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» » » » » O Legado de Wes Craven


Vitor Oliveira 4.9.15


O último domingo (30) foi um dia triste para os fãs do cinema. Com pesar recebemos a notícia do falecimento do diretor Wes Craven aos 76 anos devido a um tumor cerebral. Craven é considerado o responsável pela introdução do subgênero de terror "slasher" na cultura pop, e é um dos gênios do horror no cinema.

Reunimos algumas mensagens de amigos e admiradores do diretor, e um resumo sobre seu legado. Sentimos muito por essa perda. Todos éramos fãs de seu trabalho, e não poderíamos esquecer de homenageá-lo.

Visionário

Wesley Earl Craven nasceu em 2 de Agosto de 1939, em Cleveland - Ohio. "A Hora do Pesadelo" e "Pânico" são suas duas maiores franquias de sucesso. Ele foi o responsável pela popularização do subgênero "slasher" - onde serial killers são o foco, e a identidade do mesmo se torna questionada até o final do filme, onde todas as vítimas acabam sendo suspeitas. "Halloween, A Noite do Terror", de John Carpenter, foi o precursor do subgênero.

É Impossível não pensar no gênero e não se lembrar de Craven; sua perda foi sentida através das gerações, desde os diretores mais experientes como John Carpenter (Halloween; O enigma do outro mundo; Os Aventureiros do Bairro Proibido): 


"Devastado com a notícia. Wes foi um grande amigo, um excelente diretor e um bom homem. Grande perda. Cedo demais."


Até os mais jovens como James Wan (Jogos Mortais; Invocação do Mal; Sobrenatural):

"Não consigo acreditar nas notícias. Minha profunda tristeza e minhas condolências com a morte de Wes Craven. Verdadeiramente uma das minhas maiores inspirações. #rip"

James Wan 


Nas mensagens de todos que trabalharam com Craven ele é sempre lembrado não somente como um gênio naquilo que fazia, mas também como um homem  bondoso, gentil e amigável. Outros que nem se quer o conheceram lamentaram sua perda e agradeceram ao mestre por sua inspiração em seus trabalhos. 

Don Mancini, criador do infame e icônico brinquedo assassino lembrou como “A hora do pesadelo” foi o primeiro filme de terror brilhante da sua geração e afirmou que sem Freddy Krueger, Chucky não existiria. Bruce Campbell astro da franquia “Evil Dead” lembrou a homenagem prestada à Craven em uma cena do segundo filme da franquia onde a famosa luva do maníaco carbonizado aparece pendurada:


Imortal para a Cultura Pop


Esse legado que assustou e inspirou começou em 1972 com o cult  “Aniversário Macabro” onde Craven imprime a identidade dos filmes de terror da década em uma película doentia e violenta que apesar dos baixos recursos técnicos se mantém igualmente perturbadora até hoje. A trama recorre a temas como vingança e a predisposição do homem para a violência e o ódio de forma semelhante à “A vingança de Jennifer” de Meir Zarchi em 1978 que possivelmente se inspirou no filme de Craven

Em 1977, veio “Quadrilha de sádicos” que narra a história de uma família que durante uma viajem de carro fica presa em isolada área de testes da Força Aérea norte-americana, habitada por um grupo de mutantes canibais. Em 2006 o filme ganhou um remake chamado aqui de “Viagem Maldita” o qual Craven somente produziu. 

Mas foi apenas nos anos 80, mais precisamente em 1984, com seu sétimo trabalho que ele ganhou reconhecimento ao criar um dos maníacos mais icônicos dos filmes de terror. “A hora do pesadelo” trouxe uma trama inteligente que tirou o sono do público com Freddy Krueger - um assassino de crianças que volta da morte para se vingar daqueles que o mataram perseguindo suas vítimas dentro de seus sonhos.  

Em 1984 Craven foi reconhecido pelo seu trabalho em "A Hora do Pesadelo".
A admiração pela criatividade de Craven aumenta quando vêm à tona detalhes de sua dedicação ao processo de criação do longa como a ideia dele por trás da luva de Freddy Krueger: ele queria que o assassino tivesse uma arma única, mas também algo que pudesse  ser feito de forma barata e não fosse difícil de usar ou carregar. Na época, ele estava estudando os medos primais enterrados no subconsciente das pessoas de todas as culturas e descobriu que um desses medos é o ataque de garras de animais. Na mesma época, ele viu seu gato desembainhar suas garras e os dois conceitos se fundiram. Craven escreveu a trama e em apenas 30 dias dirigiu o filme que salvou a produtora americana New Line Cinema da falência. O filme foi um fenômeno de bilheteria conquistando público e crítica, rendendo seis sequências, um game para NES em 1990 (bem antes de Freddy atacar novamente em Mortal Kombat 9), séries de TV, HQ’s, um crossover entre Krueger e outro famoso assassino com “Freddy vs. Jason” em 2003 e em 2010 um remake que não superou o original.


