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Weslley Nogueira 21.10.16


Só é preciso apenas um dia ruim…


E é com essa frase simples mas que abre portas para uma infinidade de possibilidades que fomos apresentados a uma das cenas mais fenomenais e também a uma história de quadrinhos que ficaria marcada na história do entretenimento do leitor de super-heróis, principalmente do universo do Morcego. Um quadrinho único, sem se prender a cronologia e que marcou no coração de muitas pessoas vários dos momentos mais icônicos dos quadrinhos, assim como também foi utilizado como referência para histórias, filmes e até mesmo séries nos dias de hoje.


ATENÇÃO: Esse texto contém spoilers sobre a história e desenvolvimento de Batman: A Piada Mortal. Prossiga por sua conta e risco.



Batman: A Piada Mortal

Como todos nós sabemos, Batman: A Piada Mortal foi lançado não faz muito tempo para os cinemas e também terá seu lançamento para os DVDs e Blu-rays, assim como já está disponível para ser baixado pela PS Store. A história é baseada no quadrinho de Alan Moore, que conta uma história nova do maior vilão e também o mais polêmico personagem já criado na DC Comics, Coringa, que tem sua origem recontada pelo escritor que trabalhou ao lado de Brian Bolland. Lançado pela primeira vez nos Estados Unidos pela DC Comics em 1988 e desde então tem se tornado um marco da empresa e também uma das histórias mais polêmicas da editora, já que de uma história simples e descompromissada, passou a ser um canon na indústria dos quadrinhos da DC cujo alterou muitos personagens e se tornou um marco na história dos quadrinhos.

Muitos consideram que a história escrita por Alan Moore e desenhada por Brian Bolland é a verdadeira Origem do nosso vilão palhaço e também uma das melhores histórias do Batman, ganhando prêmios de Melhor álbum gráfico e aparecendo na lista dos quadrinhos mais vendidos do New York Times, uma história que se tornou influenciável em outras mídias não só nos quadrinhos, como também séries de televisão, filmes e videojogos. Confira o trailer do longa:


Uma grande referência a se seguir

A história de Batman: A Piada Mortal começa com o nosso herói morcego decidindo que estava na hora dele colocar um fim na sua história de gato e rato com o Coringa, trazendo questionamentos bem profundos de como duas pessoas que não sabem absolutamente nada um do outro, conseguem se odiar mortalmente. Indo de encontro ao palhaço na prisão, descobre que na verdade quem esteve lá em seu lugar era um homem de mesma aparência, mostrando que novamente Coringa havia escapado. Enquanto isso, o próprio planeja fazer o plano mais mirabolante contra o morcego até então: Provar um ponto. Que ponto? De que qualquer um pode se tornar louco como ele, pois tudo que precisamos é de um dia muito ruim.

Entre essa história que se passa nos dias atuais do quadrinho, temos flashbacks mostrando o que aconteceu com o Coringa para ele se tornar uma pessoa tão ruim e tão psicopata que ele é nos dias atuais, qual a história dele. E assim, aprendemos que o seu passado e passamos a compreender tudo de intolerável e louco que aconteceu em sua vida depressiva, onde quando ela chega em seu ponto limite, o personagem que antes era são acaba cedendo a loucura em meio a uma narrativa profunda e uma história sombria que nunca antes havia sido escrita no universo do morcego e o palhaço. Tal história que ficou grudada e se tornou um ícone de referência, acabou chamando a atenção da DC Comics para que ela pudesse realizar uma animação baseada nesse quadrinho.

E como todos sabemos, no quesito de animação a DC Comics sabe nos presentar com histórias marcantes e colocando nossos heróis em narrativas envolventes e muito empolgantes, principalmente as que se referem ao universo do Batman.

