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Vitor Oliveira 26.1.17


Resident Evil e cinema. Assunto polêmico, hein? Ame ou odeie, a saga de filmes protagonizada pela belíssima Milla Jovovich e dirigida por seu marido, Paul W. S. Anderson, vem conseguindo deixar seu legado ao longo dos anos, mesmo que isso passe despercebido por alguns. Hoje é o lançamento do último filme da franquia e preparamos esse artigo resumindo um pouco do histórico da saga, sua fórmula de sucesso e seu legado para o cinema. Se liga!

Mais um filme de zumbis? O histórico até então





Lá entre o final da década de 60 e o início da década de 70, George Romero e seus zumbis “explodiram” nos cinemas do mundo inteiro. A famosa “trilogia dos mortos”, composta por Noite dos Mortos, Despertar dos Mortos (originalmente Madrugada dos Mortos) e Dia dos Mortos, caiu no gosto do público e abriu caminho para inúmeros filmes de terror do gênero.

Nos anos 80, porém, quem brilhou foi A Volta dos Mortos Vivos, trash que misturava elementos clássicos de Romero e um pouco mais de humor. O filme rendeu algumas sequências, mas nada grandioso: os filmes de zumbis, neste ponto, já vinham mostrando sinais de cansaço, o público já não se assustava e ansiava por algo novo. Algo que ninguém, até então, se comprometia em produzir.

Mais um filme de jogos?


Há certo preconceito por parte do público com filmes baseados em jogos – e com razão, afinal, eles nunca fazem jus às obras originais. Mas a pergunta é: até que ponto isso é necessário?

Lá entre o fim dos anos 90 e o comecinho dos anos 2000, poucos diretores haviam se arriscado em produzir adaptações de videogames para o cinema. A verdade e que esse tipo de material sempre acabava se tornando fracasso de críticas e bilheterias e, consequentemente, piada, o que não seria nada interessante para as marcas utilizadas. Belo exemplo disso são as adaptações de Super Mario Bros e Street Fighter, consideradas amplamente descartáveis.

Uma adaptação, porém, que teve enorme repercussão, foi a de Mortal Kombat, que cativou o público com o seu fanservice e a boa reprodução dos personagens já conhecidos nos videogames, o que tornou o filme uma espécie de “luz no fim do túnel”. Seu diretor? Ninguém menos que Paul W. S. Anderson.

Sem compromisso com os jogos


Resident Evil: Hóspede Maldito chegou com uma premissa diferente. O primeiro filme da saga que, atualmente, está prestes a lançar o sexto filme, não reproduzia a história presente no jogo, e sim inseria novos personagens e enredos numa ambientação familiar. Para tanto, ousou ainda mais: nenhum personagem dos jogos está na adaptação. Um filme assim estaria fadado ao fracasso, certo? Errado! 

Com um enredo independente dos jogos, Resident Evil: O Hóspede Maldito pôde alcançar não só os fãs dos videogames, mas também um público distinto e bem mais abrangente. Isso, porém, não significa que o filme não se passe no universo de Resident Evil: temos um suspense em uma mansão nos arredores de Raccoon City com um laboratório subterrâneo da Umbrella Corporation, um vírus que escapa e uma infecção que toma proporções inimagináveis – falando assim, dá até pra confundir com os jogos, não?

Dentro dessa proposta, a melhor parte: Alice. A poderosa protagonista, interpretada por Milla Jovovich, substitui qualquer personagem dos jogos, sendo uma heroína forte e que não precisa da ajuda de homens para mandar ver. Ah, e não é hiperssexualizada, um ponto extremamente positivo para a saga. 

Abrindo portas e o exemplo para o feminismo


Seja bom, seja ruim, Resident Evil – principalmente O Hóspede Maldito – tem seus feitos. O primeiro filme da saga quebrou paradigmas e abriu espaço para muita coisa boa.
Analisando o contexto dos filmes de zumbi que, como citado ali em cima, vinham sofrendo por desgaste e falta de interesse por parte de produtoras, O Hospede Maldito deixou claro que, sim, zumbis ainda fazem sucesso e valem todo o investimento. Resultado disso é o clássico Madrugada dos Mortos de 2004 que pegou carona no hype de Resident Evil e deu um show! Com o passar dos anos, foram lançados Zumbilândia e Guerra Mundial Z. Os zumbis deixaram de ser trash para ser blockbustters.

A franquia como um todo pode – e deve – ser considerada um exemplo de sucesso, ainda mais para produções inspiradas em videogames, cujas séries costumam chegar, no máximo, no segundo filme. Exemplo esse que vem sendo seguindo por outras produtoras de cinema, que passaram a tratar com maior seriedade os filmes baseados em videogames. Como exemplo, podemos citar Silent Hill (que morreu no segundo filme), Príncipe da Pérsia e até o recente Assassin’s Creed.

Por último, mas não menos importante, a indiscutível influência da Alice, que, com sua força, quebrou o paradigma de que toda protagonista feminina precisa de um homem ao seu lado para em algum momento salvá-la. Resident Evil é o melhor exemplo de que é, sim, possível ser uma mulher independente e alcançar sucesso mundial, não é mesmo, Milla Jovovich? 



Resident Evil: O Hóspede Maldito foi sucedido por mais quatro filmes: Apocalipse, Extinção, Recomeço e Retribuição, sendo sucesso de bilheterias em todos eles e chegando onde nenhuma franquia de filmes baseados em jogos conseguiu chegar. O sexto e último filme, O Capítulo Final, estreia hoje - 26 de Janeiro, e marca o fim da longa saga de Alice em busca de respostas e da salvação da humanidade.

Créditos

Texto: Vitor Oliveira
Revisão: Juninho Lima

O artigo apresenta opiniões e ideias do autor do texto e não do site Co-op Geeks

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