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Bruno Bolner 1.4.16


Stephen King é considerado por muitos como o mestre da literatura de horror por conseguir transformar coisas comuns do dia-a-dia em elementos horrorosos e perturbadores, envolvidos em tramas interessantes e criativas que acabam prendendo sua atenção do início ao fim.

Esse fascínio pela cultura do terror surgiu pelo seu fanatismo pelos quadrinhos de horror "EC's horror comics", como o próprio autor já nos contou em seus livros Sobre a Escrita e Dança Macabra. Entretanto, há quem diga que o autor caiu nesse mundo sombrio ao presenciar a morte de um amigo, atropelado por um trem. Embora essa teoria possa não passar de especulação, independente das inspirações, temos de admitir que o cara é muito bom no que faz.

Transformador

Desde pequeno, Stephen King passou por muitos perrengues, mudando-se de cidade em cidade constantemente e integrante de uma família pobre. Porém, isto só serviu para que ele se dedicasse para mudar sua vida.

Foi durante a adolescência que seus primeiros passos para o sucesso começaram a ser dados, quando começou a escrever suas histórias, mas foi durante a faculdade que seu destino começava a ser traçado. Ele conheceu sua esposa, Tabitha King, pivô nas decisões que levaram para o seu sucesso, conseguiu seu diploma de Bacharel em Inglês e iniciou a escrever a obra que lhe lançaria no mundo literário.



Carrie, foi o primeiro romance do escritor. Antes de ser lançado, acabou indo parar na lixeira, sendo recuperado pela sua esposa. O que King alegou na ápoca foi que ele não conseguiria escrever sobre o mundo feminino e decidiu descartar seu trabalho. Por sorte, Tabitha o recuperou e acreditou na genialidade da obra, dando suporte para que ele concluísse sua história.

Em 1973, os direitos de publicação do seu primeiro livro foram comprados e sua carreira deslanchou. A obra foi bem recebida, recebeu boas críticas e ganhou uma adaptação para o cinema. Os primeiros passos que o levaram ao sucesso e o marco da carreira de um dos maiores escritores das últimas 4 décadas.

Qual o motivo para isso? Um dos grandes diferenciais do escritor é sua criatividade. Essa característica é explicitamente explorada e comprovada a cada obra sua. Praticamente qualquer coisa pode ser utilizada em seus livros. Ele nos ensina a cada livro que é possível se reinventar, transformar o que for em algo sinistro ou sensacional ou bacana ou desagradável. Não há limites para a criação de uma história, basta que isso seja feito com dedicação, bom senso e amor ao que se faz.

Certamente, esta é uma das características mais lembradas sobre o autor. E é totalmente merecido, afinal, não é pra qualquer um conseguir criar atmosferas sensacionais, personagens carismáticos ou antipáticos, em histórias incríveis!

Brincando com o mundo e com a literatura

Várias vezes nos deparamos com livros que tratam de temas comuns do dia-a-dia e que não são temas de discutições em relação às suas possibilidades. O que King faz vai de encontro a este ponto: fazer você enxergar que nem tudo é o que parece.

Os temas abordados por King sempre mexem com o medo psicológico, o desconforto do seu leitor, transformando elementos tradicionais em coisas tenebrosas e assustadoras, causando sensações de agonia e desconforto por coisas que achávamos totalmente normal. Isso só é possível devido a capacidade que o autor tem de transformar esses elementos, conseguindo brincar com as coisas mais simples, desencadeando em obras imersivas e que acabam mexendo com os sentidos de todo mundo.

É inevitável se sentir receoso após vivenciar uma obra de King. Um palhaço nunca será visto com os mesmos olhos, assim como um cemitério pode trazer sentimentos bem mais arrepiantes do que já estamos acostumados. Uma garotinha pode ser um vulcão em erupção, expelindo maldade ao invés de lava, e um homem pode ser muito mais incrível do que o julgam pela sua cor.

Por outro lado, também conseguimos enxergar, por trás desses elementos e personagens, críticas à sociedade, aos governantes, ao mundo atual, aos que querem se aproveitar de uma forma ou de outra. É mostrar ao mundo que existem muitos pontos de vista, muitas ideias diferentes e que tudo pode acontecer, independente de sua cor, sexo, ideologia, religião, política, status social ou educação. Que todo mundo é capaz de tudo.

E, exatamente por isso, que o autor incluiu em suas obras personagens com diversas peculiaridades, sejam elas sutis ou estampadas na testa, dando vida a protagonistas problemáticos, alcoólatras, drogados, desabrigados, crianças, velhos e deficientes físicos. A sua gama de personagens abraçando os grupos geralmente excluídos da sociedade, dados como se não tivessem relevância para vender nas décadas de 70 e 80.



