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Juninho Lima 18.11.15


Todos os materiais de entretenimento da cultura pop, sejam filmes, livros, jogos ou séries, são criados com base na inspiração e criatividade e não é de hoje que vemos elementos de determinado conteúdo, em outro completamente diferente. 

American Horror Story: Hotel, é a quinta temporada da série da FX criada por Ryan Murphy e Brad Falchuck, está indo para o seu sétimo episódio e tem dado muito o que falar, sejam por suas cenas psicossexuais ou violência - todos sabemos que a polêmica nunca esteve de fora da franquia. 

A nova temporada tem um ar mais sombrio e sanguinário, assim como seus novos personagens; no entanto, no meio de diversos arcos e tramas que Hotel vem apresentando, existem alguns personagens que chamam a atenção e suas histórias podem se relacionar à franquia de jogos Silent Hill, e nesse artigo farei alguns paralelos que podem indicar que o game influenciou de certa forma na construção de certos elementos da quinta temporada.

ATENÇÃO: Esse artigo contém spoilers de American Horror Story: Hotel e da série Silent Hill. Prossiga por sua conta e risco.

Infernos internos

Em Silent Hill temos histórias muito pessoais, que envolvem o medo primitivo do ser humano - seja  por causa de crimes não descobertos, fantasias sexuais reprimidas, ou a culpa da perda de um ente querido; a cidade sombria existe e serve como o purgatório dos protagonistas que precisam pagar os seus pecados, ou prestar contas aos demônios interiores. Essa curta sinopse já é o suficiente para qualquer telespectador da quinta temporada de American Horror Story, criar paralelos entre a cidade e o Hotel Cortez, que esconde muitos segredos e em seu interior aprisiona almas perturbadas que precisam se redimir.

Harry Mason + James Sunderland = John Lowe


John Lowe (Wes Bentley), é um desses personagens de AHS: Hotel que se vê adentrando os obscuros corredores do Hotel Cortez em busca de respostas e redenção para suas dores e culpas. Um casamento destruído e a dor da perda de seu filho Holden, corroem sua mente aos poucos, fazendo com que ele perca o controle e tenha dúvidas de quem é, de onde está e do que tem feito; além de se tornar negligente com sua filha Scarlett, que precisa de sua presença e carinho. John precisa enfrentar seus demônios, ou esse será um caminho sem volta. 

Assim como John em AHS: Hotel, temos dois personagens em Silent Hill, que podem ter servido como inspiração para a criação da figura paterna decadente, e marido perturbado. 

No primeiro Silent Hill, vemos o desespero de Harry Mason que perde sua filha, Cheryl nas ruas da cidade, e precisa lutar contra forças sobrenaturais que querem pegar Cheryl no intuito de ressuscitar um demônio em um ritual inacabado que amaldiçoou a cidade, tornando-a espiritualmente carregada, e é por isso que as almas perturbadas são levadas até lá para pagarem seus débitos - semelhante com a história do fundador do Hotel Cortez, Mr. March e o aparente propósito do local.

E em Silent Hill 2, por exemplo, acompanhamos a história de James Sunderland, um típico cidadão americano que se vê perturbado pela morte de sua esposa, Mary. 

Após sua perda, James é surpreendido por uma carta de Mary que diz que está EM UM HOTEL, na cidade de Silent Hill e que quer que ele vá encontrá-la. 

Sem pensar duas vezes, James vai para a cidade que, inexplicavelmente, está coberta por uma neblina densa e está deserta. Lá ele encontra monstros perturbadores e pessoas que vivem o alertando sobre os perigos daquele lugar, como se soubessem o que lhe aguarda ali.

No final, James descobre que na verdade ele mesmo matou Mary e não conseguia aceitar essa realidade, o que lhe fez imaginar coisas para no fim, ser punido, ou se redimir de suas ações (depende do final que você pega no fim do jogo).

Encarnações do medo


Antes de começar a falar da maravilhosa Sally de AHS: Hotel e suas semelhanças com a Maria de Silent Hill 2, é preciso dizer que a cidade de Silent Hill encarna os seus medos, os transformando nos piores monstros e fantasmas. Assim como o Hotel Cortez, em todos os jogos da série, você encontra outras pessoas que estão na cidade por algum motivo, e que geralmente, esses motivos são perturbadores.

Voltando a falar de Silent Hill 2, durante a jornada de James pela cidade, em busca de sua esposa, ele conhece Maria, que é exatamente como sua esposa Mary, fisicamente falando. No entanto, ela é mais sensual, provocante e definitivamente, outra pessoa - afinal ela é uma stripper na cidade. 


Por vezes Maria é morta durante o jogo, e reaparece logo em seguida, cobrando de James sua morte, ao mesmo tempo que, surpreendentemente não sabe o que aconteceu com ela minutos antes dela reaparecer. Ela é como um fantasma em Silent Hill

No final, descobrimos que ela é a encarnação dos desejos de James, que queria que Mary fosse mais provocativa e fizesse mais sexo com ele, já que antes de morrer, Mary estava doente a muito tempo.

Como forma de puni-lo, a cidade cria Maria mas não permite que James a possua; por exemplo: muitas vezes Maria seduz James, pedindo para ele tocá-la, porém, ao chegar no local onde ela pediu para ele encontrá-la, ele apenas descobre seu cadáver, violentamente mutilado - relembrando toda a dor que sentira, após a morte de Mary.

