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Felipe Cavalcante 24.8.17


ATENÇÃO! Este post conterá SPOILERS do quinto episódio de "Game of Thrones". Leia por sua conta em risco




O episódio começa com Bronn resgatando Jaime do fundo do lago, cuja intenção era matar Daenerys e acabar com a guerra, temos um momento engraçadinho em que Bronn diz que se alguém vai matar Jaime, será ele mesmo e por não pagar o ouro prometido, mas a cena começa a contornar os próximos passos de Jaime, ele e Bronn discutem o poder dos dragões, agora que ele mesmo viu o quão fatal pode ser um ataque de Daenerys e dos seus dothraki, ele então se dirige para Porto Real para avisar Cersei do perigo iminente. 

Daenerys e os Tarly


Depois da vitória esmagadora de Daenerys contra o exército Lannister começamos a ver Tyrion passando pelas cinzas e destruição deixadas por Drogon e vê dothraki roubando objetos de cadáveres jogados, nesse ponto o desenvolvimento do personagem parece estar começando a voltar aos eixos, com um início de conflito entre as pessoas que ele quer manter vivas e as que ele não pode evitar mais destruição. Conforme os derrotados se juntos ao sopé de um morro, Daenerys explica para os soldados Lannister-Tarly que ela não é o que Cersei diz, mas sim que ela deseja "quebrar a roda que beneficia apenas os ricos e poderosos" e oferece duas escolhas: se ajoelhar diante dela ou ser executado.

E nesse momento, Tyrion tenta ser o mais diplomático possível, pois dentre os derrotados, alguns não se ajoelham e entre esses estão Randyll e Dickon Tarly; Randyll então ridiculariza Tyrion, por ele ter matado o próprio pai e por ter se juntado a um exército de selvagens e afirma que Daenerys não é sua rainha; à eles é oferecida a chance de ir para a Patrulha da Noite, mas os dois rejeitam a oferta. E então, cumprindo com sua posição de conquistadora, Daenerys sentencia os dois às chamas de dragão. De primeira, parece meio impiedoso para a Mãe dos Dragões executar à sangue frio não muito frio dois grandes senhores de uma das Casas mais importantes de Westeros, mas creio que isso apenas traça ainda mais paralelos entre ela e Aegon, o Conquistador, que afinal foi a pessoa que incendiou o castelo de Harrenhall. 

A ameaça se aproxima...


Começamos essa nova cena com uma aérea de vários corvos sobrevoando Além-da-Muralha, a mesma cena de um dos trailers, eles passam pelas terras nevadas e então passam por cima do exército de mortos que estão tentando cruzar o  mar congelado e chegar ao Sul, os corvos se aproximam, mas então o Rei da Noite percebe a presença de Bran, que está wargando aquele bando de corvos em frente à Árvore-Coração de Winterfell. 

O poder de Bran tornou-se muito mais forte agora, o que nos fornece algumas questões, o quanto de tudo no Mundo ele sabe? Quem ele é agora? E o que vai acontecer quando ele não precisar mais ser o Corvo? A cena dos corvos parece se encaixar bem com a ideia de que Bran não iria mais andar, mas sim voar mencionada pelo Corvo de Três Olhos original algumas temporadas atrás. De qualquer modo, com este conhecimento de que os Caminhantes Brancos estão se aproximando cada vez mais, Bran pede ao Meistre Wolkan que escreva uma carta para Jon e para a Cidadela.


Jon Snow e Drogon

Temos alguns momentos interessantes aqui no núcleo Pedra do Dragão: primeiro, quando Daenerys retorna para o castelo, pousa num monte onde Jon está e Drogon deixa Jon tocá-lo, num requiem de Como Treinar Seu Dragão, e Daenerys vê isso com um misto de surpresa e interesse, que é quebrado no momento em que Jon diz que os três filhos de Dany são "bestas incríveis", depois temos a chegada de Jorah em Pedra do Dragão, um momento tocante em que ele pode finalmente tocar Daenerys e, ao contrário de Jon, imediatamente se ajoelha diante dela e novamente afirma sua lealdade. E temos Varys e Tyrion discutindo, sentados diante do trono de pedra, um detalhe pequeno que me chamou atenção foi o fato de que Varys divide um gole de vinho de Tyrion, mostrando que o conteúdo da carta que ele leu é muito mais desconcertante que o pensado...

Sam e Gilly - a Cidadela e as suas revelações




Os Meistres da Cidadela recebem a carta de Bran que afirma que os Caminhantes Brancos são reais e que eles estão se aproximando da Muralha, e formam um conselho para discutir esta afirmação, e, como o esperado, afinal nada é tão fácil assim, eles não acreditam em uma palavra sobre o perigo que vem do Norte. Sam tenta convencer os Meistres da urgência de procurarem informações sobre a Longa Noite, algo que eles recusam, obviamente.

