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Mateus Henrique 15.10.14


The Evil Within é uma experiência única e desafiadora; Shinji Mikami realmente trouxe o puro Survival Horror de volta.

Depois de vinte horas de gameplay, e muitas telas vermelhas, eu consegui terminar The Evil Within – novo, e desafiador jogo de Shinji Mikami. Eu, como um fã do gênero, pensei que estava totalmente preparado para enfrentar o jogo, porém, eu estava errado. Pra falar a verdade, eu nunca vi um jogo que moldasse os melhores elementos do gênero de Survival Horror desde Alone In The Dark. The Evil Within é uma experiência única que os fãs do gênero vão amar, principalmente os órfãos da série Resident Evil.

Survival Horror Old School


Em The Evil Within, assumimos o papel do detetive Sebastian Castellanos que chega à cena de um crime com seus parceiros Joseph Oda e Julie Kidman, e é nocauteado por um ser misterioso. Ele acorda e percebe que está cercado por criaturas horríveis que tentam mata-lo. Lutando para sobreviver, ele consegue escapar e entra em uma ambulância onde conhece novas pessoas. Toda a cidade está em destruição, e Sebastian descobre que seu pesadelo não acabou e tem de lidar com mais criaturas sangrentas para tentar permanecer vivo, localizar seus parceiros e descobrir o porquê disso tudo estar acontecendo. 

The Evil Within é dividido em 15 capítulos, e você pode levar entre 15 e 20 horas para finalizar o título. Inicialmente, o jogo é divido nas seguintes dificuldades: Casual e Survival, que equivalem a easy e normal. Depois de zerar uma vez, além ganharmos novas armas e miniaturas dos personagens, abrimos mais duas dificuldades que são Hard e Nightmare. Mas, não se engane em todas as dificuldades o jogo é desafiador e vai fazer você morrer muitas vezes – eu, por exemplo, morri apenas 142 vezes. Ao longo do jogo isso, ás vezes, se torna maçante para o jogador, mas esse sempre foi o objetivo do jogo: puro Survival Horror.


Ao entrar no capitulo 2 enfrentamos o primeiro inimigo. A apresentação dele é idêntica a do primeiro zumbi de Resident Evil 1, com o monstro agachado devorando sua vitima e virando o rosto lentamente. Aí, então, conseguimos nossa primeira arma, a pistola  posteriormente adquirimos uma Shotgun, um Rifle, uma Magnum e uma Besta, e ao terminar o game, é liberado uma RPG e uma espécie de AK47. A munição é limitadíssima, você tem que administrar muito bem seus recursos e fazer de tudo para cada bala valer a pena, caso contrário você ira perder rapidamente. É assim que o jogo funciona você tem que montar uma estratégia e seguir em frente. Em alguns casos, você vai morrer de forma estafante até conseguir fazer da maneira certa e progredir adiante.



Armadilhas também são constantes durante o jogo.  Por várias vezes você vai ser pego por elas e, dependendo do caso, vai acabar morto. Você pode desativa-las ou usar ela contra inimigos, chamando atenção deles para a armadilha. Se você optar em desativar, você ganhará pontos que podem ser usados para montar flechas para a Besta, que pode ser bem úteis em sua jogatina. Algumas armadilhas explodem muito rápido e não te dão tempo de correr, por isso é sempre necessário ter cautela quando chegar perto delas.


Os inimigos são espertos e resistentes, atirar na cabeça nem sempre é à solução. Geralmente eles precisam de mais de quatro tiros para morrer e, dependendo do inimigo, ele precisa ser queimado para não levantar do chão ainda mais furioso. A melhor maneira de progredir é atacando de forma furtiva (garrafas podem te auxiliar para distrair os inimigos), mas caso o inimigo te veja, não tem mais volta, vai chamar atenção de outros e logo irão chegar até você. Ou você enfrenta ou corre, não tem outra. Esse é um ponto forte do jogo, toda a tensão e opressão que os inimigos causam no jogador é absurda. No geral, com um ou dois golpes os inimigos já são capazes de te eliminar – quando digo que é preciso montar uma estratégia e fazer cada tiro valer a pena, não é exagero; você realmente tem que pensar, raciocinar e elaborar tudo, e o tempo é curto, os inimigos são rápidos e não vão te dar brecha de ficar pensando muito. Golpes físicos também são possíveis, mas você acaba se ferrando mais do que os inimigos, então é melhor usar somente em último caso, com cautela, ou usar para tentar abrir espaços entre os inimigos.


