Menu
» » » » » » » » » Tirando da Estante: Death Note


Ibnny Afonso 5.3.17


Baseado no mangá homônino escrito pelo japonês Tsugumi Ohba em 2003, e ilustrado por Takeshi Obata, Death Note é, sem dúvida, um dos clássicos obrigatórios para quem curte animes japoneses. A adaptação chegou à TV nipônica em 2006, sendo exibida em 37 episódios.

O mangá ganhou diversas versões para as telonas, a mais recente tendo sido um live action lançado em outubro do ano passado com atores japoneses. A Netflix anunciou estar produzindo uma nova adaptação em longa-metragem com atores americanos, que deve chegar à plataforma até o fim de 2017.

Mesmo após 10 anos de seu lançamento, o enredo de Death Note permanece muito atual e é por isso que vamos tirar ele da estante hoje. Se você não ainda não assistiu o anime, não se preocupe, este texto não contém spoilers.

Um deus da morte entediado


A história têm início quando Ryuk, um shinigami ("Deus da Morte" em japonês), cansado de seu tedioso trabalho, decide se distrair um pouco deixando cair na Terra um Death Note, caderno que tem o poder de tirar a vida de qualquer um que tenha seu nome escrito nele, desde que algumas regras sejam seguidas.

Para que tivesse certeza de que o caderno iria ser utilizado por um humano, Ryuk se preocupou em escrever as regras de utilização do caderno em inglês, a língua mais popular do mundo. O shinigami, no entanto, surpreende-se ao perceber que o caderno começa a ser utilizado além do normal por uma única pessoa.

Um jovem brilhante



Conhecido por ser sempre o melhor aluno de sua turma, Light Yagami é um jovem de 17 anos que cursa o ensino médio numa tradicional escola japonesa. Assim como Ryuk, Light leva uma vida monótona, completamente dedicada aos seus afazeres.

No entanto, a vida do jovem muda quando ele encontra um estranho caderno e decide começar a usá-lo. Inicialmente descrente, Light realiza testes com o Death Note e percebe que ele, de fato, funciona. Impressionado com o poder a que tivera acesso, o estudante decide então dar início a um plano.

O desejo de um novo mundo



Cansado de se sentir refém da violência e dos criminosos ao redor do mundo, Light Yagami vê no Death Note a possibilidade de modificar o curso da história, varrendo da face da Terra todos aqueles que desrespeitam a Lei e causam mal para as pessoas e para o planeta. Assim, o jovem elabora uma lista com o nome de vários criminosos com base nos noticiários de TV e jornal e começa a tirar a vida de cada um deles.

Com o poder do Death Note em suas mãos, Yagami torna-se obcecado em sua tarefa de "limpar" o planeta, chamando a atenção de Ryuk, que resolve fazer uma visita ao portador do caderno. Para a surpresa do shinigami, a mente de Light e suas pretensões pessoais eram bem mais complexas e engenhosas do que tudo que ele já havia visto antes.

Light não só tinha arquitetado todo um plano para construir um novo mundo, como também, por meio do Death Note, esperava tornar-se o Deus desse mundo ideal, livre de toda a podridão humana, onde ele atuaria como o grande e único juiz.


Uma batalha psicológica



Após algum tempo, no entanto, as autoridades começam a desconfiar de uma série de mortes de criminosos que vem acontecendo ao redor do mundo, sempre com a mesma causa: uma parada cardíaca. A polícia só não entendia como eles estavam sendo mortos dessa forma, já que não havia indícios de assassinato ou envenenamento, por exemplo.


Sem muitas opções, a Interpol decide entrar em contato com um investigador muito famoso por sempre desvendar os casos mais complexos já vistos. Conhecido apenas como "L", o investigador nunca mostra seu rosto e tem sua voz alterada por meio de efeitos.


Uma vez no caso, L inicia sua caçada contra Kira (uma adaptação "japonesa" para Killer, matador em inglês), nome pelo qual o assassino misterioso por trás das mortes dos criminosos passa a ser popularmente conhecido. A partir deste momento, tem início uma batalha entre duas mentes brilhantes, que se desenrola como um jogo de xadrez, onde qualquer peça movimentada de forma errada pode levar tudo a perder.



O que é a Justiça?



Um dos pontos mais fortes de Death Note é a reflexão filosófica acerca da humanidade e dos conceitos de certo e errado, bem e mal, que o anime aborda. No mundo violento em que vivemos, a vontade de justiça é um desejo comum a todos nós, que somos reféns de todo este caos. Mas será que a justiça que desejamos pode ser alcançada a partir da visão e do julgamento de uma única pessoa?


As sequências de diálogos entre os personagens contribuem para a reflexão desses temas, utilizando um encadeamento de fatos que leva a desfechos surpreendentes no decorrer dos capítulos. As relações entre Light e os outros personagens do anime ganham contornos interessantes a cada interação, o que leva o espectador a uma imersão cada vez mais profunda na complexa mente de Kira.



Neste contexto, Light Yagami representa um indivíduo comum como qualquer outro, com o desejo de um mundo melhor para todos. Porém, a partir do momento em que tem acesso a um dispositivo que pode, de fato, mudar o futuro da humanidade, outras questões entram em jogo e influenciam seu plano original.

Clássico inquestionável



Com diversas reviravoltas ao longo da trama, Death Note não se tornou um clássico à toa. O roteiro do anime é impecável, característica capaz de prender quem assiste do início ao fim da história, apesar da narrativa se desenrolar de forma lenta na maior parte dos capítulos.

Cada cenário, sequencia de diálogo e personagem são partes essenciais de uma enorme colcha de retalhos que vai ganhando sentido e forma à medida em que Light Yagami leva seu engenhoso plano adiante, de modo que nada é incluído por acaso, cada detalhe importa de alguma forma.

Death Note é daquelas obras que ninguém se atreve a sugerir uma mudança, de tão "redonda" que a história é, motivo pelo qual sempre vale a pena um repeteco na série. E, se você ainda não conhece este anime, agora é só sentar e apreciar, garanto que não vai se arrepender!

Créditos

Texto: Ibnny Afonso


O artigo apresenta as opiniões e ideias do autor do texto e não do site Co-op Geeks.

«
Próximo
Postagem mais recente
»
Anterior
Postagem mais antiga