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» » » » » Bruxa de Blair - A sequência que todos esperavam (SEM SPOILERS)


Vitor Oliveira 25.9.16



Em 1999, o filme A Bruxa de Blair tornou-se febre no mundo inteiro e revolucionou a indústria cinematográfica – mais especificamente o gênero do terror. Escrevemos, inclusive, um artigo "maneiraço" sobre o legado dessa obra.

Caso não lembre o enredo do filme, a gente refresca sua memória: um grupo de jovens resolve adentrar-se numa floresta para investigar a lenda da Bruxa de Blair e acabam desaparecendo. Um ano depois, todo o registro em vídeo é encontrado e nos dá uma ideia do destino do trio. É nessa tape que está presente o icônico monólogo de Heather se despedindo dos seus pais.

No ano seguinte, em 2000, foi lançada a primeira sequência de A Bruxa de Blair, subtitulada como “O Livro das Sombras”. A película retrata a cidade de Burkittsville após o sucesso das tapes encontradas na floresta. Com um turismo girando em torno da bruxa, é criada uma excursão na floresta e, quando os primeiros candidatos chegam à cidade, coisas estranhas começam a acontecer. Além de fugir do formato foundfootage que ocasionou o sucesso de A Bruxa de Blair, o filme ainda pode ser tratado como “esquecível” por não agregar nada à franquia.

Anos se passaram e vez ou outra surgia algum rumor em fóruns da internet: Extra! A Bruxa de Blair vai ganhar uma continuação em breve! Tudo boato... Até agora.

Em julho de 2016, a menos de dois meses do lançamento, é anunciado Bruxa de Blair, a terceira parte dessa franquia memorável. O marketing em torno do filme foi bem diferente: até então, o título utilizado era “The Woods” que, em tradução livre, ficaria algo como “A Floresta” ou “O Bosque” e ninguém jamais desconfiou de que se tratava, na verdade, de Bruxa de Blair. Logo, todas as páginas da internet que tratavam de The Woods mudaram o título, tornando público o que já havia sido confirmado na San Diego Comic Con 2016. Assista o trailer:


Nova história, mesma essência

Sequências costumam assustar justamente pelo fato de que na maioria das vezes se distanciam das suas histórias originais – como foi o caso de A Bruxa de Blair 2 – O Livro das Sombras. Essa terceira sequência, além de trazer de volta o estilo clássico e amador de câmeras, é uma continuação direta do primeiro filme e é protagonizado pelo irmão da Heather e alguns amigos.

O enredo é o seguinte: após supostas novas tapes do caso bruxa de Blair serem divulgadas na internet, James, irmão de Heather, reacende a esperança de que sua irmã ainda esteja viva – mesmo 15 anos depois do desaparecimento. Com alguns amigos, James decide partir em busca de mais informações a respeito do caso e se junta com mais um casal, o mesmo que publicou os vídeos na internet. Adivinha para onde vão? Acertou quem disse “floresta”.


Ao longo do filme é impossível não sentir nostalgia. Os personagens cruzam os mesmos lugares mostrados no filme original e contam histórias relacionadas à bruxa que já foram contadas nos filmes anteriores, passando a ideia de um rápido déjà vu.

Usando a modernidade em prol do terror

Se no final dos anos 90 a tecnologia era pouco desenvolvida, hoje podemos dizer que esse quadro evoluiu de maneira surreal. Enquanto em A Bruxa de Blair de 1999 a produção era resumida a uma filmadora com fitas e umas lanternas, em Bruxa de Blair de 2016 o bicho pega: são câmeras profissionais, microcâmeras, comunicadores, GPS e até um fucking drone! Essa evolução, é claro, contribui positivamente para a dinâmica do filme.

Medo do subjetivo

O grande diferencial de A Bruxa de Blair original – além do estilo de câmera – é que o medo é provocado no espectador a partir de elementos invisíveis. Não é surpresa para ninguém: a bruxa em si nunca foi vista em nenhum filme. O que sabemos é que ela provoca ruídos e reações nada naturais, causando enorme aflição nos personagens e, consequentemente, em quem está assistindo.

Em Bruxa de Blair esse recurso é utilizado de maneira mais intensa, com muitos efeitos sonoros e de iluminação, além da tensão causada pela ação frenética. Há, contudo, um diferencial: a personificação da bruxa pode ser vista em alguns momentos – entenda-se por “personificação” não a bruxa em si, mas um ser representativo que pode ser visto rapidamente.

Muitos jumpscares

Denomina-se de jumpscares aqueles momentos surpreendentes que assustam o espectador, mas não levam o medo adiante. Este é um ponto fraco da tão aguardada sequência de A Bruxa de Blair. O recurso, quando usado de maneira equilibrada, contribui bastante para a experiência e imersão do filme, mas em Bruxa de Blair nota-se certo exagero, a ponto de os sustos tornarem-se previsíveis em determinadas cenas.

Cenas perturbadoras


Se tem uma coisa que o novo Bruxa de Blair faz melhor que o original é colocar uma ótima sequência de cenas perturbadoras ao extremo. Apelando para um sentimento claustrofóbico, algumas cenas se passam num túnel subterrâneo; outras mostram uma série de perseguições na floresta escura e durante a chuva; a mais surpreendente, porém, acontece quando uma das personagens acha uma mecha do seu cabelo presa a um totem da bruxa e... Bem, só assistindo para ver!

Impacto do original

Este tópico, na verdade, tenta justificar o argumento de que o filme não causa o mesmo impacto que o original – argumento esse utilizado em várias críticas. 

Primeiramente: é falácia! É lógico que o filme não causa o mesmo impacto que o original – e os próprios produtores sabem disso, uma vez que o marketing da sequência não girou em torno de vídeos virais ou falsos relatos.

A realidade na qual vivemos é bem diferente daquela de quase 20 anos atrás. Em 1999 a internet era pouco difundida e os meios de comunicação não eram tão rápidos, o que proporcionou um cenário perfeito para a "viralização" do projeto A Bruxa de Blair. Seria muito legal se, nos dias de hoje, algum filme caísse no gosto do público tão espontaneamente, mas a realidade é que o feito de A Bruxa de Blair provavelmente jamais se repita.

Parecer final


Bruxa de Blair, ao mesmo tempo em que se diferencia dos demais filmes de terror lançados em 2016, não perde a essência do filme original, mostrando que a lenda da velha bruxa continua viva e mais assustadora do que nunca.

Mesmo utilizando uma série de recursos modernos, Bruxa de Blair consegue remeter tanto ao clássico de 1999 quanto, em alguns momentos, ao Livro das Sombras, de 2000, trazendo, principalmente no início do filme, um ar nostálgico com uma sensação de “eu já vi isso em algum lugar”.

Como quase todo filme, este também possui seus pontos fracos, tal como citado na crítica acima, e a realidade é que esses pontos fracos não são o suficiente para tornar o filme “ruim” ou “fraco”, como boa parte dos críticos o estão classificando. O estilo found-footage é para poucos: não são todos que entendem que filmes assim possuem uma premissa diferente de blockbustters de terror, como Invocação do Mal e afins.

Ficha Técnica

Título Original: Blair Witch
Lançamento: 15 de Setembro de 2016
Elenco: Callie Hernandez, James Allen McCune, Corbin Reid, Wes Robinson, Valorie Curry, Brandon Scott

Créditos

Texto: Vitor Oliveira

A análise apresenta argumentos, ideias e opiniões do autor do texto, não do site Co-op Geeks.

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