Menu
» » » » » » O sul coreano #alive inova no terror zumbi


Valentina Gaztañaga 23.9.20

 

Este ano parece que foi o ano deles! As histórias de zumbis estão voltando em filmes, séries e até games. O sucesso do game The Last Of Us 2 neste ano abriu espaço para o debate: afinal, os zumbis de hoje em dia são os mesmos de antigamente?

O filme sul coreano #alive do diretor Cho Il-hyung, baseado no livro Alone, de Matt Naylor, entrega uma história de sobrevivência cruzando pelo menos dois tipos de histórias que já conhecemos bem: garoto-encontra-garota e apocalipse zumbi.

Disse pelo menos dois tipos, porque a narrativa também usa elementos de histórias de superação de traumas pessoais e entre relacionamentos familiares, o que é uma novidade para o gênero. Quando pensamos em zumbis, pra maioria de nós, pensamos na saga Resident Evil, sim ou sim? Sobrevivência pura, adrenalina a mil. Mas os tempos são outros, há uma tendência em explorar as diversas interpretações desta imagem do zumbi. Que mensagem a presença deste tipo de personagem quer passar? Bom, isso depende.

Nesta produção da Netflix que estreou no último 08 de setembro, o zumbi pode funcionar como uma máscara, muito semelhante à máscara que o vilão Espantalho usa em Batman Begins. Uma máscara que deforma traços de humanidade, para quem não foi infectado pelo vírus fica evidente que o zumbi já não é mais um ser humano. Mas, é aí que #alive se diferencia um pouco das demais histórias do cinema.

Cenas como a da adolescente estudante e sua mãe na calçada ou a do marido que mantém a esposa zumbi trancada no quarto faminta intensificam o problema, humano ou não humano? Eis a questão. Em Batman Begins, a máscara do Espantalho associada ao alucinógeno criava um vilão grotesco, apavorante, um vilão que despertava o pânico nas pessoas. Atordoadas, as vítimas duvidavam se aquilo, o Espantalho, ainda era um ser humano.

Yoo, o jovem que acompanhamos na história de #alive se depara com esta questão em diversos momentos enquanto tenta encontrar uma maneira para se manter vivo. Embora o diretor tenha revigorado o gênero, sua fonte de inspiração é bem antiga na verdade. Mitos da Mitologia Grega estão presentes em praticamente todas as obras de ficção e serviram para dar uma dramaticidade mais pungente às criaturas de #alive.

Quem tiver bom faro para discussões políticas, vai perceber também onde mora a solução para o problema de sobrevivência do casal. O filme tem uma das cenas finais mais ácidas para filmes do gênero.

Enquanto assiste o filme, e se você jogou ou conhece a história de The Last Of Us, vai lembrar do que o personagem do game Joel dizia à Ellie, que a vida agora era aquela tal qual como se apresenta.

A busca pela cura em um apocalipse zumbi não parece ser o cerne da questão na grande maioria dos filmes. A solução proposta para garantir a sobrevivência geralmente caminha para o lado liberal da política. Aliás, é bem possível que “a cura”, neste tipo de narrativa, esteja associada ao autoritarismo e à ideologias totalitárias.

E aí é bom pensarmos no público que o diretor tinha em mente quando decidiu fazer este vídeo. Talvez, o jovem de hoje esteja buscando nas tecnologias de comunicação um modo de escapar de seu próprio apocalipse financeiro e emocional, sem se importar muito sobre o futuro da humanidade. Mas ops, é aí que #alive surpreende outra vez. Será que “não se importar muito com o futuro da humanidade” não é também um posicionamento político? A pergunta que surge no final do filme é: e agora, Yoo? Como é que se lida com a vida agora?

Sobreviver ao apocalipse parece não ser tão difícil assim quando nos deparamos com o fato de que vamos ter que continuar vivendo no meio desse caos total. Vamos precisar de máscaras, opa, de meios para justificar nossas escolhas.

O destaque da edição vai para a cena de transformação do zumbi e a sequência de planos e cortes seguinte. O que ficou faltando foi uma trilha sonora mais impactante.

Créditos

Texto e revisão: Valentina Gaztañaga

O texto apresenta as opiniões do autor do artigo e não do site Co-op Geeks.

«
Próximo
Postagem mais recente
»
Anterior
Postagem mais antiga