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Valentina Gaztañaga 10.4.20


A primeira produção do diretor Galder Gaztelu-Urritia em língua espanhola para a Netflix, O Poço pode ser categorizado como uma sátira-sci-fi-erótica-horror-drama que aborda questões sociais, comentários e opiniões sobre o capitalismo e a luta de classes misturada com piadas de banheiro e armadilhas canibais. Ufa!

O Poço traz um intertexto similar com dramas minimalistas como Cubo, começa bem, inicia um debate pesado bem às nossas vistas, mas depois não sabe para onde ir, terminando com um final que, com certeza, incomodou muita gente.

Goreng (Ivan Massagué) acorda no nível 48 de uma prisão e conhece seu colega de cela, um senhor mais velho e aterrorizante (Zorion Eguileor). Esta não é uma prisão convencional, aliás, o lugar faz parte de uma torre aparentemente gigante e todo dia uma plataforma passa através de um fosso bem no centro da cela trazendo restos de um grandioso buffet para ser degustado rapidamente. Assim que a plataforma chega ao nível 48, Trimagasi começa a se servir dos restos, mas Goreng se recusa inicialmente. A atitude de Goreng esclarece imediatamente a batalha simbólica da história. Avançamos presenciando criminosos morrendo de fome e se matando da pior forma possível, corpos de suicidas despencando pelo poço e cenas de ação protagonizadas por uma jovem esquisita que sobe e desce utilizando a plataforma, nos salvando quando a narrativa se torna desagradável.


Depois de 48 horas, Goreng acorda no nível 33 com Imoguiri (Antonia San Juan), uma funcionária da administração que, com algum eufemismo, se refere à prisão ou ao poço como um centro vertical de autogestão e tenta não julgar o terrível lugar para o qual ela mesma enviou várias pessoas por tantos anos. O plot desleixado da trama começa e Baharat (Emilio Buale Coka) aparece com uma corda e muitos ideais “comunistas”. Todos parecem estar bem desesperados.

Com uma impressionante produção para o baixo orçamento ficou evidente o esforço de Massagué, ele consegue construir em cima de lutas de faca com bifinhos de carne humana uma alegoria política e social com uma pitada de filmes de ação. Talvez o que tenha sido unânime foi o final da história. Alguém pode dizer que tenha realmente ficado satisfeito com ela? Conta pra gente o que você entendeu do final!

Créditos

Texto: Valentina Gaztañaga
Revisão: Bruno Bolner

O texto apresenta as opiniões do autor do artigo e não do site Co-op Geeks.

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