Maria representa também, a vontade que James tinha de fazer sexo com outras mulheres, e trair Mary. No entanto, o medo de ferir sua esposa e seu amor por ela, nunca o deixaram cometer qualquer pecado contra o casamento deles, e é por isso que ele nunca consegue alcançar Maria e se relacionar com ela.

Em Hotel, temos Sally (interpretada por Sarah Paulson) - uma fantasma que está presa no Hotel após ter sido assassinada. Ela cumpre um papel ainda desconhecido no local, no entanto, ela logo cria uma conexão complexa com John Lowe, que chega no Hotel para solucionar estranhos crimes de assassinato. Ela parece compreender a sua dor, e quer ajudá-lo a vencer seus demônios, ou abraçá-los e aceitar sua punição.

Sally, assim como Maria, é provocante e distrai John de seus objetivos. Ele pode resisti-la no início, mas acaba rendendo-se a sua sedução. 

Sally é triste e tem alterações drásticas de humor, por vezes a vemos chorar, mas em seguida rir e ser irônica com os personagens que atormentam - da mesma forma que Maria age durante Silent Hill 2. E na real, a função das duas é muito parecida: ser o pesadelo de pessoas que não vivem em paz consigo mesmas. 

Além do visual das duas que se assemelha muito: estampas de onça, maneira despreocupada de se portar e as marcantes gargantilhas - estamos de olho, viu tio Ryan e tio Brad?

Sally e Maria são como um ombro amigo para as dores de John de James, e por vezes os direcionam na sua jornada de redenção, mas suas influências são sempre uma incógnita e você nunca sabe se elas estão ali para o bem, ou para o mal.


Sabemos que diferente de Maria, Sally existe e tem uma história. Muita coisa sobre ela, ainda são mistérios da temporada, entretanto, sabemos que ela tem ligação com um dos monstros do Hotel: o demônio do vício.

Personificação da culpa

Em American Horror Story: Hotel, fomos introduzidos ao demônio do vício piroca giratória; essa criatura ataca pessoas mergulhadas nas drogas e nos impulsos viciosos - até o momento só vimos ele matar uma pessoa de maneira violenta: ele estupra suas vítimas utilizando seu pênis de ferro, em forma de furadeira - algo perturbador e violento - podemos fazer uma analogia à overdose. 

John Lowe viu a criatura algumas vezes no Hotel, e ela o assombra por causa de seu passado alcoólatra, assim como os crimes do "Assassino dos Dez Mandamentos", que também lhe tiram o sono. Seria o demônio do vício o demônio interior das pessoas que estão no hotel, que aparece para puni-las de suas más escolhas, assim como o viciado do primeiro episódio? Se sim, do que John é culpado? E mais uma vez, podemos fazer comparações com Silent Hill.

Também no segundo game, temos uma criatura chamada "Pyramid Head", que persegue James pela cidade. Ele é a personificação de culpa de James por ter matado sua esposa, e por desejar outras mulheres. 

O Pyramid Head vaga pelas ruas com um facão gigante, à procura de James, para dar a ele o que merece por matar Mary, e por vezes, é ele quem mata Maria - uma alusão a morte que James causou à sua esposa.

PS: Existem teorias de que John Lowe é, na verdade, o próprio Assassino dos Dez Mandamentos. E assim como James recebe a carta de Mary para ir à Silent Hill pagar por seus erros, John pode ter recebido o áudio de seu alter ego assassino para ir ao hotel com o mesmo intuito de fazê-lo sofrer.

A origem das maldições


As maldições que cercam o Hotel e a cidade são muito parecidos: o ódio de alguém morto no local, faz com que uma maldição domine o ambiente - esse princípio vem do espiritismo e tem uma grande força também no Japão.

De acordo com essas crenças, se alguém guarda rancor na morte, esse alguém ficará preso e seu espírito conduzirá o lugar a favor de sua vingança - algo que já foi mostrado em filmes como "O Grito", "O Chamado" e até na primeira temporada de American Horror Story.

A morte e a maldade de Mr. March (Evan Peters), fizeram do Hotel Cortez, um purgatório amaldiçoado, e o mesmo mal, atingiu Silent Hill por causa da dor de Alessa Gillespie, que foi queimada viva voluntariamente, mas por causa da dor, sentiu medo e ódio das pessoas da seita que tinha por intuito dar vida a Samael - o deus do culto da cidade.

Essas são as principais semelhanças entre a quinta temporada de American Horror Story e a franquia Silent Hill. Não tenho provas se os criadores da série se inspiraram mesmo no game, ou se isso tudo é mera coincidência - afinal, a teoria mais provável é que eles tiveram inspirações em comum com os criadores de Silent Hill - Stephen King, e David Lynch, por exemplo.

Se você é fã das duas séries e tem algo a acrescentar à esse artigo, deixe nos comentários e vamos teorizar! Se você quer conhecer melhor Silent Hill, assista nossos gameplays clicando aqui.

Para novidades e postagens sobre American Horror Story, conheça o AHS Brasil.

Créditos

Texto: Juninho Lima

Todas as opiniões do artigo são do autor, e não representam a opinião do site Co-op Geeks.

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