Após o sucesso “A hora do Pesadelo”, Craven seguiu o resto dos anos 80 dirigindo alguns episódios da série antológica “Além da imaginação”; alguns filmes para TV, e títulos não tão aclamados como “A maldição de Samantha”, de 1986, e “A maldição dos mortos vivos” de 1988. 

Chegando aos anos 90 ele nos trouxe o até razoável, mas não tão memorável “As criaturas atrás das Paredes”, em 1991, apesar não estar tendo o mesmo sucesso de “A hora do Pesadelo”, Craven foi capaz de se reinventar a cada filme que mesmo não tendo o retorno esperado, ainda achava um público fiel em suas excentricidades. O diretor tinha dirigido apenas o primeiro filme da saga de Freddy. Apenas em 1994 Craven retornou para dirigir “O Novo Pesadelo: O Retorno de Freddy Krueger” que ainda não conseguindo superar o primeiro filme. 

Filmes do subgênero slasher nos anos 90 não assustavam mais, Craven precisava reinventar o estilo.
A primeira metade dos anos 90 foi um tempo difícil para os filmes de terror; não era uma boa safra, após ver Michael Myers, Jason Voorhees, Freddy Kruegger e tantos outros dizimando jovens promíscuos nas telonas ao longo de infindáveis sequências, era difícil surpreender o público e o gênero ansiava por uma injeção vital de criatividade. 

Então em 1996, Craven mais uma vez dá a volta por cima e surpreende à todos com o afiado e imprevisível “Pânico”, com o roteiro de Kevin Williamson e a direção de Wes Craven, o thriller usou e abusou da metalinguagem alternando habilidosamente entre suspense e humor negro. “Pânico” se tornou um clássico instantâneo, chamando a atenção para regras presentes em todos os filmes de terror:

- Você não sobreviverá se fizer sexo; 

- Você não sobreviverá se beber ou usar drogas;

- Você não sobreviverá se disser: - Eu volto logo;

 - Todos são suspeitos.

"Pânico" continua arrepiando e inspirando até hoje!
Aliás, o que são os filmes de terror slashers se não as nossas fábulas contemporâneas com suas morais implícitas para uma juventude transviada? Brincando com isso “Pânico” ressuscitou o gênero terror e reinventou o subgênero slasher, aquilo que já não surpreendia o público agora era extremamente divertido e excitante. O filme ganhou três sequências, todas com Craven no comando e que se saíram bem melhor que as sequências de “A hora do Pesadelo”. 

Vale lembrar que Craven fez uma aparição em uma cena do primeiro filme como um zelador chamado “Freddy”:


O sucesso da franquia “Pânico” rendeu uma série produzida pela MTV atualmente em exibição, a qual Craven foi vinculado como produtor executivo. Além disso, Craven estava envolvido na produção de mais três séries, uma delas baseada no seu filme aqui citado “As criaturas atrás das paredes” e o estúdio responsável pelas três já afirmou que apesar da lamentável perda do mestre esses projetos seguiram em frente em sua honra. 

"Pânico" foi tão revolucionário, que continua inspirando até hoje. Em 22 de Setembro estreará "Scream Queens", que trará Jamie Lee Curtis e Emma Roberts (de "Halloween" e "Pânico 4", respectivamente) como protagonistas, onde serão aterrorizadas por um assassino mascarado intitulado "Red Devil". 

O subgênero também serviu de inspiração para o mundo dos games com o recém lançado "Until Dawn", que coloca um grupo de jovens nas mãos de um assassino mascarado em uma montanha coberta de neve. Você pode assistir "Until Dawn" no nosso canal do YouTube - CLIQUE AQUI.

Se engana quem pensa que só de terror viveu o diretor, em 1999 ele dirigiu “Música do coração” - um musical com Meryl Streep que rendeu à estrela uma de suas famosas indicações ao Oscar de melhor atriz. Em 2006 ele dirigiu um seguimento da comédia romântica “Paris, te amo”. O último trabalho de Craven como diretor nas telonas foi em 2011 com o excelente “Pânico 4” que fechou com chave de ouro a franquia e mostrou por que ao longo de altos e baixos em sua carreira ele foi um diretor único e inesquecível no gênero.


Irreverência, ousadia e criatividade marcam a carreira desse gênio do horror, e fica aqui nossa eterna admiração, gratidão e homenagem. Descanse em paz, Wes Craven.
                                                           - Equipe Co-op Geeks.

Créditos

Texto: Gabriel Menezes e Maurício Vitor Oliveira
Revisão: Juninho Lima

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