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Juninho Lima 23.9.15


Uma série de comédia e terror, que pega os melhores elementos de filmes trash do gênero slasher, e universidades com patricinhas mimadas. Além de inovadora, essa mistura parece ser interessante, não é mesmo? E realmente, seria incrível ver todos esses elementos funcionando em conjunto, mas em Scream Queens isso não chega nem perto de acontecer.

Criada pelos mesmos criadores de American Horror Story e Glee, Scream Queens estreou ontem (22) na FOX, e já teve dois episódios exibidos. Com certeza, assim como eu, você deve ter ficado curioso, já que durante o ano inteiro a série foi divulgada com força total. Confira o trailer do seriado:


ATENÇÃO: Esse texto terá spoilers, se você ainda não assistiu e quer dar uma olhada antes de saber as opiniões de outra pessoa, confira Scream Queens, e depois volte aqui para ler e comentar suas conclusões. Ou leia e seja esperto, abaixando todas as expectativas para não se decepcionar como eu.

Elenco desperdiçado


O casting da série possui um elenco de peso, que atrai a atenção de qualquer fã de séries, e de filmes de terror. Temos Jamie Lee Curtis e Emma Roberts, as já conhecidas e queridinhas dos fãs dos filmes de terror slasher. E outros atores aclamados, como Keke Palmer, Abigail Breslin e Oliver Hudson. Um elenco desse, não é para qualquer produção, pena que Scream Queens não utiliza aquilo que tem.

Entre os atores, temos outros nomes de sucesso, como os cantores Nick Jonas, Lea Michele e Ariana Grande, que são responsáveis por parte do hype criado em cima da série.

Você fica curioso pra ver o quê cada um desses atores irá representar em Scream Queens, e com certeza, saber quem são seus personagens e a importância deles na trama, mas isso é rapidamente deixado de lado, pois boa parte dos personagens estão ali apenas para fazer volume.

É muito triste ver Jamie Lee Curtis dando gás total à sua personagem, a reitora da univerisade, Cathy Munsch, que no decorrer do episódio vai de uma justiceira inteligente e forte, a uma mulher com crise de meia idade que faz questão de dar em cima de qualquer personagem masculino que aparece na sua frente.

Não dá para falar muito sobre os outros atores, porque seus personagens nem foram mostrados ainda. Já dá até para gostar da Zayday Williams (Keke Palmer) e Grace Gardner (Skyler Samuels), porque foram as únicas com mais visibilidade. O resto ainda é uma incógnita, o que é perigoso, já que uma série deve prender seu público logo nos primeiros episódios.

Trama simples até demais

A princípio, somos apresentados a acontecimentos do passado, já que a série acontece no ano de 2015. Há 20 anos, uma tragédia aconteceu na irmandade Kappa Kappa Tau (KKT) - durante uma festa, uma adolescente deu a luz em uma banheira sem saber que estava grávida e pouco depois, morreu. 

Rapidamente somos apresentados aos tempos atuais, onde a irmandade KKT é administrada por Chanel Oberlin (Emma Roberts), uma patricinha sem escrúpulos que não desperdiça arrogância pra cima de ninguém. Os primeiros minutos enganam agradam bastante, pois o humor apresentado, é familiar para quem gosta de "Meninas Malvadas" que é uma das inspirações para a série. Chanel tem suas fiéis seguidoras, como Regina George - as Chanels, que segundo a própria, são cópias de si mesma, e não importa seus nomes ou quem são, elas estão ali para servi-la, não importa se vai ser humilhante, ou ruim. Tudo envolve status e popularidade, e é isso o que elas querem.


Chega a ser engraçado, pois os minions (apelido carinhoso, para as "cópias") da Channel, são chamadas de Chanel #2 (Ariana Grande), Chanel #3 (Billie Lourd) e Chanel #5 (Abigail Breslin) - havia uma Chanel #4, mas ela morreu de meningite, após abandonar a irmandade, desobedecendo Chanel.

