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» » » » » Dark: o fim do ciclo


Bruno Bolner 23.7.20


Dark estreou seu terceiro ciclo em 27/06/2020, o mesmo dia em que a série prega ser o dia do apocalipse dentro de sua trama. Desde 2017, quando foi lançada sua primeira temporada, a série se mostrou um sucesso, tendo recebido críticas positivas e conquistado uma legião de fãs. Isso tudo graças à estrutura de sua história, desenvolvimento de personagens, direção de arte, fotografia e trilha sonora incríveis. A dedicação e confiança da equipe envolvida no projeto com esse lançamento foi notório, uma vez que a série já havia sido concebida para ter 3 temporadas.

ATENÇÃO: este texto contém spoilers das temporadas 1 e 2 de Dark.

Esta estrutura dividida em um arco fechado, amarrado, é muito interessante, pois possibilita desenvolver uma boa trama, criar uma concepção consistente para encerrar uma temporada e uma série como um todo. Isso pode ser percebido nos próprios encerramentos das temporadas anteriores. Enquanto Jonas viaja para o futuro no final do primeiro ciclo, no fim do segundo ele descobre a existência de outro mundo, enquanto em ambos há a predestinação do apocalipse, e o terceiro ciclo está aqui para resolver os pontos deixados em aberto nestas temporadas e solucionar suas próprias questões.

A série consegue te prender em uma linha de acontecimentos que surpreendem. Todo episódio possui alguma revelação inesperada e pontos chave que ganham força com o passar do tempo. Aqui não temos mais a dificuldade de reconhecer quem é quem, mas com a revelação de um novo mundo, a produção ainda consegue confundir e exigir um pouco mais de nós. São tantas Marthas, Jonas, Claudias, Noahs que dá pra dar um nó na nossa cabeça. Isso sem falar na complexidade da árvore genealógica deles.


Ganhando mais profundidade com o passar dos episódios, enquanto nas temporadas anteriores parece que a série levanta mais dúvidas do que dá respostas, e com o desenvolvimento dos personagens, com uma trama que se torna cada vez mais complexa, entre teorias que mudam ou se confirmam e as perguntas que são resolvidas abrindo espaço para diversas outras, esta última temporada tem a responsabilidade de resolver todos os pontos levantados anteriormente, e consegue esclarecer a grande maioria dos seus questionamentos, ainda deixando espaço para teorias.

E aí você me pergunta "mas Dark não responde tudo?" e eu te respondo "não". Dark consegue resolver a grande maioria das questões, mas não dá uma explicação para algumas coisas pontuais. Há outras coisas que são resolvidas de forma mais sutil e exigem um pouco de análise de nossa parte para conseguir encontrar as respostas que buscamos. E há coisas que podem não ter uma solução satisfatória. É simplesmente aquilo e ponto.

Com um novo enredo a ser construído em cima da existência de outro mundo apresentado no final da segunda temporada, a série trabalha em cima disso numa intersecção de acontecimentos entre os dois mundos e acaba ficando sob responsabilidade de um dos últimos episódios resolver praticamente tudo o que ficou pelo caminho, enquanto os últimos episódios são reservados para resolver o grande enigma de Dark: o loop temporal.


Sobre os aspectos mais técnicos, voltados à produção, não temos muito do que nos queixar. A abertura da season continua bacana e traz novamente a sua maravilhosa música tema. Ela é, simplesmente, incrível.

Falando nisso, a trilha sonora continua muito boa, com músicas densas, pesadas e que casam muito bem com as cenas exibidas. A fotografia é outro ponto alto nesta temporada, com cores que complementam a realidade da situação, com jogo de câmera e sequências muito bem executadas e que trazem um novo ar pra série, conversando com a gente que está assistindo. As vinhetas e o espelhamento utilizados são exemplos disso.

A direção desta temporada conseguiu se superar mais uma vez, trazendo muita nostalgia e homenagem ao início da série. Com o slogan "O fim é o começo. O começo é o fim" a terceira temporada de Dark consegue fazer jus ao que veio, exibindo técnicas e planos sequência com uma verissimilhança muito alta com o que já vimos antes dentro da própria série, só que, ao mesmo tempo, completamente diferente. Tanto trilha, quanto fotografia e direção, conseguem se manter sensacionais às temporadas anteriores.

Apesar de ter poucos pontos fracos, alguns efeitos especiais usados na série não me agradam. E aqui me refiro à cúpula que envolve a usina e ao portal que abre no bunker. Não gosto destes efeitos especiais desde a primeira temporada. Aliás, neste link tem o review da primeira temporada e neste link o artigo da maratona Dark que saiu antes de estrear a última temporada. Em relação aos demais efeitos, não tenho do que reclamar, principalmente os utilizados no último episódio da série.

Outro ponto negativo é a "pouca causa" dada à um personagem, que ganhou bastante destaque nos vídeos promocionais e que a série parece querer fazê-lo ser o destaque, mas que acaba não sendo tão relevante, apesar de ser extremamente importante pra trama. A gente consegue saber qual a função dele, a sua importância no ciclo, mas não consegue sentir o peso que ele tem por ser quem ele realmente é.


Dark consegue ser uma grande obra de arte audiovisual e um grande sucesso popular. As atuações estão impecáveis, a semelhança do elenco, dos atores que representam um mesmo personagem em tempos distintos, é incrível. O trabalho das equipes de casting e preparação dos atores, dos figurinos e maquiagem, estão de parabéns. A manipulação do tempo, o uso dos elementos a seu favor, assim como a construção das personagens, as tramas de suspense, drama, dosados de forma adequada, o seu desenvolvimento como um todo, tornam a série um exemplo de cuidado com sua história e narrativa consistente. Ponto igualmente positivo para os roteiristas.

O formato adotado e a qualidade de sua construção, sem querer se arrastar em diversas temporadas, faz de Dark uma daquelas séries que a gente assiste e fica satisfeito. Se encerra como deve ser, conclui sua história de forma coesa, sem furos e deixa aquela saudade boa, sabe?!.

Por fim, a série de Baran Bo Dar e Jantje Friese se encerra fazendo bom uso dos elementos da viagem no tempo, amarrando de forma satisfatória e interessante as pontas soltas e os enredos dos personagens, conseguindo se consagrar como uma grande obra de ficção científica e se destacando como uma das melhores séries dos últimos anos e, quiçá, uma das melhores e mais bem executadas da própria Netflix.

Créditos

Texto e Revisão: Bruno Bolner

O artigo apresenta as opiniões do autor do texto e não do site Co-op Geeks.

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