O Fim da Carreira de Barbara Gordon como Batgirl


Apesar de termos uma história icônica do universo do morcego, não tínhamos o suficiente para preencher uma hora e meia de filme, eis que a DC resolveu esse problema e conseguiu preencher os primeiros trinta minutos de filme nos mostrando o fim de carreira da Barbara Gordon, filha do Comissário Gordon, como Batgirl e só depois dessa história ser contada que somos apresentados fielmente a história do quadrinho Piada Mortal. No quadrinho, essa história não existe e sequer é citada ou subtendida, porém é utilizada como uma grande ponte para o desenvolvimento do morcego e a ruiva que possuíam um relacionamento similar ao de Jason Todd na época em que o jovem garoto assumia o manto de segundo Robin. Vemos uma Batgirl trabalhar ao lado de Batman para solucionar um caos de um maníaco que está obcecado por ela – remetendo bastante a obsessão que Batman e Coringa possuem um pelo outro.

A História é nova, de certa forma, além de ajudarmos a entender quem era Barbará Gordon antes do incidente que a deixou paraplégica e futuramente a tornou Oráculo, uma ajudante do Batman cadeirante que o auxilia a monitorar Gotham City através de seu incrível conhecimento em computadores. A narrativa é relativamente corrida, não temos muito desenvolvimento em volta da Batgirl e o novo vilão que é descartado e nunca mais citado depois disso, porém percebemos que o grande foco é Batman e Batgirl – a ponto de termos a cena polêmica de sexo entre a ruiva e Bruce Wayne em cima de um prédio onde muitas pessoas se questionavam se realmente era necessário que Batgirl e seu relacionamento com Batman fosse resumido a marido e mulher, já que muitos sabem que Batman trata seus discípulos e ajudantes como filhos distantes.

Uma fidelidade tão alta que incomoda

Apesar dos primeiros trinta minutos serem para desenvolver a Batgirl e sua retirada do manto, logo retornamos para a história principal onde nós temos com 100% de fidelidade toda a história da Piada Mortal sendo recontada na mídia da animação. Não temos como negar que o que vemos por completo no quadrinho, é animado e colocado na tela do cinema… mas é exatamente isso que incomoda alguns. Não temos o elemento surpresa e as grandes jogadas de cenas interpretativas e questionamentos que eram deixados em aberto pelo Alan Moore em sua obra fechada, são muito solucionadas e ficam muito mais com uma pinta de resposta do que uma cena subjetiva – como a famosa cena onde Coringa está a tirar fotos de Barbará Gordon após paralisá-la. Na época tivemos o questionamento se um estupro havia acontecido, acaba que fica um pouco mais claro que: “É, isso aconteceu de fato”. Não temos a cena acontecendo onde Coringa está a estuprar ela explicitamente, porém, essa animação da Piada Mortal não só retrata todos os eventos do quadrinho com fidelidade como também adiciona cenas novas – até mesmo para poder durar mais alguns minutos em tela, em uma delas percebemos como Coringa está atraído pelo corpo da jovem.

A Animação ela acaba decepcionando um pouco. Não temos um trabalho de animação tão bem transposto para a tela dos cinemas como vemos em filmes já animados pela DC anteriormente como Batman: Under Red Hood que também se baseia em uma história dos quadrinhos que, assim como Piada Mortal, é uma história icônica. Vemos traços mal alinhados e, apesar de uma animação pouco poluída, temos uma queda de qualidade em comparação aos trabalhos anteriores realizados pela empresa. Tal queda, acaba diminuindo a importância que a animação carrega já que, tendo em soma que temos completamente tudo que vemos no quadrinho bem transposto – não temos nada de novo, além do grande chamativo que são os elementos subjetivos de história serem mal transportados, eu não vejo um motivo para uma pessoa escolher ver a animação em vez de optar pela leitura do quadrinho, a não ser que ela esteja passando na frente de um cinema e queira passar um tempo com sua família ou amigos maiores de idade – já que Piada Mortal possui classificação indicativa para maiores de 18 anos.

Quase não é lá!


É um filme onde a animação não está muito bem desenvolvida, talvez o problema seja resolvido nas edições caseiras com o DVD e Blu-Ray, mas tirando esse pequeno fato: Eu recomendo para todos que ainda não conhecem a obra que SIM, vá assistir – mas antes, leia o quadrinho pois é uma obra obrigatória para todo fã que se preze da DC COMICS e também do Batman.

Ficha Técnica

Título original: Batman - The Killing Joke
Lançamento: Agosto de 2016

Créditos

Texto: Weslley Nogueira

A análise apresenta as opiniões e ideias do autor e não do site Co-op Geeks.

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