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Weslley Nogueira 12.5.16


Mais uma vez os videogames nos surpreendem com suas formas de contar uma história. Nos tempos onde o reinado do PlayStation se iniciava, não conhecíamos muitas histórias que combinavam com a jogabilidade e as mecânicas de jogo para a proposta de nos entregar uma experiência nova dentro do que acabaria sendo batizado após o lançamento de "Resident Evil" como Survival Horror

Vendo o sucesso que o concorrente estava fazendo no mercado dos videogames, uma das melhores experiências já feitas dentro do gênero Survival Horror foi criada e lançada no que hoje em dia chamamos de ''O Início do Reinado de Ouro do PlayStation'' pela Konami. Ah, bons tempos, não acha? Tivemos jogos incríveis e inícios de franquias nessa época que até os dias de hoje nos marcam, e uma delas eu falarei hoje, aquela que eu considero como a melhor franquia de Survival Horror de todos os tempos até então: "Silent Hill".

Wellcome to Silent Hill




"Silent Hill" foi desenvolvido pela Konami em parceria com a Team Silent, fundada em 1997 onde sua criação seria única e exclusivamente para focar no desenvolvimento dos jogos pertencentes a série.

Disponível apenas para o primeiro PlayStation e exclusivo da Sony, foi relançado para Playstation 3 e PSP (Playstation Portable) em 2009 e somente em 2012 foi lançado para o PS Vita através da PSN. "Silent Hill" possui o seu Remake, "Silent Hill: Shattered Memories", mas vamos nos manter aqui no "primeirão" do PSOne, afinal o Remake possui assunto demais para se queimar aqui.



O que dizer sobre essa equipe? Eles conseguiram nos entregar uma experiência tão imersiva em "Silent Hill" que é de se tirar o chapéu para o tamanho da criatividade desses caras no desenvolvimento desse jogo.

Não estamos falando de somente mais um jogo pertencente a essa grande trilha deixada pelo Survival Horror, "Silent Hill" não se contenta em apenas te jogar uma experiência imersiva com uma trama sendo bem desenvolvida com personagens que vão te cativando lentamente através do medo e da falta de experiência deles quanto ao que está acontecendo a sua volta, como ele também te proporciona uma leve sensação de claustrofobia quando entramos em áreas que estamos com mínimos recursos – para não dizer recurso nenhum, cercados pela escuridão e com barulhos que nos designam a acreditar que: não estamos sozinhos.


A atmosfera construída pelo jogo, em conjunto com a sua história, é o que vai nos carregar durante o jogo inteiro. Apesar de termos as mecânicas bem divertidas do jogo no maior estilo de back-tracking, descobrimento de itens, combate contra os inimigos sinistros e a trilha sonora – até mesmo a falta ‘de’ em alguns momentos, conseguimos continuar o jogo porque nos sentimentos curiosos sobre o que mais pode me surpreender nessa cidade. Quem mais está vivendo aqui? Existem pessoas vivendo por aqui AINDA? Eu estou sozinho? Cadê a minha filha? Todos esses questionamentos em trabalho com a trilha sonora te deixam cada vez mais dentro do jogo, imerso na pele de Harry Mason, sentindo seus temores e pavores daquela situação. Confiram um trecho de uma das trilhas mais marcantes da série e também a mais arrepiante, na minha opinião.


Agora que mencionei filha, é um excelente momento para colocar um pouco de contexto narrativo sobre o que está acontecendo e o que acontece nesse jogo. Controlamos Harry Mason que está em uma viagem de férias em direção a uma cidade que sua filha adotada, Cheryl Mason, ouviu falar e por ‘curiosidade’ pediu ao pai para que suas férias fossem passadas na região. Como um bom pai, o senhor Mason arruma suas coisas com sua filha e parte em direção a cidade. No meio do caminho eles são surpreendidos por uma garota de vestido azul que surge na frente deles do nada, forçando Harry a desviar da menina, mas consequentemente bater seu carro e se acidentar. Após um tempo indeterminado, o homem acorda em um nevoeiro dentro da cidade de Silent Hill, sua filha desapareceu e o rapaz busca descobrir o que aconteceu com sua filha e ajudá-la. A partir de determinado momento do jogo, somos levados a uma trama macabra envolvendo demônios, rituais a seres divinos e uma ambientação de horror intenso.

