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Juninho Lima 4.1.17


Em um mercado onde gráficos estonteantes, efeitos visuais e cenários recheados de elementos não são mais surpreendentes quando são apresentado sem "um quê" a mais, jogos com propostas singelas ganham com facilidade a empatia do jogador e se destacam dentre os padrões que estão saturando a indústria dos videogames. 

Nesse artigo vamos explorar todas as questões que fazem de jogos minimalistas serem uma grande aposta do cenário atual da indústria dos jogos de videogame e te dar motivos para entrar de cabeça nesse universo que te proporcionará experiências únicas e econômicas.

Despretensão


A história é quase sempre a mesma: você se vê sem grana e na necessidade de jogar algo novo e recorre às sobras de suas compras online, ou escolhe alguns dos títulos oferecidos gratuitamente nos serviços que assina por mais que não tenha tido interesse neles no início, e acaba se abrindo à uma experiência inesperada da qual você provavelmente não viu trailers ou nem ouviu falar.

A primeira hora de jogatina se torna um momento de descoberta, e logo você percebe o quanto aquele jogo minimalista ganhou sua simpatia e você decide que precisa ir até o fim. Na maior parte das vezes, ao terminar o game, você se encontra satisfeito e com uma história a mais no seu catálogo de "jogos que precisa indicar para um amigo".

Com o certeza, o que faz da experiência de se jogar algum jogo independente ser diferente e por vezes mais satisfatória do que o fim da jogatina de um jogo triple A, é a falta de expectativas e a própria despretensão dos títulos. Gráficos impressionantes, jogabilidade multifacetada e cenas épicas são características que geralmente ficam de lado em produções independentes de baixo orçamento, no entanto, a simplicidade e o enredo são quase sempre o maior atrativo de jogos minimalistas.

O passado tem importância


Enquanto os jogos da atualidade focam em inovar e renovar gêneros, alguns títulos independentes apostam no que já foi muito amado no passado e que é lembrado com saudosismo no presente - como é o caso de diversos títulos com gráficos e 32 e 16 bits ou títulos de plataforma.

Sem dúvidas, a direção artística sempre tem um grande peso em produções de baixo custo - afinal, é fácil pensar naquele game cuja arte sobressaía de todo o resto e isso vale tanto para o visual do jogo quanto à trilha sonora diferenciada.

Outra característica de títulos que fizeram sucesso no passado que muito influenciam jogos minimalistas, é a capacidade de transmitir a narrativa através do gameplay e personagens, diferentemente de jogos onde a narrativa fica em segundo plano e a história é passada através de cutscenes entre os momentos de gameplay que nitidamente tiveram maior preocupação durante o desenvolvimento.

Indie? Nem sempre!


Apesar dos grandes exemplos que temos em mente ao pensar em jogos que apostam no "menos é mais" serem, de fato, indies, grandes desenvolvedoras percebem que aventuras de baixo orçamento foram subestimadas e que no decorrer dos últimos anos, várias delas conseguiram surpreender muito mais do que seus jogos de orçamento milionário com divulgação internacional, como é o caso da Ubisoft com "Child of Light", "Valliant Hearts" e "Grow Home" - títulos que acertaram muito e conquistaram legiões de fãs - diferente do que vem acontecendo com a franquia "Assassin's Creed", por exemplo.

Um exemplo mais recente que podemos citar, é "Unravel" da EA Games, que com seu protagonista mudo Yarn, que só precisa desenrolar seu corpo de lã e solucionar puzzles, surpreendeu ao entregar uma narrativa digna de jogos que marcam pra sempre a vida de qualquer jogador.

Influenciadores


Não vá pensando que ao apostar em conceitos antigos, títulos minimalistas não surpreendem e criam tendências, e sem dúvida, o gênero de terror foi o maior influenciado pelas produções independentes. Títulos como "Slender", "Amnesia", e principalmente "Outlast", criaram a tendência dos jogos de terror em primeira pessoa, trazendo a mente títulos promissores como "Silent Hills" que foi cancelado e o aguardado com apreensividade, "Resident Evil 7: biohazard". 

É engraçado pensar que enquanto grandes desenvolvedoras se preocupam em fazer de seus jogos "marcos" na história, algumas apenas fazem o seu trabalho com poucos recursos mas com foco na experiência e história - e por vezes não decepcionam.

O mercado brasileiro de videogames e o cenário indie


Com o sucesso de diversos jogos indie e o fácil acesso a plataformas de criação de games, é possível juntar diversos game designers na criação de algum título e no nosso país essa realidade é promissora.

O governo brasileiro tem dado apoio a pequenas desenvolvedoras que aos poucos mostram que o nosso país tem grande potencial para no futuro ser reconhecido por possuir boas desenvolvedoras, como a Swordtales e seu incrível "Toren", que já ganhou um review no nosso site.

Outro game que ganhou bastante visibilidade, mas acabou decepcionando, foi o título de plataforma com elementos musicais criado pelos Castro Brothers: "A Lenda do Herói" do Estúdio Dumativa.

No entanto, é válido ressaltar que o mercado de games brasileiro merece apoio total e felizmente vemos isso em eventos, como a Brasil Game Show que desde 2013 disponibiliza um espaço reservado para as pequenas produtoras nacionais.

A grandeza, afinal

O que faz um título com conceitos minimalistas e com produção de baixo orçamento ser grandioso? Você! Isso mesmo, você - jogador.

Você decide iniciar uma aventura por pura curiosidade zerado de expectativas, se aquele jogo te encantar, não tem erro: você vai se encantar, se surpreender e se satisfazer como jogador.

Outro ponto forte do cenário de games com baixo custo, é a liberdade criativa - muitos dos jogos não se amedrontam a colocar personagens LGBT como protagonistas ou abordar tabus dentro de suas narrativas.


Life is Strange ousou em abordar temas como sexualidade e identidade de gênero.

Jogos aclamados como "Journey", "Life is Strange", "Brothers: A Tale of Two Sons", "Guacamelee!" e "Gone Home", são apenas poucos exemplos de jogos que chegaram de mansinho e hoje são relembrados da mesma forma que blockbusters de altíssimo orçamento pelos jogadores.

Você tem alguma experiência incrível com algum título indie que você precisa indicar para os outros jogadores? Não esquece de deixar nos comentários!

Créditos

Texto: Juninho Lima

O artigo apresenta opiniões e ideias do autor do texto e não do site Co-op Geeks.

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