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» » » » As Crônicas de Nárnia e seus símbolos


Valentina Gaztañaga 29.7.20



O autor C.S. Lewis, amigo íntimo de J.R.R. Tolkien, escreveu e publicou suas histórias sobre o Reino de Nárnia em um período em que muitas obras de ficção estavam dedicadas a interpretar os acontecimentos em torno da Segunda Guerra Mundial nos EUA e na Europa.

Naquela época, as pessoas estavam interessadas em aliviar os traumas da guerra e do período pós-guerra, assim, livros e filmes que perseguiam todo tipo de vilão com ar de nazista faziam muito sucesso. Mas, a arte de contar histórias também foi influenciada por correntes da psicologia famosas pelas ideias de Freud e Jung, por isso autores e roteiristas incluíam todos os tipos de símbolos, metáforas e alegorias em suas obras. Uma das interpretações do Um Anel em O Senhor dos Anéis, por exemplo, é que ele represente a tecnologia nuclear.

Já na obra de C.S. Lewis, você vai encontrar ideias mais conservadoras, com um discurso religioso (cristão) acentuado e forte papel pedagógico para os leitores da época. Vale lembrar que as adaptações da obra ao longo das décadas atualizaram a recepção da obra, mas os principais símbolos ainda continuam lá.

O LeãoAslan, o leão, simboliza todo o Bem: como Jesus simboliza. Aslan representa o papel de Jesus com a combinação de dois grandes poderes, a força e o amor em Nárnia.

A Feiticeira: a rainha Jadis, a feiticeira branca, que governou Nárnia por 100 anos, representa o poder de Satã ou todo o Mal que existe no mundo. E a representação do Mal através da mulher não é uma novidade no cristianismo.



O Guarda-roupa: já o armário de roupas representa o caminho que leva ao Bem e ao Mal, que revelaria a verdade aos jovens irmãos, o livro sagrado, a Bíblia.

As Crianças: a ideia é de que as crianças possuem o coração puro e um vigor muito grande que guarda o futuro, e que por isso devem ser orientadas, guiadas, para elegerem o caminho certo.

O Tempo: representa que há sempre uma dimensão em que o Tempo corre diferente, de que algumas coisas possuem seu próprio tempo e que a ideia que fazemos sobre ele é diferente para cada pessoa, até mesmo para Aslan e a Feiticeira.

A Grande Vitória: a recompensa da jornada árdua, a ressurreição.



Vale a pena ler a saga ou assistir os filmes? Diria que sim, e não, mas hoje sim, amanhã talvez não. Brincadeiras à parte, não concordo que exista uma obra proibida ou que deva ser evitada. Mas neste universo original de C.S. Lewis você não vai encontrar um Príncipe Caspian desconstruído e nem nada parecido. É preto no branco, certo ou errado, isso ou aquilo.

A série As Crônicas de Nárnia é contada em 7 volumes publicados entre 1950-1956. Foram adaptados para o cinema os livros O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa (2005), Príncipe Caspian (2008) e A Viagem do Peregrino da Alvorada (2010). Havia sido anunciada uma adaptação de A Cadeira de Prata, porém, desde 2017 não houveram novas informações. Será que a obra de C.S. Lewis resiste a uma atualização para a próxima década?

Parece que sim, tendo em vista que a Netflix comprou os direitos para adaptar As Crônicas de Nárnia, seja em série para TV ou produzir novos filmes.

Créditos

Texto: Valentina Gaztañaga
Revisão: Bruno Bolner

O artigo apresenta as opiniões do autor do texto e não do site Co-op Geeks.

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