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Bruno Bolner 13.8.18

A possibilidade de jogar com outras pessoas, independente da plataforma, sempre foi um sonho e o cross-platform play, mais conhecido como crossplay, é uma realidade que estamos vivenciando hoje. É possível que usuários de plataformas diferentes possam se enfrentar ou se unir em partidas de Paladins, Terraria, Street Fighter V, Rocket League, Dragon Quest X, entre outros. A comunidade gamer adotou este recurso e apoia as iniciativas.

Press Start

Nos PCs, o crossplay teve seu início quando diferentes sistemas operacionais passaram a utilizar um protocolo de comunicação padrão. Se popularizou com o Steam, famoso serviço de jogos online, criado pela Valve, que foi inicialmente desenvolvido para Windows, expandindo-se ao OS X em 2010 e ao Linux em 2013, abrindo sua API para que fosse possível desenvolver games multiplataforma nestes sistemas operacionais, aproveitando seus recursos, como lista de amigos, comunicação e matchmaking.

Nos videogames, se deu início lá por 2002, quando a Sony possibilitou a jogatina de Final Fantasy 11 entre o PlayStation 2 e o PC. Hoje, a realidade está um pouco diferente, onde já é possível que partidas ocorram entre jogadores de Nintendo Switch e Xbox One, coisa que antes, as fabricantes dos consoles questionavam e não possibilitavam que viesse a acontecer.

As mobilidades também não ficam de fora, com dispositivos Android e iOS disputando usuários mundialmente. Geralmente, o multiplayer entre estas plataformas, acontece com um jogador realizando sua jogada e aguardando o outro realizar a sua, porém, não em tempo real. Como as partidas ocorrem em turnos, não é necessário que ambos jogadores estejam online ao mesmo tempo. Com a chegada de games, como Hearthstone: Heroes of Warcraft, este cenário começou a mudar, possibilitando que o jogador desfrute de uma experiência online e sincronizada com jogadores das diversas plataformas para as quais o game fora lançado.

O mercado de realidade aumentada também já vem trabalhando no crossplay e na possibilidade do jogador poder escolher entre os diferentes óculos de realidade virtual disponíveis. O jogador costumava ficar preso a games que fossem compatíveis somente com o seu óculos, coisa que deve mudar em breve.

Um boss atrás do outro

Mesmo que a ideia seja muito interessante e todos vejam os benefícios que o serviço pode trazer, tanto para os próprios jogadores, quanto às próprias desenvolvedoras, ainda existem alguns pontos que prejudicam a experiência.

Com a popularização dos jogos online e o serviço de internet mais estável e melhorado, lá nos consoles PlayStation 3 e Xbox, se tornou necessário que fossem criados serviços de segurança para os dados dos usuários, incluindo serviços próprios, como listas de amigos e mensagens. Embora estes serviços ofereçam muitos benefícios aos players, também ajudam a empresa a gerir e manter uma experiência mais atraente aos seus consumidores, garantindo que jogos, updates e outros conteúdos atraiam novos jogadores para seus próprios consoles. Ninguém quer perder para o concorrente, então, os métodos abordados limitam os recursos para seus produtos apenas. Assim, sua lista de amigos do Xbox não pode ser compartilhado com sua lista da PlayStation nem com da Nintendo, e vice-versa.

Outro fator que dificulta o crossplay é o fato de cada empresa utilizar protocolos de comunicação específicos. Por ser único em cada plataforma, pode gerar problemas em gameplays online, causando os conhecidos lags e travamentos que tanto irritam qualquer jogador. O atraso de qualquer frame, por milésimo de segundo que seja, pode causar a morte de um personagem ou a derrota em um campeonato. É o principal medo que as desenvolvedoras possuem, pois, a frustração de jogadores pode causar na desistência do game e, consequentemente, na migração para o game da concorrente.

Talvez, o principal motivo para que não seja possível jogar com usuários de outras plataformas ainda seja a estratégia das empresas em relação ao mercado. Enquanto Microsoft e Nintendo, por exemplo, já permitem que seus clientes compartilhem a experiência juntos em Fortnite: Battle Royale, mesmo que não utilizando os seus próprios meios, a Sony ainda bloqueia a funcionalidade entre consoles, principalmente, por estar à frente às concorrentes nos números de usuários. É uma estratégia que precisa estar muito bem definida para que não ocasione na migração de usuários para outras plataformas.

Pra zerar!

Consolidando-se aos poucos no cenário atual, o crossplay está se tornando algo frequente nos games, principalmente nos Battle Royale. As desenvolvedoras perceberam o quanto pode ser benéfico permitir que jogadores de diferentes plataformas possam se enfrentar, ou jogar juntos, e, assim, garantir a satisfação da comunidade gamer.

Por mais que existam algumas pedras no caminho, o serviço está crescendo e revolucionando o mercado do multiplayer online. É comum vê-lo entre os consoles de uma mesma fabricante. Nos resta aguardar o caminho que será trilhado para os consoles das diferentes fabricantes e torcer para que elas possibilitem que os jogadores possam jogar juntos independente da plataforma que possuem. A conquista que falta para esta batalha.

Créditos

Texto: Bruno Bolner
Revisão: Bruno Bolner e Jonathan Araújo

Este artigo apresenta as opiniões do autor do texto e não do site Co-op Geeks.

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