Frustrado com a recusa dos Meistres em acreditarem nele, Sam decide roubar vários pergaminhos e livros da seção restrita de Biblioteca e parte pela noite com Gilly e o Pequeno Sam, e aqui nós conseguimos ver duas coisas importantes: primeiro, com as sequências na Cidadela, Sam ainda não sabe da morte do pai e do irmão dele, e dois, Gilly descobriu um plot point que grita FORÇAÇÃO DE BARRA dentro de tudo que o Meistre Maynard escreveu, o anulamento do casamento do príncipe Rhaegar com Elia Martell, o núcleo do Sam, obviamente está sendo aquele que desatará os nós da história, trazendo todas as informações necessárias para os personagens principais, uma pena, pois eu não gostaria de que todos os pergaminhos que Sam está arrumando fossem a resposta pra tudo em Westeros. O que é muito estranho é que esse divórcio/anulação do casamento em Rhaegar e Ellia, deserda os outros dois filhos dele mesmo, e essa formalidade foi feita em Dorne, um dos reinos apoiadores dele durante a Rebelião, uma das soluções que muitos fãs teorizavam era de que Rhaegar e Lyanna teriam se casado diante de uma árvore-coração na Ilha das Caras, diante dos Velhos Deuses, o que de certa forma burlaria a necessidade de uma anulação do casamento e daria um papel maior para Bran, que aliás continua sumido na internet das árvores, mas enquanto isso...

O bastardo crush reaparece



Davos e Tyrion se inflitram dentro de Porto Real, numa tentativa de parlamentar com Jaime sobre a ameaça de Caminhantes Brancos. E, enquanto Tyrion tem uma profunda discussão com Jaime, Davos caminha pela Rua do Aço e encontra nosso bastardo favorito, depois de passar bastante tempo remando Gendry está novamente trabalhando na forja, fabricando armas para os soldados Lannister, e é claro, todo esse tempo ele esperava que alguém aparecesse buscando por ele, fosse para matar ou para pedir sua ajuda, o que justifica a decisão de Gendry de seguir Davos tão rapidamente. Os dois são abordados por dois guardas, e suborno nenhum de Davos ou caranguejos fermentados são suficientes quando eles vêem Tyrion, mas Gendry mostra que ele é realmente bom com o martelo de guerra e então eles retornam para Pedra do Dragão para traçar o que eu chamarei de agora em diante de O Pior Plano de Todos

Cersei está grávida




Jaime chega em Porto Real e vai falar com Cersei, depois da sua conversa com Tyrion. Qyburn está saindo dos aposentos dela. Ela não parece mais irritada com a revelação de Olenna, e diz que as intenções dela são de uma trégua com Daenerys, afinal ela precisa tecer um futuro para o bebê que ela está carregando. Jaime se espanta (infelizmente não com esse momento escalafobético de novela das 8) e fica emocionado, pois como rainha da porra toda ela pode assumir o filho de Jaime para todo mundo. Um artifício de roteiro previsível para manter Jaime ligado à ela, mesmo com Cersei sussurrando no ouvido dele "nunca mais me traia"...

Winterfell - Arya buscando tretas


Havia um sério problema com o arco da Arya desde que ela havia chegado na Casa do Preto e do Branco, uma série de escolhas ruins de como seguir a história, além de muito plot armour para a Arya. E nesse momento, tudo toma seu pico e é elevado à potência, pois ela e Sansa estão tendo um conflito. Mas o modo como esse conflito se dá é muito estranho.

Primeiro, ela vê Mindinho conversando com Meistre Wolkan e perguntando se um certo pergaminho era o único no castelo, depois pagando uma menina com uma moeda de ouro e guardando algo dentro do seu quarto. Sem hesitar, Arya faz a xeroque holmes e espia o quarto do Mindinho, pois, aparentemente ele está tramando alguma coisa, ela revira tudo e acha o pergaminho, é a carta que os Lannisters forçaram Sansa a escrever enquanto ela ainda seria noiva do Joffrey, e como a trama só piora é aqui que vamos para o episódio "Beyond the Wall".



Acho que aqui precisamos entender uma coisa: talvez a rivalidade da Sansa e da Arya nunca tenha sido superada, mas não há nada que justifique a atitude de Arya. Na verdade, o modo como esta trama foi conduzida faz pouco sentido de todo modo: primeiro pelo fato de Mindinho espiar a Arya depois que ela acha o pergaminho, o que aparentemente significa que apesar de dois anos de treinamento com os Homens Sem Face ela ainda é menos capaz que Petyr Baelish; segundo, as coisas que a Arya passou não podem se comparar com o que a Sansa passou, foram situações diferentes com pessoas diferentes e terríveis de qualquer modo. Enfim, fato é: a treta entre Arya e Sansa cresce de modo que Brienne precisa se afastar para não entrar no jogo de Mindinho, mas deixando Sansa sem proteção. 

