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» » » » » » » » » » » » Snyder Cut de Liga da Justiça: A fênix de Zack Snyder? (review SEM SPOILERS)


Felipe Cavalcante 20.3.21

Imagem de capa: os personagens da direita para a esquerda, Ciborgue, um homem negro com o corpo metálico e robótico, com um dos olhos substituído por uma luz vermelha que também ilumina o seu peito, o Flash, um garoto branco em uma armadura vermelha, capacete com detalhes de raios amarelos, o Batman, em uma armadura cinza-escura e capa preta, o Superman em um uniforme preto com um diamante e o S no peito, a Mulher-Maravilha, com as mãos na cintura, uma armadura e uma saia de guerreira grega, com o busto vermelho e uma espada em suas costas e o Aquaman, um homem grande e barbado, em uma armadura de escamas com um tridente nas mãos, todos no topo de uma construção com um nascer do sol por trás, olhando para frente.

A versão do diretor Zack Snyder de Liga da Justiça finalmente chegou para responder se essa seria, enfim, a redenção da história idealizada por ele, e que tanto foi alvo de súplicas e polêmicas dos fãs nas redes com o movimento pelo #SnyderCut.

Talvez esse filme não seja a redenção da visão de Zack Snyder dos personagens da DC Comics, mas, com toda certeza, esse é um bom filme. 


Imagem: cena do filme na qual Aquaman, Mulher-Maravilha e Ciborgue entram dentro do covil alienígena e estão em posição de ataque, ao redor tudo parece metálico e distorcido, como se fosse uma nave alienígena e energia amarela e chamejante atravessa as paredes ao redor.

A nova versão do filme é uma melhoria em vários aspectos do que vimos anteriormente com o produto final de Liga da Justiça nos cinemas. O enredo e o tom estão mais coerentes, as cenas respiram muito melhor, e, com raras ocasiões, em que algum acréscimo parece bem desnecessário, tudo faz muito sentido e até justifica que esse filme tenha quatro horas de duração. 

Podemos dizer que o medo de alguns de que o Snyder Cut fosse apenas uma versão de diretor sem nada a mais acrescentar é infundado. O Snyder Cut, com toda certeza, é uma coisa própria e não apenas o Liga da Justiça de 2017 novamente. É um filme longo, exaustivo, mas ao mesmo tempo envolvente e divertido de ser ver, no mínimo, e novamente "sombrio e realista" como Snyder se propôs desde que começou a trabalhar com os filmes da DC, e o que já era visto em sua filmografia anterior. 


O filme também tem um certo exagero (dá-lhe slow motion), mas de uma maneira boa, afinal, estamos lidando com super-heróis, praticamente deuses no mundo moderno, e esse tom faz sentido ali dentro. É também cheio de personagens, cada qual com o seu núcleo, e a decisão de dividir o filme em blocos pareceu acertada para ajudar na digestão de tanta informação.


Imagem: o Lobo da Estepe, uma criatura humanóide de dois metros de altura, enorme e com o corpo coberto por uma armadura metálica com vários espinhos e pontas afiadas que se projetam para fora e um par de chifres em formato de machado, o seu corpo está cravado com várias flechas, mas ele permanece em pé, ao fundo uma paisagem de um campo com montanhas ao fundo.


Os visuais estão muito bem realizados, apenas falhando em algumas cenas e em outras, com aquele visual "vídeo game" que os blockbusters decidiram adotar recentemente. 

Eu não diria que o filme é violento, mas com certeza faz sentido ter uma censura mais adulta e se você se importa muito com a bruteza de super-heróis lutando com seus socos super-sônicos e matando os seus inimigos e vilões, esse aspecto talvez vá te incomodar um pouco no filme. 


Se fosse para apontar o centro desse filme poderíamos dizer que seriam três personagens: Ciborgue, Mulher-Maravilha e Superman. Não que o Batman de Ben Affleck não seja um dos grandes destaques nesse filme, mas o desenvolvimento e caracterização desses três personagens é o que mais tem nuances ou peso dramático. 


Imagem: o Ciborgue, interpretado por Ray Fisher, um jovem negro com a maior parte do seu corpo composto por um corpo robótico, feito de armadura metálica, o seu olho direito substituído por um olho biônico vermelho e uma luz azul pisca em sua testa, ao fundo os destroços de uma explosão soltam fagulhas.

Ray Fisher consegue entregar um personagem com um arco muito bem fechado e um peso dentro de si, e por mais que eu quisesse que algum momento ele dissesse "Boyah!", a caracterização mais sóbria desse personagem também foi muito boa. Além disso, o arco dele e a relação com a sua família são integrais para essa versão do Ciborgue e conseguem até mesmo ser emocionantes.


Imagem: a Mulher-Maravilha de Gal Gadot, de cabelos pretos e uma tiara de ouro nos cabelos, em uma armadura grega de combate e erguendo um escudo, enquanto encara o perigo. Ao fundo uma espécie de túnel ou instalação subterrânea.

A versão guerreira de Diana de Gal Gadot e o peso de antiguidade que existe na sua personagem foram muito bem espalhados dentro do filme, assim como nas Amazonas. Existe uma mística e senso de elegância na forma como elas são representadas que foi muito bom de ver em personagens femininas (apesar de uma cena envolvendo salto alto, isso foi estranho).


Imagem: a silhueta do Superman em seu uniforme preto com a capa flutuando por trás saindo de um túnel ou escotilha de uma nave alienígena.


Já o Superman de Henry Cavill surpreende, não por uma grande atuação, mas sim porque a sua morte tem um peso dentro da trama, seja na sua relação com a Lois Lane (Amy Adams) ou com sua mãe, Martha (Diane Lane), e você sente esse peso durante o filme todo. 


Sobre a participação de Jared Leto como o Coringa: não esperem por muita coisa. Não vai ser aqui que ele vai achar a sua redenção. Parece existir alguma maldição entre o ator e o personagem, já que ele nunca vai ter tempo de tela o suficiente para entregar uma versão marcante do Coringa.

Por fim, apenas um personagem pareceu dispensável, mas este é uma surpresa do filme e não vale a pena estragá-la.


O Snyder Cut de Liga da Justiça não é um filme perfeito ou o melhor filme da DC, mas com toda certeza é sólido, trabalha bem o tempo que tem para construir os personagens, as sequências são divertidas de se assistir e tem cenas de ação, com efeitos grandiosos, bem executadas. Tudo o que nos resta é balançar as cabeças nos perguntando a razão pela qual a Warner Bros. decidiu lançar a versão refilmada por Joss Whedon nos cinemas em vez desta, e, é claro, sabemos bem a resposta.



Créditos


Texto: Felipe Lima

Revisão: Felipe Lima e Júlia Capuano





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