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» » » » 5 Filmes de Terror que QUASE chegaram lá


Marcelo Henrique 8.7.16



O que vem à sua cabeça quando você ouve ou lê a expressão “um bom filme de terror”? Se seu cérebro ficou dividido entre os memoráveis slasher dos anos 70 e 80 (“O Massacre da Serra Elétrica”, “Halloween”, “Sexta-feira 13”) ou entre as lendas do horror psicológico de décadas e décadas atrás (“Psicose”, “O Exorcista”, “O Iluminado”), saiba que é porque você já foi apresentado a algumas obras-primas que, felizmente, eternizaram-se no cenário do cinema internacional e foram condecoradas com muito prestígio ao decorrer dos últimos 50 anos.

Porém, vez ou outra nos deparamos com alguns títulos que, por mais que não tenham um grande reconhecimento de público ou de crítica, não fizeram tão feio e nos passaram aquela sensação de quase terem chegado lá. Seja por seus enredos instigantes, seja pela sua pesada ambientação, muitas dessas produções podem até deixar a desejar em algum requisito ou outro – o que, de qualquer maneira, não diminui o mérito por terem se tornado quase-clássicos de um gênero tão oscilante como o terror. Filmes que, por alguma razão, não receberam (mas mereciam) um pouquinho mais da nossa atenção.

Assim, fizemos algumas buscas pela internet e reunimos, a seguir, 5 longas-metragens injustiçados que você provavelmente não conhece (e pode até já ter ouvido falar), mas que, definitivamente, valem a pena ser conferidos um a um:

5 - As Criaturas Atrás das Paredes (1991)

Com todo respeito a Tobe Hooper, John Carpenter e Sam Raimi, mas, existe uma boa razão para Wes Craven (R.I.P.) ter conquistado uma legião inteira de fãs e ostentar o título de um dos maiores diretores de filmes de terror de sua geração. Mais conhecido por iniciar a franquia “A Hora do Pesadelo” e por dirigir a quadrilogia “Pânico”, Craven ganha destaque na publicação de hoje não por esta produção ou por aquela, mas por outra que, positivamente, merece ser lembrada e vinculada à nossa lista: “As Criaturas Atrás das Paredes” (ou, em sua versão original, “The People Under the Stairs”), longa-metragem que roteirizou, produziu e dirigiu.

Poindexter “Fool” (Brandon Adams) mal completou 13 anos e já precisa lidar com as consequências de uma vida adulta que lhe pega de supetão. Sem ter como evitar que seus familiares sejam despejados do apartamento onde vivem, o garoto acaba recorrendo à ajuda de dois assaltantes (Ving Rhames e Jeremy Roberts) para invadir a casa dos Robeson (Everett McGill e Wendy Robie): um casal nada convencional que leva a vida se aproveitando dos menos favorecidos. Movido pelo desespero de sua mãe, irmã e avô, Fool não demora para descobrir que dinheiro não é a única coisa guardada pelos poderosos e avarentos ricaços – e a aprender que, algumas famílias, escondem muito mais do que meros dramas cotidianos.

Nos introduzindo a uma espécie de realidade paralela onde religião, sadismo e violência se tornam um só, Wes Craven não hesita ao ultrapassar os limites do considerado bizarro e nos entrega, em “As Criaturas Atrás das Paredes”, um dos melhores trabalhos de seu extenso currículo. Destaque para o enredo brilhante e para os efeitos especiais de alta qualidade para a época (que apesar de não serem muito assustadores, funcionam bem por toda a exibição). 

4 - O Mistério de Candyman (1992)

E o segundo de nossa lista não poderia ser outro senão este visionário de 1992! Segundo relatos do filme – o qual foi inspirado no conto “O Proibido”, incluso nos “Livros de Sangue”, de Clive Barker (o mesmo criador de “Hellraiser”) –, uma curiosa lenda urbana defende a aparição de Candyman (Tony Todd) para todo aquele que se posicionar em frente a um espelho e chamar por seu nome cinco vezes. Retornando do mundo dos mortos em busca de vingança, a trajetória do “Homem do Gancho” desperta o interesse da estudante Helen Lyle (Virginia Madsen), uma cética no assunto que decide se aprofundar no conto popular e, a partir dele, tirar inspiração para um projeto acadêmico. O que Helen não sabe é que, conforme mais adentra nas entranhas do conjunto habitacional Cabrini Green, mais sua segurança e sanidade mental correm perigo. Participando de um jogo de gato e rato que faz da sua vida um verdadeiro inferno, a mocinha se vê envolvida em uma onda de crimes da qual não há como se esquivar – e muito certamente, sair ilesa.

