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Marcelo Henrique 16.12.15


Ah, os bons e velhos tempos! Se eu lhes dissesse que o popular anime Yu-Gi-Oh!, uma das maiores febres infanto-juvenis da última década, completou em abril passado quinze anos de existência, vocês acreditariam? Pois é, meus queridos partners. E nesse artigo, nós vamos fazer uma viagem nostálgica pelo início dos anos 2000 e relembrar um dos melhores animes da história!

O começo de tudo

Apesar de só o seu nome já nos dar uma ideia de toda a fama e prestígio conquistados há pouco mais de 10 anos, o que muitos não sabem é que a animação não foi o primeiro material assinado sob o nome Yu-Gi-Oh!. Inspirada em um mangá inicial escrito e ilustrado por Kazuki Takahashi, a obra literária foi publicada originalmente em 1996 pela Weekly Shōnen Jump (revista semanal de responsabilidade da editora Shueisha) e chegou a ser comercializada até o ano de 2004, atingindo grande popularidade pelo território japonês – o berço de tantos outros lançamentos tão memoráveis e inesquecíveis. Trazida para as terras tupiniquins duas primaveras mais tarde do seu encerramento oficial, a HQ foi traduzida e distribuída pela editora nipo-brasileira JBC entre 2006 e 2010, levando até o leitor, obviamente, as mesmas histórias narradas anos atrás por Takahashi.

Do mangá para a TV


Influenciando um primeiro anime menos conhecido produzido pelos estúdios Toei Animation que foi ao ar somente no Japão entre abril e outubro de 1998, com 27 episódios, a produção foi uma clara adaptação aos sete primeiros volumes do mangá de mesmo nome. Sem qualquer ligação direta com a “sequência” que viria a seguir (sem sombra de dúvidas a maior façanha televisiva da exitosa franquia), Yu-Gi-Oh! focava na pacata vida levada por Yugi Muto: um pré-adolescente sem muitos amigos que é contemplado com uma rara e misteriosa relíquia milenar.

Mudando de estúdio e investindo todas as suas fichas em uma nova ambientação, Kazuki Takahashi cedeu os direitos de seu trabalho para que a companhia NAS (Nihon Ad Systems) com o apoio do Studio Gallop produzissem o que hoje conhecemos como um dos títulos mais marcantes dos anos 2000. Nomeado Yu-Gi-Oh! Duel Monsters no Japão (apenas Yu-Gi-Oh! no resto do mundo), o segundo desenho animado inspirado nos épicos quadrinhos foi a primeira grande aposta dos produtores orientais para os jovens residentes do Extremo Ocidente – um público que ainda não estava familiarizado com a popular sensação asiática.

Totalizando 224 episódios divididos em 5 temporadas que contavam a saga de Yugi e seus amigos Joey Wheeler, Téa Gardner e Tristan Taylor (Katsuya Jounouchi, Anzu Masaki e Hiroto Honda, respectivamente, na versão oriental), a série foi inspirada nas histórias do 8º volume em diante do mangá, sendo transmitida pela primeira vez em abril de 2000 pela TV Tokyo

Yugi e seus amigos Joey, Téa e Tristan, são o foco da história do anime.
Recebida nos EUA pela 4Kids Entertainment em setembro do ano seguinte, diversas foram as modificações realizadas pela empresa com o intuito de “americanizar” a produção e torná-la mais “viável” ao público infantil (o que incluía desde a alteração dos nomes dos protagonistas à retirada de qualquer termo que vinculasse o enredo pretendido à violência, morte ou religião).
Esse é o avô de Yugi

Tudo se inicia quando o pequeno Yugi recebe de presente do avô um quebra-cabeças conhecido como Enigma do Milênio, uma joia valiosíssima que contém inúmeros segredos até então desconhecidos (e mais tarde se mostrará a fonte de um poder inigualável).

Montando cada peça em seu devido lugar e resolvendo o complicado desafio, Yugi liberta o espírito de um antigo e sábio faraó que o auxiliará a tomar as decisões mais importantes de sua vida. Aumentando consideravelmente sua coragem e as próprias habilidades de duelo, o garoto logo despertará o interesse de outros duelistas que estão de olho na sua preciosa “ferramenta de trabalho”: como Maximillion Pegasus, o magnata das “Ilusões Industriais” e criador do “Monstros de Duelo”. Todavia, quanto mais se envolve nos problemas que são inevitavelmente inseridos em seu caminho, mais Yugi descobrirá que o mundo pode ser um lugar perigoso para a sua própria segurança e a de seus entes queridos.

Mais do que um simples jogo

Introduzindo o telespectador ao Monstros de Duelo, Duel Monsters nos apresentou o jogo de tabuleiro que, apesar de não ser tão complexo quanto parece, exigia a total atenção do jogador e a sua capacidade para formular boas estratégias de duelo. Para isso, é necessário saber que existem quatro espécies básicas de cartas que, uma vez combinadas, podem decidir todo o desenrolar da batalha: monstros (comuns, fusões ou com efeitos especiais), mágicas (equipamentos, campos de batalha ou diversas), armadilhas (contra-ataques) e rituais (pelas quais você sacrifica dois ou mais monstros para formar outro mais poderoso). Iniciado o duelo entre dois participantes, cada um receberá um número X de pontos de vida (a pontuação que dirá quem é o vencedor), manipulando em sua defesa um baralho que varia de 40 a 60 cartas. Sai vitorioso quem zerar a pontuação do adversário ou deixá-lo sem novas cartas para puxar.


