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Vitor Oliveira 15.1.16


Segunda-feira, 11 de janeiro de 2016. O mundo acorda com um balde de água fria: David Bowie está morto! “Não pode ser, isso deve ser algum hoax”, pensei. “É impossível! Ele acabou de lançar um álbum!”. Infelizmente, por mais que fosse difícil de acreditar, era tudo verdade.

Mas, afinal, de qual Bowie estamos falando? O maior ícone pop que já existiu, sabia mudar de identidade como num estalar de dedos, criando personas com frequência e explorando-as ao máximo em seus álbuns. Bowie explorou também outros mares, como o cinema... E, ao longo de 69 anos, se reinventou por diversas vezes, seja com a androginia do “The Man Who Sold The World” de 1970, o som pop de “Let’s Dance” de 1983 ou seu mais recente álbum, “Blackstar”, que foi lançado em tom de despedida dois dias antes da sua morte. Sua influência atingiu ícones como Cyndi Lauper, Madonna, Marilyn Manson e Lady Gaga, mas, hoje, o assunto é um pouquinho mais complexo e trata da importância de David Bowie para a cultura pop e para o mundo.

Bowie era a moda e a cultura pop


Não há como falar de Bowie sem citar seu legado na música. Sua especialidade era misturar diferentes estilos musicais, fugindo dos padrões do rock – aliás, tudo que ele fez foi buscando fugir dos padrões. O resultado disso foi um total de 26 álbuns, cada um com sua sonoridade original, digamos que, despertando uma emoção diferente no ouvinte. Cada um interpretado por um David Bowie diferente, mas que carregava uma essência única.

O álbum “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars” de 1972, por exemplo, introduziu seu alterego Ziggy, um alien que veio a Terra com objetivos próprios mas acabou se rendendo ao rock. Pode parecer pouco, mas Ziggy Stardust representou uma nova era para a música de todo o mundo: a união entre música e teatralidade, novas temáticas e álbuns conceituais. O alienígena com maquiagem pálida e cabelo em tons ruivos cativou o público de uma maneira jamais vista e, logo após, evoluiu. “Aladdin Sane” veio em 1973 e mostrou ao mundo o famoso rosto do Bowie sendo partido por um raio, o que viria a se tornar um dos maiores símbolos da cultura pop. O álbum em si apresenta uma sonoridade mais calma e que abusa do piano. Já na sua fase mais punk – literalmente – o David lançou o famoso “Diamond Dogs”, que surgiu em 1974, no ápice do movimento punk.


Estes três álbuns são considerados obras-primas da música e um pontapé inicial no que diz respeito a música e teatralidade como uma coisa só, mas sua influência vai além disso. Em uma época extremamente conservadora, a figura de um homem apresentando-se maquiado e usando roupas e acessórios considerados femininos foi essencial para o início da discussão de gênero – e, consequentemente, levando a um debate sobre homossexualidade e bissexualidade. Bowie influenciou os jovens a se expressarem de qualquer forma e continuou chocando todos com seus visuais extravagantes – no mais bruto sentido da palavra.


Sem querer, ele já estava exercendo grande influência sobre a moda. Esqueça os termos “roupas de homem e roupas de mulher”, nada disso existia para Bowie, o precursor do que hoje chamamos de androginia. E a sua facilidade de mudar de estilo era tão grande que lhe foi concedido o título de Camaleão do Rock. Mas, parafraseando o jornalista Nelson Motta, “O seu apelido não deveria ser camaleão porque ao contrário dos camaleões ele não roubava a cor do ambiente. Era Bowie que irradiava suas próprias cores”.


Bowie no cinema e TV

Mas o nosso astro não se prendeu apenas a música e moda. O cinema também fez parte da sua vida: David Bowie interpretou papéis icônicos em filmes como “Labirinto – A Magia do Tempo” de 1986 e foi elogiado em “Furyo – Em Nome da Honra” de 1983. Teve a honra de trabalhar com o aclamado diretor Martin Scorsese em “A Última Tentação de Cristo” em 1988, interpretando Pôncio Pilatos e com David Lynch no filme “Twin Peaks: Os Últimos Dias de Laura Palmer” de 1992. Uma curiosidade bastante interessante é que o álbum “Low” de 1977 foi resultado de canções compostas pelo próprio Bowie para a trilha sonora do filme “O Homem que Caiu na Terra” de 1976, mas que acabaram sendo descartadas pela equipe do filme e reutilizadas pelo Bowie. Nem precisa dizer que foi sucesso, né?


A sua contribuição também se estendeu às trilhas sonoras, algo que muitas vezes marca um filme mais que o próprio elenco. Quem não lembra de “Heroes” em “Eu, Christiane F., 13 Anos, Drogada e Prostituída” ou em “As Vantagens de Ser Invisível”? Ambas aparições da voz de Bowie marcaram suas gerações. 


A canção “Cat People” também apareceu de maneira icônica no filme “Bastardos Inglórios”. “Lady Grining Soul” toca em “The Runaways – Garotas do Rock” e “Space Oddity” em “C.R.A.Z.Y. – Loucos de Amor”.


E não podemos esquecer da homenagem da série American Horror Story em sua temporada Freak Show. Um cover na voz da digníssima Jessica Lange:


Bowie nos games

O mundo dos videogames, por sua vez, e para tristeza de todos, foi pouquíssimo influenciado pelo Bowie – pelo menos diretamente. Metal Gear é, aparentemente, a única grande exceção. Na saga, que já falamos aqui, o Bowie é referenciado por diversas vezes, seja de formas mais simples como quando o personagem Major Zero adota o codinome de Major Tom em uma missão no terceiro título, nos remetendo ao clássico Space Oddity, em Metal Gear V: The Phanton Pain, onde a música "The Man Who Sould the World" é tema da história de Venom Snake e é o nome da missão mais importante do game. Isso sem falar dos inúmeros personagens influenciados... É, parece que Hideo Kojima também é um grande fã do Ziggy!

Sua personalidade e extravagância, inspiraram a criação de muitos personagens famosos: como Albert Wesker e James Marcus de Resident Evil, diversos personagens de Final Fantasy, Zangoose - um Pokémon, e Bowie ainda participou de um jogo chamado Omikron: The Nomad Soul, que não fez muito sucesso, entre outros personagens de jogos.



No fim das contas, Bowie fez uma viagem só de ida para Marte. Mas antes disso, ele nos confirmou algo que já imaginávamos: suas mil e uma caras estarão para sempre estampadas em nossos corações, nossas mentes, nossas televisões, enfim, em nossas vidas, influenciando as próximas gerações de uma maneira que nenhum artista conseguiu ou conseguirá fazer. “Nós podemos ser heróis”, disse Bowie, mal imaginando que ele mesmo seria o nosso.

Créditos

Texto: Maurício Vitor Oliveira
Revisão: Juninho Lima

O texto apresenta ideias e argumentos do autor, e não representa a opinião do site Co-op Geeks.

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