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» » » » » » The Handmaid’s Tale – uma obra de ficção, muito semelhante a realidade


Angelo Prata 27.1.18


Vivemos um tempo em que muitos preconceitos e tabus da sociedade estão sendo quebrados. A comunidade LGBT tem conquistado direitos em todo o mundo, as mulheres lutam contra o assédio escancarado que afeta gigantes como Hollywood e a ginástica olímpica. Mais do que nunca, o machismo é combatido com afinco em todas as camadas da sociedade e The Handmaid’s Tale é um excelente exemplo do porquê essa luta é tão necessária.

O seriado que teve sua primeira temporada exibida em 2017, pelo serviço americano de streaming Hulu, é baseado no romance homônimo de Margaret Atwood. Na distopia proposta pela autora, a população mundial vive uma grave crise de infertilidade, na qual os conservadores religiosos culpam a vivência pecadora em que a sociedade se encontra. Aos poucos, eles tomam o poder e instalam um regime totalitário. Com isso, as poucas mulheres férteis que sobraram são obrigadas a se submeter a estupros ritualizados, para gerar os filhos da elite extremista.

As mulheres também perdem todos os direitos básicos como trabalhar, possuir bens materiais e cargos de liderança. Tudo isso com justificativas bíblicas para que o país possa se recuperar. A protagonista é June Osborne (Elisabeth Moss), que é presa junto com sua filha tentando escapar e logo é subjugada como uma serva (handmaid).

Por mais que a série seja uma obra de ficção, é inegável as semelhanças com a realidade. Não que vivamos literalmente uma distopia, mas sim, um tempo em que o conservadorismo ganhou força e ainda são poucos os que militam pela liberdade e os direitos da mulher. Para eles, o feminismo não passa de “mimimi” de mulheres que não querem se depilar, enquanto homens assediam garotas no transporte público e são soltos praticamente no dia seguinte.

Em tempos de Bolsonaro, é preciso se conscientizar

Não é preciso ser um estudioso de história para saber o quanto o feminino sempre foi tratado como algo inferior. Há menos de um século, as mulheres nem podiam votar ou aprender a escrever, e isso se reflete em nossa sociedade atual, pois esse tipo de pensamento é algo moroso de se erradicar. Em The Handmaid’s Tale somos levados ao extremo de forma tão imersiva, que faz o espectador masculino pensar nas mulheres da própria família: mães, filhas, sobrinhas, irmãs.


A fotografia é outro ponto espetacular, transmitindo a sensação de um local apático, onde praticamente todos os cenários fechados estão com a luz do sol entrando pela janela, como se Deus estivesse o tempo todo observando o estado em que a humanidade se encontra. Elisabeth Moss é outro show a parte, tanto que lhe rendeu o Globo de Ouro de melhor atriz em 2018.

Por fim, a série acaba sendo uma aposta mais que bem-vinda, cutucando a ferida da misoginia que atrasa o âmbito social há séculos. A segunda temporada está prevista para abril deste ano, mas infelizmente, o serviço ainda não está disponível no Brasil.




Créditos

Texto: Angelo Prata
Revisão: Bruno Bolner

O artigo apresenta as opiniões do autor do texto e não do site Co-op Geeks.

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