parece estar revisando suas políticas sobre o assunto e se mostrando mais adepta à função. Por enquanto, o crossplay será apenas entre os usuários dos consoles da Microsoft e Sony.

Gears 5 saindo do forno!


Além de um novo trailer de Wasteland 3, anúncio da participação de Idris Elba e Rosario Downson no modo carreira de NBA 2K20, gameplay de Empire of Sin, prévia de The Surge 2 e a revelação do lançamento de Gears Pop! para 22/08, assim como a chegada de Devil May Cry 5 (Xbox One) e Age of Empires: Definitive Edition (PC) no Game Pass, a Xbox revelou o Modo Horda de Gears 5, com direito a gameplay e tudo. O jogo chegará ao Xbox One e PC em 10/09.

A chegada do Google Stadia

O serviço da Google para o entretenimento gamer será lançado no fim desse ano e a Gamescom 2019 foi perfeito para dar fôlego à sua chegada, pois foram revelados alguns games de peso para o serviço de games em nuvem, como Mortal Kombat 11, The Elder Scrolls Online e Destiny 2Além de Windjammers 2, Superhot e Darksiders Genesis, os destaques ficaram por conta dos anúncios de Orcs Must Die! 3 e Kine, ainda sem data de lançamento.



Outros games para o Stadia que também tiveram destaque foram Borderlands 3 (13/09), Cyberpunk 2077 (16/04/20), Doom Eternal (22/11), GRID (10/10) e Watch Dogs: Legion (06/03/20).

Little Nightmares 2

Para os fãs que estavam ansiosos por um novo Little Nightmares, a boa notícia: o segundo game foi anunciado durante a apresentação principal da Gamescom. O jogo será uma continuação do game de 2017 e sairá para PS4, Xbox One, Nintendo Switch e PC em algum momento de 2020.

Kojima no auge (e no palco!)

Hideo Kojima, o cara por trás do novo e confuso Death Stranding, subiu ao palco para falar do game. Além de um novo gameplay, o diretor revelou que muitas pessoas de rosto conhecido poderão ser encontradas durante o game. Para exemplificar, o gameplay exibiu o protagonista (Norman Reedus) encarregado de realizar uma entrega para Geoff Keighley, o apresentador da transmissão ao vivo do evento.



Segundo Kojima, a ideia de Death Stranding é conectar o mundo, do leste a oeste. Neste percurso, o bebê ficará estressado e o jogador deverá tranquilizá-lo. O game será lançado em 8/11 exclusivamente no PS4.

Por último, mas não menos importantes...

Outro destaque da feira foi o anúncio de Humankind, novo game de estratégia da Sega para o PC que recontará a história da humanidade desde seus primórdios. Erica também foi revelado e lançado para PS4, sendo um game baseado em escolhas que conta com atuações de pessoas reais, numa espécie de filme interativo, onde a protagonista tenta encontrar a verdade por trás da morte de seu pai.

Outros games anunciados foram Kerbal Space Program 2, Everspace 2, Need For Speed Heat e um novo game da franquia Comanche. The Witcher 3 ganhou data de lançamento no Switch (15/10) e Predator: Hunting Grounds ganhou um novíssimo trailer de gameplay, que indica que poderemos controlar o próprio Predador! credo que delícia!



Muitas novidades para digerir e pouca grana para todos estes games que estão por vir. Mas não podemos reclamar das novidades... só da Capcom que não revelou um novo Resident Evil!

Créditos:

Texto: Bruno Bolner
Revisão: Bruno Bolner

O texto apresenta as opiniões do autor do artigo e não do site Co-op Geeks.

Santa Catarina teve sua primeira vez! Nunca antes da história desta província tínhamos tido um festival de cinema dedicado ao gênero de horror, acredita? O coletivo Sangra Catarina tratou de corrigir a blasfêmia colocando a capital no mapa para a exibição de filmes independentes de horror. O 1º Floripa Que Horror! ocupou as telas do CIC (Centro Integrado de Cultura) entre os dias 16 e 18 de agosto de 2019 com longas, curtas e trailers nacionais e estrangeiros sob a curadoria de Andrey Lehnemann e produção de Pedro MC, membro também do Cinemática.

Na programação, dois longas estrangeiros e um nacional que ganhou destaque também no circuito comercial - A Mata Negra, do diretor Rodrigo Aragão. Foram exibidos também 8 curtas metragem na noite de sexta. 

