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Gabriel Martins 4.1.21




ATENÇÃO! Esse review contém SPOILERS de "Soul" da Pixar. Leia com atenção!


O ano de 2020 trouxe dois novos originais da Pixar, em março tivemos Dois Irmãos: Um Jornada Fantástica, uma fantasia urbana baseada em sistemas de RPG sobre a relação paterna e sobre valorizar aquilo que se tem ao invés de criar expectativas de algo que nunca aconteceu e alguns meses depois chega Soul, que não podia ser mais diferente. Esse filme possui outro visual, outro gênero, outro estilo de narrativa e alguns diriam atá voltado para outro público, mas que não deixa de ser tão bom quanto outros clássicos da Pixar. 

E como é bom ver a Pixar cumprindo sua promessa de focar em originais e deixar as continuações de lado, mostrando  como é poderoso o método criativo deles e como ele torna a Pixar um dos mais criativos e inventivos estúdios de cinema atuais, não só do ramo de animação, mas no geral.

Soul é dirigido por Pete Docter, atual chefe criativo da Pixar e responsável por Divertidamente (2015), e lá falou sobre relações humanas sob o ponto de vista de nossas emoções, e aqui em Soul trás um contraponto interessante, fala sobre a vida sob o ponto de vistas das almas, e discute sobre pelo o que vale a pena viver.


Parte 1 - O dia a dia de Joe Gardner

Homem negro, de óculos, chapéu coco, ele tem bigode e sorri. Ele está sentado dentro de um ônibus e está com uma dos braços na beira da janela, vemos ele a partir do lado de fora do ônibus.


O filme começa em ritmo de Soul, literalmente, já que isso é o nome de um gênero do jazz que rege a vida do protagonista Joe Gardner (Jamie Foxx) e a maneira como podemos nos conectar com ele. Ele tem um sonho, algo que acredita ser o propósito de vida: ele ama tocar jazz nós vemos como ele é bom e é de arrepiar como a musica está ligada ao Joe, e seus momentos músicas são muito incríveis, e o crédito disso vai para a dupla Trent Reznor e Aticcus Ross, que fizeram a trilha para o filme.

Mas a primeira quebra de expectativa vem aí: apesar do seu talento, paixão e esforço pela música, Joe nunca conseguiu tocar profissionalmente, seu maior sonho era entrar pra uma banda, coisa que ele preferiria ao invés de dar aula de música para adolescentes em uma escola. E Joe tem aquela sensação de que sua vida só vai começar e só vai ter sentido quando seu sonho se realizar, pois esse é o seu propósito. E quantos filmes não abordam isso? De propósito e missão na vida? Porém estamos falando de Pixar e com certeza não veremos isso de forma cliché.

Logo aqui no início temos uma cena muito interessante durante uma aula cansativa de Joe onde nenhum aluno está prestando atenção, exceto uma garota tímida, que ao ser encorajada mostra um talento incrível ao tocar trombone. Isso faz chamar a atenção de Joe por um momento, um pequeno e simples acontecimento de sua vida, que sará importante na epifania final do personagem.

O filme segue aumentando as expectativas do personagem pois ele finalmente consegue uma chance de tocar em uma banda, a que ele acredita ser a chance de sua vida. Porém ele sofre um acidente, e vemos sua alma deixar seu corpo e seguir outro caminho.


Parte 2 - Mundo das Almas

Cenário abstrato de uma cafeteria, cheia de comidas em prateleiras, tudo é levemente translucido. No centro tem dois seres humanoides, verdes e semitranslucidos, na esquerda tem a 22, tem formas redondas e olha com desconfiança. Na esquerda tem Joe, que é mais cilindrico que 22 mas das mesmas cores e ele usa oculos e chapéu coco. Ele segura empolgado um pedaço de pizza.


Após a possível morte de Joe é que começa a chuva de conceitos: de vida, morte, pós-vida, e pré-vida, que são dificílimos de explicar ou até mesmo entender, por serem abstratos demais, mas a Pixar consegue deixar tudo simples e direto, mas ao mesmo tempo carregado de significado. 

Joe não que seguir para o pós-vida, e acaba chegando no Grande Antes, onde as almas são treinadas e desenvolvem suas personalidades antes de chegar na Terra, orientadas por entidades chamadas Terry, que são translucidas, em 2-D e tem formas geométricas peculiares.

