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Felipe Cavalcante 1.6.21

Imagem de capa: fotos oficiais das atrizes Dove Cameron, uma mulher branca, loira de olhos azuis em um vestido azul-claro, como Lindinha, a atriz Chlor Bennet, como Florzinha, uma mulher ruiva e branc com um casaco cor de rosa e Docinho, interpretada por Yanna Perrault, uma mulhe negra, com o cabelo preto raspado e bem curto, em um casaco verde.

Quando recebemos a notícia de que a animação clássica As Meninas Super Poderosas iria ganhar uma série live-action pela CW, houve uma grande comoção dentre os fãs do desenho animado, especialmente por causa do histórico do canal CW e de suas decisões questionáveis em adaptações.


Além disso, a premissa da série focando nas garotas agora com os seus vinte e poucos anos e ressentidas de terem perdido a sua infância lutando contra o crime não inspirou muita confiança, mesmo com a produção e roteiro da ganhadora do Oscar, Diablo Cody (Juno e Garota Infernal) e Greg Berlanti (Arrow e Supergirl).

Os piores pesadelos, no entanto, acabaram se confirmando quando um roteiro do piloto acabou vazando para o público, e sendo confirmado como real, uma vez que ele foi imediatamente recolhido da internet por copyright e foi a tamanha vergonha alheia e péssima recepção do público nesse roteiro que nem todo açúcar e tudo o que há de bom poderia competir. 


As Meninas Super Traumatizadas

Gif: as personagens da animação, Lindinha, Florzinha e Docinho, respectivamente, uma menina loira com vestido azul, uma menina ruiva com vestido rosa e laço vermelho e uma menina de cabelo preto e vestido verde, numa rua. A do meio, Florzinha, levanta os braços tentando explicar algo e as outras duas ficam de boca aberta.

O reboot que será intitulado "Powerpuff" e terá no papel do trio as atrizes Chloe Bennet (Florzinha), Dove Cameron (Lindinha) e Yanna Perrault (Docinho) e o ator Donald Faison como o Professor Utonium teria alguns pontos que até poderiam ser interessantes... Se não fossem bem estranhos e exagerados.

O roteiro se inicia trazendo as meninas ainda crianças, combatendo o crime e sendo extremamente comercializadas pelo Professor Utonium, que as vê como produtos a serem vendidos para Townsville e não como pessoas reais. Uma mudança de tom bem assustadora para uma das poucas figuras positivas de um pai solteiro cuidando de suas crianças que vemos na ficção.

Além disso temos o Professor Utonium tendo um romance secreto com a secretária Sara Bellum?

E nós temos os conflitos das personagens: Florzinha mata o Macaco Louco, e isso gera um imenso trauma; Lindinha se torna uma ex viciada em cocaína e uma falida participante de reality shows e que esteve em reabilitação por diversas vezes e Docinho luta contra o crime secretamente e é uma mulher lésbica ou bissexual que por vezes trai a namorada e tem sérios problemas sexuais, já que no próprio roteiro a dita namorada reclama que elas estão num quarto e transando pela nona vez. Afinal, toda mulher sáfica é agressiva e "masculinizada" e, é claro, que se a Docinho era assim no desenho é porque ela só pode ser lésbica. 

Você sabe, é como a Peppa Pig costuma dizer: "isso é muito adulto". 

Ah, e não podemos ter uma série sem um vilão, então temos o filho do Macaco Louco, que está concorrendo ao cargo de prefeito contra uma candidata negra, e, já que ele é o vilão, você precisa odiar ele e a melhor maneira é ele jogar uma fala nada exagerada sobre racismo reverso e ser comparado com Elon Musk pelo narrador. Sutil. 

E para finalizar temos referências e mais referências, muito datadas ou muito aleatórias. É como se vários homens adultos de meia idade decidissem tentar conversar com a sua filha adolescente e jogassem termos como Instagram, Linkedin, Saúde Mental, o gorila Harambe (?) e Dirty Dancing (que segundo o roteiro do piloto é sobre você apenas querer ser uma vadia e dançar por aí) para tentar se conectar com o mundo atual. 

E, por fim, além de uma ou outra referência à super-heróis, temos lindos trechos de diálogos, como Docinho casualmente ameaçando vazar os nudes de Florzinha, Lindinha falando sobre o quanto ela tentou se manter no personagem para o Professor Utonium pela família ou Docinho dizendo que não vai usar um vestido já que isso é "heterossexualidade compulsória". 

Pérolas que nunca devem ver a luz do dia, graças ao bom povo de Townsvi... internet. 


O que podemos tirar de tudo isso?


Bom, que assim como foi com Riverdale, com produções de séries "dark" e "maduras" como Titãs, O Mundo Sombrio de Sabrina ou Fate - A Saga Winx, ainda se tem essa ideia de que um público mais velho deseja assistir versões sarcásticas, sombrias e desagradáveis de produtos infantis, recheadas de uso de drogas, sexo e violência.

Que é preciso pegar as fadas de Winx e tirar o brilho, as asas e o glitter, fazer o Robin dizer "fuck Batman" ou lidar com diversas questões problemáticas como abuso ou saúde mental e jogá-las ao léu sem nenhuma responsabilidade, porque isso é ser adulto.

O desenho criado por Craig McCraken tem uma premissa simples "um trio de garotinhas que também são super-heroínas, elas vão para a escola, brincam no recreio e derrotam monstros gigantes". Elas tem uma infância normal, um pai amoroso e até amiguinhos e ao mesmo tempo em que não tem uma infância normal, pois elas derrotam bandidos e podem voar ou atirar raios laser pelos olhos, e essa é meio que a graça do desenho. 

Em um episódio podemos ver as meninas lidando com algo supérfluo como ficar de castigo no quarto, justamente quando elas precisam muito salvar a cidade ou com medo de pegar sapinho e um super-vilão usando isso contra elas. 

Então, por que fazer uma adaptação em que você desfaz todo o ponto principal do material original e ainda faz as personagens se odiarem?

Qual o motivo de você querer tornar tudo açúcar, tempero e nada de bom?


Gif: o final de todos os episódios de As Meninas Super Poderosas, na qual vemos as três meninas, da direita pra esquerda, Lindinha, loira com olhos e vestido azul, Florzinha, ruiva com um vestido rosa e laço vermelho e Docinho, com cabelo preto e vestido rosa, flutuando em um fundo de coração com estrelas emergindo ao redor delas.

Entrementes a CW já confirmou que irá retrabalhar o piloto de "Powerpuff" e não irá continuar com o spin-off da série do Raio Negro, Painkiller

Não existe mais justiça nesse mundo, não?



Créditos


Texto: Felipe Lima

Revisão: Felipe Lima




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