A Casa de Suor e Lágrimas, filmão que abriu o festival


O filme de estreia, o longa espanhol Casa de Sudor y Lagrimas, da diretora Sonia Escolano, usou e abusou da sinestesia ao acompanhar o desfecho da convivência de um grupo pequeno de pessoas em uma espécie de cativeiro religioso. Embora a temática gire em torno do fanatismo religioso (e talvez isso conte como elemento sobrenatural), o filme enquadra muito bem o terror psicológico embaixo de uma trama complexa de abusos, farsas e medos com uma fotografia claustrofóbica e atuações envolventes. A atriz Alzira Gómez que interpreta a personagem Ella, a líder religiosa da seita, tem a trajetória mais interessante. Logo na primeira cena, Ella aparece "transmitindo" uma mensagem supostamente de Maria entre gemidos e urros de êxtase religioso. No arco final da narrativa, a personagem tem o brilhante diálogo no telefone com quem parece ser seu superior e revela não ser mais capaz de ser contactada pela entidade (uma referência a Anorgasmia).

A trama usa de cenas que despertam dor, prazer, angústia, horror, terror, medo, confusão, raiva, riso, criando uma espécie de duplo com as emoções do público. Daí a opinião de que a experiência de assistir o filme em uma sala de cinema sem dúvida eleva seu efeito de sentido. Quando começamos a nos sentir confortáveis com um tipo de emoção, o filme parece absorver aquele tédio e oferece uma mudança de ritmo no seu enredo. Sim, ritmo e posição, a linguagem do filme é bastante sensual alternando emoções (que poderiam ser interpretadas como posições sexuais), criando uma conexão bastante erótica com o público. Mais ou menos na metade do filme, somos surpreendidos com uma cena de sexo propositalmente colocada (olha o ritmo da narrativa aí) provocando estranheza no público ao perceber que a pessoa sentada ao lado estava tão excitada quanto você. Geralmente, esse tipo de experiência temos em espaços privados, com pessoas íntimas e não em público com desconhecidos. A discussão entre privado/público, fechado/aberto e hipocrisia/verdade permeia todo o filme, por isso entendo que esta cena teve um propósito maior na narrativa.

Na leitura que fiz, o filme é uma alegoria de terror psicológico com cenas de gore para levar o público a questionar se a religião, na verdade, quer criar um espaço autorizado para que seja possível sentir prazer sem pecado, mas que acaba falhando violentamente como possibilidade. Também entendi que o prazer (e a ausência dele) atua como força que move as relações humanas. Quem está procurando uma obra para analisar no TCC, vai na fé, com o perdão do trocadilho. O filme dialoga muito bem com questões contemporâneas, principalmente para debater o que está por trás de ideias extremistas.

Sexta-feira, a noite dos curtas


Na segunda noite do festival foram exibidos 8 curtas metragem de diferentes regiões do país. A seleção se importou em pinçar representantes com diferentes leituras do gênero, priorizando a diversidade no caleidoscópio do horror nacional. 

Os filmes foram apresentados nesta sequência (sinopses dos organizadores):

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ALMOFADA DE PENAS
Dir.: Joseph Specker Nys, 12 min, SC/Brasil
Após a lua-de-mel, Alicia começa a sofrer de uma doença inexplicável. Enquanto mergulha numa realidade repleta de alucinações monstruosas, seu marido observa com indiferença.

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UTERUS
Dir.: Pedro Antoniutti, 15 min., RS/Brasil
Eventos perturbadores - todos circunscritos no mesmo local - transformam as vidas de quatro pessoas.

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O BOSQUE DOS SONÂMBULOS
Dir.: Matheus Marchetti, 21 min., SP/Brasil
Hóspedes de um antigo hotel caem sob um feitiço noturno. Vozes os convidam para dançar bosque adentro, num baile de sombras onde poderão vivenciar os seus desejos mais secretos.

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DEAD TEENAGER SÉANCE (VENCEDOR DO FESTIVAL)
Dir.: Dante Vescio, Rodrigo Gasparini, 21 min., Brasil
No limbo, um grupo de adolescentes mortos decide se vingar de seu assassino invocando-o para o seu mundo.