Essa fórmula de garotas que são pau mandado da maior vadia do colégio, é algo que é fácil de funcionar e cativar o público, mas por incrível que pareça, Scream Queens falha até nisso que poderia ser o maior atrativo da série. As Chanels não tem história, carisma, e são extremamente sem-graça. Quando uma delas morre, a única sensação que o telespectador pode sentir, é frustração de ver uma personagem que queria conhecer melhor, morrer da forma mais estúpida possível.

Red Devil: tem potencial, e é só isso


Assim como Pânico, e outros filmes de terror com adolescentes e um serial killer que mata um a um, Scream Queens tem o Red Devil - um assassino fantasiado de diabo vermelho, que é o mascote da universidade. O visual agrada e combina com a atmosfera, mas até o momento, ele não apresentou carisma nenhum. Ele não fala, não gesticula muito, e não tem graça. Ele está ali apenas para matar de maneira misteriosa, e é só isso. Triste, mas até agora, é a realidade.

Seus assassinatos começam sem explicação, ou motivo aparente. Não sabemos se ele está atrás de vingança, ou punição. Ele é inserido na trama de maneira misteriosa. O que é ruim. Se não fosse uma conversa de cinco segundos, jamais saberíamos de onde saiu a fantasia. E não sabemos como ele pode estar conectado com a tragédia do passado na KKT, ou como ele seleciona suas vítimas. Boring, apenas.

Outra coisa que você talvez concorde comigo, é que não tem como ter curiosidade de saber quem está por trás da fantasia. Nenhum personagem é interessante o suficiente a ponto de você querer que ele seja o assassino. E os que são apontados como suspeitos, não te prendem, fazendo os mistérios de Scream Queens ficarem presos a clichês que são muito previsíveis.

Emma Roberts é ótima, Chanel deixa a desejar


Chanel não mostra sua superioridade, a série e a personagem impõem isso. Diferente de Regina George, e as personagens de Jessica Lange em American Horror Story, Chanel fica reduzida a uma patricinha insegura que consegue tudo o que quer na pirraça e na briga. São raros os momentos que a personagem se mostra inteligente, e realmente superior aos demais. Talvez, o pior defeito de Scream Queens seja querer empurrar a protagonista como a manda-chuva daquilo tudo, sem mostrar o porque de todos a obedecerem e fazer o que ela quer.

Mas eu tenho que elogiar a performance de Emma Roberts como protagonista. Mais uma vez, ela dá um show de atuação e prova de uma vez por todas que é uma das melhores atrizes quando o assunto é meninas ricas e mimadas. Se você gostou da Madson Montgomery de American Horror Story: Coven, Chanel te cativará, só não espere por muito, porque eu esperei e me decepcionei.

Se você está lendo esse artigo, assistiu Scream Queens, gostou e está defendendo a série até a morte, quero que pense em uma coisinha comigo, para ver se concorda, ou não: tá, eu sei que é chato ficar comparando Scream Queens com Meninas Malvadas, mas você consegue imaginar as garotas do colégio idolatrando e amando a Chanel como acontece com Regina George? Não tem como! Chanel é estúpida, nojenta e insegura. Ela fica aquém do que é necessário para ser uma vadia amada e odiada ao mesmo tempo. Ela não exala a predominância que deveria. Não há positividade em ser seguidor dela, e fazer tudo o que ela ordena.

Chanels: injustiçadas e burras
Apesar dos apesares, a personagem funciona e no fim das contas, é legal. Poderia ser melhor, e todo mundo queria que fosse. Mas para se igualar a Regina George, só há uma coisa a dizer:


Se toda a atenção não ficasse somente em Chanel, talvez tudo fosse melhor e mais atrativo. Se as Chanels fossem usadas para complementar a personagem de Emma, justificando alguns momentos em que a personagem se mostra fraca, com certeza o resultado final seria satisfatório. O que falta em Screen Queens é a utilização dos personagens na trama. São poucos que influenciam diretamente no plot.

