Menu
» » » » » » » » » Porque a adaptação de Avatar da Netflix não deve funcionar


Felipe Cavalcante 18.8.20


A adaptação live-action de Netflix da animação Avatar: a Lenda de Aang recentemente causou uma enorme controvérsia entre os fãs com a saída dos dois co-criadores da animação, Bryan Konietzko e Mike DiMartino, sob as alegações de conflitos de visões artísticas na série.

Apesar dessa saída e dos apelos dos fãs, a Netflix afirmou que continuará produzindo a série, mas afinal, será que isso significa que teremos mais uma adaptação decepcionante de Avatar?

E tudo começou quando a Netflix atacou...

Segundo o site Fandomwire, uma fonte da produção confirmou que duas questões foram fatais na decisão da saída dos dois criadores e showrunners da série, muito ao contrários de alguns rumores criados por algumas pessoas de que a Netflix desejava introduzir personagens LGBTQ e os produtores não quiseram ou coisa parecida. As razões da saída dos dois seria relacionada a três principais fatores, sendo os dois primeiros: o tamanho do orçamento dado para a produção da série e o casting da série.

A Netflix aparentemente além de querer cortar parte do orçamento requerido pelos dois criadores, algo compreensível já que ambos nunca trabalharam num projeto com atores anteriormente, também queria considerar que atores brancos ganhassem alguns papéis na série, algo que contrariava muito com a atitude dos dois showrunners que não queriam que nenhum ator da série fosse caucasiano, uma das maiores críticas feitas na adaptação do esquecível O Ultimo Mestre do Ar (2010) dirigido por M. Night Shyamalan.


Essas duas decisões parecem fazer bastante sentido para a Netflix enquanto empresa, uma vez que o investimento de milhões de dólares nessa série precisaria dar um retorno real. Infelizmente, trazer um personagem branco para conseguir fazer com que uma maior audiência assista um filme com um elenco cheio de atores negros, asiáticos ou de outras etnias ainda é muito comum.

Mas outra questão que aparentemente pegou o Konietzko e DiMartino com força suficiente para fazê-los desejar sair do projeto seria o tom da série. A Netflix aparentemente estava considerando fazer os personagens principais, Aang, Sokka, Katara e Zuko, se tornarem mais velhos e mudar o tom mais otimista da animação para algo mais sombrio, violento e até mesmo sexy, na tentativa que várias plataformas de streaming estão recorrendo de conseguir uma nova franquia para ser a sua Game of Thrones.

A"próxima Game of Thrones", só que não

Avatar: a Lenda de Aang é uma série notória por tratar temas de guerra, poder e violência de forma muito madura para uma audiência infantil, e mantendo os momentos de humor e leveza espalhados pela história, uma regra que muitos criadores de conteúdo parecem ter esquecido ao criar seus projetos.

Outra coisa que a Netflix parece ter esquecido é que Game of Thrones não se tornou o fenômeno mundial que conhecemos em sua primeira temporada. Apenas depois do final da terceira temporada, com a viralização das reações da cena do episódio 'O Casamento Vermelho' que a série ficou bem mais conhecida, além do fato de que ela era vendida como "uma série de fantasia para quem não gosta de fantasia", que ela vinha de uma tradição da HBO de séries com temas polêmicos e personagens moralmente cinzentos e que não tinha uma grande competição na época.

Agora toda plataforma de streaming quer uma franquia "Game of Thrones" para chamar de sua e a Netflix estará cometendo um grande erro, caso decida transformar Avatar de tal maneira que deixe a história irreconhecível ou não aposte no diferencial da série: os personagens, o mundo e o humor.

Os fãs de Avatar já receberam um golpe forte com a adaptação cinematográfica de Shyamalan, e assim como os co-criadores da animação, não vamos nos surpreender se eles decidirem abandonar esse bisão voador muito antes que ele sequer pense em decolar...

Créditos

Texto: Felipe Lima
Revisão: Felipe Lima

«
Próximo
Postagem mais recente
»
Anterior
Postagem mais antiga