Menu
» » » » 5 motivos para assistir Fullmetal Alchemist


Marcelo Henrique 7.1.17


Sucesso internacional em todas as mídias em que foi lançado, Fullmetal Alchemist, anime inspirado no mangá de mesmo nome escrito e ilustrado por Hiromu Arakawa (o qual circulou originalmente pelo Japão durante os anos de 2001 a 2010, em 27 volumes), é o grande destaque do nosso TOP 5 de hoje.

Produzido pelo estúdio Bones e desenvolvido ao longo de 51 episódios dirigidos por Seiji Mizushima e roteirizados por Shō Aikawa – e que foram ao ar pela primeira vez entre outubro de 2003 a outubro de 2004, pela MBS –, não demorou muito para sair da “Terra do Sol Nascente” e transformar-se em uma franquia gigantesca que alcançou o universo dos videogames, dos cinemas e até mesmo dos álbuns de figurinhas.

Assim, decidimos trazer para vocês, queridos partners, 5 motivos inquestionáveis para todos aqueles que já pensaram em conferir esta obra, mas que, por alguma razão, não levaram seus planos adiante (e precisam, de uma vez por todas, conhecer um dos melhores animes da década passada).

Fiquem tranquilos: este texto é livre de spoilers. Boa leitura!


1. Enredo objetivo, sagaz e digno da sua atenção:

Circulo de transmutação: requisito básico para todo aprendiz em Alquimia
Desde seu episódio-piloto Fullmetal Alchemist (“Alquimista de Aço”, em tradução livre) não dorme no ponto e nos apresenta à incrível saga dos irmãos Elric: uma dupla de jovens irmãos alquimistas que reside na cidade interiorana de Resembool, no ano de 1910. Após superarem o sumiço inexplicável de seu pai (Hohenheim) e a morte prematura de sua mãe (Trisha), Alphonse (10 anos) e Edward (11 anos) decidem quebrar o maior tabu da Alquimia em uma transmutação proibida que leva seus corpos embora. Destinados a viver sem um braço e uma perna (Edward) e com a alma fixada em uma armadura de metal (Alphonse), os protagonistas tentam reverter os erros de outrora e partem numa arriscada jornada em busca da tão desejada e lendária Pedra Filosofal.

Alistando-se ao exército e tornando-se populares por causarem problemas por onde quer que passam, Ed e Al não pensam duas vezes antes de fazer as malas e partir de cidade em cidade aprimorando os seus estudos enquanto auxiliam os mais necessitados. É durante sua perigosa aventura que a dupla se depara com um imbatível serial killer de alquimistas e um curioso grupo de indivíduos que se autodenomina homúnculos: seres dotados de habilidades especiais que não tardam a criar maiores problemas para a sociedade. Determinados a cumprirem o propósito de restaurar seus corpos originais, os irmãos Elric se veem cada vez mais desprotegidos num mundo de gente grande que lhes exigirá muita coragem e força de vontade para enfrentar diversos fantasmas do passado.

2. Temática multidisciplinar que funciona de maneira inteligente:

"Tudo é um e um é tudo": episódio 28
Se você está acostumado a acompanhar animes brutais como “Cavaleiros do Zodíaco” e “Dragon Ball” então definitivamente se familiarizará com as cenas épicas de batalha que carregam Fullmetal Alchemist do seu começo ao fim. Todavia, por mais que toda a animação seja regada por um nível moderado de violência gratuita e carnificina esporádica, não há como negar que estes estão longe de ser os únicos propósitos intentados pela obra genial de Hiromu Arakawa. Combinando muito drama a porções equivalentes de comédia, aventura e ficção, a produção ultrapassa os limites de qualquer trabalho conterrâneo e acerta em cheio a trazer-nos pitadas generosas de Química, Biologia, História, Sociologia e Religião.

Este é o caso, por exemplo, de Fullmetal Alchemist the Movie: Conqueror of Shamballa (2005), o primeiro longa-metragem inspirado no anime de 2003 e que se passa no clímax da Segunda Guerra Mundial – tem até uma participação especial de Adolf Hitler. Durante o anime, inúmeras são as referências e indagações acerca da existência de Deus e suas diversas religiões, e isso porque não mencionamos os importantes estudos químicos e biológicos inerentes ao ciclo da vida. Críticas sociais despencam aos montes e, se você não está acostumado a ser confrontado com as inimagináveis tentativas do governo de acobertar os próprios erros, talvez seja melhor preparar-se com antecedência à chuva de verdades e mentiras que fazem da realidade dos irmãos Elric um poço de instabilidades.

3. Simbologia cheia de segredos que valem a pena ser desvendados:

O selo de sangue na armadura de Alphonse Elric: a maior prova de amor entre irmãos que você verá no mundo dos animes
Questionando o telespectador com assuntos bastante pertinentes como racismo, xenofobia, depressão e deficiência física, Fullmetal Alchemist está constantemente tentando nos fazer refletir com a brilhante narrativa que nos é contada por Shō Aikawa. Ao longo de 51 episódios que não ultrapassam 22 minutos, Seiji Mizushima nos guia por caminhos tortuosamente obscuros que falam muito sobre esperança, arrependimento e egoísmo. Dessa forma, por diversos momentos é impossível não se entregar à profundidade do enredo e deixar o coração falar mais alto, vez que muito sangue inocente acaba sendo derramado para escancarar a podridão que se esconde por aí – quer seja no triste universo da animação, que seja no nosso.

