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Juninho Lima 12.1.17


Desde que conquistou o prêmio do jogo do ano em 2012, a série The Walking Dead da Telltale Games tem ditado novas tendências e ganhado espaço dentre os jogos de drama com narrativa personalizada - que muda de acordo com as decisões do jogador. 

Após uma segunda temporada morna que não fez jus ao início da franquia na indústria dos games, uma nova temporada chega ao mercado e nós iremos contar o que achamos dos primeiros episódios da continuação da história de Clementine - The Walking Dead: A New Frontier - se é que podemos dizer que essa história é sobre ela. Confira o trailer de lançamento dos primeiros episódios:



ATENÇÃO: Esse texto NÃO CONTÉM SPOILERS do game, leia sem preocupações.

Laços que unem


Diferente das temporadas anteriores, "A New Frontier" se inicia com um episódio duplo intitulado "Laços que unem", cada parte do episódio contém a duração padrão que os jogadores já conhecem.

A história foca em Javier García (Javi) e em sua família. O jogador acompanha o drama vivido por todos desde a descoberta do primeiro "muerto" - como eles costumam chamar os já conhecidos "errantes" (walkers) - até o momento em que a história de todos se cruza com o passado da série nos videogames - aí entra Clementine e o pequeno Alvin Jr.

Não espere por explicações detalhadas e revelações do que aconteceu entre a temporada anterior e a atual, no entanto, a trama promete desde o primeiro episódio trazer pequenos flashbacks de Clementine para revelar algo maior que está por vir.


Um destaque especial que deve ser mencionado, é a boa dinâmica entre Javi e Clementine - a importância da família na vida dos dois, criam uma união improvável que vai te dar a sensação de sempre estar pisando em ovos em quaisquer momentos decisivos que construirão a relação entre os personagens - e não tem como não se sentir envolvido.

E como sempre, ao fim dos episódios temos momentos que farão o jogador não aguentar de ansiedade para jogar o próximo, e "A New Frontier" é mais que satisfatória nesse aspecto, pois tem mostrado um plot multifacetado que te surpreenderá do início ao fim.

A Nova Fronteira

Se algo fica nítido no novo ano do "The Walking Dead" da Telltale, é que mais do que nunca, os games tem se aproximado da cronologia dos quadrinhos - assim como nas histórias atuais de Rick Grimmes e seu grupo, a família de Javi e Clem percebem que os mortos-vivos são a menor preocupação deles, afinal, o mundo que eles conheciam não existe mais e as pessoas são as maiores inimigas umas das outras. É natural que grupos e facções se formem, e é aí que entra A Nova Fronteira - um grupo de pessoas marcadas com um símbolo que assim como todos, busca o bem próprio e a sobrevivência dos seus.

Os integrantes d'A Nova Fronteira possuem essa marca em alguma parte do corpo.

Com foco em apresentar os personagens, os dois primeiros episódios não enrolam em apresentar do que a história se trata, diferente da segunda temporada da série de videogames, e no melhor estilo "Lobos" e "Salvadores", "A Nova Fronteira" fica evidente como o maior perigo que o grupo enfrentará ao longo da temporada, no entanto, algumas reviravoltas cruéis deixarão o jogador boquiaberto - a Telltale Games não está de brincadeira!


Novos ares


Não é segredo que a segunda temporada de The Walking Dead: A Telltale Games Series apresentou mais do mesmo e apesar de Clementine sempre ser uma boa escolha como protagonista, o final da temporada tenha sido confuso e disperso, algo precisava ser feito. Poucas possibilidades sobraram ao final da aventura, apesar da variedade de finais, e a Telltale não teve medo de apostar em um recomeço para o carro chefe da desenvolvedora.

Pode parecer estranho, mas "A New Frontier" apesar de trazer Clementine de volta mais velha do que da última vez, não continua a história da garota como plot central, o que explica o game não receber "Season 3" como subtítulo. 