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POP RITUAL
Dir.: Mozart Freire, 20 min., CE/Brasil
Padre João prende um vampiro e o visita para um regime de experimentos científicos e estranhezas - que se tornam uma alucinada relação entre erotismo e o sobrenatural.


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NECRÓPOLIS
Dir. Ítalo Oliveira, 15 min. BA/Brasil.
A história se passa na cidade fictícia de Mucunã e gira em torno de Milena (Ruthe Maciel), sobrevivente solitária que vive no semiárido nordestino em um mundo pós-apocalíptico. O enredo da história se constrói a partir de um fungo que contaminou a população mundial, transformando as pessoas em zumbis. A partir da imagem de Milena, a trama busca enfatizar a força da mulher sertaneja e da mulher negra para enfrentar as dificuldades e sobreviver.

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ONI
Dir.: Diogo Hayashi, 18 min., SP/Brasil
A fazenda não é mais fértil. Tentando compreender o problema, o botânico Ichiro acabará chamando a atenção de seres há muito esquecidos.

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COVA HUMANA
Dir. Joel Caetano. 10 min, SP/Brasil.
Ganhador do último Curta-Con, um homem enterrou sua dor profundamente, mas ela insiste em voltar.

Poderia escrever uma crítica para cada curta (deixem nos comentários se vocês querem saber mais). Foi uma noite bem interessante! Meu preferido foi o Almofada de Penas, a animação em stop motion baseada no conto homônimo de Carlos Quiroga. 

A vertente do Queer Horror contou com dois representantes: o intrigante Pop Ritual e o musical O Bosque dos Sonâmbulos. Em Pop Ritual, a dinâmica entre os personagens principais é interessante, estamos acostumados a histórias em que o sagrado se "apaixona" pelo profano, a reviravolta é estar diante de uma reciprocidade repleta de simbolismos. O visual punk anos 1980 do vampiro também é muito bem feito. O filme não tem diálogos verbais, mas as entrelinhas dizem bastante. A linguagem onírica aparece dentro e fora do curta em uma espécie de pesadelo insistente. A ideia de que os extremos se alimentam um do outro tem uma leitura política bastante atual.

Para quem ainda não conhece, o Queer Horror é um subgênero do Horror que coloca as questões LGBT+ no eixo da narrativa. É conhecido também como uma vertente de resistência e de cunho político.

A Mata Negra, o longa nacional de sábado




O festival exibiu o longa A Mata Negra do diretor Rodrigo Aragão. Confira a sinopse:

Em uma floresta do interior do Brasil, a jovem Clara vê sua vida mudar para sempre quando encontra o Livro Perdido de Cipriano, cuja magia, além de conceder poder e riqueza a quem o possui, é capaz de libertar uma terrível maldição sobre a terra.

O filme trabalha bem a junção do local e do externo, conectando concepções distintas de magia e mostrando que temos um potencial mitológico imenso a ser explorado pelo cinema nacional.

Noite de encerramento: Mas que horror, Floripa!


Como nem tudo são flores no cemitério, a última noite do festival terminou agridoce. Pude rever o hilário DEAD TEENAGER SÉANCE, que acabou levando o prêmio de melhor filme desta edição, e o nem tão bom assim Lifechanger (2018).

O longa canadense, que já levou alguns prêmios em festivais pelo mundo, fez uma excelente junção entre efeitos visuais digitais e práticos. A cena final é realmente apreensiva e usa o gore de uma maneira bastante poética, lembrando uma obra celebrada pela crítica, do pintor Salvador Dalí.

A narrativa, no entanto, decepciona pelo teor moralizante e pelos diálogos mal construídos. Uma fábula de horror, é como resumiria o filme. Diferente de A Casa de Suor e Lágrimas, o filme é bastante raso ao explorar em seus diálogos temas como superação de traumas e amadurecimento. A premissa do personagem folclórico troca-peles é bem interessante, mas o roteiro não entrega. Pontos positivos? A participação do modelo e ator Jack Foley e a maquiagem.

Resumo do festival

Com 3 longas e 8 curtas, Santa Catarina enfim pôde gozar pela primeira vez de um festival todinho dedicado ao horror. Os filmes, inéditos no estado, instigaram a curiosidade do público para o cinema fora do mainstream americano. A organização do festival teve seus pontos críticos, acredito que poderia ter inserções mais interessantes e criar um engajamento maior com o público, mas o pioneirismo, a ousadia e a entrada franca contornaram os contratempos desta primeira edição. Floripa é uma capital de difícil entrada para inovação nas expressões artísticas de modo geral, toda intervenção que subverta a mesmice provinciana tem seu destaque garantido no coração. 