Carrie, traz uma garota estranha, criada em um ambiente extremamente religioso por uma mãe perturbada, que descobre ter poderes telecinéticos. É uma garota que aparenta ser frágil, bastante tímida e que sofre constantes humilhações na escola. Em Fúria, um garoto mata seus professores e faz sua turma de refém, obrigando-os a participar de um jogo psicológico e imprevisível. Personagens que mexeram com muita gente por exibir pessoas aparentemente frágeis realizando atos que ninguém imaginaria. Contudo, também temos À Espera de um Milagre, que traz um assassino com poderes fantásticos de cura e que é condenado à morte. Livro, este, que fez muita gente se derramar em lágrimas e provou para o mundo que também sabe ser um escritor fantástico em outros ramos da literatura.

Mesmo nos dias atuais, King continua criando personagens nada casuais, imprevisíveis e bastante interessantes, com características e atitudes que comovem, impressionam e criticam o curso atual da vida moderna.

Outros grandes títulos do autor são O Cemitério, a saga d'A Torre Negra (que é composta por 8 volumes, escrita durante 3 décadas), O IluminadoSob a RedomaIt - A CoisaA Dança da MorteNovembro de 63 e Sobre a Escrita (um ensaio sobre como o autor desenvolve suas obras, suas inspirações, suas reflexões, etc.).

Cinema e televisão

Apesar de seu ponto forte ser a literatura de horror, em seu portfólio pode-se encontrar diversas obras de não ficção, suspense e fantasia. E, muito além disso, filmes e seriados de televisão.

É muito importante, principalmente hoje em dia, que um autor, escritor, ator, músico, seja quem for, consiga desempenhar muitos papéis. É importante que estejamos sempre tentando melhorar e experimentar novas coisas. King compreendeu essa necessidade e se jogou em diversos projetos diferentes. A sua versatilidade artística começou em 1982, quando trabalhou como roteirista de Creepshow - Arrepio do Medo, no qual também realizou sua primeira atuação.

Em 1986 trabalhou como diretor do filme Comboio de Terror, onde carros e caminhões ganham vida, após a passagem de um cometa pela Terra, e as pessoas correm risco de vida.

Outro caminho que o autor trilhou foi o de produtor, que iniciou com o filme A Dança da Morte, onde trabalhou como produtor de set, e 11.22.63, no qual esteve trabalhando como produtor executivo. Para o lançamento em 2017, King também está trabalhando como produtor na adaptação de A Torre Negra.

Apesar de muitas de suas obras terem sido adaptadas, apenas algumas ganharam destaque e boas críticas, como é o caso de Carrie - A EstranhaO IluminadoÀ Espera de um Milagre Um Sonho de Liberdade. Filmes estes que conseguiram captar as mensagens de King e transmiti-las tão próximas de seus originais, que acabaram se tornando referências para a cultura pop.

Inspiração

O diferencial de Stephen King é a forma como ele escreve e aborda seus personagens, seus elementos, os detalhes inusitados, a criação da atmosfera envolvendo o leitor em seu território imaginário. Isso faz com que a experiência seja totalmente diferente, mesmo que já se tenha tido experiência semelhante. É uma qualidade do escritor que beneficia a literatura e os leitores. É impossível não admirar a sua escrita e a construção do ambiente e das personagens, em enredos sempre tão bem construídos.



A inspiração em suas obras é constante, tanto por novos escritores, roteiristas e cineastas quanto por jornalistas. Nacionalmente, alguns dos grandes nomes da nossa literatura fantástica e de horror já se inspiraram em King, como é o caso de André Vianco, Raphael Draccon e Eduardo Spohr, escritores estes que escrevem em ramos diferentes e que já possuem uma base sólida na literatura nacional. O legado de King é imenso e inspirador, sempre atraindo mais leitores e servindo de modelo para novos e velhos escritores.

É inegável sua qualidade como criador de conteúdo e sua importância para o mundo, seja na literatura, no cinema ou na televisão. A sua versatilidade em escrever para diversas plataformas diferentes, mantendo a qualidade característica de seus trabalhos, não é para qualquer um. E conseguir utilizar uma boa história e conta-la de forma magnífica é outro desafio que muitos ainda estão procurando realizar. Não é à toa que o cara chegou a mais de 40 países, vendeu mais de 350 milhões de exemplares no mundo, com seus cerca de 70 livros, e arrecadou mais de 50 prêmios durante sua jornada, incluindo os invejáveis Prêmio Edgar (2 vezes!) e Bram Stoker Award.

Quer saber mais sobre outras personalidades que influenciaram a cultura Geek? Confira nossos artigos sobre "O Legado de Wes Craven" e "O Legado de David Bowie". Para mais postagens sobre literatura em geral, conheça o meu blog, o Paginando.

Créditos

Texto: Bruno Bolner

O artigo apresenta as opiniões do autor do texto, e não do site Co-op Geeks.

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