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Valentina Gaztañaga 12.8.20


A joia da coroa da filmografia de Mike Flanagan tem título e subtítulo. Hush: A Morte Ouve é uma homenagem ao storyteling com direito a ASMR de terror!

Já imaginou um mundo sem livros, filmes, séries, arquitetura, música e todas as demais expressões artísticas que usamos para contar histórias? Talvez veríamos por aí um tipo de barbárie que já não presenciamos há séculos. As histórias que ouvimos, lemos ou assistimos nos ajudam a vivenciar experiências, mesmo que “na vida real” estejamos confortáveis na poltrona. Elas mexem com nossas emoções.

Contos infantis, romances de formação, filmes de horror, todos têm uma mensagem que chegam a milhares de pessoas todos os dias influenciando o modo como interpretamos nossas emoções e crenças, nos salvando do tédio e até de nossos perrengues e traumas. Por trás deste ofício, está a figura do contador de histórias e seu misterioso processo criativo.

As vozes na cabeça, o cálculo das muitas possibilidades de uma história, o peso da mensagem, o isolamento, a surdez aos estímulos externos, símbolos do cotidiano de quem cria histórias estão presentes na trama do famoso diretor, que levou também os filmes Doctor Sleep e Ouija: Origin of Evil para as telonas.

O enredo de Hush mostra os acontecimentos na noite de uma escritora com bloqueio criativo. Maddie (Kate Siegal) que é surda, enfrenta a temível escolha que irá determinar sua vida dali em diante: ela precisa eleger um entre os 7 finais que escreveu para o seu mais novo livro. Na mesma noite, Maddie é pega de surpresa com a visita indesejada de um serial killer (John Gallagher Jr.) que a força a tomar mais uma decisão.


O roteiro super redondo escrito por Mike Flanagan e Kate Siegal (atriz, roteirista e esposa do diretor) se diverte com diversas técnicas literárias e easter eggs. A técnica da disseminação e recolha ou antecipação mostra, ao mesmo tempo, problema e solução. Por isso, logo no primeiro terço do filme já sabemos como a protagonista irá se defender. Mesmo assim, com a tensão armada pelo primoroso design de som, seguimos juntos com Maddie para entender como lidar com aquela situação de terror.

E é assim que o filme mostra o poder de uma boa história. Somos movidos por nossa curiosidade, mas também pela estrutura da narrativa.

Começo, meio e fim, antecipação, cortes, fotografia, trilha sonora, performance convincente dos atores, uma estrutura muito bem montada com atributos e técnicas sofisticadas que aprisionam nossa atenção. É por isso que consumimos, btw. Nosso cérebro possui esses bugs que a indústria do entretenimento sabe explorar como ninguém.

E não há nada demais em se deixar levar por uma boa história. Algumas coisas podem muito bem ter lugar somente em nossa imaginação, e que mal tem?

Em Hush: A Morte Ouve, você vai encontrar uma bonita experiência sinestésica com direito a aflição, susto, agonia e alívio.

Nada de efeitos especiais escalafobéticos e criaturas demoníacas. Uma daquelas histórias que poderia acontecer com você em plena quarta-feira. Isso te aterroriza?


Hush: A Morte Ouve está disponível na Netflix junto com mais outras duas produções originais dirigidas pelo mesmo diretor.

Créditos

Texto: Valentina Gaztañaga
Revisão: Bruno Bolner

O artigo apresenta as opiniões do autor do texto e não do site Co-op Geeks.

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