Such a tasty heart <3

Créditos

Texto: Valentina Gaztañaga
Revisão: Bruno Bolner

O texto apresenta as opiniões do autor do artigo e não do site Co-op Geeks.

Não há maneira de começar este texto sobre La Casa de Papel se não por uma piada, ruim, claro. Sabe por que os espanhóis não conseguem terminar uma denúncia? Te lo digo yo: porque se rien antes.

La Casa de Papel mostra ao público estrangeiro uma refrescante maneira de contar uma história de assalto. A maioria de nós está adaptada às produções americanas com diálogos de fácil compreensão, humor superficial e "panos quentes". Afinal, são produtos que precisam se “conectar” com pessoas de diversas culturas e idiomas.

Se no humor americano encontramos estruturas como "isto é uma piada, podem rir agora", principalmente no cinema e nas séries de TV, nas produções de outros países como Inglaterra e Espanha somos surpreendidos pelo emprego do "humor inteligente" ou "sarcasmo", como é possível notar se você assistir aos episódios da série The Office primeiro na versão britânica e depois na versão americana.

Por isso, arrisco a dizer que muita gente anda por aí rindo com a série La Casa de Papel sem perceber que ela estava o tempo todo rindo também, só que da gente mesmo.

Venga, venga, não vamos discutir uma piada, ou vamos? Let’s go for a walk, partners!

Do que se trata a série?


O enredo de LCDP é bastante simples: um grupo de pessoas sem perspectiva na vida, desajustadas socialmente e que aspiram servir para um propósito anti-alienação da sociedade são convidadas por um homem misterioso autodenominado Professor para assaltar a Casa de Moeda e Timbre da Espanha executando um audacioso plano. Menos de três anos depois, o grupo atende ao novo chamado do Professor para voltar a atacar o Estado, agora invadindo o Banco Nacional da Espanha, tendo como principal objetivo recuperar um dos membros da "família" capturado e torturado sob ordens da polícia. A terceira parte da série termina com um desfecho interessante sobre a guerra contra o Estado e a queda do mito da Pátria Mãe. A próxima temporada deverá mostrar como será a nova fuga e qual será o fim dos personagens.

O jogo político dentro do humor

A série costura bem diversas referências às produções americanas, principalmente ao filme V de Vingança lançado em 2006, inspirado na HQ de Alan Moore e David Lloyd publicada nos EUA em 1988. Talvez você não lembre, mas esta mesma história inspirou diversas pessoas no mundo real, do grupo hacker Anonymous a outros crimes.
Outra referência visual da série é o visual de Tokio semelhante ao de Mathilda, personagem interpretada por Natalie Portman no filme O Profissional, de 1994.
A trama de inspirar a sociedade à agir radicalmente para se livrar da opressão é conduzida com muito sarcasmo pelos criadores da série. A ideia central do primeiro assalto é roubar o tempo para produzir dinheiro, e é exatamente o que a série faz. Afinal, enquanto estamos ali mortinhos de curiosidade sobre o que vai acontecer a seguir, tem gente ganhando dinheiro com isso, time is money. Fomos roubados! Roubaram nosso tempo, e se pararmos para pensar mais um pouco, não é a primeira vez, certo?

O jogo político amplia o espectro do humor da série, podemos achar engraçadíssima a gargalhada de Denver, mas também achamos graça de que o personagem mais "malvado" se chame Berlim, e que ele também seja machista e soberbo, como a aristocracia europeia é. O personagem também faz uma referência a Leon, o assassino de aluguel do filme O Profissional.

Mas Berlim ao contrário de Leon tinha regras flexíveis, levando uma refém para seu sacrifício final, faz sua escolha pela glória no lugar de uma cama de hospital. Mas você ainda pode escolher acreditar que Berlim foi altruísta, mesmo que os fatos contradigam isso. Este é o poder e a grande mensagem do personagem.

