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» » » » » » » Coisa Mais Linda: O elogio preferido das mulheres


Valentina Gaztañaga 9.4.19


Mais um produto brasileiro para o mundo via Netflix. A série Coisa mais linda estreou no último 22/03 reforçando o papel importante na disseminação de conteúdo “estrangeiro” dos streamings de vídeo, mesmo que algumas produções sejam assinadas depois de completamente prontas em território nacional. Mas isso, finge que você não leu. É da Netflix agora haha.

Coisa mais linda tem o Rio de Janeiro como lugar e a década de 1960 como tempo. Explora pouco as cenas externas, mas tem um colorido da fotografia bem empolgante.  O time de atrizes é excelente, com a volta da Mel Lisboa (se você não viu a série da Globo Presença de Anita, vale a pena, é inspirada no livro Lolita de Vladimir Nabokov) e a atriz Maria Casadevall como personagem principal. A série conta a história de mulheres e da luta contra tudo o que se opõe ao fato de simplesmente “ser mulher”. Desafios pessoais, relacionamentos falidos, independência financeira, conquista de espaços e muito mais. Você pode sentir ares de qualquer manifesto feminista, mas aí eu venho para te lembrar que todo objeto de entretenimento é em si um produto. Feminismo ou Feminismos (prefiro no plural) são outra coisa.

A violência doméstica também é retratada, mas o recorte é sempre um desafio. A vida privada de relacionamentos decadentes é bastante turbulenta, mas em casos assim prefiro que o roteirista lembre quem está assistindo que o tapa tem consequências jurídicas e sociais. Às vezes exibir a agressão por si termina sendo um desserviço. E aqui respiramos fundo.

Fetiche? Claro!, você vai encontrar aos montes. Da moda hipster a muito cigarro na boca de lindos lábios vermelhos e uísque. O repertório musical promete bossa nova, mas você termina escutando Cazuza, o que mostra um conflito de interesses da idade do público para o qual a série foi desenvolvida. Seria a faixa dos 30/40 anos? Desconfio que sim.


Sem adiantar a trama, mas incentivando que você tire suas próprias conclusões, os dois primeiros episódios dão um tom importante desmembrando a história de cada uma das quatro personagens. Tramas distintas, mas que se unem ante a um desejo em comum: o grito de independência. A personagem da atriz Patrícia Dejesus, com certeza, é a mais complexa e a única que aponta ao pilar social do feminismo. E de novo, meus queridos amigos imaginários, não há como descolar do(s) feminismo(s) questões como racismo e desigualdade social.

Os episódios que levam ao fim da série são mais arrastados, mas o gancho para a segunda temporada está ali. Se você curte o clima de club de jazz e simpatiza com as atrizes, vale encarar uma maratona com as amigas. Dá pra fazer as unhas umas das outras e bebericar um drink desses com azeitona dentro (ou um refrigerante se você for menor de idade!). É algo para levantar o moral das meninas.

Mas (sim eu sempre carrego muitas conjunções adversativas no meu bolso), acho que você poderia passear por outras produções depois, como a versão audiovisual da graphic novel Persepolis (2008), de Marjani Satrapi, o filme brasileiro Nise – O Coração da Loucura (2016) sobre a médica psiquiatra Nise da Silveira ou ainda o filme americano Minha Casa Rosa (2017) de Courtney Moorehead. Opções sobre “filmes com mulheres fortes” (sim, esta expressão é uma das tags na Netflix) não faltam. A dica é escolher aquelas que fazem a diferença para o coletivo. <3

Créditos

Texto: Valentina Gaztañaga
Revisão e imagens: Bruno Bolner

Este artigo apresenta as opiniões do autor do texto e não do site Co-op Geeks.

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