Screen Queens perde a graça quando tenta ser engraçada

A comédia da série funciona bem quando piadas são inseridas de forma inteligente em algum diálogo, ou quando vem de forma natural nas atitudes dos personagens. No entanto, existem momentos em que essas piadas beiram o ridículo, e brincam com a inteligência do telespectador.

Scream Queens não tem identidade formada, e isso incomoda. Em determinado ponto, apresenta terror com alívio cômico inteligente, e em outro, se estabelece como um besteirol com mortes violentas, e você fica perdido nisso tudo.

A série precisa mostrar a que veio, e os gêneros em que ela se encaixa. Não dá para levar a sério uma trama que quer apresentar casos sérios de assassinato, e ao mesmo tempo, satirizar aquela situação. Um exemplo claro, é a sequência de abertura da série. Além de muito mal gosto, o vídeo não tem identidade. É terror, mas é comédia que beira o besteirol, mas é séria também. Enfim, não dá pra entender ao certo. Assista:


Uma coisa é ter humor para amenizar momentos chocantes, e outra é apresentar personagens burros, diante de situações idiotas, que não conseguem ter a mínima graça em conjunto (como a cena da morte de uma das Chanels).

Os roteiristas deveriam investir no humor dos diálogos e da natureza dos personagens, e não em situações infantis que tiram a maturidade da série.

Porque eu me decepcionei

Pôsteres em diversas ruas, muitos teasers e trailers, entre outros materiais de divulgação, não são para qualquer série. Desde o início eu estava ciente de que Scream Queens seria uma série de terror leve com comédia, no entanto, eu esperava que isso funcionasse bem. A série tem tudo: boas ideias, excelentes atores e uma trama fácil de sustentar, e por mais que eu não seja roteirista ou diretor, ao ver os personagens e o enredo, concluo que não é difícil fazer aquilo tudo trabalhar em harmonia para ter uma produção de qualidade.

O maior erro de Scream Queens é ser de um gênero, mas nunca chegar lá. Se é pra ter comédia, que seja inteligente e engraçada. Se é pra ter seriedade, que os personagens não sejam ridicularizados por situações extremamente imaturas; e se é pra ser de terror, que o clima não seja completamente destruído por momentos sem sentido.

Temos muitas referências excelentes que inspiraram Scream Queens, como Pânico, The Heathers e Meninas Malvadas, e quando temos materiais tão aclamados pelo público, fica difícil não comparar, e ver que esses episódios mostram que a série está deixando a desejar.

Meninas Malvadas e The Heathers são claramente as maiores inspirações para Scream Queens
Como fã do trabalho de Ryan Murphy e Brad Falchuk - criadores da série, eu espero que Scream Queens mostre a que veio, me cative e valha a pena ser assistida, e que não corra o risco de ser cancelada, pois a audiência já se mostrou realista e foi abaixo do esperado.

Se você leu até aqui, saiba que eu vou assistir os próximos episódios, torcendo para morder a língua, mas se você deve ou não assistir, cabe a você decidir. Só quis expor minha opinião e decepção com o seriado até o momento. Se você assistiu, ou vai assistir, comente abaixo suas impressões da série.

Ficha Técnica

Título original: Scream Queens
Ano: 2015
Criadores: Ryan Murphy e Brad Falchuk
Emissora de TV: FOX
Elenco: Emma Roberts, Jamie Lee Curtis, Keke Palmer, Abigail Breslin, Ariana Grande, Nick Jonas, Billie Lourd, Diego Bonetta, Skyler Samuels, Lea Michele, Glen Powell, Oliver Hudson e Niecy Nash.

Créditos

Texto e Imagens: Juninho Lima
Revisão: Steven L. Andrade

Essa análise representa as opiniões d autor e não do site Co-op Geeks

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