O jeito como a investigadora Raquel amarra os cabelos para se concentrar é uma referência à Violet Baudelaire, de Desventuras em Série, mas o jeito como a polícia está dividida entre poupar vidas civis e encerrar o assalto da maneira mais sangrenta possível faz referência à vida como ela é de fato. O enredo de LCDP se baseia neste jogo de tensões, incorporando conexões com fantasia e realidade, misturando escândalos reais com ficção, manipulando o espectador. Experimentamos a mesma sensação quando consumimos Fake News - e com que frequência vemos Fake News por aí? All the time, partners

E se você ainda não viu o filme Um Corpo que Cai, de Alfred Hitchcock, talvez você não saiba do que se trata LCDP.

Rir de coisas difíceis é inteligente


Mas, afinal, o que é sarcasmo? Sarcasmo é uma palavra que vem do Grego, e se vem de lá, então está entre nós há muito tempo. O sarcasmo estava presente nas peças de teatro antigas e faz parte até hoje das expressões artísticas, principalmente as que incluem política e economia na discussão. É uma forma de humor tida como intelectualmente estimulante que, além do insulto, propõe a necessidade de se olhar para algum fenômeno específico mostrando a fragilidade de nossas crenças e valores. No caso de LCDP, se trata do papel do Estado e seus interesses dissociados dos interesses da sociedade civil.

Na primeira e segunda parte da série temos a crítica aos lucros exorbitantes dos Bancos e sua influência na economia em países como a Espanha. Já na terceira parte, a série estabelece outras conexões com a realidade, como a influência de organizações políticas internacionais em conflitos internos, o abuso de autoridade do Estado pela tortura e outros atos ilícitos e a comoção popular que parece ser manipulada por "ideologias", pela mídia e pelas tratativas do Estado.

Uma leitura possível que exemplifica bem o sarcasmo de LCDP é atribuir à personagem da investigadora Sierra a representação do Estado como Pátria Mãe, naquele jogo autoritário conhecido de que a mão que dá é a mesma que tira. Só que isso feito de uma forma para causar deslocamento de sentido: a personagem é caracterizada por seus pirulitos e balas, com um barrigão de grávida, fumando cigarros, entre outras contravenções do "politicamente correto". É ela que decide desmantelar a família pelo coração, usando a fraqueza do inimigo como contragolpe, exatamente o que propôs o Professor ao explicar para o grupo como seria o segundo assalto: o plano tinha como base a filosofia do Ai Ki Do, usar a força do inimigo contra ele próprio. 

Outra crítica mordaz de La Casa De Papel ao Estado é sobre seu poderio, nenhuma outra instituição ou organização tem tanto poder, dinheiro e influência quanto o Governo, de modo que todo ato de violência social contém uma denúncia de permissividade, ou seja, de algum modo a violência beneficia a manutenção desses privilégios. Nas bases do pensamento liberal encontramos três justificativas para a existência do Estado: garantir o direito à propriedade, à justiça e à segurança do cidadão. Todo país capitalista vive este conflito entre o que a teoria diz e as exigências da população pela manutenção do bem-estar social.

Em uma cena no mosteiro, já na terceira parte, o Professor mostra vídeos de pessoas em atos de reivindicação violenta inspiradas pelos Dalís, usando suas máscaras e macacões. À primeira vista, sem entender o sarcasmo, somos levados a acreditar que o bando possui um propósito político forte capaz de chacoalhar as estruturas da Espanha (e do mundo!).
Além de V de Vingança, a série faz referência a diversos elementos visuais de Breaking Bad.
Mas a mesma série mostrou que mesmo com milhões de euros, anos de planejamento e pessoas especializadas, é tremendamente difícil fazer com que a máscara do Estado caia. Será mesmo que pedras atiradas por pessoas completamente movidas pela adrenalina terão algum efeito? Será que a população está realmente desperta e livre da alienação ao agir por impulso a partir de uma conexão emocional com uma causa planejada?

Não ter consciência de que a própria ação subversiva vai ser cooptada pelos interesses mais sombrios do sistema é mesmo uma grande ingenuidade. E parece ser essa a conclusão que a série chega ao tratar de escândalos políticos reais dentro do enredo, como o dinheiro pago às autoridades marroquinas para impedir a chegada de imigrantes pela fronteira sul da Espanha junto com o financiamento de outros países europeus. É no momento em que a inspetora tem a brilhante ideia de confundir a mídia e os cidadãos misturando fatos forjados com verdadeiros que a série faz a mesma coisa, colocando denúncias reais na cena.