Joe conhece então a 22 (Tina Fey), uma alma que está há muito tempo lá e nunca achou seu propósito, o seu último componente que precisa ter em seu broche para enfim vir para a Terra. O problema é que a alma 22 não quer vir para a Terra, e temos uma cena muito engraçada mostrando todos os outros mentores, almas que já viveram mas ainda não foram pro Além-Vida, que ela já teve, desde Abraham Lincoln e Madre Teresa, e todos falharam em conseguir ajudar 22.


Parte 3 - Reviravolta da Trama

Homem negro, de óculos, chapéu coco, ele tem bigode e sorri espantado enquanto olha pra cima. Ele está sentado no chão de uma calçada. Ele observa folhas secas caírem com o vento.


Ao que se parecia esse filme ia se passar inteiro no mundo das almas temos uma grande reviravolta, que foi completamente escondida pelos trailers: Joe e 22 acabam voltando pra Terra, porém 22 no corpo de Joe e no corpo de um gato e a partir daí por viver no corpo de Joe a 22 acaba por experienciar o que é viver e Joe começa as ver pequenas coisas que ele mesmo não percebia na sua vida, por estar agora vendo tudo em terceira pessoa. 

Há várias cenas lindas e emocionantes demais, como 22/Joe no barbeiro onde cada um lá fala sobre seus sonhos, e como eles não se realizaram por causa de circunstancias da vida, e nem por isso suas vidas são tristes ou incompletas. 22/Joe tem um encontro com a mãe, que não apoia a escolha de Joe de trocar uma carreira estável como professor por uma carreira musical, Joe acredita que sua mãe não intendeu ele, e acha que sem viver seu propósito ele não terá vivido direito. E outro conjunto de cenas que vale mencionar, são da 22/Joe vivendo pequenos prazeres como comer pizza, andar na rua de forma divertida, apreciar as pessoas a sua volta como um artistas de rua, encorajar sua aluna a não desistir do jazz, ou simplesmente sentir o vento balançando em uma árvore e ver suas folhas caírem em você. Tudo isso faz 22 querer viver a vida de Joe, e faz os dois disputarem, até que Joe é ignorante e desconta em 22, e briga com ela, joga ofensas que alimentam ainda mais as inseguranças dela.


Parte 4 - O Desfecho

Uma praia no por do sol. Em primeiro plano vemos dois pares de calçados na areia, um masculino e um feminino, são sapatos sociais os dois. E ao fundo na beira do mar tem a figura de duas pessoas negras olhando o horizente, um homem e uma mulher mais velha que abraça o homem.

E vamos para um dos conceitos mais profundos do filme: quando alguém ocupa seus pensamentos com objetivos de vida/ideias negativas de formas obsessivas isso consome sua alma e te transforma num tipo de golem que não faz mas nada a não ser andar em círculos e repetir frases obsessivas. E é isso que 22 se torna ao voltar do corpo de Joe. 

Joe compreende duas coisas importantíssimas após isso:

- Ele revê toda sua vida, a partir de ver as lembranças de 22 em seu corpo. Ele percebe que mesmo não vivendo seu sonho ele teve uma vida incrível e completa, experienciou coisas boas e ruins, e cada momento que ele viveu fez tudo valer a pena e finalmente aceita que pode morrer, pode seguir em frente, mas antes precisa salvar 22.

- Ao ter essa epifania Joe percebe o quão rude ele foi com 22, e como todos os mentores anteriores dela foram impacientes também. Por baixo de tanto sarcasmo 22 tem grandes inseguranças assim como todo mundo, e Joe consegue mostrar a 22 que ela tem valor, que ela tem um propósito e que ela pode ir sim pra Terra.

No fim 22 vai para a terra, numa cena linda junto de Joe que está pronto para morrer, eles se despedem e em dado momento 22 segue sozinha, pois finalmente está pronta pra isso, ela solta a mão de Joe e vem para Terra. 

Joe ganha uma segunda chance antes de morrer. É um final bonito e esperançoso, não deixa de ser justo por ser assim. Ao mesmo tempo caberia aqui um final onde Joe morre, assim como o personagem mesmo apreendeu, ele viveu um vida completa e se aquela fosse sua hora tudo teria valido a pena. Mas ele ganhou uma segunda chance para redescobrir o que é viver, ganhou mais tempo para apreciar as coisas que só descobriu recentemente que são importantes.



Soul está disponível na plataforma de streaming Disney Plus.


Créditos

Texto: Gabriel Martins

Revisão: Gabriel Martins e Felipe Lima


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