Menu
» » » » » » » » » » » » Top 5 | Distopias que deram certo disponíveis na Netflix


Valentina Gaztañaga 29.1.19


Sim, parece muito contraditório, mas no universo da cultura pop uma distopia pode dar muito errado, se perder em corridas labirínticas como em Maze Runner ou ser tachada a la Jogos Vorazes genérica, como a saga Divergente. O pior não tem limite. Você vai ouvir esta frase muitas vezes em sua jornada neste canto escuro das grandes histórias.

Um futuro distópico é um espaço-tempo onde tudo o que poderia dar errado, (fu)deu. Logo, vem os problemas por parte da construção dos personagens que precisam aprender a viver sob um novo paradigma ainda a ser elaborado, construído, testado e passado como cultura às próximas gerações.

Neste sentido, a carga política das histórias está presente como ponto focal e a partir dos conflitos entre Estado e indivíduo, o desenrolar dos acontecimentos sucede. Há um encolhimento das liberdades individuais e a luta pela sobrevivência é o que permeia e dá cor ao gênero. Resumindo, significa que em uma distopia um novo grupo assume o controle dos meios de produção, como a água em Mad Max ou a terra em Waterworld, e de maneira autoritária impõe suas “leis” aos demais.

Se você é assinante da Netflix tem pelo menos 5 distopias que deram certo para assistir no final de semana.

Os Filhos da Esperança



Os filhos da esperança (Children of men), do diretor Alfonso Cuarón (sim, o mesmo que dirigiu Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban), traz marcas de um tempo de intolerância extrema e repressão, em que seres humanos são enjaulados nas ruas e controlados como pragas em um contexto onde nenhum outro bebê nasce há 18 anos. O filme tem uma fotografia eletrizante e em algumas cenas faz questão de embarcar quem está assistindo para dentro da história, com direito a respingos de sangue na lente da câmera. É como uma mensagem subliminar: “ei, você está sentado aí assistindo a tudo isso sem fazer nada…”.

Amores Canibais



Amores Canibais (The Bad Batch), da diretora Ana Lily Amirpour, vem na contramão da seriedade com a qual geralmente se costuma construir uma narrativa distópica. Emplaca cenas de gore em um saudosismo à Jogos Mortais (o primeiro filme da franquia), humor negro e Keanu Reaves (e se você ainda não viu a trilogia Matrix, corre, ela é a nave-mãe das distopias na alvorada dos anos 2000). Jason Momoa no papel de um sarado adepto à proteína também contribui para os ares de humor desta distopia bastante calórica.

WALL-E



WALL-E é uma animação da Pixar que vale a pena rever. Principalmente, porque os temas ali como a questão do destino do lixo, dieta humana, inteligência artificial e conquista espacial ainda são super presentes no imaginário dos diretores atuais. É um bom filme de iniciação para quem procura assistir em família e tentar elevar o nível de discussão do jantar.

Waterworld



Waterworld, do diretor Kevin Reynolds, é um clássico distópico da década de 1980 que inspirou muitas outras distopias naturais (onde a escassez de um recurso natural é parte das dificuldades na luta pela sobrevivência). Vale a pena assistir como curiosidade, mas já adianto que é muito mais provável que se algo assim acontecer (se já não está acontecendo) é a água que será escassa.

O Vingador do Futuro



O Vingador do Futuro (Total Recall), do diretor Paul Verhoeven, é um remake do clássico com Arnold Schwarzenegger de 1990, baseado em um livro de Philip K, Dick (autor clássico de ficção científica). Polêmico entre os fãs, traz dentro do gênero das distopias a cultura cyberpunk como pano de fundo (a decadência através da tecnologia). Com algumas dúvidas sobre a atuação de Colin Ferrell, o diretor consegue atualizar alguns temas, mas sem grandes pretensões políticas.

E se você quiser ir além da rede, pode procurar o clássico dos clássicos, o filme de Orson Wells sobre o livro 1984 de George Orwell. Obra que está no imaginário de todo diretor de distopia. Vale lembrar que uma distopia não é necessariamente um filme pós-apocalíptico. A distopia se caracteriza pela retomada da atividade social, mas com temas morais e éticos invertidos, autoritários, com liberdades individuais cerceadas e geralmente sem final feliz para ninguém. Já no gênero pós-apocalíptico o retrato da sobrevivência é dado no momento seguinte ao acontecimento que destrói a ordem vigente. A distopia se passa quando as pessoas voltam a se organizar em sociedade só que de maneira repressora.

Outros filmes como Distrito 9 e a quadrilogia Jogos Vorazes também são exemplos de distopias que deram certo, por mais contraditório que isso possa parecer. Comenta aqui embaixo, que outra distopia você viu na Netflix?

Créditos

Texto: Valentina Gaztañaga
Revisão e imagens: Bruno Bolner

Este artigo apresenta as opiniões do autor do texto e não do site Co-op Geeks.

«
Próximo
Postagem mais recente
»
Anterior
Postagem mais antiga