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» » » » » » » A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas - uma animação necessária (REVIEW)


Lucas Lorran 7.5.21

Descrição de imagem: na imagem vemos a família Mitchell sentada a mesa, tomando café da manhã. Na imagem, o pai Rick está meio triste, pois sua esposa e seus filhos estão mais interessados em olhar seus celulares.


"Nossos defeitos podem nos salvar!" (SEM SPOILERS)

Tá todo mundo falando sim, e com razão. A nova animação da Sony Pictures Animation, distribuída pela esperta Netflix é um verdadeiro espetáculo visual e puro entretenimento em níveis surpreendentes. O filme é dirigido pelo recém chegado Mike Rianda e tem em sua produção a dupla que entregou ao mundo Homem-Aranha no Aranhaverso: Phil Lord e Christopher Miller. E não para por aí, grandes nomes do cinema e da Tv dão suas vozes no filme, como a hilária Maya Rudolph sendo a mãe Linda Mitchell e a nossa oscar-winner Olivia Colman, que dá voz  ao grande vilão da trama. Só por aqui, já sabemos que o filme é TUDOO, né?

O longa acompanha os desencontros e crises familiares dos Mitchells: uma família muito real cheia de conflitos, dramas e muitos defeitos. A filha mais velha Katie Mitchell é uma devota de tecnologia e filmes experimentais - pra lá de alternativos -, os quais são produzidos por ela própria no seu estúdio caseiro. Ela recebe a ajuda de seu irmão mais novo Aaron Mitchell (um garoto que tem grandes problemas de se relacionar com todo mundo) e um pug bem fofo e atrapalhado, Monchi. Os conflitos aumentam com o completo desincentivo que a jovem recebe de seu pai Rick Mitchell, o qual só tem olhos para a natureza e a vida offline. O circo atrapalhado deste lar doce lar fica completo com a desmotivada mãe Linda Mitchell, a qual inveja ter a família perfeita igual a de seus vizinhos. Só isso aqui já é história suficiente para uma trama, certo? Porém a vida de Katie parece mudar quando ela é aceita na faculdade de cinema da Califórnia, e seus dias de glória longe da sua família disfuncional estão prestes a chegar, o que não acontece porque simplesmente o mundo inteiro é alvo de uma revolta tecnológica, obrigando toda a família a ficar ainda mais unida.

O filme em toda sua apresentação não hesita em assumir o formato Youtube que estamos todos acostumados. Seja nas referências, seja nos efeitos e filtros. Tudo aqui nos leva a pensar que estamos assistindo a mais um vídeo da era Youtuber feat tiktoker, e acredite: é incrível. Em poucos minutos de filme, não só entendemos quão importante é a internet e a tecnologia atualmente, como também conhecemos muito bem todos os personagens, os quais facilmente nos cativam a cada frame. Os conflitos familiares de sempre estão lá, mas moldados à praticidade do mundo hiperconectado em que vivemos, e a todo momento a história nos faz assumir um lado: Katie ou Rick?; tecnologia ou vida off?... para, então, a cada novo ato nos surpreender com uma reflexão confortante.


Descrição de imagem: Na imagem vemos um robô branco segurando um celular. Na tela do celular vemos um rosto digital feito de de caracteres, o rosto é da vilã PAL, a qual está tem um semblante ameaçador.


É muito interessante a escolha do nome para o filme (The Mitchells vs the Machines em inglês), pois ao longo da trama, dois mundos são apresentados, duas narrativas paralelas são desenvolvidas: os Mitchells, mostrando como nossas vidas são afetadas pela tecnologia; e a Revolta das Máquinas, demonstrando o desapego que temos a tecnologia na mesma proporção que dependemos dela. PAL é a grande vilã, que mesmo tendo apenas um rosto digital, é perfeitamente expressiva e cruel (Olívia Colman, né papai?) em suas ações e opiniões. É muito interessante como o filme humaniza a tecnologia para nos fazer refletir sobre nossas relações familiares, fugindo (e até brincando) do clichê “a solução é o amor”. 

Outro ponto interessantíssimo na produção é a quantidade de referências a cultura pop cinematográfica. Desde cenas de ação fazendo referência ao O Exterminador do Futuro até um pequeno easter-egg de O Iluminado. Não é de se surpreender, visto que a personagem principal Katie é uma amante do cinema.

Você já pode até saber como termina a história da família Mitchell, porém aqui o mais importante é o trajeto. Não é à toa que os planos da Katie Mitchell são afetados pelo fato do pai decidir levá-la de carro para faculdade. É no caminho que nossos personagens se descobrem, e no meio de uma crise global, que eles precisam reaprender a conviver entre si. 

A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas é sem dúvida o filme de animação do ano. Um filme que encanta qualquer criança, e sacode vigorosamente qualquer adulto. Talvez o filme seja ofuscado por qualquer outra produção da Disney, ou Pixar, mas ele precisa sim ser exaltado. Ainda mais em uma época pandêmica com milhões de pessoas sendo obrigadas a ficarem isoladas com suas famílias enfrentando diferenças e se redescobrindo, e até para aquelas que estão sozinhas... quem diria que uma família tão complicada poderia ensinar que tudo bem sermos complicados: nossos defeitos podem nos salvar!


Créditos

Texto: Lucas Lorran

Revisão: Felipe Lima

Edição de Imagens: Maysa Nascimento e Gabriel Martins


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