É estranho não controlar Clem ou tê-la como protagonista da história, no entanto, após a primeira meia hora de jogatina você facilmente se verá familiarizado com os novos personagens e a nova história dramática que "The Walking Dead: A New Frontier" começou a oferecer.

O jogo aprendeu muito com todas as produções da Telltale e o gameplay é mais intuitivo e dinâmico, com novos comandos de combate que são criativos e inteligentes.

Tudo novo, mas ainda falta o polimento de sempre


A intenção de renovar a série é clara, e os novos visuais do jogo evidenciam o quanto "A New Frontier" tem tudo para colocar a principal série da Telltale Games dentre os melhores jogos do ano, assim como a primeira temporada. 

O jogo continua tendo os mesmos visuais cartunescos de sempre, no entanto, a nova temporada foi desenvolvida em uma nova engine gráfica, tendo um salto visível - que chega perto do que foi apresentado em "Batman" o último lançamento da desenvolvedora.

E assim como o jogo divide o mesmo padrão de qualidade das outras temporadas, e até eleva alguns aspectos, em outros "A New Frontier" deixa a desejar - de novo.

Apesar da dublagem conter atuações de alto nível, a sincronização labial dos personagens quase quebram o clima em situações dramáticas de tão mal trabalhada, assim como a movimentação facial dos personagens que poderia ter acompanhado o salto gráfico da nova temporada.

A captação de áudio é excelente, e os efeitos sonoros não deixam a desejar, mas infelizmente, até o momento, a temporada não possui uma trilha sonora memorável - diferente da segunda temporada que sempre apresentava excelentes canções ao término de cada episódio e o inesquecível tema de abertura da minissérie "The Walking Dead: Michonne", também da Telltale. Me desculpem, mas eu preciso colocar ela aqui e de nada por apresentar essa música maravilhosa acompanhada dessa intro que tá de parabéns:



A história tem personalidade e é interessante o bastante para se destacar nesse ano, no entanto, a trama esbarra em clichês e situações manjadas que nem sempre vão surpreender da forma que deveriam.

Outros pontos negativos que não podem ser esquecidos, é a limitação da ramificação do enredo que quase sempre leva ao mesmo lugar não importando a escolha do jogador e a baixa importância do que foi feito nas temporadas anteriores - a Telltale tem muito a aprender com a Quantic Dream.

Uma boa aposta para acompanhar em 2017


Se você gosta de histórias envolventes com personagens marcantes e situações que dependem das suas reações e escolhas, "The Walking Dead: A New Frontier" é um excelente game para acompanhar nesse ano mesmo que você não tenha jogado as temporadas anteriores.

Sem dúvida, o maior atrativo do jogo é a relação dos personagens que apesar de nova, traz traços familiares que farão os jogadores assíduos da série se sentirem em casa.

Apesar de ficar evidente que a Telltale aprendeu pouco com os erros das temporadas anteriores, a nova história tem potencial o suficiente para ofuscar o problema e se destacar dentre todas as outras produções da desenvolvedora - não deixe a mesmice da segunda temporada te impedir de entrar de cabeça na nova temporada de "The Walking Dead"!

Você pode comprar o season pass com os dois primeiros episódios na PSN, na Xbox Live, Steam, Google Play Store e Apple Store por R$ 76,90 ou esperar a mídia física que será lançada no dia 7 de Fevereiro e acompanhar a dramática história de Javi e Clementine.

Conforme os novos episódios forem sendo lançados, faremos as respectivas análises - fiquem de olho!

Nota Final do Co-op Geeks


Gráficos: 10
Gameplay: 7
Novidades: 6
Enredo: 8
Personagens: 10
Dublagem: 10
Soundtracks: 3
Diversão: 10

Nota Final: 8

Ficha Técnica

Título Original: The Walking Dead: A New Frontier
Desenvolvedora: Telltale Games
Lançamento: 20 de Dezembro de 2016 (episódios 1 e 2)
Plataformas: PlayStation 4, Xbox One, PC, Android e iOS

Créditos

Texto: Juninho Lima

A análise apresenta ideias e opiniões do autor do texto e não do site Co-op Geeks.

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