Transmitido no Brasil pela Rede Globo (e também pela Nickelodeon) no ano de 2002 ao lado de outras novidades como Hamtaro e As Aventuras de Jackie Chan, Yu-Gi-Oh! Duel Monsters não demorou muito para se tornar um dos títulos mais assistidos da saudosa TV Globinho. Àquela época, o programa chegou a ser apresentado por Fernanda de Freitas, Sthefany Brito, Graziella Schmitt, Élida Muniz, Geovanna Tominaga e Ana Carolina Dias, atrizes que se revezavam durante os dias da semana para anunciar as atrações que bombavam durante as manhãs animadas da emissora. 

Contudo, por mais que o anime tenha rapidamente dominado a cabeça dos telespectadores mirins (assim como tantos outros haviam feito poucos anos atrás), o maior sucesso por detrás da marca só extrapolaria os limites do inimaginável quando a poderosa e odiada nos dias de hojeKonami decidira mexer os seus pauzinhos e fazer história no plano exterior.

Do anime para as suas mãos


Lançando o intitulado Yu-Gi-Oh! Trading Card Game, em 1999, no Japão (e que só iria se espalhar para o resto do mundo com o histórico esmagador do anime da NAS), o jogo de cartas foi certeiro ao trazer para nós, meros mortais, toda a magia do “Monstros de Duelo” retratado pelas páginas do mangá noventista. 

Concedendo ao jogador a possibilidade de colecionar as tão raras cartas que moviam as vidas de milhares de personagens da massiva franquia, o produto tornou-se um sucesso de vendas por onde quer que ousasse se fixar para comercialização. Para vocês terem uma ideia, em 2009 o “Guinness” certificou que a Konami havia vendido, desde a sua fabricação, mais de 22 bilhões e meio de cartas por todo o planeta, tornando-o o jogo de cartas mais bem sucedido de todos os tempos (isso levando em consideração os números oficiais: agora imaginem isso acrescido de todo o conteúdo pirata distribuído aqui pelo Brasil!).

Da TV para os consoles

Chegando até o mundo dos eletrônicos em três títulos menos conhecidos lançados somente no Japão para PlayStation, Game Boy e Game Boy Color durante 1998 e 1999, foi somente com o 4º lançamento da saga, Yu-Gi-Oh! True Duel Monsters: Sealed Memories (Yu-Gi-Oh! Forbidden Memories nos EUA e Europa), que a história original de Kazuki Takahashi seria recontada para milhões de gamers pelo planeta afora. Também desenvolvido pela Konami e distribuído no ano de 1999 para a “Terra do Sol Nascente”, o enredo readaptado do mangá inseria o jogador em um mix de passado e presente que ligava-o com seus demais adversários a um único objetivo principal: sair vitorioso de um dos mais disputados jogos de tabuleiro da história. Confira o trailer do game:


Entre as dúzias de lançamentos virtuais assinados pela marca, outros nomes mais populares da série incluem Yu-Gi-Oh! The Duelists of the Roses (para PlayStation 2), Yu-Gi-Oh! The Sacred Cards (para Game Boy Advance), Yu-Gi-Oh! The Falsebound Kingdom (para Nintendo GameCube), Yu-Gi-Oh! GX: The Beginning of Destiny (para PlayStation 2) e o mais recente Yu-Gi-Oh! Legacy of the Duelist (para Xbox One e PlayStation 4). 

Muitas continuações



Em outras mídias, Yu-Gi-Oh! gerou diversas spin-offs, como os animes Yu-Gi-Oh! Capsule Monsters e Yu-Gi-Oh! GX, além dos filmes Yu-Gi-Oh! The Movie: Pyramid of Light, Yu-Gi-Oh!: Bonds Beyond Time e o ainda inédito Yu-Gi-Oh!: The Dark Side of Dimensions (longa-metragem que só deverá ver a luz do dia em algum momento de 2016). Confira mais abaixo o primeiro trailer oficial:


Sucesso inegável



Completando uma década e meia neste ano, é indiscutível o quanto Yu-Gi-Oh! cresceu pelo Brasil a ponto de se tornar uma das maiores sensações da infância de muitas crianças que não pensavam duas vezes antes de gastar todo o seu dinheiro colecionando as populares Trading Card Game. Montando consistentes baralhos com as cartas mais poderosas já vistas nos tempos do colégio, arrisco dizer que não existe um garoto com mais de 20 anos que não tenha desafiado seus colegas de classe para partidas que eram travadas durante os estimados intervalos das aulas (ou em qualquer outro lugar plano que comportasse os jogadores e seus respeitados decks). 

Brilhantemente acompanhado de diversas adaptações lançadas para todos os tipos de consoles, Yu-Gi-Oh! conquistou admiradores que certamente sentirão uma grande gratidão ao longo de suas vidas por conta dos bons momentos que lhe foram proporcionados em um passado pouco distante. Mais do que um jogo de cartas, Yu-Gi-Oh! era, àquela época, um jogo de honra.

Yu-Gi-Oh! Duel Monsters pode ser acompanhado atualmente pela Netflix ou pelo canal de TV a cabo PlayTV, de segunda à sábado, às 11:00 horas e às 16:30 horas; de segundas e quintas, às 23:30 horas; e aos domingos, das 13:00 horas às 15:00 horas.

Se você, assim como eu, assistia Yu-Gi-Oh! e tem boas lembranças dessa época, deixe nos comentários o que você achou do texto e se há algo que você gostaria de acrescentar! Para mais textos meus, conheça meu blog pessoal, o Caí da Mudança.

Créditos

Texto: Marcelo Henrique
Revisão: Juninho Lima

O artigo apresenta as opiniões do autor, e não do site Co-op Geeks.

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