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» » » » » » » » » » » A mitologia e o folclore em Cidade Invisível


Felipe Cavalcante 6.2.21

Imagem de capa: fundo azul e laranja com várias borboletas azuis e os personagens da série, da direita para a esquerda, Camila, uma mulher negra com um vestido branco feito de renda, Inês, uma mulher branca com cabelos longos e pretos, num vestido antiquado vermelho com um cinto de três fechos, Eric, um homem branco de cabelos pretos com barba por fazer em uma camisa cinza e um jeans velho e Isac, um garoto negro com uma camisa vermelha listrada e um lenço vermelho, e mais atrás temos uma silhueta escura de um homem com a cabeça pegando fogo.


"E se essas histórias folclóricas fossem reais e vivessem entre nós?" é um tropo já conhecido e só nos últimos vinte anos tivemos séries como Buffy, a Caça Vampiros, Grimm, Supernatural e tantas outras que usam essas criaturas e seres míticos clássicos de lendas e contos e é a premissa de Cidade Invisível, a nova série da Netflix, uma produção nacional que traz as figuras do folclore brasileiro para a tela com uma nova roupagem.


A série não é completamente fiel àquelas histórias que ouvimos, puxando e adaptando alguns traços de personagens, mas no geral é um retrato bastante interessante das figuras do folclore do país e por isso decidimos fazer essa lista para falar quais criaturas aparecem ao longo dos episódios da série.


ATENÇÃO. Esse post contém SPOILERS da primeira temporada da série 'Cidade Invisível'. Leia com cuidado!


1 - Tutu Marambá


Imagem: foto de uma ilustração em pincel do Tutu Marambá, uma criatura de peluda e escura, com a cabeça de javali ou porco, olhos pequenos e brilhantes, presas afiadas e longos braços com garras, andando pelo telhado e ao lado um pincel preto.

Ilustração por Lorena Herrero (@HetThePumpking)


O personagem Tutu da série pode até parecer um lobisomem, mas na verdade ele é uma criatura conhecida como Tutu Marambá, uma espécie de bicho-papão.

Segundo a lenda, o Tutu Marambá, ao contrário do lobisomem brasileiro que assum a forma de uma criatura semelhante a um porco doméstico, o Tutu sobre nos telhados e é conhecido por estar sempre perseguindo as crianças arteiras e que não querem ir para a sua cama.


2 - Saci

Imagem: ilustração do Saci Pererê em uma floresta, um garoto negro e careca de uma perna só, usando um calção vermelho e segurando um capuz de barrete vermelho em uma mão e na outra fazendo várias moedas de ouro caírem.


O Saci Pererê é uma das figuras mais conhecidas do nosso folclore, sendo apresentado sempre como um garoto negro de uma perna só que usa um capuz vermelho e que sempre faz travessuras dentro das casas, como colocar açúcar, trocando as coisas de lugar no saleiro ou dando nós nas crinas dos cavalos.


Diz a lenda que se alguém consegue roubar a carapuça do Saci tem o controle sobre ele e pode mandar que ele faça qualquer tarefa, que ele obedecerá e que ele tem o poder de conjurar um redemoinho de vento, podendo ser capturado e preso dentro de uma garrafa. 


3 - Curupira


Imagem: ilustração do Curupira como um garoto com roupas indígenas, rosto alongado, cabelos feitos de fogo e pés virados para trás em posição de salto e fundo em árvores.


O Curupira é o espírito protetor das matas, muitas vezes tendo a forma de um garoto travesso com a pele e/ou os dentes verdes, os pés virados para trás para enganar os caçadores que seguirão as suas pegadas em vão, os cabelos feitos de fogo e montando um porco-do-mato. 


Diz a lenda que ele muitas vezes imita a voz dos animais e possui um assobio que confunde e desacorda os caçadores que ousam abater mais do que precisam. 


4 - Iara


Imagem: a figura de uma mulher indígena com o rosto com listras pintadas, cabelos negros e longos, nadando debaixo da superfície de um rio, a cauda de peixe e folhas de plantas aquáticas flutuando ao redor.

Ilustração por Bianca Duarte


A Iara aqui é reimaginada, mas não a partir apenas das histórias indígenas, mas dos relatos de sereias que existem mais ao sudoeste do Brasil, em que essas figuras atraem os homens para afogá-los nas águas do mar.


A lenda da Iara ou Mãe-D'água conta que ela é uma mulher com cauda de peixe coberta de escamas que canta na beira dos rios atraindo o homem com o seu canto e protege os peixes das águas da floresta.


5 - Boto


Imagem: ilustração de um homem muito bonito e de cabelos rosa saindo das águas de um rio iluminado pela lua cheia, as roupas brancas com detalhes cor de rosa.


Na série temos a aparição de um boto cor-de-rosa e que desencadeia toda a história. Nas lendas o boto é conhecido por se transformar em um homem muito bonito nas noites de festa em lua cheia, sair do rio e seduzir as mulheres, muitas vezes deixando-as grávidas de filhos seus.

O boto sempre usa um chapéu de palha quando está em forma humana, porque não pode revelar o buraco que existe no alto da sua cabeça que é por onde ele respira, seja em forma animal ou humana.


6 - Corpo-Seco

Imagem: ilustração em caneta e tinta de uma criatura morta viva, um cadáver com apenas um olho e árvores ao seu redor.


A lenda do Corpo-Seco conta a história medonha de um homem que era tão mau que nem o Céu ou o Inferno quis aceitar a sua alma, então a própria terra o cuspiu como uma criatura medonha sem rumo e ataca as pessoas que se aproximam dele, matando-as com o seu abraço mortal.


Na série temos a presença do espírito de um Corpo-Seco que tem o seu túmulo invadido e por isso passa a possuir os corpos de outras pessoas para completar a sua vingança.


7 - Cuca


Imagem: ilustração de uma mulher velha, uma bruxa, com braços pálidos e de unhas compridas segurando um cajado feito de árvore com várias pequenas borboletas sobre a superfície dele, longos cabelos pretos, colares feitos de dentes e uma máscara feita com o crânio de um jacaré, e ao fundo várias árvores escuras.

Ilustração por Miruton Rafael Castro

Muita gente tem em mente aquela imagem da Cuca como uma bruxa com cara de jacaré, mas ela é uma figura do folclore que tem base nas histórias do bicho-papão e de bruxas europeias trazidas para cá.

Nas lendas ela era uma bruxa com aspecto assustador e que vinha atrás de crianças desobedientes para devorá-las.



Créditos


Texto: Felipe Lima

Revisão: Felipe Lima




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