Quando temos o contexto da história e cada vez mais vamos descobrindo coisas novas relacionadas a trama do jogo, nos sentimos cada vez mais na pele de Harry e na responsabilidade que o mesmo carrega dentro de si: ''O que está acontecendo aqui é sombrio demais, onde está a minha filha e eu preciso resgatá-la o mais rápido possível para sairmos daqui!''.

Harry quase que literalmente cai de paraquedas em uma briga espiritual que vem acontecendo entre uma pessoa e uma entidade, mas no caminho ele receberá ajuda de uma policial chamada Cybil Bennett, que havia recebido um chamado na delegacia de polícia de uma cidade que ficava ao lado de Silent Hill, podemos ver ela na Introdução de CG, que é a responsável por nos dar todo o contexto da história que precisamos inicialmente. Confira a introdução:


Descobrir tudo isso que estava acontecendo dentro do jogo, foi uma verdadeira experiência rentável. Toda aquela trama muito envolvente porém sinistra e de arrepiar todos os pelos do seu corpo, era algo muito aterrorizante, mas, ao mesmo tempo, satisfatório. Eu estava descobrindo algo que nunca antes eu consegui presenciar em um videogame, nem mesmo com a série concorrente – uma narrativa tão bem incrementada, pela primeira vez nos mostrando que videogames não são somente jogos. Nós temos jogos que não necessitam de uma trama ou uma narrativa para que o sustente, veja o caso de Tetris por exemplo, mas também temos jogos onde podemos tirar proveito não só dos desafios mecânicos como também tirar proveito das suas histórias. O que os desenvolvedores de videogames querem nos contar, além de trabalhar com jogabilidade? E "Silent Hill" nos mostrou que podemos ter boas histórias em videogames.

Entendo perfeitamente quando pessoas costumam dizer que jogos são feitos para nos divertirmos com os desafios mecânicos que são impostos a nós, devemos nos sobressair aos desafios e sermos melhores do que eles, afinal a grande base em cima dos videogames é essa.

Eu concordo com esse ponto de vista, mas também sinto que videogames chegaram em um patamar onde podemos ter os nossos desafios mecânicos com bons "level designers", como também podemos ter jogos que além de nos sentirmos a vontade controlando algum boneco e desvendando os desafios do jogo, como também podemos acompanhar o processo da narrativa que os produtores quiseram incrementar no jogo. E não só isso, mas também quando vemos que a história trabalha em conjunto com a jogabilidade e "Silent Hill" é um excelente exemplo disso quando nosso jogador ali na tela não consegue ter uma precisão de mira perfeita ao segurar uma arma. E por que disso? Ele é um ser humano comum que nunca antes segurou uma arma e nunca antes se viu em uma situação de perigo tão grande como a história nos mostra.

"Silent Hill", diferente de seus concorrentes, consegue nos entregar uma boa história. Ele desenvolve bem todos os seus personagens presentes que são apresentados ao jogador, um desfecho é dado para todos eles e dependendo do final que você fez, temos uma porta aberta para grandes continuações – e que continuações, hein! - que nos façam cada vez se sentir empolgados e realizados com toda essa experiência. Faz muito tempo que foi lançado e talvez esteja datado nos dias de hoje, porém é uma experiência que eu recomendo para todos aqueles amantes do gênero Survival Horror e principalmente do início da época de ouro do PlayStation.

Para notícias, novidades e outros conteúdos sobre a franquia Silent Hill, curta a página Silent Hill Brasil. Confira também o "Tirando da Estante" sobre "Terror em Silent Hill" - o filme baseado no primeiro game clicando aqui. E se você quer ver um gameplay assustador e bem humorado do título, assista ao nosso gameplay retrô:


Créditos

Texto: Weslley Nogueira

O artigo apresenta as opiniões do autor do texto e não do site Co-op Geeks.

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