Para saber mais sobre este assunto indico os episódios s01e12 e s02e09 da série Salvados, do jornalista espanhol Jordi Évole, também disponível na Netflix.

Do escracho à mudez social


Se LCDP traz tantas críticas sociais interessantes e um enredo sarcástico que põe luz em vários problemas políticos da Espanha, por que mesmo assim parece que os problemas continuam existindo lá (e em qualquer outro país do mundo)? E mais, por que somos impelidos a gostar tanto da série pela ginástica intelectual que nos provoca e minutos depois olhamos para nossa realidade com extrema preguiça de mudar qualquer coisa?

No pano de fundo da série, também está a grande crítica ao comodismo da sociedade: sua parte no pacto social é fechar os olhos enquanto privilégios mínimos sejam garantidos. Parece algo que Joana, personagem da série brasileira 3%, também questionaria. Em uma cena da terceira parte, a inspetora Sierra afirma: "por essa quantia de dinheiro qualquer espanhol venderia sua própria mãe!". A série traz esta máxima anti-capitalista, a de que o dinheiro corrompe, para dentro de um produto. E é esta a dinâmica adotada pelo Capital, qualquer ideia é uma ponte de conexão emocional com os indivíduos, uma vez "enganchadas" as pessoas entregam seu tempo de bom grado.

Enquanto LCDP insiste em mostrar o riso, o deboche e o insulto, ao terminarmos a terceira parte e voltarmos a incorporar nossos corpos reais, impera-se o silêncio, a falta de atitude, qualquer desculpa para manter as coisas como estão, porque alterá-las levaria uma vida ou gerações. E é este o ponto: mudar a sociedade leva gerações, não é algo imediato como rolar o feed do Instagram ou indolor como alterar o rosto usando filtros fofinhos.

O sarcasmo vende porque no fundo temos necessidade de justificar nossos fracassos. Ao rir de tudo isso obtemos uma sensação de prazer a partir da dor de nos reconhecermos imperfeitos. A grande mudança talvez surja da consciência de que fracasso/sucesso, perfeição/imperfeição são pares opostos que nos mantêm exatamente onde estamos. Quando nos propusermos uma saída que se desfaça dos extremos é bem possível que sejamos criadores de algo inédito.

Créditos

Texto: Valentina Gaztañaga
Revisão: Bruno Bolner

O texto apresenta as opiniões do autor do artigo e não do site Co-op Geeks.

Quase 5 anos depois do lançamento do piloto no YouTube, veio o anúncio da primeira série brasileira produzida pela Netflix: 3%.

A produção até recebeu incentivos financeiros de políticas públicas nacionais, ainda que o piloto tenha um enredo ligeiramente diferente, mas foi sobre os ombros da gigante do streaming de vídeo que conseguiu ter fôlego para chegar à terceira temporada.

O principal argumento de 3% é mostrar os diferentes vieses da construção do conceito de "mérito". O que é mérito? Ele é realmente possível ou não? Até que ponto é possível justificar a desigualdade social através dele? Essas e outras questões caminham pelas três temporadas, cada uma dando uma oportunidade de fala para uma camada diferente da sociedade.

A série recebeu críticas negativas sobre uma possível falha na direção de elenco pela primeira temporada, por outro lado a recepção do enredo e a avaliação da direção de César Charlone foram positivas. Faltava criar um laço emocional com os personagens e diluir uma certa rigidez no desenvolvimento do texto (“não é exatamente assim que a gente fala”, era a principal estranheza).

Na segunda temporada, isso foi corrigido com a chegada da nova personagem Glória (Cynthia Senek) e o aprofundamento dos dramas individuais de Fernando (Michel Gomes), Marco (Rafael Lozano), Joana (Vaneza Oliveira), Rafael (Rodolfo Valente) e Michele (Bianca Comparato).

A terceira temporada estreou em abril de 2019 e concluiu o primeiro arco da história. Há ainda mais uma temporada para o final da série. No final da maratona, é inevitável pensar: qual é o mérito de 3%? Let’s found out, partners!

ATENÇÃO! Este artigo possui conteúdo que pode ser considerado SPOILER das três temporadas de 3%. Leia por sua conta em risco.

