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Felipe Cavalcante 11.3.20


O Homem Invisível dirigido por Leigh Wannell e protagonizado por Elisabeth Moss (O Conto da Aia) consegue surpreender com uma nova versão da história clássica, renovando ela com um tema importante os dias atuais e sendo genuinamente aterrorizante.


Depois do fracasso inicial da construção de um universo compartilhado de monstros e a mudança de tom nos remakes de Monstros Clássicos da Universal, o Homem Invisível acerta muito em tom e atmosfera. A trama desse filme foca em Cecilia, interpretada por Moss, uma mulher que finalmente consegue escapar de um relacionamento extremamente abusivo com seu namorado, o milionário e gênio Adrian Griffin, escondida e ainda se recuperando da sua fuga desespera e trauma, ela recebe a notícia de que seu ex-namorado morreu e a deixou como herdeira de todo o seu dinheiro e embora a notícia a choque de início ela decide recomeçar, e tudo parece estar bem até Cecilia começar a desconfiar de que Adrian não apenas está vivo e continua a persegui-la, mas que ele também está lá mesmo quando ela não pode o ver...

Uma das novidades que esse filme trás é o modo de encarar o "monstro". Desta vez o foco  do horror não é no cientista louco cuja invenção científica instável e inacreditável e que está intimamente ligada à satisfação dos seus desejos mais profundos desperta uma loucura adormecida enquanto seu ego toma conta, mas sim o impacto que esse homem causa nas pessoas ao redor, dessa vez a história é contada a partir da pessoa perseguida.

A atuação de Elisabeth Moss carrega o filme com uma atuação de uma personagem quebrada, traumatizada e que em determinados momentos duvida até de si mesma e o modo como o filme trata a relação abusiva que ela sofreu além de bastante precisa e certeira se encaixa muito bem na trama, embora os outros atores também estejam muito bem, o ator Aldis Hodge faz bem o seu papel de James, o amigo policial de Cecilia e mesmo com pouco tempo de tela Oliver Jackson-Cohen tem uma presença ameaçadora como o namorado abusivo Adrian bem construída.

Parece irônico dizer, mas esse filme funciona muito bem ao construir a ameaça não vista do personagem Adrian e em um nível de horror psicológico de uma tensão tremenda.

Esse também é aquele tipo de filme que precisa ser assistido sem se saber dos spoilers. Não que o filme se carregue muito neles, mas o choque dos plot twists que ocorrem no filme não apenas acabam dando ao filme mais camadas, como também vão fazendo o espectador se questionar junto o que está acontecendo, tanto quanto onde está o Homem Invisível agora? Se você for perspicaz e seguir uma linha narrativa no filme vai ser recompensado no final  se não seguir vai ser surpreendido.


Além disso o film usa técnicas de filmagem muito interessantes para se mostrar algo que não está lá, o modo como o diretor utiliza isso para alcançar uma sensação medonha na qual ficamos, além de imersos querendo saber onde algo vai se manifestar, também o tempo todo nos questionando funciona maravilhosamente e as cenas de confronto com o homem invisível em si tem peso, consistência e apresentam uma ameaça muito real.

O Homem Invisível é bastante inventivo, com momentos surpreendentes e atuações sólidas e muito bem executadas.

Créditos

Texto: Felipe Lima
Revisão: Felipe Lima


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