Menu
» » » » » » Tirando da Estante: F.R.I.E.N.D.S.


Marcelo Henrique 13.10.16


Muita coisa mudou imensamente desde que Friends foi ao ar, pela primeira vez, em um longínquo setembro de 1994: uma época em que muitos de nós ainda mal sabíamos andar ou falar. Tornando-se uma referência mundial para outros programas televisivos que o sucederam, o aclamado sitcom perdurou por uma década levando até o público um material inovador que, diga-se de passagem, foi certeiro ao conquistar gerações e gerações de apaixonados telespectadores.

Relembrando diversos pontos imperdíveis, no Tirando da Estante de hoje selecionamos um compilado de informações que não poderia passar despercebido em uma publicação tão nostálgica como esta. Tentando agradar tanto aos ressentidos órfãos de David Crane e Marta Kauffman quanto aos novatos que jamais viram um episódio sequer, vocês encontram, a seguir, um pouquinho mais sobre um dos melhores espetáculos já produzidos na história da televisão norte-americana. Estão prontos?

Fique tranquilo: este texto é livre de spoilers. Boa leitura!

Um elenco de ouro



Estrelado por Jennifer Aniston, David Schwimmer, Courteney Cox, Matthew Perry, Lisa Kudrow e Matt LeBlanc, é inacreditável que outros nomes bem menos populares (como Elizabeth Berkley e Leah Remini) tenham chegado a fazer o teste para os papeis do elenco principal de “Friends” (a própria Courteney Cox quase interpretou a Rachel Green no lugar de Jennifer Aniston!). Isso porque, desde o episódio piloto, é notável uma química sem tamanhos pairando sob o set de filmagens – algo que, felizmente, se prolongou pelo restante do programa até seu derradeiro fim, em maio de 2004.

De alguma maneira assustadoramente misteriosa, os atores parecem completar-se quando entram em cena (seja quando formam duplas, trios ou se apresentam com o grupo completo). Ah, e isso porque nem mencionamos o elenco de apoio, o qual é, hilariamente, composto pelos recorrentes Maggie Wheeler (Janice), James Michael Tyler (Gunther), Paul Rudd (Mike) entre tantos outros – destaque, ainda, para as participações especiais de ninguém menos que Bruce Willis, Brad Pitt, Christina Applegate, Reese Witherspoon, Winona Ryder, Alec Baldwin, Sean Penn, Freddie Prinze, Jr., Anna Faris e Jean-Claude Van Damme. Haja fôlego!

Às vezes, menos é mais

Diferente de tudo que podemos encontrar por aí sendo transmitido pelos canais de TV aberta e fechada, “Friends” possui o inestimável privilégio de ter conseguido manter um ótimo ritmo ao longo de seus duradouros 10 anos de existência – e isso com cenários bem simplórios e um enredo pouco extravagante (mas, sem sombra de dúvidas, muito bem escrito). Sem cair na mesmice e nos redirecionando para temporadas crescentemente admiráveis, todos os acontecimentos que rodeiam o sexteto de protagonistas desencadeiam uma série de novidades que se interligam de maneira formidável ao final de cada arco.


"Olha, o cara pelado tá acessando o Co-op Geeks" (nos perdoem a piada infame).
É tudo tão natural e gostoso de se assistir que, dificilmente, você olhará para determinada situação e pensará “por que isso está acontecendo?”, pois, mesmo que soe o mais louco ou estranho possível, cada diálogo conduzido pelos personagens principais (e secundários) se encaixa brilhantemente às consequências por eles confrontadas. E isso tudo sem recorrer a piadinhas de mau gosto ou ao excesso de propagandas e/ou patrocinadores – é impossível olhar para Rachel, Ross, Monica, Chandler, Phoebe e Joey e não se familiarizar com os momentos inusitados por eles vividos em um loop eterno de risadas, lágrimas e muitas surpresas.

Personagens marcantes em situações de tirar o chapéu

Como mencionado anteriormente, o enredo de “Friends” gira em torno de um sexteto de amigos que vem, temporada após temporada, se metendo em uma enxurrada de confusões que testará muito a força de sua amizade. Seja pela excentricidade de Phoebe Buffay ou pelo sarcasmo mórbido de Chandler Bing, todo o sitcom desenvolve o melhor de cada personagem em momentos bem oportunos, os amadurecendo e os fazendo enfrentar os desafios comuns do cotidiano de qualquer pessoa (desde a falta de dinheiro a rompimentos em relacionamentos amorosos).

É claro que, por focar majoritariamente na comédia típica das séries de TV norte-americanas, muitos dos episódios soam bem incoerentes ou absurdos – mas nada que comprometa a fluidez que é própria da atração aqui em destaque. Um exemplo disso são as incontáveis vezes em que a inocência extrema de Joey Tribbiani o colocou em maus lençóis ou o “deboísmo” de Rachel Green a fez enfrentar situações bem engraçadas, mas completamente irreais (em sentido oposto, por sua vez, à prudência extrema de Ross Geller ou ao perfeccionismo de sua irmã mais nova, Monica).

Mesmo apresentando personalidades bem diferentes e histórias de vida que se mostram, por vezes, antagônicas, a honestidade que os une é aplaudível e digna de muita, mas muita inveja por parte do telespectador que sempre quis ter uma amizade como a que é retratada do começo ao fim pelo programa.


