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Felipe Cavalcante 2.10.18



Com a aproximação da estréia de Venom, o próximo filme da Sony derivado do Universo do Homem-Aranha e que será estrelado por Tom Hardy, e as novas imagens de Joaquin Phoenix como o Coringa num filme solo produzido pela Warner Bros., vem junto uma nova onda de polêmicas sobre os filmes de vilões. Afinal, nós realmente precisamos de filmes solo de vilões das HQs? Investir nesse tipo de filme seria um erro ou uma boa decisão?

O caso da Sony


A ideia de um filme solo do vilão Venom tem flertado com a Sony Pictures Entertainment já há algum tempo. Os filmes do Homem-Aranha foram, de longe, uma das franquias mais lucrativas feitas pelo estúdio que, até aquele momento, possuía parte dos direitos do Cabeça de Teia obtidos de uma Marvel que beirava a falência. Como nem só de Homem-Aranha vive o homem, haviam rumores de que a Sony planejava fazer spin-offs com o personagem Venom, naquela época vivido pelo ator Topher Grace. Mas, com o fracasso retumbante de Homem-Aranha 3, seus planos foram adiados e a visão de Sam Raimi do Abutre em um quarto filme nunca nem deixou os storyboards...

Passou-se o tempo e veio o reboot protagonizado por Andrew Garfield, que foi extremamente divisivo, com um novo Peter Parker, novas tramas que se desenrolariam a partir dos segredos da família Parker e uma desesperada tentativa de se criar um universo compartilhado, onde rumores bizarros, como um spin-off protagonizado pela Tia May que infelizmente provou-se verdade e de filmes solo de personagens secundários da Nova York de Peter Parker, iam e vinham.


E aí tudo mudou, quando a Nação do Fogo atacou... Na verdade, o ataque foi feito pela Marvel, num acordo, antes sem precedentes, com a Sony, onde ofereceriam uma espécie de assessoria para os filmes e, em troca, teriam mais um personagem para Guerra Civil. O que Kevin Feige não poderia prever seria o anúncio do filme solo de Venom, com Tom Hardy, e com a presença do Dr. Carlton Drake (Riz Ahmed), que será o simbionte Riot. Se os trailers são confiáveis como qualquer indicadores sobre o filme, com certeza será algo que poderia facilmente ser produzido nos anos 90, cheio de diálogos ligeiramente sombrios e cenas de ação macabras. Fica a dúvida: será satisfatório?

O Palhaço do Crime


Enquanto isso a Warner Bros. está apostando em uma nova abordagem para os seus filmes. Depois de uns bons fracassos e recepções mistas, a sua parceria com a DC Comics está depositando todas as fichas em um filme solo do Coringa, que será dirigido por Todd Phillips (Se Beber Não Case, Cães de Guerra), com roteiro co-escrito por ele e o roteirista Scott Silver, e estrelado pelo renomado ator Joaquin Phoenix (Gladiador, Ela) interpretando um personagem chamado Arthur Fleck, um humorista em crise que eventualmente se tornará o Palhaço do Crime em Gotham City.

Ainda não existem muitos detalhes para esse filme, sabe-se que ele se passará todo na Gotham City de 1980, que terá o personagem Thomas Wayne (Brett Cullen), um homem de negócios de moral questionável que estará concorrendo para prefeito, e ainda contará com Zazie Beetz (Deadpool) e Frances Conroy (American Horror Story) no elenco, respectivamente como o interesse amoroso de Fleck e a mãe terminalmente doente, Penny Fleck. O que mais se tem notícia é de que esse filme tem como inspirações os trabalhos do diretor Martin Scorsese: Taxi Driver, The King of the Comedy e a graphic novel de Alan Moore, A Piada Mortal.

Não se tem muita certeza sobre o sucesso ou fracasso do filme mas, até o momento, todo o material que foi divulgado parece ter convencido os fãs mais convictos do "Mr. J" de que esse será um retrato incomum e cruel do vilão. Um teste de câmera que revelou o pré-visual final de Joaquin Phoenix como o vilão e pequenos trechos de cenas filmadas num metrô, onde podemos ver o Coringa se deliciando com o caos, corroboram tais expectativas... Mas será que o próprio filme, independente do Universo Estendido da DC, já não demonstra caos e instabilidade?

Jared Leto: uma carta coringa?


Enquanto o filme novo do Coringa está recebendo atenção redobrada, o mesmo já não pode ser dito do anteriormente cogitado filme solo estrelado por Leto. O ator que causou rebuliço e polêmica ao ser contratado para viver o Palhaço do Crime em Esquadrão Suicida e não alcançou a popularidade desejada, foi de certo modo colocado pra escanteio, mesmo com a Warner Bros. ainda afirmando que os projetos de um filme do Coringa e Arlequina continua nos planos do estúdio.

Além disso, um filme de Morbius foi anunciado pela Sony e será estrelado por Jared Leto. O vilão secundário das histórias do Homem-Aranha nos quadrinhos, retratado apenas na série animada, é um cientista que se transforma em um vampiro após um acidente de laboratório. Enquanto seria interessante trazer novas histórias para o universo compartilhado que a Sony parece estar querendo construir - como a tragédia de um vilão que acaba precisando consumir plasma humano para sobreviver - outras ideias  e anúncios feitos recentemente parecem mostrar que os filmes de super-vilões são muito mais uma tentativa desesperada de lançar um hit.



A Sony também anunciou um filme solo de Kraven, o Caçador, um vilão que tem uma obsessão em caçar o Homem-Aranha e tem papel num dos momentos mais sombrios das HQs do Amigo da Vizinhança, A Última Caçada de Kraven. Ao que parece, os engravatados dos estúdios parecem não entender o verdadeiro apelo dos vilões de HQs e de qualquer boa história, transformando-os apenas no mal a ser combatido pelos heróis. Os vilões são conflituosos, torturados ou confusos, e isso só faz a tragédia de estarem no lado negro da Força mais tocante para nós espectadores. Esperamos que essa onda de filmes solo dos vilões, pelo menos, renda bons frutos para os blockbusters de super-heróis...

Créditos

Texto: Felipe Lima
Revisão: Felipe Lima e Bruno Bolner

Este artigo apresenta as opiniões do autor do texto e não do site Co-op Geeks.

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