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Felipe Cavalcante 7.3.20


A Disney e a Pixar anunciaram recentemente a primeira personagem LGBTQ+ que fará uma aparição no novo filme da Pixar que chega aos cinemas agora - Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica (no título original Onward), contudo, a recepção dessa nova personagem não foi exatamente a esperada na internet, mas isso já é um sintoma de algo muito mais antigo na empresa do Mickey Mouse.

O primeiro personagem gay da Disney...



A personagem que aparecerá na animação Dois Irmãos é uma personagem secundária, a oficial Spencer, dublada no original pela atriz lésbica Lena White (da série Master of None), uma ciclope púrpura e uma oficial de polícia, no entanto é caracterizada como sendo lésbica apenas em uma cena quando ela se refere sobre sua namorada com sua parceira (que é dublada pela atriz e comediante Ali Wong): "A filha da minha namorada me fazer querer arrancar meu cabelo".

Contudo, apenas essa fala rápida deixa claro que a personagem é lésbica e o papel da personagem na história segundo relatos de portais de notícias no filme em si é bem pequeno.

Essa não é a primeira vez em que a Disney procura adicionar representatividade LGBTQ+ em seus grandes lançamentos e franquias, mas apesar disso as críticas que vem recebendo não tem vindo apenas dos esperados comentários homofóbicos, as críticas também tem vindo dos próprios membros da comunidade LGBTQ+.


Em 2017 com a aproximação da estreia do remake live-action de A Bela e a Fera, estrelado por Emma Watson, um dos destaques em diversos portais de notícias de que no filme teríamos a revelação de que Lefou, interpretado pelo ator Josh Gad, seria oficialmente gay e muito se disse sobre como o personagem protagonizaria o que muitas e muitas vezes foi dito que seria a "primeira cena abertamente gay" dos filmes da Disney. A data da estreia do filme veio e a decepção de muitas pessoas também ao descobrirem que a tão referida e comentada cena era apenas um pequeno momento com menos de um minuto de duração em que Lefou se atrapalha durante uma dança no castelo do príncipe e acaba dançando com outro homem e então corta para outros personagens.

Agora sinais vermelhos estão abrindo para muitas pessoas com o anúncio de que uma série limitada de seis episódios e prequel de A Bela e a Fera estrelando Gaston e Lefou, novamente interpretados por Luke Evans e Gad, estaria sendo considerada para a plataforma de streaming Disney Plus, especialmente depois da polêmica recente em que a Disney teria se metido ao realocar a série "Love, Victor", um spin-off do filme de comédia romântica adolescente "Com Amor, Simon" para a plataforma Hulu, por considerar que a série era muito adulta e não tinha tanto apelo para uma plataforma de conteúdo mais família.

E as polêmicas com essa questão não acabam aqui. Em Star Wars: A Ascensão dos Skywalkers aconteceu o "primeiro beijo lésbico" da franquia Star Wars, mas claro, esse beijo aconteceu com duas personagens secundárias e durou apenas alguns segundos, além disso, um dos próximos lançamentos da Disney, o filme Jungle Cruise, estrelado por Dwayne Johnson e Emily Blunt, supostamente contará com um personagem gay, interpretado pelo ator Jake Whitehall e as reportagens de rumores que esse personagem será retratado como sendo o alívio cômico do filme não são muito animadores...




A Disney sempre se prestou a vender o mundo idealizado e a sua marca chegou a nós como aquela das princesas e príncipes, dos contos de fada e histórias cheias de magia onde os sonhos podem se realizar... Mas, justamente por causa dessa reputação criada a empresa não pode crescer em seus filmes e produtos, todos esses "primeiros personagens LGBT+" da Disney não oferecem realmente alguma representatividade, eles são apenas pontos de uma checklist que precisam ser preenchidos para atrair novos públicos para os filmes e boa imprensa para  a empresa. Enquanto outros estúdios de animação como a Laika tem a vontade e a oportunidade de oferecer histórias inovadoras, sensíveis e que apresentam formas de representatividade LGBTQ+ de quando em quando, a Disney continua sem dar um passo maior. Ainda não existe um jeito de furar a bolha e tornar um filme realmente representativo para pessoas LGBTQ+ se não houver um esforço real e enquanto isso não acontece o final feliz pra sempre só existe para os héteros no reino do Mickey Mouse....


Créditos

Texto: Felipe Lima
Revisão: Felipe Lima


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