“Você merece!”, a frase que incentiva a criação do merecimento


César Charlone, responsável pela fotografia de Cidade de Deus e diretor de 3%, ajudou a reformular a imagem do cinema contemporâneo brasileiro lá fora. O olhar do diretor criou um recorte do que é a desigualdade social no país, deu a ele uma textura, um conjunto de cores e uma tradução visual das possíveis posturas ideológicas adotadas pelos moradores. Em última instância, reuniu embaixo de um guarda-chuva estético um conceito de "o que é ser brasileiro".

Diferente de Cidade de Deus, a série não tem a pretensão de criar uma imagem nacional (ainda que seja uma tentação), mas sim passar ao público uma possibilidade de tradução da desigualdade social. A fotografia, o figurino e o enredo formam seu eixo de sustentação. Uma rede de diálogos é formada entre elementos visuais e verbais para reforçar ainda mais a mensagem, por isso, não há uma preocupação em situar a série em uma região específica do Brasil.

O Continente, local onde 97% das pessoas estão sobrevivendo em um futuro pós apocalíptico, é sujo e violento e, ao mesmo tempo, revelador em seus detalhes. O destaque vai para o trabalho artístico com sucata e a criatividade do visual dos personagens, lembrando a riqueza do artesanato brasileiro principalmente na segunda e terceira temporadas.

Tramas e torções aparecem nas roupas dos moradores do Continente e da Concha, enquanto que no Maralto as vestes são mais funcionais e minimalistas (todos são igualmente merecedores no Maralto). A noção de “merecimento” (torcida sob vários pontos de vista) é colocada para o público como a raiz da meritocracia e exemplificada pela dinâmica do processo.

Ao atingir 20 anos, o jovem tem a ideia de que “o mundo lhe deve alguma coisa” e parte para o exame de habilidades físicas e morais proposto pelo regime político. Lá, tem seu discurso (a ideia que tem dele próprio e da vida) intencionalmente distorcido e estraçalhado pelo sistema. Talvez a ideia de “parecer diferente” só funcione quando você vive em um ambiente em que se acredita que alguns são merecedores e outros não.

Para passar no processo, instrumento de dominação instituído de maneira autoritária pelo Maralto, é preciso merecer, mostrar que o indivíduo tem valor para a alta sociedade destacando-se dos demais através das provas.

As provas têm o objetivo de selecionar o melhor candidato com base em critérios que dizem garantir a igualdade de condições de realização. Esse ponto vai ser retomado na terceira temporada, com a criação de um novo processo (na Concha), aumentando ainda mais a fragilidade da ideia de que todos partem do mesmo lugar para provar seu próprio merecimento ante a sociedade.

A ousadia da série está principalmente em brincar com a contradição em termos, quando um produto do capital (uma série da Netflix) é utilizado para criticar ele próprio. O Capitalismo, aliás, é excelente em transformar grupos ideológicos em produtos. Quem lembra do episódio Fifteen Million Merits, o segundo da primeira temporada de Black Mirror?

O surgimento de uma nova classe


A segunda temporada de 3% serve de trampolim para o questionamento do mérito, colocando em risco a imagem da meritocracia construída pelo Maralto com o auxílio das narrativas sociais no Continente. A religião, segundo a série, existe para reforçar a crença na justiça (quase divina) do processo. É nesta temporada também que a Causa ganha um antagonista de peso: a Milícia.

A primeira temporada termina com o sentimento de revanche dos eliminados do processo. Esse sentimento é utilizado como combustível pela Causa e pela Milícia para angariar novos adeptos. Tudo na sociedade de 3% parece funcionar com base na premissa do mérito: até mesmo grupos radicais realizam um processo para selecionar os melhores indivíduos.

Michele, a jovem protagonista da série, começa a desenvolver seu caminho para a liderança política entendendo melhor quem ela é e reconstituindo os fatos de seu passado, eliminando as farsas pelas quais teve sua ideia de mundo formada.

A entrada de Glória, como uma coadjuvante de destaque, fortaleceu a empatia com o público incrementando o caldo de dilemas morais e renovando a crença no processo, já que os demais personagens de uma maneira ou de outra já estavam lidando com a desilusão.

A participação especial do cantor Liniker com a canção Preciso Me Encontrar na segunda temporada (que teve 10 episódios, 2 a mais que as outras) estabeleceu um marco na formação da identidade dos personagens. A partir dali, ganharam mais confiança em suas atitudes e crenças de que estavam com “a razão”.