Sob o plano de fundo da Alquimia, somos desafiados a ponderar o verdadeiro valor das pequenas coisas e a compreender ensinamentos simples como o significado da “Lei da Troca Equivalente”; o princípio supremo do anime que a cada abertura nos é explicado pela voz de Alphonse Elric: “nada pode ser obtido sem uma espécie de sacrifício. É preciso oferecer em troca alguma coisa de valor equivalente” – um doce lembrete aos nossos velhos tempos de criança de quando aprendemos que precisamos nos esforçar para conseguir o que realmente queremos. Se você, meu caro, não conseguiu tirar ou reforçar ao menos uma lição diferente ao fim de cada novo episódio, então talvez seja hora de reassisti-lo com um olhar diferente!

4. Personagens tão humanos quanto você e eu:

Winry Rockbell, amiga de infância dos irmãos Elric, é quem vive salvando a pele de Edward e trocando as suas próteses de metal
Delimitadas milimetricamente com uma perfeição invejável que não encontramos dando sopa em qualquer anime, cada persona de Fullmetal Alchemist é agraciada por uma identidade singular que não apenas humaniza como cria uma frágil linha divisória entre mocinhos e bandidos. A caracterização é feita com tanta maestria que até mesmo personagens secundários ou que tiveram destaque em poucos episódios, como Nina Tucker e seu cachorro Alexander, marcam bastante toda a trama desde o seu início e se apegam rapidamente aos telespectadores mais sensíveis.

Por isso, não tenha tanta certeza ao julgar determinado indivíduo com relação aos traços de sua personalidade, pois, conforme a história mais se desenrola e mais conhecemos os peões que são postos em jogo, maiores são as reviravoltas que nos surpreendem em frações de segundos. Um dos exemplos mais claros é a vilã Luxúria, que assim como os demais membros de seu grupo não demora muito para revelar razões bastante peculiares que justificam a sua escolha pelo “caminho do mal”. Entre aliados dignos de pouca confiança e inimigos que demonstram uma compatibilidade improvável, Ed e Al tentam encontrar a verdade por trás da verdade e se posicionar do lado que, pelo menos moralmente, lhes parece mais justo.

5. A história não para por aí:

Edward Elric, o "Alquimista de Aço", e Roy Mustang, o "Alquimista das Chamas"
Tornando-se um clássico instantâneo ainda nos anos 2000, muitas foram as sequências, reboots, spin-offs e lançamentos em outras mídias recebidos por esta franquia incomparável que rapidamente conquistou o coração dos adoradores das culturas oriental e europeia. Seguindo, na sua primeira metade, os primeiros 7 volumes do mangá de Hiromu Arakawa, o anime de 2003 diverge da história original a partir do episódio 25, vez que os quadrinhos foram publicados até o ano de 2010 e a animação precisava de um fim até 2004 (quando foi encerrada). Sem um “fim” propriamente dito, a aventura dos irmãos Elric é oficialmente finalizada em “Conqueror of Shamballa”, filme de 2005 também dirigido por Seiji Mizushima que serviu de sequência para a superprodução do estúdio Bones. Recebeu, por fim, outros 5 lançamentos em OVA, no ano de 2006. No Brasil foi exibido pelos canais RedeTV e Animax.

Sucedido por Fullmetal Alchemist: Brotherhood (2009-2010), o reboot também produzido pelo pessoal da Bones foi dirigido por Yasuhiro Irie e roteirizado por Hiroshi Ōnogi em 64 novos episódios. Trazendo a história originalmente contada pelo mangá de Arakawa, foi considerado por muitos críticos “superior ao primeiro anime” por conta da “expressão facial e corporal de seus personagens” e pela “execução das cenas de luta”. Ganhou, ainda, outros 4 lançamentos em OVA e um segundo longa-metragem: “Fullmetal Alchemist: The Sacred Star of Milos” (2011), filme que trouxe novos eventos que ocorreram durante os acontecimentos de Brotherhood.

Simplicidade é tudo
Entre inúmeras versões que ganharam a famigerada indústria dos videogames, destacam-se: “Fullmetal Alchemist and the Broken Angel” (2003), “Fullmetal Alchemist 2: Curse of the Crimson Elixir” (2004), “Fullmetal Alchemist 3: Kami o Tsugu Shōjo” (2005), “Fullmetal Alchemist: Dream Carnival” (2004), todos para PlayStation 2; “Fullmetal Alchemist: Dual Sympathy” (2005), para Nintendo DS; e “Fullmetal Alchemist: Prince of the Dawn” (2009), para Wii.

Um filme live action a ser distribuído pela Warner Bros. Pictures tem sido filmado desde agosto do ano passado com direção de Fumihiko Sori. Trazendo em seu elenco Ryosuke Yamada como Edward Elric, Tsubasa Honda como Winry Rockbell e Dean Fujioka como Roy Mustang, a previsão de lançamento é para dezembro de 2017. Confira a primeira prévia neste link e conte-nos a seguir, no espaço para comentários, quais as suas expectativas para ele!


Créditos

Texto: Marcelo Henrique

O artigo apresenta as opiniões e ideias do autor do texto, e não do site Co-op Geeks.




«
Próximo
Postagem mais recente
»
Anterior
Postagem mais antiga