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» » » » » 3% - Segunda temporada eleva o nível da série


Angelo Prata 2.5.18


Em 2016, 3% chegou na Netflix causando certo alvoroço. Enquanto gringos aplaudiram a série e ansiavam por mais, aqui no Brasil muitas pessoas se quer passaram do primeiro episódio. Quando perguntadas sobre o porquê de não gostarem, tinham uma imensa lista de defeitos para apontar – como se fosse diferente com produções estrangeiras.

Resolvi assistir ao primeiro seriado brasileiro do serviço de streaming de coração aberto, relevando qualquer problema menor que eu possa perceber enquanto acompanho a história. O resultado foi um programa nacional tão competente quanto os seriados americanos.

Futuro distópico

O tema não é nada novo. Afinal, futuros que não deram certo e cabem aos jovens arrumarem todas as tretas não é uma novidade. Porém, 3% consegue se diferenciar trazendo um tema muito debatido no mundo, especialmente em um país como o nosso. A trama se passa em um mundo devastado pela superpopulação e consumo exacerbado de recursos naturais. Para fugir dessa situação degradante, ao completar 20 anos, todos têm a oportunidade de participar de um processo seletivo, no qual somente 3% conseguem passar. O prêmio é uma vida longe da miséria em um refúgio chamado de Maralto.


A primeira temporada possuía recursos bem limitados. E até encontraram soluções inteligentes para os mesmos. Focaram mais em contar uma boa história, que passa a maior parte dentro do prédio onde ocorre o processo. As atuações tinham seus destaques, mas uma parte ainda não conseguia entregar de forma convincente as emoções que as cenas pediam. Felizmente, praticamente todos os problemas foram corrigidos para o segundo ano.

Em 27 de abril, pudemos conferir todas as melhorias que os produtores inseriram na trama que está ainda maior, com 10 episódios ao invés de 8. Os efeitos visuais ainda deixam a desejar, mas isso é algo aceitável devido ao cuidado com o roteiro que se esforça para surpreender. Pedro Aguilera é um escritor que fez a lição de casa muito bem, entregando uma segunda temporada competente, expandindo ainda mais o universo apresentado em 2016.

Conseguimos ver o Maralto, mas confesso que ficou bem diferente do que eu havia imaginado. Na primeira temporada, temos somente uma imagem do local com prédios modernos em formatos futurísticos. Na realidade, o lugar parece mais um spa em uma ilha paradisíaca, sem muitas construções chamativas. Com certeza, a grande sacada da segunda temporada foram os mistérios resolvidos que foram apresentados no primeiro ano. 

O desenvolvimento dos personagens é outro ponto forte da trama, já que os protagonistas apresentam motivações distintas para desafiar o sistema. Bianca Comparato parece estar mais à vontade no papel de Michele. Enquanto a maravilhosa Vaneza Oliveira, brilha mais uma vez interpretando a impetulante Joana. Prepare-se também para muitas reviravoltas, pois os episódios estão lotados de flashbacks que contam o que ocorreu com os personagens durante esse ano de intervalo entre o processo 105 e o anterior.

Deixe seus preconceitos de lado


Antes da estreia de La Casa de Papel, a produção brasileira era a série de língua estrangeira mais assistida na Netflix e não é por acaso. Com uma história intrigante e que prende o espectador, 3% dá uma aula de diversidade. Vemos atores de várias etnias e LGBTs, interpretando papéis de diferentes níveis hierárquicos. Isso é algo para realmente aplaudir de pé, pois ainda são poucos os autores que possuem esse cuidado em abordar um tema tão importante nos dias atuais.

Se você desistiu de assistir no primeiro episódio ou nem começou a ver por ser um produto nacional, fica a minha dica: dê uma chance para esse e outros conteúdos nacionais e esqueça o padrão estabelecido na nossa TV aberta. Você irá se surpreender e incentivar novos conteúdos dos mais variados temas, que nós nem imaginaríamos que seriam possíveis.

Créditos

Texto: Angelo Prata
Revisão: Bruno Bolner

O artigo apresenta as opiniões do autor do texto, não do site Co-op Geeks.

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