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» » » » » » » » Fullmetal Alchemist - Live-action da Netflix não faz jus a obra original


Angelo Prata 28.2.18


A grande sacada de realizar uma boa adaptação é saber dosar o que pode ou não ser excluído da história, para caber tudo em poucas horas de filme. Não é um trabalho fácil, visto que muitos já falharam miseravelmente com tal desafio (um beijo para o Death Note, da Netflix). Outro ponto muito questionado é a fidelidade com a obra original, tão pedida pelos fãs, mas que ao mesmo tempo me faz questionar: há necessidade de vermos exatamente a mesma história com atores reais? Com o longa Fullmetal Alchemist, baseado no mangá e anime de Hiromu Arakawa, descobri que a resposta é não!

O mangá já virou animação duas vezes, a primeira em 2003 (quando a história ainda estava longe de terminar nos quadrinhos) e em 2009, recebendo o subtítulo de Brotherhood e sendo mais fiel a obra original. Tanto os animes quanto o filme possuem exatamente a mesma trama: em um continente fictício onde a alquimia é uma ciência estudada por muitos, concedendo habilidades extraordinárias a seus praticantes, dois irmãos tentam ressuscitar a mãe usando tais habilidades, porém, segundo as leis da alquimia, para se conseguir o que se deseja é necessário sacrificar algo de valor equivalente. Por isso, trazer os mortos de volta à vida é considerado um tabu.

A tentativa acaba sendo um pouco desastrosa e, como resultado, Alphonse, o irmão mais novo, acaba perdendo seu corpo fazendo com que Edward tenha que sacrificar seu braço direito e sua perna esquerda para fixar a alma de Alphonse em uma armadura. Desde então, eles buscam a pedra filosofal, o item mais poderoso da alquimia, capaz de realizar feitos inimagináveis, para recuperar seus corpos.

Fiel até demais


O maior problema do live-action foi tentar seguir o original a risca em todos os aspectos: figurino, cenário, falas, tudo. Só que isso resultou em vários momentos de vergonha alheia como a peruca loira do ator Ryosuke  (intérprete de Edward). Os figurinos são dignos de uma final de campeonato de cosplay e a aparição do personagem Gula é o ápice da falta de bom senso dos produtores, que não se questionaram em nenhum momento se certos aspectos de uma animação ficariam bons visualmente na vida real.

Os efeitos especiais têm seus momentos de glória, principalmente nos minutos iniciais, mas tudo acaba ficando ainda mais tosco quando aparece um exército de inimigos que eram até assustadores no anime, e que no filme é só para dar risada. A trama ainda termina sem dar nenhuma pista do que está acontecendo ou quem são aqueles personagens coadjuvantes, deixando os espectadores que não leram o mangá ou assistiram a animação sem entender nada do enrendo.

Era melhor ter assistido o anime


O filme de Fullmetal Alchemist não faz jus à animação original e a incrível história contada por Arakawa, sendo uma versão mais fraca de uma das obras mais aclamadas por otakus do mundo inteiro. Se você leitor nunca ouviu falar de Fullmetal e tem interesse em conhecer, a melhor maneira é pelo mangá ou o anime Brotherhood, que conta com maestria a saga dos irmãos Elric em busca da pedra filosofal. Quanto a este filme, gostaria de saber um círculo de transmutação para desvê-lo.

Créditos

Texto: Angelo Prata
Revisão: Bruno Bolner

O artigo apresenta as opiniões do autor do texto e não do site Co-op Geeks.

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