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Bruno Bolner 8.9.15


Desde o início da era dos videogames, muito se discute sobre os jogos e sua influência na vida das pessoas. Problemas de saúde e comportamental são sempre os mais citados e há sempre suas verdades e seus mitos. 

Sabemos, no entanto, que há muitas coisas boas e, também, coisas não tão boas. Até hoje, ainda não há uma sentença definitiva sobre o teor prejudicial que os jogos podem causar e alguns destes estudos nos dão a impressão de que foram baseadas em "achismos", principalmente por mostrar um lado negativo das coisas que gostamos e que não aceitamos. Porém, alguns deles também não podem ser levados a sério, devido ao seu conteúdo duvidoso e raso, então, vamos conversar sobre isso de acordo com o nosso achismo.

Partindo do princípio de que as pessoas são seres influenciáveis, mutáveis e evolutivos, temos que concordar que qualquer experiência têm influência na formação do seu caráter. Logo, qualquer meio de entretenimento pode resultar em algum efeito na forma de pensar e agir de uma pessoa. Dentre estes meios existem a televisão, o cinema, a música, a literatura, os jogos, e muita coisa; muita coisa mesmo.


Quando eu era pequeno, costumava ouvir que os videogames estragavam as TVs. Nunca fiquei sabendo de uma televisão que tivesse estragado por esse motivo, mas insistiam em dizer isso. Mais tarde, descobri que meus pais não queriam que eu ficasse jogando videogame até tarde da noite, e, também, porque eles queriam ter seus momentos de lazer com seus programas favoritos. É um exemplo de que nem sempre as coisas são o que parecem, ou o que dizem.

Com o passar dos tempos, junto com o crescimento do mercado de jogos eletrônicos, esse assunto começou a se tornar maior e mais preocupante, pois volta e meia surge alguma polêmica nova envolvendo algum jogo, principalmente, devido às melhorias gráficas que foram transformando quadrados e círculos em elementos com mais formas, lembrando fortemente coisas da vida real.

Em jogos como GTA, Duke Nukem, Carmageddon, Postal, RapeLay, Bully, e tantos outros, existem muitos elementos pesados. Esse tipo de jogo geralmente é utilizado como artefato contra os próprios jogos, devido à carga de violência embutida, seja física, verbal ou psicológica, em seus mais variados ramos. 

Não é de se surpreender que estes jogos sejam tachados como impróprios. Um exemplo mais recente é o jogo Hatred, que disponibiliza violência gratuita a todo momento. A mídia caiu em cima dele por possuir uma história que leva o jogador a matar os outros personagens, simplesmente porque sim (não joguei Hatred, este comentário é mais um achismo). Como saber se ele é realmente o causador de algum problema comportamental? Ou como dizer que não é? Não existe uma classificação indicativa para ele?


Um dos grandes momentos dessa discussão toda aconteceu lá por volta de 1992, quando Mortal Kombat foi lançado nos arcades, pois ele chegou trazendo personagens muito reais, utilizando skins humanas, com muita violência e sangue. O jogo foi forte inspiração para que nascesse uma organização classificadora dos jogos na América do Norte: a conhecida ESBR. De lá para cá, esse tipo de organização surgiu em vários países do mundo todo, e são responsáveis por classificar os jogos de acordo com seu conteúdo. Mas será que essas classificações são respeitadas?

É muito comum ver crianças tendo acesso a jogos com classificação +18 quando deveriam experimentar jogos mais "adequados" à sua idade. Quando se está crescendo, tudo à nossa volta se torna influenciável. Assim como as coisas podem fazer bem, também podem não fazer. Aí entra a questão dos adultos controlar o que as crianças podem ter acesso. 

Não dá para negar que muitos dos jogos proibidos são bacanas e que causam curiosidade, mas vai do bom senso de cada um permitir isso. É muito fácil colocar a culpa em um jogo quando, na verdade, há muitas outras coisas que devem ser levadas em consideração e, se a classificação é acima da idade de quem vai jogar e alguém permite que seja jogado, então a culpa não é do jogo.

Pais: a responsabilidade é de vocês!



Não se pode falar de proibir os jogos para as pessoas e ter a ideia de liberar estes jogos apenas para as idades "adequadas", quando você próprio teve acesso a todo tipo de conteúdo e, nem por isso, acabou tendo alguma atitude estúpida que culminou em colocar a vida de outras pessoas em risco ou se tornou um mal elemento para a sociedade. Não dá para tratar isso com hipocrisia, como no caso de certos relatórios.

Há pessoas que tem acesso a conteúdos acima de sua idade e não sofrem danos psicológicos, enquanto outras são mais suscetíveis a determinados tipos de conteúdo. Depende muito de como as pessoas são, como elas pensam, e aí entra o papel fundamental dos adultos conhecerem as crianças e, aí sim, permitir que determinado tipo de conteúdo elas possam te acesso. Se as organizações classificam os jogos de acordo com seu conteúdo, porque as pessoas não fazem sua parte nesse processo também?

Assim como os demais meios de entretenimento, os jogos podem ter sua parcela de influência, porém, quando o assunto é relacionado de forma negativa, parece que as proporções são muito maiores. 

Quando esse tema é tratado, pelo menos aparentemente, parece que a culpa é dos jogos, única e exclusivamente, quando na realidade, há muita coisa envolvida na formação da índole e do caráter de alguém. Parece que as demais experiências que essas pessoas tiveram não valem de nada, ou, até mesmo, a televisão, que é um dos meios mais utilizados pelas pessoas, ou a própria educação que receberam. Não há como jogar a culpa de um incidente em cima de um único fator, não se pode generalizar. É preciso analisar muitas variáveis para se chegar à uma conclusão, e isso é o mais difícil de se conseguir. Talvez, por isso, essas discussões não são resolvidas e encerradas.

No fim das contas, parece que a culpa é relacionada a lado mais simples, mais fácil de se livrar do problema. Não discrimino as pesquisas relacionadas aos jogos, ou a qualquer outra coisa, acho totalmente válido e acredito que elas possam ser melhor realizadas para que sejam expostos dados realmente convincentes e que possam esclarecer as dúvidas levantadas por todo esse tempo.

Enquanto isso não acontece e especialistas fazem pesquisas tratando do tema, que tal usar este espaço para expor seu "achismo" aí nos comentários?


Créditos

Texto: Bruno Bolner
Revisão e Imagens: Juninho Lima

O artigo representa as opiniões do autor do texto, e não a opinião do Co-op Geeks.

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