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» » » » » » » » » » » Batwoman: críticas levantadas e a première na Comic Con 2019


Valentina Gaztañaga 19.7.19


Kate Kane (interpretada pela atriz Ruby Rose) aparecerá com sua versão fit do manto negro de Batman na apresentação do piloto de Batwoman neste sábado (20/07/2019) na première da série em seu painel da Comic Con. A spin-off do canal de TV americano The CW faz parte do Arrowverse, um conjunto de séries interconectadas de super heróis da DC Comics para o canal, que inclui The Arrow, Super Girl, The Flash, Legends Of Tomorrow e agora Batwoman

Além do primeiro episódio, o canal levará para a Comic Con os produtores e os atores da série para conversar com os fãs logo após a exibição. David Nutter, que também já dirigiu episódios de The Flash e Game of Thrones, assina o piloto. Greg Berlanti é o produtor-executivo e Caroline Dries está à frente como showrunner e roteirista.

Foram divulgados um trailer, três teasers e a sinopse oficial até agora. Os vídeos mostram a heroína lésbica e boa de briga - ainda sem a cabeleira ruiva - se encaminhando para assumir o manto negro durante o sumiço do herói das ruas de Gotham.


Confira a sinopse oficial divulgada pelo canal:

“Kate Kane (Ruby Rose) nunca planejou ser a nova vigilante de Gotham. Três anos após o misterioso desaparecimento do Batman, a cidade está desesperada. Sem o Cruzado Encapuzado, o Departamento de Polícia foi sobrecarregado por gangues criminosas. É aí que entra Jacob Kane (Dougray Scott) e sua empresa militar Crows Segurança Particular, que agora protege a cidade com poder de fogo e milícia onipresentes. Anos antes, a primeira esposa de Jacob e sua filha foram mortas numa troca de tiros. Ele enviou sua única filha sobrevivente, Kate Kane, para longe de Gotham para sua segurança. Após uma dispensa do colégio militar, e anos de um brutal treinamento de sobrevivência, Kate volta para casa quando a gangue Alice no País das Maravilhas mira seu pai e sua empresa, raptando sua melhor agente dos Crows, Sophie Moore (Meagan Tandy).

Apesar de casado novamente com a rica socialite Catherine Hamilton-Kane (Elizabeth Anweis), que financia os Crows, Jacob ainda sofre com a perda de sua família, enquanto mantém Kate (a filha que ainda tem) distante. Mas Kate é uma mulher cansada de pedir permissão. Para ajudar sua família e sua cidade, ela terá que se tornar a coisa que seu pai mais odeia, uma vigilante das trevas. Com a ajuda de sua bondosa meia-irmã, Mary (Nicole Kang), e o engenhoso Luke Fox (Camrus Johnson), filho do guru de tecnologia das Empresas Wayne, Lucius Fox, Kate Kane continua o legado de seu primo desaparecido, Bruce Wayne, como Batwoman. Ainda tendo um sentimento por sua ex-namorada, Sophie, Kate usa tudo em seu alcance para combater os planos sombrios da psicótica Alice (Rachel Skarsten), que está sempre entre a sanidade e a insanidade. Armada com uma paixão pela justiça social e sem medo de falar o que pensa, Kate voa pelas ruas escuras de Gotham como Batwoman. Mas não a chame de heroína ainda. Em uma cidade desesperada por um salvador, ela deve primeiro superar seus próprios demônios antes de abraçar o chamado para ser o novo símbolo de esperança.”

Já rolou também a primeira participação da mulher morcego em um crossover com a série Super Girl.



O acesso à Batcaverna e às tecnologias cibernéticas de espionagem de Bruce colocam Kate Kane no primeiro escalão de super heróis, talvez em um patamar mais privilegiado do que Kara Zor-El, a Super Girl. Não fica muito claro se Kate também terá acesso ilimitado à fortuna e aos círculos sociais frequentados pelo morcegão.

A trama parece apontar mesmo para problemas urbanos da clássica Gotham. E como mostram as cenas com Arlequina, a violência vai permear as interações entre os personagens, um pouco diferente de como é retratada em The Flash e Super Girl. Batwoman tem alguns elementos de lutas marciais e uma pancadaria um tanto estranha (quem lembrou das cenas de luta de Jessica Jones?). 

A série parece trazer um conteúdo mais adulto, tanto pela temática sombria e violenta da cidade corrupta, como também pelo caráter sensual das relações entre Kate e Sophie. Nos quadrinhos, Batwoman nunca foi assumidamente (ou escondidamente) lésbica, teve versões em que era filha do comissário Gordon, entre outras.

A contratação de Ruby Rose, no entanto, deu o tom de como a série poderia ousar. Na contramão de Matthew Bomer, a atriz se tornou conhecida pelo grande público em uma série em que a expressão da sua sexualidade era a mesma da sua personagem, quando interpretou Stella em Orange is the New Black na temporada de 2015. Nenhum ator deve estar fadado a representar um esteriótipo de sua sexualidade, mas ter que passar o tempo todo interpretando a mesma identidade de gênero deve ser um pouco chato... Seria uma zona de conforto dos roteiristas, talvez?

Ainda não é possível afirmar em LETRAS GARRAFAIS que a construção da personagem não cairá em um clichê típico masculino - lembrando que a roteirista é uma mulher -, mas os trailers já mostraram um recorte interessante. 



O visual de Kate Kane se destaca inicialmente pela androgenia. O ser andrógeno é aquele que aparentemente não se sabe definir o gênero, se vale de uma mistura de características físicas, de posturas e de estilo que não ficam nem lá, nem cá. Na participação especial no crossover Elseworlds, o visual está ligeiramente diferente, mais exagerado. A androgenia geralmente é marcada pela “ilusão de ótica” em poucos elementos. Quando a extravagância toma conta, o visual ganha ares (alegres) de Drag. 

Enquanto Kate Kane em sua versão “civil” aparece com roupas escuras tidas como “mais masculinas”, sua Batwoman ganha elementos caricaturais: o cabelo ruivo falso, o batom vermelho, bota de salto e a própria roupa que pode ser entendida como uma fantasia. Kate e Batwoman formam uma mistura estética que “confunde” pelo excesso, e não pela falta de referências. Essa “confusão” que o visual da prima de Bruce Wayne provoca exemplifica bem a complexidade da construção social de gênero ao tentar definir o que é ser mulher, ser feminina.

Embora seja um produto da indústria cultural e, como tal, sem nenhuma “obrigação” de abordar o feminismo com rigor acadêmico, a série coloca temas do chamado feminismo “branco” em evidência (ainda que sua ex-parceira, a agente Sophie Moore, seja negra). Debates acalorados estão por vir com frases emblemáticas do tipo “não vou deixar um homem levar os créditos pelo trabalho de uma mulher”. Será que foi daí que veio a ideia para a cabeleira ruiva fake e os outros traços de “feminilidade” da roupa?

Batwoman irá ao ar todo domingo às 18 horas no canal CW dos Estados Unidos, com estréia prevista para 06 de outubro de 2019.

Créditos:

Texto: Valentina Gaztañaga
Revisão e imagens: Bruno Bolner

O texto apresenta as opiniões do autor do artigo e não do site Co-op Geeks.

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