Os “Sub-bosses” do jogo são os que mais vão te fazer sentir tensão e desespero. Boxhead é um bom exemplo disso. Em uma parte especifica, somos obrigados a enfrentar ele e ainda se preocupar com um gás tóxico que vai envenenando Sebastian com o passar do tempo. O lugar é relativamente pequeno, o inimigo é rápido e ainda espalha armadilhas no chão para prender Sebastian (uma vez pego na armadilha, geralmente, é fatal), e ainda temos que fechar válvulas para acabar com gás e progredir. E para melhorar, após eliminar ele, ele retorna novamente para atormentar o jogador. Em outra parte, enfrentamos dois deles – isso tudo em um lugar pequeno, e claro, com pouca munição. Se você se amedrontava com o Dr. Salvador, de Resident Evil 4, espere para ver os inimigos que te perseguem, constantemente, com uma serra elétrica. Acho que isso dispensa comentários. Isso são só alguns exemplos de como o jogo te provoca tensão e desespero. O foco não é fazer você tomar susto – apesar de acontecer em algumas partes , e sim, ficar tenso e oprimido. Ficar sem munição, ficar encurralado, ser perseguido, tudo isso agrega para tensão. 


Os cenários são bem feitos e bem detalhados, retratam bem a atmosfera de terror. Apesar de o jogo ser um pouco linear, você tem bastantes locais para explorar – o problema é quando tem algum inimigo te esperando nele. Particularmente, eu achei o cenário da cidade fenomenal e bem dinâmico. Todos os cenários agregam para o clima de terror, e rendem uma boa exploração.


No jogo também contamos com “upgrades”, que podem ser feitos periodicamente após juntar pontos. Podemos aprimorar o físico de Sebastian, deixando ele com mais vida, mais stamina e também podemos aprimorar as armas, o espaço de itens que pode se carregar e coisas do tipo. Tudo isso é bem útil, mas só conseguimos aprimorar de forma eficaz, que faça alguma diferença no gameplay, no final do jogo – deixando aberta a possibilidade do jogador fechar novamente o jogo totalmente aprimorado e equipado.

Enredo intrigante, porém, embaraçoso.


The Evil Within carrega um enredo intrigante e instigante, estimula o jogador seguir em frente e descobrir o motivo de tudo, contudo, o fato dos personagens não interagirem muito e passarem uma sensação de superficialidade, deixa tudo muito embaraçoso e algumas lacunas. Por várias vezes, Sebastian se separa de seus parceiros e isso deixa grandes lacunas e incógnitas. Julie, por exemplo, assim como Sebastian, carrega uma grande importância para o enredo, momentos importantes acontecem somente na perspectiva dela, quando ela está separada de Sebastian. Isso deixa um ar de superficialidade, de estar incompleto, de faltar algo no nosso entendimento sobre o enredo, e não é atoa, já que foi confirmado que terá um DLC mostrando o cenário de Julie e tudo o que aconteceu com ela. Enquanto esse DLC não chega, o jogador vai continuar sentido que falta algo há mais, algo que precisa ser explorado e complementado.


Tirando esse fato dos personagens, o jogo em si monta um bom rumo para o seu enredo, cada detalhe é importante e tudo vai se encaixando ao longo do jogo. Você não sabe o que é real e o que não é real, você ficara indo e vindo em cenários, estilo um paradoxo  o jogo envolve bastante o psicológico e, apesar de alguns problemas como eu mencionei, consegue elaborar um enredo de qualidade, que se monta de pouco em pouco. E julgando pelo final que foi muito bom, diga-se de passagem, creio que pontas soltas poderão ser exploradas futuramente, em um novo jogo.

Em suma, The Evil Within é um jogo desafiador que testa os limites do jogador e agrada todos os amantes do gênero. Apesar de apresentar uma dificuldade elevada, a sensação de gratificação compensa todo o esforço. Shinji Mikami e sua equipe conseguiram mesclar o terror, a ação, o suspense, a tensão e o medo de forma triunfal. The Evil Within é o melhor Survival Horror dos últimos tempos, sem dúvida.


Enredo: 10
Jogabilidade: 6
Gráficos: 7
Criatividade: 7
Inimigos: 8
Personagens: 6
Diversão: 8
Soudtracks: 9

NOTA FINAL: 7,5

Ficha Técnica

Título: The Evil Within (Psycho Break)
Ano de Lançamento: 2014

Créditos

Escrito por: Mateus Henrique
Revisão e Imagens: Steven L. Andrade

O texto não reflete a opinião do Co-op Geeks, e sim do autor do artigo.

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