No que se refere ao enredo, é verdade que “O Mistério de Candyman” não foge muito da história da Bloody Mary (ou Maria Sangrenta, para nós, brasileiros). Porém, dando enfoque a um cenário muito bem construído e a uma fotografia de primeira, a atração também nos conquista por seu elenco eficaz que traz as interessantes atuações de Virginia Madsen, no papel principal, e Tony Todd (também conhecido por suas participações especiais em “Premonição 1, 2, 3 e 5”), como o “Homem do Gancho”.

Gerando uma franquia composta de duas sequências bem menos interessantes que o original (“Candyman 2: A Vingança”, de 95; e “Candyman: Dia dos Mortos”, de 99), o primeiro longa-metragem foi dirigido por Bernard Rose (“Minha Amada Imortal”) e produzido pela dupla Clive Barker (o escritor do conto inicial) e Steve Golin (de “Spotlight: Segredos Revelados”, recente ganhador do Oscar de “Melhor Filme”).

3 - O Mestre dos Desejos (1997)

Você provavelmente já assistiu a filmes de terror com as mais diversas espécies de antagonista: de caras comuns que perseguem suas vítimas com armas brancas a seres sobrenaturais que se fortalecem na escuridão do “outro mundo”. Entretanto, antes de aparecer em séries de TV como “Sobrenatural”, a figura do djinn (jinn, ou simplesmente gênio) virou protagonista em “O Mestre dos Desejos” (“Wishmaster”), filme de 1997 coproduzido por Wes Craven e dirigido por Robert Kurtzman (um dos caras responsáveis pela maquiagem de “A Hora do Pesadelo 5”, “Louca Obsessão”, “Jason Vai Para o Inferno” entre tantos outros). Contudo, diferente de como vimos em “Aladdin” (a popular animação da Disney), aqui a presença do gênio na garrafa não é tão amistosa assim – e logo o telespectador perceberá que o propósito desta curiosa criatura não se resume em simplesmente satisfazer os desejos de seus “felizardos” amos.

Após passar séculos aprisionado em sua lâmpada mágica (que no longa é representada por uma pedra preciosa), o persistente Djinn (Andrew Divoff) é liberto de sua odiada moradia realizando os desejos de todos aqueles que entram em seu perigoso caminho. O que essas pobres almas sedentas por fama, vingança e dinheiro não sabem é que todo cuidado é pouco antes de se pedir algo para um djinn – e que, em 99,9% das vezes, teria sido melhor permanecer de bico calado. Com o intuito de dominar o planeta Terra em um império de caos e submissão, o vilão sai à procura da única pessoa capaz de tornar seus planos realidade: a avaliadora de joias Alex (Tammy Lauren) que o despertara de seu sono eterno após milênios de espera.

Mesmo contando com participações especiais de Robert Englund (Freddy Krueger), Tony Todd (Candyman) e Kane Hodder (Jason Voorhees), os efeitos especiais de “O Mestre dos Desejos” são bem precários – e, de longe, o seu forte se concentra no enredo envolvente (roteirizado por Peter Atkins – “Hellraiser II, III e IV”) e na caracterização do personagem principal (que é, realmente, muito bem-feita). Aos interessados, vale dizer que “Wishmaster” rendeu três (deploráveis) sequências: “O Mestre dos Desejos 2: O Mal Nunca Morre” (de 1999), “O Mestre dos Desejos 3: Além da Porta do Inferno” (de 2001) e “O Mestre dos Desejos 4: A Profecia Finalmente Se Cumpriu” (de 2002).