Se você já assistiu Friends, provavelmente você consegue ouvir esse GIF.
Um pouquinho de café


Passando-se, predominantemente, no apartamento de Monica (o qual já serviu de residência para todos os demais membros do grupo e é localizado, originalmente, no Greenwich Village, em Nova Iorque), o carismático edifício da 90 Bedford Street abriga ainda o bagunçado lar dos colegas de quarto Joey e Chandler. Entretanto, quando não estão em suas casas ou em qualquer outro lugar que sirva de cenário para a série (como os seus locais de trabalho ou as ruas de Londres, por exemplo), os melhores amigos podem ser vistos frequentemente no acolhedor Central Perk: o popular café que se tornou uma marca registrada e é gerenciado pelo divertido Gunther.

Muito além da comédia



Seguindo os passos inicialmente dados por “Seinfeld” (1989-1998), “Friends” fez sua estreia almejando a comédia como tema principal (uma trajetória que percorreu até o final da primeira temporada, quando começou a investir mais no romance e no drama). Expandindo seus caminhos e incorporando, sorrateiramente, elementos inéditos, aos poucos as novas temporadas foram ganhando maior seriedade enquanto Marta Kauffman e David Crane tentaram humanizar o máximo possível da busca por independência e autoafirmação de cada protagonista.

Priorizando trazer ao telespectador valores importantes como a amizade e a confiança, até mesmo uma pincelada de orientação sexual, divórcio e adoção pode ser encontrada ao longo de todo o espetáculo – que tenta, rotineiramente, passar uma imagem positiva (e simplista) a quem o assiste. Transmitindo uma sensação de aconchego e proximidade ao seu receptor que é capaz de encantar até mesmo a mais amargurada das pessoas, “Friends” faz uso de uma linguagem fácil e saudável sem apelar para a banalização do bom humor ou a recursos desesperados para capturar a audiência (como nudez em excesso, linguagem depreciativa ou comparações ofensivas a outras celebridades e/ou pessoas).

Aquele com o título dos episódios



Quem já conhece “Friends” ou tenha, ao menos, dado uma checada à lista de episódios de qualquer temporada, já deve ter percebido que todo capítulo ali presente se inicia com “Aquele com o(a)”, “Aquele em que…”, “Aquele do(a)…” (“The one with…” ou “The one where”, na versão original). O que muitos não sabem é que esta estranha coincidência nem chega a ser obra do destino ou falta de criatividade da equipe por trás do espetáculo, uma vez que todos os títulos dos episódios foram propositalmente nomeados assim à escolha de David Crane e Marta Kauffman, os criadores do programa (à exceção do primeiro: “Episódio Piloto”; e dos dois finais: “O Último”).

Essa decisão nada comum se dá ao fato de que David e Marta descobriram que os nomes dos episódios não seriam anunciados durante a exibição dos créditos de abertura – e assim, acabariam por se tornar desconhecidos pela maior parte do público que acompanhava as transmissões naquela época, em tempo real. Para facilitar a nomeação de cada gravação (e o desperdício de tempo que sequer seria reconhecido), esta tática foi adotada desde o princípio da série e revelou-se, consequentemente, uma das ideias mais geniais de todo o sitcom.

Um legado para todos

Ao som de “I’ll Be There for You”, do duo norte-americano The Rembrandts, “Friends” teve suas 10 temporadas introduzidas pela mesma canção de abertura que não demorou muito para se tornar um clássico não apenas da TV estadunidense, mas também dos próprios charts musicais (o single atingiu o #17 da “Billboard Hot 100”, a parada de sucessos que contabiliza as 100 músicas mais populares da semana nos EUA). Com um videoclipe protagonizado pela dupla e pelos próprios integrantes do elenco principal (o qual pode ser assistido por este link), o que podemos ver na gravação é apenas um pouco do entrosamento fenomenal dividido ao longo de maravilhosos 236 episódios. Confira a introdução de todas as temporadas:


Ainda bastante atual (mesmo que tenha sido encerrado há mais de 12 anos), “Friends” não apenas alavancou a carreira artística de ídolos como Jennifer Aniston e Courteney Cox como também abocanhou uma infinidade de prêmios como o “Emmy”, o “Globo de Ouro” e o “Satellite Awards”.

Inspirando um spin-off bem menos conhecido (“Joey”, de 2004–2006), a atração foi produzida (e distribuída) pela “Warner Bros. Television” em parceria com a “Bright/Kauffman/Crane Productions”, empresa de propriedade dos dois criadores ao lado de Kevin S. Bright (um dos produtores executivos originais).

Um marco irremovível na história da cultura popular, a atração permanece agradando ao público em geral e é a dica do Co-op Geeks para todos aqueles que adoram uma boa série de televisão que transborda originalidade e muito bom humor - se você é um assinante da Netflix, já marque uma maratona no seu calendário - todas as 10 temporadas estão no catálogo do serviço!



Créditos

Texto: Marcelo Henrique

O artigo apresenta as opiniões e ideias do autor do texto, e não do site Co-op Geeks.

«
Próximo
Postagem mais recente
»
Anterior
Postagem mais antiga