O esquadrão das Neves


Toca "Back in Black" do AC/DC no fundo da cena enquanto o nosso Squad favorito sai da Muralha. Ok, não aconteceu, mas poderia. Seria até uma melhora num episódio bem desastroso como foi este "Beyond the Wall". Ele foi todo baseado em facepalms para Arya e Jon, e claro para os roteiristas e todos envolvidos... 
No final de "Eastwatch" temos um grupo: Tormund, Beric Dondarion, Thoros de Myr, Gendry, Sandor Clegane, Jorah Mormont e Jon indo para além da Muraha executar o Pior Plano de Todos - capturar um wight e mostrar para Cersei o perigo que todos deveriam estar combatendo.

No caminho temos boas cenas, como a de Gendry argumentando com os dois membros da Irmandade Sem Bandeiras sobre o modo como eles o venderam e de Jon e Jorah, sobre a espada Garralonga, que pertencia ao Velho Urso e Jorah simbolicamente diz que pertence à Jon. Porém, há outros tantos diálogos entre esses personagens diferentes que isso se torna cansativo.
Temos uma sequência bem criativa e bem feita de um ataque de um urso das neves ressuscitado, Thoros de Myr e Beric acendem suas espadas tal qual sabres de luz, porém infelizmente um deles não sobrevive ao fim do episódio, Thoros acaba sendo morto pelo urso e morre congelado.

E a partir daí eu entro no modo "miga não tem como te defender", pois em primeiro lugar existem três redshirts descarados nessa cena, eles aparecem do nada e morrem do nada, apenas para mostrar o quão perigoso está sendo aquele lugar, e, por ser tão perigoso que não entendemos como Gendry, que nunca esteve no Norte antes pôde sair correndo até o castelo de Atalaialeste para pedir ajuda quando nossa trupe acaba cercada por wights, porque sim eles acabam cercados numa ilhota.

Os teleportes de personagens dentro de GOT sempre foram a parte mais problemática da série, não saber exatamente a distância e tempo faziam com que a série se movesse do modo que bem entendesse e o público que tentasse criar uma lógica, porém a chegada de Daenerys com seus dragões na hora mais oportuna foi um deus ex machina muito previsível, como tem sido, aliás boa parte da temporada.


Eu queria que Sor Ilyn Payne tivesse a mira do Rei da Noite tentando acertar Daenerys, e eu queria ter a mira do Rei da Noite para acertar o coração do crush como ele acerta o Viseryon, mas enfim nem tudo podemos ter nessa vida e a lança que o Rei da Noite acerta no dragão o derruba em meio à sangue e fogo, fazendo cair nas profundezas do lago congelado.

Nesse momento Jon percebe que fez merda e grita para Daenerys "CORRÃO CAMBADA", enquanto ele novamente banca o herói e continua a matar wights em vez de correr para o fucking dragão. Daenerys sai voando com os outros e Jon cai no lago congelado. E nessa confusão toda Tio Benjen UncLE BENJEN aparece do nada para salvá-lo e assim morrer e terminar sua participação na série. 

Jon Snow sobe no pangaré de Benjen e é resgatado para o barco onde Daenerys e os outros estão. Temos então uma cena infame: Daenerys está ali observando Jon Snow devivamente descamisado e inconsciente e percebe a facada no coração dele, ele acorda e explica tudo para ela. Ela compreende e ambos seguram a mãozinha, Jon decide ajoelhar para Daenerys e a Mãe dos Dragões decide que irá ajudar Jon na batalha contra os White Walkers, porque afinal se ela não fizesse usaríamos a placa "você não está fazendo mais que sua obrigação"



Sim, eu vivi para ver Jonerys se tornar real, isso nos faz refletir bastante sobre fanservice não? Como isso acaba gerando numa história que de início era bastante estruturada e bem-feita para uma série de ações incoerentes de personagens que levam a cenas legais e que vão gerar alvoroçadas discussões. Também vivemos para ver a teoria do dragão de gelo ser real. Quando eu a ouvi primeiro, achei meio louca, mas fazia sentido, porém, conforme refleti mais e mais, percebi que ela adicionava um elemento fantástico a mais, uma problemática a mais, outras tantas questões a mais, e estava ficando perto demais da teoria que eu mais abominava em todo o fandom de GOT, a de que Bran poderia wargar um dragão. Mas é isso aí, temos uma cena em que dezenas de wights puxam o corpo de Viseryon da água gelada com correntes e pousam-no no gelo, o Rei da Noite toca nele e os olhos dele se abrem, azuis gelados.



Este texto apresenta opiniões do autor e não de todo o site Coop-geeks.

Créditos


Texto: Felipe Lima
Revisão: Felipe Lima e Bruno Bolner

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