2 - O Dia do Terror (2001)

O que você faria se pertencesse a um dos grupos mais populares do colégio, tivesse cometido bullying com um garoto inocente e, anos mais tarde, passasse a ser perseguido por um serial killer mascarado e vingativo? Esta é a sina das cinco garotas que estrelam “O Dia do Terror” (“Valentine”), de 2001.

Apesar de deixarem seu passado para trás e tocarem suas vidas adiante, as melhores amigas Kate, Paige, Dorothy, Lily e Shelley permanecem tão unidas quanto antes – e, habitualmente, mantém contato próximo umas com as outras. É a véspera de “Dia dos Namorados” e, após receber mensagens misteriosas de um admirador secreto em comum, cada garota passa a desconfiar que sua péssima atitude do passado possa estar intimamente relacionada aos eventos do presente. Tentando desvendar o verdadeiro rosto que se esconde por trás da máscara do assassino, Kate (Marley Shelton) inicia uma investigação por conta própria que a levará até uma reviravolta inimaginável – isso se o curto espaço de tempo lhe permitir descobrir algo de importante.

Inspirado no livro homônimo de Tom Savage e exibindo um roteiro aceitavelmente bem adaptado, o longa-metragem foi dirigido por Jamie Blanks (o mesmo por trás do icônico “Lenda Urbana”) e conta com Denise Richards e Katherine Heigl em seu elenco. 

Duramente massacrado pela crítica, “O Dia do Terror” ganha destaque em nossa lista exatamente por seguir tão fielmente a linha de filmes de terror mais antigos que, majoritariamente, conquistaram o público de todas as gerações. Com uma vibe totalmente inspirada (para não dizer reaproveitada) em “Pânico” e “Eu Sei O Que Vocês Fizeram No Verão Passado”, a produção define bem os primeiros slasher setentistas que ganharam vida lá atrás e se arrastaram pelos anos seguintes aterrorizando os cinemas do mundo inteiro.

1 - Tamara (2005)

Por fim, “Tamara”, um dos maiores fiascos comerciais protagonizados por Hollywood ao longo dos últimos 11 anos – mas que, carinhosamente, merece um lugarzinho especial em nossa lista de quase-clássicos do horror. Liberado em 2005 com um orçamento pífio de 3 milhões e meio (e uma receita que não chegou a ultrapassar os 210 mil dólares), é surpreendente que, com uma verba tão baixa, o diretor Jeremy Haft (um dos roteiristas da série “Empire”) tenha conseguido tirar leite de pedra e nos entregado um trabalho criativamente surpreendente. 

Combinando bruxaria com vingança, perseguição e muito gore, logo de início somos apresentados à Tamara Riley, uma jovem estudante excluída socialmente por não se encaixar aos parâmetros impostos pelos demais alunos do colégio. Assumindo um singular gosto pela feitiçaria, a garota guarda consigo um segredo que não revela para ninguém: sua paixão não correspondida por Bill Natolly (Matthew Marsden), o professor de Inglês da escola onde estuda. Constantemente sendo assediada e ridicularizada por um grupo de colegas que não desiste de pegar em seu pé, Tamara se envolve em um acidente que não apenas muda sua vida para sempre, mas também acaba por selar o destino de todos aqueles que, um dia, ousaram atrapalhar os seus planos de dar a volta por cima.

Extremamente bizarro e caprichado em efeitos especiais (que apesar de não serem os melhores do mercado, cumprem o seu papel de dar um nó em nosso estômago), “Tamara” exala a ambientação perfeita para todos aqueles que não resistem a uma intensa produção que transborda carnificina. Estrelado por Jenna Dewan (“Ela Dança, Eu Danço”) e Matthew Marsden (“Anaconda 2”), o longa foi escrito por Jeffrey Reddick (mais conhecido por ter elaborado o roteiro da saudosa franquia “Premonição”).

Além dos 5 listados acima, quais outros filmes não entraram para esta publicação e, mesmo assim, mereciam algum destaque por aqui? Conte-nos no espaço para comentários mais abaixo.

Créditos

Texto: Marcelo Henrique

As opiniões e ideias apresentadas no texto são do autor, e não do site Co-op Geeks

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