O final da segunda temporada e a revelação sobre o casal fundador do Maralto, inclusive sua justificativa de criação, ajudaram na formação de uma alternativa aos dois ambientes: surge a Concha como representação da Classe Média.

A partir daí, a série tenta encontrar um novo tom para abordar a desigualdade social dentro do recorte estético proposto escorregando em algumas falsas promessas, mas que ainda assim são coerentes com o enredo. Afinal, se existe uma isca, essa está mais no discurso que coloca a Classe Média como alternativa do que necessariamente na escolha da série em retratá-la.

Michele vai de rebelde revolucionária à líder autoritária, numa alusão clássica da jornada de líderes contrários ao regime que assumem o poder, em que para manter a ordem da conquista é preciso misturar posturas ditatoriais com a sensação de democracia.

“Não bastava um inimigo, agora a gente tem dois” e o lugar de fala de Joana


Outro ponto a favor da série é o desenvolvimento da personagem Joana. A jovem salta do individualismo da primeira temporada para o ativismo social com direito a lugar de fala na terceira temporada. Se ao assumir o poder, Michele tem os seus valores questionados e reconhece que é apenas “o extremo oposto”, Joana assume seus conflitos internos como sendo iguais aos de todos que ainda estão no Continente e se mantém cética em relação à Concha.

A conquista de segurança e bem-estar devem ser vividas por todos, os pequenos prazeres da classe média não iludem a jovem, que adota uma visão mais pragmática da Causa e mantém as pessoas focadas em uma única finalidade: o fim da desigualdade.

Joana quer destituir os meios de produção do Maralto, não apenas acabar com o controle sobre eles. Eliminando a tecnologia do mapa, todos teriam condições iguais para reconstruir suas vidas. Embora seja uma visão bem objetiva do problema, só refaz o trajeto por outra via. Será que os antigos moradores do Maralto aceitariam de bom grado a perda dos privilégios? O irmão de Michele parece demonstrar o contrário e levará este fanatismo às últimas consequências.

A médica Elisa viveu esse conflito. Apegada ao conforto e ao modo de vida do Maralto, mas sem condições morais de romper definitivamente com ideais humanistas, a personagem sinaliza uma crise de identidade (“eu não sei o que estou fazendo aqui”) que parece representar muito bem o conflito ético do profissional de saúde que tem dificuldades de assumir com coerência uma postura política. Uma crítica urgente da série às organizações médicas que fecham os olhos para os problemas de saúde pública do país.

A primeira temporada mostrou o Continente, a segunda o Maralto e a terceira a Concha. Com o arco completo e cada classe tendo seu momento, o público tem a impressão de que está tirando suas próprias conclusões quando a sabotagem da tenente Marcela é descoberta. 

Joana, que sempre viu a Concha como uma oportunidade de atingir fatalmente o Maralto, agora encontra respaldo na opinião dos moradores da nova comunidade que querem uma alternativa livre de controle. As decisões já não são tomadas em assembleias diretas. Tendo Michele como palavra final, a Concha ganha um conselho deliberativo que decide como serão as coisas dali em diante. E é aí que o público percebe o engano, “okay, eu já vi esse filme…”.

Essa caricatura da dialética descrita por Karl Marx utilizada como pano de fundo de um “objeto de entretenimento” concentra toda acidez diluída nos discursos de Joana, Michele, Marco e Glória, personagens-chave para o desenvolvimento do núcleo político da Concha.



O mérito de 3%, além de conseguir um espaço em um serviço mega gigante como a Netflix, está em não esconder que a busca pela igualdade social também é uma narrativa ideológica. No frigir dos ovos, existe o humano e a consciência de si como fenômeno ético e civilizatório. E se você ainda não leu o conto A Igreja do Diabo de Machado de Assis, fica a dica de leitura de apoio para entender melhor as contradições mostradas pela (e da) própria série.

As três temporadas da série 3% estão disponíveis na Netflix e a quarta e última temporada estreia em 2020. Apesar da lentidão dos processos de renovação, a rede de streaming, que já tinha anunciado que a série foi o produto de língua não inglesa mais visto nos EUA em sua primeira temporada, manteve o show no ar até o desfecho final da história. Mais um mérito para a produção brasileira.

Créditos:

Texto: Valentina Gaztañaga
Revisão e imagens: Bruno Bolner


O texto apresenta as opiniões do autor do artigo e não do site Co-op Geeks.

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