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Felipe Cavalcante 20.7.17




A adaptação do mangá e anime Death Note escrito por Tsugumi Ohba que será lançada pela Netflix ainda esse ano teve seu novo trailer divulgado nesta quinta-feira (29) e tem a sua estreia marcada para dia 25 de agosto, desde o início a produção marcada por polêmicas, tanto de uma boa parte dos fãs da obra original que tem o temor de ver a história ser desmembrada por Hollywood como inúmeras outras adaptações de mídia japonesa (cof, cof Dragonball Evolution), quanto pela questão do whitewashing ser justificável ou não numa transposição da trama para outra cultura. O que se pode esperar do filme só saberemos quando ele for disponibilizado pela Netflix, mas por enquanto podemos observar que o trailer revelou e pode ser especulado.

A história continua muito semelhante à original, um jovem chamado Light Turner (no original Yagami) interpretado por Natt Wolff, brilhante, porém desiludido encontra o Death Note, um caderno que contém o poder de matar qualquer pessoa cujo nome seja escrito em sua páginas, jogado na terra pelo deus da morte Ryuk. Light então resolve passar a usar o Death Note para livrar a terra de todos os criminosos, porém acaba chamando atenção das autoridades e do misterioso detetive L, ao mesmo tempo em que ele passa a ser cultuado por inúmeras pessoas como o Kira - o Assassino - assim iniciando um jogo de gato e rato entre L e Light.

O Shinigami



Ryuk, que será interpretado por Willem Dafoe (o Duende Verde do primeiro Homem-Aranha) com mistura de maquiagem e CGI, ao contrário de outras adaptações japonesas anteriores onde ele era completamente feito por computador. A origem do personagem permanece a mesma, ele é um shinigami, um deus da morte da cultura japonesa, porém, uma aparente mudança foi a maliciosidade feita no personagem.

No mangá e no anime, Ryuk se mantém bastante neutro em relação à Light, enquanto já no trailer o personagem parece ter um papel mais de agente do caos, provavelmente concordando com as afirmações do diretor Adam Wingard de que o filme será mais violento e sombrio, a personalidade do deus da morte que acompanha Light na sua campanha de expurgar o mal sobre a Terra vai ser de incentivar o uso do Death Note e "deixar o circo pegar fogo".

L - o detetive no jogo de gato e rato

O detetive L parece que será um amálgama do personagem original com Mello, aqui ele parece ser mais centrado e propenso a perder o controle pelo menos em algum momento, ele nesta adaptação será interpretado Keith Stanfield (Get Out) que é negro, ao contrário do mangá e anime original onde ele é branco. Muitas pessoas argumentaram sobre essa mudança ser uma espécie de contrabalança no embranquecimento de Light, mas nesse caso, aparentemente isso foi feito para que o personagem seja ainda mais misterioso, como se ele não tivesse uma nacionalidade definida.
Outra mudança interessante é a roupagem do personagem que originalmente sempre se veste de branco, fazendo uma oposição com a amoralidade das suas escolhas na tentativa de desvendar a identidade do Kira. Além disso, o L da adaptação da Netflix aparece numa coletiva de imprensa ao contrário do anime original, onde ele permanece nas sombras durante a maior parte do tempo e sempre prefere aparecer como o seu símbolo, um único L.

Kira

Uma das outras mudanças, quanto ao Kira - a persona que Light assume com a posse do Death Note - aparentemente, não apenas Light será o Kira, mas também a personagem Misa, agora adaptada como Mia Sutton (Margaret Qualley) que também integra parte da personalidade de Kiyome Takada, a ex-namorada de Light que se torna a porta-voz do Kira na emissora NHN TV, no anime original. 




O culto ao Kira parece que será mais proeminente nessa versão da história e os assassinatos serão mais rapidamente identificados, pois como podemos ver no trailer, os criminosos irão se atirar de prédios em vez de simplesmente morrer de ataques cardíacos.  

Sobre whitewashing

Uma das grandes polêmicas em que o filme tem se colocado para o alvo de críticas tem sido a questão do whitewashing - uma prática comum em Hollywood, na qual se substitui um personagem negro ou de outras etnias por atores brancos norte-americanos - outros filmes, e se pararmos pra pensar em sua maioria que adaptam histórias com elementos asiáticos, também retiraram de papel de protagonista personagens asiáticos como "O Último Mestre do Ar", "Ghost in the Shell" e "Dragonball Evolution" - alguns exemplos de filmes que para acalorar o debate, não foram tão bem aceitos pelo público e crítica ou não um pouco criteriosos de se manter manter fiéis à fonte original da história.

A questão com Death Note, porém é um pouco mais intrincada, pois, desde o início, sempre se manteve em pé o fato de que a história seria transferida para os Estados Unidos, no caso a cidade de Seattle. E, por isso, adaptações precisariam ser feitas para melhor se ajustar a nova localidade. Mas, alguns fãs mais ferrenhos se mostraram insatisfeitos com essas mudanças, até porque não faria sentido, com tantos lugares no mundo, um Shinigami soltar o seu Death Note numa cidade americana.

O diretor, Wingard afirmou em uma entrevista ao Collider: 


"Nós podemos fazer o que nós quisermos. Essa é uma coisa legal sobre isso, porque é um filme de anime. Então, tecnicamente, é um desenho animado que você trouxe à vida. Para mim, a coisa dos animes, é que eles são muito orientados para adultos"
O que parece intrigante nessa declaração do diretor, é o fato de que no anime original de Death Note não há grandes sequências de ação, perseguição policial ou rodas-gigantes caindo, mas o grande foco da história é o dilema entre justiça e vingança, questionamentos sobre moralidade e o embate psicológico entre duas mentes que estão dispostas a tudo para conseguir vencer o seu jogo de gato e rato.

Muitos fãs do anime (e nisso eu posso me incluir) se mostraram desapontados com a escalação do ator Natt Wolff, cujo trabalho mais famoso foi no filme Cidades de Papel, e não um thriller psicológico ou algum filme com alguma aproximação ao gênero de Death Note - sem contar nas implicações infelizes que são geradas quando lembramos que grande parte da população carcerária dos Estados Unidos é negra ou latina. 

Não sabemos o que virá da adaptação de Death Note, mas é isso que nós já temos para formar alguma ideia do que pode vir da nova produção da Netflix cuja data de lançamento é de 25 de agosto. 




Créditos


Texto: Felipe Lima
Revisão: Felipe Lima


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